ÍNDICE POESIAS

Cansei o corpo, sem fatigar o coração

As dores choram invisíveis

O vazio se faz pleno

Sem que eu percebesse...

Desfaleci...e caí

Haicais sobre a vida

Existe vida sem poesia?

Procurando os sons

O Balé dos surfistas

Nada foi estéril: tudo deu bons frutos!

Flores em haicais

Haicais em defesa da arte

Minha poesia agora canta sem mim


Trovas do tempo

Memórias se foram? Ou eu as mandei embora?

Pensamentos em versos (haicais)

Pontadas no coração

From dreams to accomplishments

Olhe a peteca...não deixe cair!

Viagens e travessias

Águas vivas

Amor sem voz

Sinto falta do teu abraço

A vida é rica ...Em riscos

A festa dos amigos

Dificuldade para aceitar o inexorável

Deus me fez e refez mil vezes!

As lutas do médico

Misticismo

Diálogo com o vento (discussão?)

A Garota da Estrada

Minutos

Primavera ...em Trovas e Haicais

Obrigada ao cinema

 
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CANSEI O CORPO, SEM FATIGAR O CORAÇÃO
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CANSEI O CORPO, SEM FATIGAR O CORAÇÃO


Fatiguei o meu olhar
mas o meu coração
continuou atento, sem
cansaço algum demonstrar.


A mente se exercitava
quando o corpo ficou exausto.
Fatiguei o meu corpo
mas não o meu coração.
Por isso lhe entreguei
o leme de meus pensamentos,
a direção desta cabeça inquieta,
sem qualquer hesitação.


Porque noites longas não há
para o pulsar de meu coração.
O coração comanda a minha mente;
direciona esta cabeça dinâmica
nas travessias dos dias,
na aventura das estações.


Cansei as mãos,
sem fatigar o coração.


Pernas e braços ficaram,
covardes, do lado de fora.
Mas este meu coração,
corajoso e lírico demais,
entrou em todas as grutas.
Sem medo, explorou cavernas
que o meu corpo se negou
a estudar e conhecer.


Porque meu corpo é medroso.
Meu coração age com audácia:
tem alma pioneira, ousada,
com pensamentos aventureiros.


As mãos e os pés cansei,
sem fatigar o coração.
No silêncio falei sem parar.
Enquanto a boca enrouqueceu,
força ganhou o pulsar do coração.


Fatiguei o meu corpo,
estes membros descartáveis,
sem cansar meu infatigável,
amoroso coração - indomável!


Theresa Catharina de Góes Campos
Teresópolis-RJ, fevereiro de 1965.


MENSAGEM DE SONIA ESPOSITO

From: Sonia M.Esposito
Date: 2009/3/26
Subject:  - CANSEI O CORPO, SEM FATIGAR O CORAÇÃO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Obrigada pelas lindas poesias ...
Envio para uma amiga em Santa Catarina que adora poesias; ela sempre te elogia ...
Beijos no coração!!!

Sonia*

 

AS DORES CHORAM INVISÍVEIS
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AS DORES CHORAM INVISÍVEIS

As dores choram por dentro,
a alegria constroi o riso,
a gargalhada, o sorriso.
As dores têm dificuldade
para achar companhia.
Sozinhas, desacompanhadas,
não saem à luz do sol.

As dores são leitos de rios,
ou como os veios das minas.
No coração, são as veias.
As dores são pessoais,
recônditos sombrios
bem individualizados.
Malditas e condenadas,
jamais seguem, as dores,
para o arquivo morto renegadas.

Mesmo se as lágrimas
não cobrirem o rosto,
o sofrimento vai atingir
os nervos e as células.
Mas o sofrimento pode
também fazer pessoas
mais humanas, gente melhor.
O sofrimento, às vezes,
pode curar a alma.

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife-PE, dezembro de 1982.


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/4/14
Subject: Muitíssimo obrigada, amiga Ana:Re: AS DORES CHORAM INVISÍVEIS
To: adfalcao

Amiga Ana:

Muitíssimo obrigada por sua atenção, em me avisar sobre o "n" que não digitei em "companhia", invisível para mim, mesmo depois de três leituras do poema!!!
E os outros que receberam o mesmo e-mail?...ninguém parece ter notado e, se notou, não encontrou tempo ou disposição para me avisar - por isso lhe devo agradecimentos.
Já enviei novo e-mail para o Walter, com o verso corrigido, graças a você.
Quanto a seus bondosos comentários sobre o meu poema As Dores Choram Invisíveis, jamais me cansarei de lhe agradecer.
E você fez tudo isso já se preparando para a sua próxima viagem, dia 16! Deus lhe pague! e proteja você de modo muito especial, em todos os seus projetos de vida, em suas realizações, pessoais e familiares.
Meus exames apresentaram alguns problemas (não se trata de câncer, mas de hipertensão arterial, osteopenia e algumas outras dúvidas); o resultado foi uma nova programação médica, que espero termine no dia 4 de maio próximo, porque viajarei para São Paulo no dia 07...
Por isso não fui hoje ao CCBB. O meu tempo disponível foi para ver as provas do livro nº12 de Ceres Alvim (Vertigem - uma beleza de edição, nos detalhes gráficos e no texto), saindo tarde da noite de seu apartamento.
Nesse livro,ela apresenta , entre os contos, o seu livro nº4, A Casa do Relógio de Sol (assinada com pseudônimo - Cândida Severiana, nome da avó de Ceres), para o qual escrevi um prefácio, também incluído em Vertigem. Graficamente, a primeira edição da obra foi de uma pobreza franciscana, uma publicação bem simples, agora reeditada como parte de Vertigem. Fiquei feliz com isso.

Carinhosamente,
Theresa Catharina

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2009/4/14 adfalcao

Theresa, sua poesia comove sempre porque expressa ora sentimentos doídos, pessoais, ora valores de todos, permanentes e universais.
Tomo a liberdade de apontar a digitação de "companhia".
Sua amiga
Ana

 

O VAZIO SE FAZ PLENO
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O VAZIO SE FAZ PLENO

Somente no amor,
em seus disfarces múltiplos,
o vazio se faz pleno.

Nada mais preenche os vazios
que pesam em nós, como fardos.
Sim, definitivamente, só no amor,
em nome do amor, os vazios se vão.

Dinheiro e poder, fumo e bebida,
só aumentam o peso dos vazios
que se tornam de repente plenos
na sonhada presença do amor.

Theresa Catharina de Góes Campos
Aljubarrota-Portugal, setembro de 1960.

 

SEM QUE EU PERCEBESSE...
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SEM QUE EU PERCEBESSE...

Fui surpreendida, distraída.
Sem que eu percebesse
a aproximação, as calúnias
me cercaram, me sitiaram.
Quando me dei conta,
nada mais pude fazer.
Porque, de súbito,
me vi sozinha, desolada,
numa aflição desmedida.

Passei por um naufrágio...
do qual jamais fui resgatada.
Submergi, num desespero
silencioso, sem respirar.
Num esforço consciente
e por obra e graça de Deus,
emergi, afinal, com fendas
invisíveis na alma negligenciada
pelos que me cercavam
ou de mim se aproximavam.

Fui me fortalecendo,
a cada dia me salvando
de meu naufrágio íntimo.
Nessa tragédia pessoal,
nenhuma oportunidade
para eu me defender
me foi proporcionada.
As dezenas de cartas
que resgatei são provas
do êxito em convencer
aqueles que jamais deveriam
ter se deixado enganar.

Calúnias não precisam
ser repetidas. Uma vez só
que sejam ditas...é o bastante.
Quando são por escrito, então,
têm efeito contínuo, devastador.

Fiquei cimentada no turbilhão
das calúnias que, alheias
à minha verdade, continuaram
a me prejudicar sem trégua.
Ou talvez não...pensando melhor,
compreendi ter sido preservada
na minha individualidade,
demonstrando a mim mesma
- e talvez para alguns outros-
ser mais forte que a covardia
das mentiras absurdas, mas
sem questionamento aceitas.

Sou. Apesar das calúnias.
Apesar do mal, aqui estou,
vivenciando esta vida que
de Deus eu recebi...e venho
preservando, minuto a minuto.
Sou e permaneço. Caminho
em direção à eternidade
de onde vim e para onde vou.

Não foi um golfinho...
que me trouxe das águas profundas.
Quem me resgatou foi a fé,
inseparável da esperança,
que não me deixou submersa
para sempre. Voltei à superfície,
resgatada pelo sentimento
de gratidão ao meu Criador

Emergi liberta e libertada,
mas de algas ainda coberta,
sentindo as algas como se fossem
um manto de estrelas do mar.
Emergi liberta e preservada.
Voltei à vida onde eu sabia,
sem medo, respirar.
Longe do fundo do mar.
Aqui estou,de volta ao mundo
de máscaras e mil disfarces.
Eu, resoluta, com a ousadia
de caminhar sem máscara.

Theresa Catharina de Góes Campos

 

DESFALECI...E CAÍ
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DESFALECI...E CAÍ

Perdi o equilíbrio subitamente,
caí. Mas não sobre mim,
nos meus braços, não.
Caí nos braços de outro.
Foram esses braços
que me reergueram
e me fizeram o ânimo recobrar.

Na esperança reafirmada
me levantei, decidida.
O equilíbrio perdido foi,
afinal, estabelecido...
apenas por um momento.
Porque voltei a cair
tantas, repetidas vezes!

Desfaleci e caí
sobre mim mesma.
O peso de minha alma
caindo no meu próprio corpo
até que minhas forças físicas
ganharam novo alento.

Desfaleci...e caí.
E, com toque divino agraciada,
no espaço do nada que se fizera,
consegui me ver por inteiro,
e ouvir...o que antes não ouvia.
Para meu corpo se pôr de pé,
com bênçãos divinas agraciado,
sempre, sempre, a cada queda.

E porque o espaço que eu tinha
só existia de verdade no meu coração,
desse espaço infinito tomei posse.
Ainda que de forma não convencional...
sem documentos, silenciosamente.
Fazendo desse território a desbravar
uma conquista infindável, perene,
uma exploração jamais terminada.

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - PE, 28 de dezembro de 1982.


From: Heloisa Guimaraes
Date: 2009/4/15
Subject: Re:DESFALECI...E CAÍ
To: Theresa Catharina de Goes

Querida Theresa Catharina,

Ainda aqui pelo Rio, em agradável convívio com familiares e amigos (retorno no domingo), é muito reconfortante desfrutar dos seus poemas, a certeiramente nos mostrar, em suas iluminadas palavras, situações tão úteis a uma elevada reflexão sobre os desafios da nossa humana vivência. Percebo que este belo DESFALECI...se articula muito bem, dentre outros, com aquele, que profundamente aprecio, SER e CONVIVER, pelas apaziguadoras conclusões que encerram.
Tocando em coisas triviais,
fico muito agradecida também pela remessa da programação de cinema daí, o que é ótimo para guiar meu agendamento, na matéria que nos é tão cara, estando eu prestes a regressar. São finas gentilezas, bem próprias da d. Theca...
Que as bençãos pascais permaneçam ano a fora!
Com um afetuoso abraço, a sempre amiga

Heloisa Helena

 

HAICAIS SOBRE A VIDA
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HAICAIS SOBRE A VIDA
(pequena coletânea sobre temas diversos)
Theresa Catharina de Góes Campos


HAICAI DO ENIGMA

Se no abismo joguei,
no fundo do mar escondi,
no coração encontrei.

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HAICAI DO PROBLEMA


Ao buscar a solução
de um problema a resolver,
temos um novo problema.


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HAICAI DA FONTE


No deserto, um poço eu vi,
ouvi...a melodia escondida,
percebi: é uma fonte !

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HAICAI DO AMIGO

Seria uma pessoa qualquer...
Percebi a amizade,
revelou-se o ser humano.


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HAICAI : DÚVIDAS


Se a certeza for dúvida,
busque nessa incerteza,
toda a certeza escondida.


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HAICAI DO CINEMA


Quando a imagem imóvel
tem movimentos e sons,
eis o cinema a falar.

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HAICAIS SOBRE A VIDA

A cada imprevisto,
nos constantes desafios,
eis a vida nos ensinando.


Se tudo que veio
agora se foi,
a vida se fez efêmera.


De susto em susto,
de surpresa em surpresa,
segue a vida nos fortalecendo.


O que tenho agora,
no decorrer do tempo,
um dia irá embora.


Em todos os passos,
a cada minuto respirado,
a vida fala...


De sobressalto em sobressalto,
quando menos esperamos,
a vida nos dá ultimato.


A cruz de cada um é diferente,
pois cada um de nós é diferente
ao tomar um caminho divergente.


Desfalecida ou
confiante demais,
a vida ressurge.


As horas do sol não
seguem o mesmo relógio
de nosso horário de verão.


Nada foi estéril
sob as bênçãos de Deus:
tudo deu bons frutos!


Deixando suas marcas,
nos sonhos e nas pressões,
a vida nos faz rodopiar.


If (when) all is already gone,
thus it is time to restar,
the best time to dream.

(Tradução do original:

Se (quando) tudo já se foi,
assim é o tempo de reiniciar,
o melhor tempo para sonhar. )


All is gone...but,
everything still inside me.
So, nothing is really gone!

(Tradução do original:

Tudo se foi...mas,
tudo ainda dentro de mim.
Então, nada realmente se foi ! )


O sonho renasce
da desilusão transformada,
pronta a ser realidade.


Nas dores e alegrias, em
todos os momentos, Deus
que é Vida nos dá a mão.


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HAICAI SOBRE A CALÚNIA

A calúnia silenciou,
quando eu mais precisava,
amizades de algumas décadas.


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HAICAI DA FLOR

A flor que admiro,
era um botão ontem;
foi semente anteontem.

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HAICAI DA CHUVA

A grama sem vida
canta pra chuva
que foi embora, voltar.

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HAICAI DA VIDA

Nas dores e alegrias, em
todos os momentos, Deus
que é Vida nos dá a mão.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo -SP, julho/2007 e dezembro/2008

 

EXISTE VIDA SEM POESIA?
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EXISTE VIDA SEM POESIA?


Rasgando minha carne,
atravessando o coração,
os poemas saíram de mim.
Espirrando sangue,
explodindo em dores,
libertaram-se meus poemas.


Transformaram células,
me viraram de cabeça
para baixo, estes poemas.
Mudaram o metabolismo,
chamaram as lágrimas,
fizeram de tudo, estes poemas!


Para vir à luz,
meus poemas rebeldes
convocaram o coração.
Com a sua sensibilidade,
alteraram meus hormônios,
irritaram, agitaram meu cérebro,
estes poemas insistentes,
que desvendaram minh´alma.


Não tenho mais segredos,
nem confidências:
meus versos disseram tudo!
Da infância à terceira idade,
em corpo e alma,
os poemas me revelaram.


De surpresa em surpresa,
de susto em susto,
o corpo não me dá trégua.
De imprevisto em imprevisto,
fico em sobressalto, sou
conduzida a médicos e hospitais.


Às vezes meu corpo
até expulsa de mim
a vida da minha vida,
a poesia redentora.
Ou será que ela,
por decisão própria.
consciente, prefere,
percebendo a situação
acima de suas forças,
sair de mim, discreta
e serena, de mansinho,
talvez para não atrapalhar
os tratamentos...ela,
a poesia que tudo parece
ver e compreender ?


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 13 de abril de 2009


From: Faustino Vicente
Date: 2009/4/28
Subject: PARABÉNS - EXISTE VIDA SEM POESIA?
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Dra.Theresa

Opinião da Sra. Júlia F. Heimann (escritora e poetisa), que foi Presidente da Academia Jundiaiense Feminina de Letras. Parabéns.

Faustino

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De: julia fernandes heimann
Enviada em: terça-feira, 28 de abril de 2009 06:53
Para: Faustino Vicente
Assunto: Re: EXISTE VIDA SEM POESIA?

Parabéns ao senhor e à sua amiga. Poesia linda!

Um abraço.
Julia

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2009/4/27 Faustino Vicente

...com muito prazer, poesia da minha estimada amiga – Dra. Theresa Catharina de Góes Campos. Grato pelas atenções.
Faustino Vicente – Jundiaí (Terra da Uva) São Paulo - Brasil

 

PROCURANDO OS SONS
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PROCURANDO OS SONS


Porque tanto chorou,
mas muito mais sorriu,
bem melhor viveu.
O baobá imponente tem
raízes majestosas,
imensas como sua força
de árvore sem medo.


O sono da liberdade,
o sonho da libertação,
tem gosto de urgência,
uma voz indisfarçável.


O espantalho erguido nos campos,
ainda que sem vida real,
guarda a vida latente,
protege o pulsar das sementes.


Realejo a encantar
a garotada irrequieta
com melodia de anjos
disfarçados na imagem,
visíveis nos sons.


Cadê a gaita? E o violão?
Cadê a flauta, aonde foi ?
Quem levou a sanfona?
Quem escondeu o bandolim?
Tenham paciência...
daqui a pouco voltam:
foram buscar os sons !


Theresa Catharina de Góes Campos
Estoril-Portugal, setembro de 1960

 

O BALÉ DOS SURFISTAS
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O BALÉ DOS SURFISTAS

Minha homenagem aos surfistas de todas as idades, inspirada nos filmes:

Riding Giants - No Limite da Emoção (2004), Surf Adventures (2002), Surf Adventures 2 - A busca continua (2009)* e outros documentários sobre os praticantes de surf, aos quais dedico muita admiração: gente alegre (até nas competições), saudável no corpo e, sobretudo, no coração e na alma. Parabéns a todos os surfistas. Inspirados em sua amizade com o mar, surfam, inclusive, na pororoca amazônica!* Têm paixão renovada, um amor fiel às ondas, pois se entusiasmam para praticar o que amam! Eu fico admirando, deslumbrada, embevecida diante da coreografia de seu balé. Mal consigo balbuciar para mim mesma, que nunca surfei na vida: obrigada, muito obrigada por tudo de bom que me transmitem. Continuem a viver sua existência abençoada!


Nas vibrações de grande ousadia,
as ondas do mar eles surfam,
seus movimentos coreografando,
nas luzes do sol dançando.
Beleza na espuma criam...
enquanto os túneis cruzam,
no traçado surpreendente,
caminhos que conquistaram;
nos raios de luz deslizando,
como esquiadores nas águas,
equilíbrio e graça a buscar.


Corpos e mentes moldados,
na cavalgada esculpidos
por ondas gigantes do mar.
São corações embevecidos,
sempre jovens no entusiasmo,
para sempre conquistando
as lembranças das águas
com eles bailando,
à sua volta dançando,
a seu lado, a seus pés
também se exibindo.


Os surfistas amam de verdade.
Sabem amar de forma perene,
com fidelidade e amor renovados.
Não são possessivos,
nem acusam o mar
de qualquer exibicionismo.
Os humores do mar aceitam,
com ele interagem, convivem.
Os movimentos que esperam,
com paciência, vão acontecer.
Nada mais pedem às ondas.
Sua chance para interagir,
tão à vontade na espuma bailar,
com certeza chegará.
Esses encontros valorizam;
o toque, a passagem das
águas indômitas à qual se
associam e acompanham,
a liberdade delas admirando.


Sabem que não dominam
as ondas que tanto admiram.
Delas querem ser amigos,
conquistar sua companhia.
De coração e mente tão
saudáveis como seu corpo,
seu amor expressam,
por breves e belos momentos
nas águas dançantes,
que têm pressa, por isso velozes,
pelos corredores dinâmicos.
Os surfistas apreciam o dom
de caminhar naquela imensidão
plástica, na beleza das ondas,
suas amigas independentes
desde o início dos séculos.


Sensíveis à natureza,
não são apenas corajosos.
Não são apenas ousados.
Nem somente habilidosos.
Os surfistas são gratos
pela harmonia do encontro
com as ondas do mar, todas
com a sua personalidade
própria, seu roteiro definido.


Que gente maravilhosa!
" Deus deve sorrir muito,
também embevecido
ao ver os surfistas ",
em seu balé nas águas...


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 29 de abril de 2009
(Dia de Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja e minha protetora - como Santa Teresa D'Ávila - além de homenageada por meus pais ao escolherem o meu nome tão abençoado.)
------
*

SURF ADVENTURES 2 - A busca continua

www.surfadventures2.com.br
www.paramountpictures.com.br/surfadventures2/

NOTAS DA EDITORA:

1) Pela primeira vez no cinema, o surf em plena região amazônica, na pororoca do rio Araguari, no Amapá, com imagens surpreendentes.

2) Encerrando o roteiro, palavras em que também acredito, por isso gosto imensamente dos documentários sobre o surfe e seus praticantes, como seres humanos, esportistas e professores:

"O surfista cada dia vai enriquecendo sua alma...conhecendo pessoas, culturas e locais."

3)Antes do início dos créditos finais, o apelo a uma conscientização e mudança de atitude, em prol do planeta e de todos nós:

"Toda forma de vida vem do mar. Não polua os oceanos."

4) Veja o filme - não deixe que as críticas negativas o convençam a não ir assistir- lembre-se de que a proposta de documentários como este é diferente. Aproveite as viagens, ouça os depoimentos, admire as cenas deslumbrantes nas ondas do mar, inclusive a ousadia dos que realizam a filmagem desses momentos. Sim, há imagens descartáveis, assim como alguns comentários, no decorrer de "Surf Adventures 2 - A busca continua", mas a maioria não é. Saia com calma da sala de cinema - assista aos créditos finais, até o fim. (Já escrevi antes e vou repetir, com muita convicção:pressa, só devemos ter para salvar vidas.)

5) Ver outros filmes (documentários), sobre surfistas e a sua vida, em nossos sites.

Theresa Catharina
Brasília, 30 de março de 2009.

 

NADA FOI ESTÉRIL: TUDO DEU BONS FRUTOS!
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NADA FOI ESTÉRIL: TUDO DEU BONS FRUTOS!


Tudo que restou,
em minha vida mutilada,
terminou florindo
sob as bênçãos de Deus;
oferecendo bons frutos,
sob o olhar divino!


Também o que se foi
(rasgando feridas abertas,
expondo para sempre),
igualmente floriu...
sementes e frutos
pelo caminho deixando,
sob as graças de Deus.


Nada infértil se mostrou.
Derrotas e vitórias deram frutos...
ainda que em meio a lágrimas.
Nada, absolutamente nada
na minha existência se perdeu.
O ideal a tudo transfigurou.
Tudo deu frutos: alegrias e dores.
Tudo floriu, até os insucessos,
mesmo o que parecia sem valor
ou de mínimo tamanho...
até os detalhes se mostraram
bastante significativos.


E sementes boas deixando,
quase tudo venceu derrotas,
nada estéril se revelou,
sob as bênçãos do Criador.
Tudo deu bons frutos.
Inclusive a árvore condenada _
pelos raios da trovoada atingida _
que legou madeira para aquecer
a casa com bons frutos
por todo o pomar se exibindo.


Até as sementes do medo,
nos campos da ousadia
na vocação assumida,
em atos de coragem frutificaram.


Mergulhando no que seria derrota,
dali eu trouxe a vitória:
pequenina, invisível para todos, mas,
sendo por Deus inspirada,
vitória por demais suficiente,
bastante perceptível para mim,
muito grata, agradecida
à vida que remendei,
à vida aos poucos reconstruída.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 29 de abril de 2009 (no calendário católico, Dia de Santa Catarina de Sena).


From: artemis coelho
Date: 2009/4/30
Subject: RE: NADA FOI ESTÉRIL: TUDO DEU BONS FRUTOS!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Lindo, muito lindo. Artemis


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/5/1
Subject: Re: NADA FOI ESTÉRIL: TUDO DEU BONS FRUTOS!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina: Admiro suas poesias otimistas. Luci

 

FLORES EM HAICAIS
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FLORES EM HAICAIS

_ Flor tem asas?
_ Nem na ficção!...
_ Sim, asas no coração !

---------

Deixemos as petúnias
sossegadas no jardim,
vestindo-se pra festa.

--------

Como sino a badalar,
o miosótis repete:
não te esqueças de mim!

----------

Só os bulbos das tulipas
conhecem cores e matizes
que ao sol revelarão.

-- -------

Apesar da timidez,
a violeta tenta dizer:
água demais, não!

-----------
Como o sol não apareceu,
nem decidiu se vai sair,
o girassol não se mexeu.

-----------

De ninguém a orquídea
aceita, sem reagir,
tratamento negligente.

------

Lírio sem mancha
rompeu a terra, mas
não quer enfeitar o salão.

--------

Nesta ciranda de versos
que as flores adornam,
a poesia do haicai surgiu.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo- SP, 13 de novembro de 2008.


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/5/27
Subject: Caríssima Ana: adorei seus haicais! Obrigada pela revisão!Re:
FLORES EM HAICAIS - Theresa Catharina de Góes Campos

Caríssima amiga Ana:

Sinceramente, adorei os seus haicais! Que versos lindos, delicados, comentando outros versos...
Muitíssimo obrigada por sua revisão. (...)
Ao mesmo tempo, logo pretendi fazer uma nova revisão, pessoal, uma certa melhoria nestes haicais de jardineira lírica...

Tudo isso motivado por seu e-mail, que me incentivou a fazer outra bem-vinda revisão (ver a seguir).

Abreviei alguns versos, assim obedecendo às regras de simplicidade na estrutura tradicional do haicai, tornando cada verso bem mais leve e até com rimas mais freqüentes. Ah, o resultado me pareceu bastante visível, um pequeno milagre das revisões! Da sua revisão seminal, as minhas revisões, tão necessárias.

Enviarei sem demora ao Walter essas correções, para substituírem os haicais agora exibidos na internet.

Realmente, como lhe agradecer devidamente?
Que Deus abençoe os e-mails que me escreve, a sua disponibilidade para me auxiliar com os seus conhecimentos!
Não sei mesmo como lhe agradecer! Só Deus para lhe agradecer em meu lugar.

Abraços carinhosos de quem muito a estima,
Theresa Catharina

 

HAICAIS EM DEFESA DA ARTE
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HAICAIS EM DEFESA DA ARTE


Sem a arte apreciar,
não promover os artistas
já é uma perseguição.

-----

Sem novidades trazer,
sem limites a romper,
não se vai arte fazer.

-----

Com ou sem cores,
sugerida ou declarada,
arte tem vida própria.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 22 de novembro de 2008.

 

MINHA POESIA AGORA CANTA SEM MIM
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MINHA POESIA AGORA CANTA SEM MIM
(haicais)

No caminho de minha vida
coloquei meus versos
para cantarem sozinhos.


Dependentes de mim
um dia foram meus versos.
Hoje se revelam independentes.


A poesia se desprendeu
do coração em que nascera
para não deixar de cantar.


Passou por tudo, minha poesia.
Por todas as agruras possíveis.
Aí, levantou a cabeça e saiu!


Nem sei como a poesia
chegou e resolveu ficar,
mas agindo com liberdade.


Na minha terceira idade,
a poesia também amadureceu,
ganhando sua independência.


Entra e sai quando ela quer,
conhece todos os seus direitos,
esta minha poesia independent.


Não me abandona de todo,
a poesia, me oferece fidelidade,
e por sua presença lhe sou grata.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 1º de maio de 2009


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/5/1
Subject: Re: MINHA POESIA AGORA CANTA SEM MIM!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina
Seus poemas são sempre originais! Diferentes. Luci
 

 

TROVAS DO TEMPO
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TROVAS DO TEMPO


O tempo que era
há muito se foi..
o dia de hoje vai
trazer o amanhã.


Veja se o tempo
deixou para mim
uma carta secreta
para eu abrir agora.


Revele se o tempo,
antes de ser ontem,
escreveu enigmas
para hoje eu decifrar.


Não esconda de mim
palavras que o tempo
em silêncio falou
só para meu coração.


O que faço hoje,
com o tempo que foi
e meu coração levou
sem a minha permissão?


O que poderei realizar
no amanhã desconhecido
se agora eu não decifrar
os meus códigos de vida?


Theresa Catharina de Góes Campos
Barra de São João - Rio de Janeiro, dezembro de 1963.

Concluindo:

Sei dar valor ao tempo que Deus nos concede e que Ele determina para vivermos nesta vida de aprendizado.
Todos os dias eu penso nos meus pais e no meu irmão falecidos, porque foram muito presentes em minha existência, no meu coração e na minha mente.

Na verdade, nossos entes queridos estão vivos, mais vivos do que nós. Nós é que não os vemos, porque nossos olhos são imperfeitos e, como Saint-Exupéry tão bem escreveu, em "O Pequeno Príncipe", "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."

Considerando que somos tão limitados em nosso olhar, cultivemos a memória sensível do coração.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 06 de junho de 2000


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/6/8
Subject: Desculpe-me, amigo! Não soube me expressar bem! Re:
CONCLUINDO)): SEMANAS DE LUTO E SAUDADE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: REYNALDO FERREIRA

Prezado Reynaldo:

Ainda bem que você deu um retorno à minha mensagem, na qual eu não devo ter me expressado bem, enfim, com a devida clareza... Assim, agora eu tenho a oportunidade de me explicar melhor; espero desfazer, neste e-mail, o "ruído" em minha comunicação. Na verdade, não quis dizer que me ausentarei de nada! Nem dos trabalhos, nem dos compromissos , nem do convívio pessoal ou do
convívio virtual.

A mensagem teve dois objetivos: evitar o foco exclusivo na tristeza e saudade pela morte de mamãe, de papai e de nosso irmão; e também, a minha recusa a permanecer estes dias chorando verbalmente essas perdas, naturais da condição humana, conversando apenas, unicamente sobre esse luto tão natural em nossa existência comum. Trata-se, portanto, do fato de eu rejeitar a idéia de que o luto resumiria o todo de nossa vida,pois considero a morte uma realidade integrante do que chamamos vida. Principalmente para os que têm fé e uma visão espiritual para cada segundo que recebemos do Senhor do Tempo. O maravilhoso é que a minha falta de jeito, no texto que escrevi, me deu um presente a mais, próprio de sua amizade: você, apesar de tão ocupado, logo me escreveu para transmitir palavras de solidariedade e sabedoria, reafirmando a importância de, recorrendo à nossa força interior, darmos continuidade à vida, sabendo enfrentar os momentos difíceis.

Muito obrigada, de coração!

Que Deus o abençoe!

Carinhosamente,a amiga de sempre,
Theresa Catharina
-------------------------------------------------------------------------------
2009/6/8 REYNALDO FERREIRA
Prezada Theresa Catharina,

Compreendo a sua decisão de se ausentar desse nosso convívio virtual. Este mês de junho, para você, é realmente penoso!...Solidarizo-me com os seus sentimentos, fazendo-a lembrar, contudo, da necessidade que temos de superar as perdas para darmos continuidade à vida. Sei perfeitamente que você é dotada de extraordinária força interior para enfrentar esses momentos difíceis. Forte abraço. Reynaldo
 

 

MEMÓRIAS SE FORAM? OU EU AS MANDEI EMBORA?
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MEMÓRIAS SE FORAM?
OU EU AS MANDEI EMBORA?


O que aconteceu, afinal,
com as minhas memórias:
se foram por decisão própria?
Ou... eu as mandei embora?


Por que se foram?
O que aconteceu na minha vida?
O que houve no meu corpo,
Para fazer o meu cérebro silenciar?
Levar o meu coração a se calar?


Onde ficaram as memórias
que não perpetuei na escrita?
Estarão com outros guardadas,
emoções e palavras trancafiadas?
Escondidas até que eu possa
revê-las? Ou do meu descaso
muito bem protegidas?


Quem tem a chave múltipla
das minhas esquecidas memórias?
Quem vai as vozes libertar
das lembranças emudecidas?
Arquivadas, talvez empoeiradas,
até alguém, decidido, alforriá-las?


Onde estão as chaves dos arquivos?
Onde ficaram armazenadas?
São tantas as perguntas...
para meu coração sem respostas
que sejam aceitáveis ou racionais!


Seriam pedaços de mim,
as memórias que se distanciaram...
mas na verdade não se foram...
porque hoje de mim fazem parte?
Não deveria eu, afinal deixar
de por toda parte procurá-las
nesta busca pouco inteligente,
considerando que estão inseridas
em mim, aqui dentro calcadas?
Com nitidez desenhadas, esculpidas?


Se estiverem nas minhas lágrimas,
não vou mesmo encontrá-las.
Porque as lágrimas, por mais
que nos sejam dolorosas,
felizmente de nosso rosto se vão.
Nem se despedem, se vão...
Dizer adeus não precisam.


As minhas memórias se foram ?
Ou eu as mandei embora?
Escorraçando esses arquivos
tão íntimos quanto fundamentais,
de falar procurando impedi-las?
Hoje penso que me ludibriaram...
Apenas fingiram ter saído de mim!
Já consigo de novo encontrá-las!
Identifico seus ecos e passos,
em todos os caminhos e recantos
deste meu peregrino coração.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, maio de 2009.

 

PENSAMENTOS EM VERSOS (HAICAIS)
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PENSAMENTOS EM VERSOS
(HAICAIS)


Os vazios de nossa alma,
precipícios e despenhadeiros,
com amor e fé são vencidos.


Seja barco ou farol,
tudo, semente ou flor,
expressa o valor da vida.


Seja lágrima ou riso,
o cérebro manifesta
as ondas da existência.


Seja fonte ou cascata,
as águas luminosas
são presentes de vida.


Mas, quem vai desfazer
as calúnias avassaladoras?
Só Deus, na eternidade!


Lá está o farol vigilante,
pastor responsável por
muitas vidas distantes.


O coração a pulsar,
o pulmão a respirar,
eis a vida que insiste.


Seja dor, seja alegria...
é vida que em nós respira:
bênção e graça divinas.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 13 de maio de 2009.


From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 13/06/2009 18:46
Subject: Re: PENSAMENTOS EM VERSOS (haicais) - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Therezita:

Belos, esses haicais, saídos do seu "coração peregrino" - aquele que se pergunta, no poema do outro e-mail, se deve mandar as memórias embora.
Fazer versos também é uma maneira de ressuscitar.
Grata por compartilhá-los.
Também muito apreciei o e-mail de sua amiga sobre os sofreres do passado e a amizade que persiste, sem precisar de perguntas nem respostas.

Um carinhoso abraço, Tereza Lúcia.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/6/15
Subject: Re: PENSAMENTOS EM VERSOS (haicais) - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Querida Theresa Catharina
Seus poemas demonstram toda a sua dor, mas de uma maneira suave, natural e bela. Luci

 

PONTADAS NO CORAÇÃO
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PONTADAS NO CORAÇÃO

Ao cardiologista e clínico-geral Dr. Ricardo Peixoto Camarinha


Estas doloridas pontadas,
emotivas, invisíveis,
em meu coração saudoso
de tantos entes queridos
não são para registrar
nas consultas com
o meu cardiologista.
Ele já deve saber que sofro
todos os dias, lembrando
meus pais e meu irmão queridos,
minha tia favorita - e outros...
que me deram amor nesta vida
e agora estou, com esse amor
saudoso e presente nos meus dias.


Porque sabemos: muito
além da medicina vão,
mesmo sendo hoje tão
avançada e tanto solucionando.
Remédios não haverá,
por mais que o futuro prometa,
avanços por Deus inspirados,
nem hoje nem amanhã,
para a dor da saudade curar
de nossos entes queridos
que, nos deixando, se foram
e nosso reencontro esperam.
Esse diagnóstico, poetas mil
já fizeram e vivem a nos repetir.


Ainda assim procuro me acalmar
nas consultas com o Dr. Camarinha,
informações de leitura trocando,
as mais diversas, tal o seu interesse
e amor aos livros, um hábito saudável
por nós cultivado com prazer.
O cinema igualmente desperta
a sua atenção de pessoa culta,
na medicina e no mundo atualizado.


Mesmo assim, minha pressão arterial
aumenta, no seu consultório,
tão preocupada chego à sua presença,
com resultados de exames ou
prestes a faze-los, a seu pedido,
ainda que sua tranquilidade
seja uma constante atitude.


Com exceção das pontadas no coração,
as tais dores persistentes da saudade,
pretendo ali cuidar de minha saúde.
Para outros males do corpo e da mente,
eu sou esperançosa e muito confiante,
em suas providências e sua orientação,
quando vou às consultas
com o bondoso e culto Dr. Camarinha.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 04 de maio de 2009.

Nota da autora:

Como o aumento de minha pressão arterial deixou de ser apenas uma "síndrome do jaleco branco" e se agravou, exatamente na data do poema, durante uma consulta regular com ele, fui de imediato atendida e agora tomo, todos os dias, a medicação específica indicada por Dr. Ricardo Camarinha. Sou uma paciente gratíssima por seus excelentes cuidados médicos.

Theresa Catharina
Brasília-DF, 04 de maio de 2009.

 

FROM DREAMS TO ACCOMPLISHMENTS
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FROM DREAMS TO ACCOMPLISHMENTS
DE SONHOS A REALIZAÇÕES


So many dreams
now I can see
as my accomplishments
( perhaps visible to all ?),
specially visible to me.


Tantos sonhos
agora eu posso ver
como (sendo) minhas realizações
(talvez visíveis para todos?),
especialmente visíveis para mim.


And so many dreams
I am still weaving
for days and months,
many years still to come.
Dreams, as ideals too,
never go away from us.
Sometimes we are to blame!
We simply forget them,
we decide we are going to live
" practically ", adopting a
modern pragmatism,
thus living without
listening to our dreams,
without loving our ideals,
simply forgetting all those
dreams and ideals
once we kept in our hearts.


E são tantos, muitos os sonhos
eu ainda estou tecendo
há dias e meses,
por muitos anos futuros.
Sonhos, como os ideais também,
jamais nos abandonam.
Às vezes, nós somos os culpados!
Simplesmente os esquecemos,
decidimos que nós vamos viver
" de modo prático ", adotando
um pragmatismo moderno,
assim vivendo sem
escutar nossos sonhos,
sem amar nossos ideais,
simplesmente esquecendo todos aqueles
sonhos e ideais
que antes guardávamos em nossos corações.


But at any time we decide to listen
to our dreams and ideals,
we do realize how sweet they are,
how sweet are their words.
Always! They are never bitter!
They make our lives much better!


Mas a qualquer momento em que decidimos escutar
nossos sonhos e ideais,
compreendemos como eles são doces,
como são doces as suas palavras.
Sempre ! Nunca são amargas !
Tornam nossas vidas muito melhores!


No dreams, no ideals,
just scattered actions,
with no purpose at all ?.
That is a nightmare,
not a human life!
To accomplish, one must
have dreams and ideals!
In fact, accomplishments
once were dreams!

Nenhum sonho, nenhum ideal,
apenas ações dispersas,
sem nenhum objetivo ?
Isso é um pesadelo,
não uma vida humana !
Para realizar, deve-se
ter sonhos e ideais !
Na verdade, as realizações
antes foram sonhos!


Theresa Catharina de Góes Campos
Toronto, Province of Ontario, Canada. September, 1971.
Toronto, Província de Ontario, Canadá. Setembro de 1971.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/6/15
Subject: Re: DE SONHOS A REALIZAÇÕES - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina
Concordo, plenamente, com seus pensamentos. Luci

 

OLHE A PETECA...NÃO DEIXE CAIR!
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OLHE A PETECA...NÃO DEIXE CAIR!


Não deixe cair a peteca...
nem a sua, nem a dos outros.
Se acontecer de cair, atenção,
levante logo, para o jogo
não ficar interrompido.


A vida precisa ser assim...
Olhe a peteca, não deixe cair!


Mantenha vivas as cores
e os perfumes da existência.
Mantenha a vida em movimento,
caminhando até no silêncio
das meditações escolhidas.


Espalhe as flores em vasos,
por toda a casa, para o perfume
em todos os cantos deixar
encantos, sabores de vida.
Não deixe cair no chão
nenhuma rosa, nem margaridas,
nem lírios nem petúnias,
nem miosótis ou tulipas.
Cuidado especial com as violetas,
zele também pelas orquídeas.
Admire as cores e os matizes
das hortênsias crescidas
ostentando sua beleza.


Aliás, o melhor mesmo seria
deixar nos jardins as flores...
para que vivam seu tempo,
sem qualquer perturbação.


Sem esmorecer, é preciso semear.


A água da fonte, a canções sussurrar,
não deve jamais ser desperdiçada.
Faça todas as gotas cantarem
nos meandros do jardim,
abençoando as sementes...
e as laboriosas joaninhas.


Olhe a peteca da vida...
não deixe cair!
Mas se caiu, tudo bem:
recomece, continue a jogar!


Theresa Catharina de Góes Campos
Petrópolis- RJ, julho de 1965


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/6/15
Subject: Re:NÃO DEIXE A PETECA CAIR!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina
Adorei sua poesia sobre flores, "Não deixe a peteca cair!". Luci

 

VIAGENS E TRAVESSIAS
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VIAGENS E TRAVESSIAS


Passei na porteira,
o coração ficou, indeciso.
Entrei no avião, também
o coração não embarcou.
Mesmo com passaporte,
no navio se recusou a entrar,
apesar da minha insistência.


Coração mimado? Inteligente?
Ou muito desobediente?
Por que se recusa,
diante da força?
E logo cede ao olhar
de simples ternura?
Por que tem pudor
de vestes e jóias?
E se desnuda ao toque
dos sentimentos?


As mãos se disfarçaram
de conchas e búzios do mar.
Assim escapando da fadiga,
como aprenderam com o coração.


Por que não aceita subir
pelas escadas, e se decide,
no entanto, até as nuvens voar?
Talvez porque o corpo
se submete à disciplina,
enquanto o coração
permanece indomável...


Porque alma e coração
se confundem no amor.
Porque, conscientes,
vivem libertos e,
ao invés de grilhões,
têm asas enormes...


Theresa Catharina de Góes Campos
Vitória-ES, dezembro de 1964

 

ÁGUAS VIVAS
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ÁGUAS VIVAS


Cascata que ri,
aqui e acolá,
na gruta sagrada,
tem beleza mística,
faz chamado pessoal
ao coração atento.


Um córrego falante
a recitar versos,
a pedir orações
e abrir caminhos
na mente e na alma
torna a pausa refrescante.


Límpida e milagrosa
água de Fátima abençoada,
fonte santa de Lourdes,
roteiros de misticismo,
santuários venerados.
A renovar promessas
de muita esperança,
nos peregrinos difundida.


Procura-se a presença
vivificante das águas...
nos mais diversos recantos,
em todas as suas formas
e nas múltiplas vozes
nos mapas seguidas.


Nas florestas,águas vivas,
banhando o corpo cansado.
Altar escondido, quase invisível
de tantas bênçãos e graças
sem fim, como o amor de Deus.


Theresa Catharina de Góes Campos
Fátima-Portugal, setembro de 1960


Date: 2009/6/21
Subject: Re:ÁGUAS VIVAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa, passei 10 dias no Rio e, de volta, leio com prazer suas poesias antigas cujo ritmo e leveza prenunciam seus haicais posteriores. (...)
Abraços,
Ana

 

AMOR SEM VOZ
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AMOR SEM VOZ

Lutou muito,
desde o alvorecer
de cores e matizes vibrantes
ao novo amanhecer.
Chorou lágrimas compridas.
Mas a saudade era bem maior
que o espaço imenso do coração.
Nas árvores se escondeu,
nas folhas respirou,
depois saiu com o vento libertador.


Sentiu a falta dele...
gritou tanto, até
não mais poder...
Seu amor desprotegido,
ficou exausto, sem voz!


Theresa Catharina de Góes Campos
Nazaré-Portugal - setembro de 1960

 

SINTO FALTA DE TEU ABRAÇO
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SINTO FALTA DE TEU ABRAÇO


Teu abraço ausente
me faz falta...
Como o teu ombro também.
Será que a vida se vai
nessas ausências e perdas?
Minha pequena coragem
parece que se esvai...
Porque teu ombro
está me fazendo falta.


Sem o teu amor
colorindo o mundo,
sem as tuas mãos
protegendo as minhas,
parece que a vida se foi...
porque o amor...
ah, porque o teu amor...
me faz tanta falta!


Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - PE, março de 1963

 

A VIDA É RICA ...EM RISCOS
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A VIDA É RICA ...EM RISCOS


A vida é rica...
em grandes riscos
e muita rispidez.
Sejamos fortes!
Sejamos persistentes!
Para viver, insistentes.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, agosto de 1987


From: Ana Falcão
Date: 2009/6/21
Subject: Re: A VIDA É RICA... EM RISCOS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa, a aliteração inicial com palavras duras conduz à rima
otimista da mensagem final. Assim percebo sua poesia. Abraços Ana

 

A FESTA DOS AMIGOS
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A FESTA DOS AMIGOS


Pode ser em qualquer recanto,
em qualquer ocasião
(mas sem máscaras),
a festa abençoada dos amigos.


Se o som das ondas
fizer música
(seja balada ou baião),
os amigos vão chegar.


Se o farfalhar das árvores
parecer uma gargalhada
longa,prolongada,
os amigos ali se reunirão.


Os barcos que partem
levam o mapa da volta,
para o reencontro dos amigos
na festa anunciada.


As águas cantam estribilhos,
as pedras repercutem sons...
os amigos virão dançar
ou apenas conversar,
fazer poesia ou cantar,
falar de livros e filmes,
ou relatar viagens...


A mesa está preparada...
os barcos já regressaram.
Os amigos chegarão...
Como Reis Magos em viagem.


Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - PE, 1962.


Date: 2009/6/17
Subject: RES: A FESTA DOS AMIGOS- Theresa Catharina de Góes Campos
To: theresa.files

Theresita,

Maravilhoso, o seu poema! Espero que esteja tudo tranquilinho com você, na paz de Jesus. Beijo carinhoso, Raquel.


From: raquelc
Date: 2009/7/21
Subject: RES: NO DIA DO AMIGO, MEU ABRAÇO CARINHOSO E GRATO POR SUA
AMIZADE
To: theresa

Theresita querida,

O poema é lindo, só poderia mesmo ser de sua autoria! Mil beijinhos para a minha querida amiga, Raquel.

 

DIFICULDADE PARA ACEITAR O INEXORÁVEL
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DIFICULDADE PARA ACEITAR O INEXORÁVEL


O sofrimento, as perdas,
são realidades inexoráveis
de nossa condição humana.
Vivemos com dificuldade o fato,
inexorável, das contradições
específicas e características
do frágil, efêmero ser humano.


Achamos, todos, muito difícil,
aceitar as dores com sabedoria,
e, sem revolta, a morte inexorável
em data e hora desconhecidas.


Contudo, permanecer
vertendo lágrimas,
diante do inexorável,
não é saber viver.


Embora a graça da vida
nos tenha sido concedida
sem perguntas nem garantias...
O que nos cabe, então, fazer ?
Construir dentro de nós
a esperança essencial
sem a qual não se consegue
as possíveis alegrias encontrar.


Inexorável, também,
é a necessidade
de até o amor se chegar.


Peregrinando à procura das fontes,
escolhendo os caminhos,
acalentando os sonhos,
reconhecendo a bondade...
Sempre na prática da amizade
e, com a esperança fundamental
para empreender as jornadas.


Sem esquecer o despojamento interior,
necessário à solidariedade da partilha,
que a vida amplia, enriquece...
do pouco e do menos fazendo mais!


Para que jamais nos abandone
a fé corajosa no amor.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília - DF, dezembro de 1998.


Date: 2009/6/17
Subject: Re: DIFICULDADE PARA ACEITAR O INEXORÁVEL
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Querida amiga:

Suas palavras pingam em nossa alma e nos conciliam com a alteridade e com a vida.
Obrigada.
Dolinha

 

DEUS ME FEZ E REFEZ MIL VEZES!
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DEUS ME FEZ E REFEZ MIL VEZES!


Deus me abençoou...
Ele me deu
uma nova existência...
me devolveu à vida,
uma nova vida.


Deus bondosamente
me concedeu a mim
que tinha perdido
a vida que Ele
me havia dado
e eu perdera
por minha culpa,
por minha decisão
única e pessoal.


A misericórdia de Deus
me renovou,
me conduziu, firme,
aos caminhos por mim
um dia esquecidos.
Ele me reconduziu,
no mapa recolocou,
a rota de minha vida.
De novo me reconduziu
à sonhada reconstrução
de mim mesma ...


Ele juntou e curou
todos os meus fragmentos
como se remendasse
pedaços de meu corpo,
de minh´alma em
mínimos, diminutos,
invisíveis frangalhos.


Deus me abençoou...
Meu coração reergueu,
à superfície me trouxe.
Meu potencial devolveu,
me tirou da sepultura,
me fortaleceu
com sangue novo
para eu poder
a verdade conhecer...
e conseguir aceitar.


Deus me fez
e com amor me refez
mil vezes !
Ele me criou
e com o amor de sempre
me recriou, me refez
nos mínimos detalhes.


Os erros foram meus,
todos meus,nascidos
do meu livre arbítrio.
As bênçãos, as maravilhas
- milagres sem fim! -
foram e são, todas, de Deus!


Ele me faz e refaz,
com divina paciência,
cuidando paternalmente
do que dentro e fora de mim
se rompe, quebra e desfaz
ao longo de meu caminho.


Seu amor, Sua misericórdia
me fazem e refazem
sempre diligentemente,
tantas vezes quantas
se tornarem necessárias,
renovando,repetindo em mim
Seu milagroso sopro de vida.


Porque, se eu tão fraca desisto,
nos momentos de dor e trevas,
nas horas de nuvens e sombras,
sem ver, no mar, a luz do farol,
de mim Ele não desiste jamais!


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 07 de julho de 2009.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/7/7
Subject: Lindíssimo! Parabéns!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina
Achei linda essa poesia, pois você capta de maneira sutil, real e sensível o que você passou, com extraordinária competência em superar suas dificuldades. Luci

 

AS LUTAS DO MÉDICO
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AS LUTAS DO MÉDICO

Em agradecimento ao Dr. João Nunes de Matos Neto*


O sofrimento deu lugar à alegria,
após as cirurgias sucessivas;
ao alívio depois da quimioterapia
e atenções médicas constantes.
Dos cabelos desaparecidos,
ficaram apenas as recordações,
ainda que os sorrisos indispensáveis
jamais tenham ido embora,
apesar de tantas preocupações.
Aliás, comuns à condição humana,
e que aceitar precisamos, todos os dias.
Mesmo antes que cheguem, de novo,
os cabelos substitutos, tão bem-vindos.


Se a doença me alcançou,
o câncer também me trouxe
a necessária perícia de meu médico,
seus conhecimentos, sua orientação,
o tratamento sensível, humano,
nas quatro cirurgias, na quimioterapia,
os cuidados médicos de Dr. João,
há tantos anos, quase uma década
me orientando e acompanhando.


Assim como eu, Dr. João lê muito,
com prazer sempre renovado.
Preferência: obras históricas.
Também como eu, admirador entusiasta
da arte e magia luminosas do cinema,
um toque bastante especial na sua vida.
Afinal, também pela estética e beleza
do cinema , no corpo e na mente tocadas
(sem esquecermos o coração sensível),
há muitas vidas enriquecidas,
certamente fortalecidas, reavivadas
para enfrentar a jornada da existência.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília - DF, abril de 2009.

*Dr. João Nunes de Matos Neto - Oncologia Clínica e Cirurgia -realizou quatro cirurgias em mim ( outubro e novembro de 2001, outubro de 2002, maio de 2004).
Em minha primeira consulta com ele (setembro/2001), tendo eu me referido à morte por câncer de meu pai (2/fevereiro/2000), Dr. João afirmou, convicto:

"_ A luta e a morte por câncer de um ente querido traumatizam toda a família."

Meu irmão, que fumou durante quase 40 anos, por esse motivo morreu de câncer nos pulmões, após quatro meses de sofrimento indescritível, em lenta agonia. Nos seus últimos meses de vida, recebeu os melhores cuidados de Dr. João Nunes e outros especialistas, que nada mais puderam fazer por ele, considerando que o seu câncer não teve causa genética, e sim, foi o resultado do cigarro, que destruiu seus pulmões.

Portanto, meus familiares e eu temos uma profunda gratidão por tudo que Dr. João Nunes de Matos Neto fez por Fernando José (falecido em 18/junho/2007) e continua fazendo por mim, sua paciente.

Theresa Catharina
Brasília-DF, abril de 2009.

 

MISTICISMO
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MISTICISMO


O espírito divino
concretizou a palavra
na realidade visível.


O rochedo foi
antes pensamento
no sonho das ondas.


O coração místico
procurou abrigo
na luz invisível.


Procurou o epicentro.
Saiu em busca do clímax.
Tudo em Alfa e Ômega.


No caleidoscópio havia
menos cores que
a sombra do arco-íris.


No misticismo
da loucura
existe luz!


Não se explica
o fogo que era gelo
sem dinamismo.


Nas profundezas da alma,
chegou ao mais elevado.
No âmago, aceitou o exterior.


Nos conflitos conquistou
a serenidade almejada.
Na tormenta, a paz.


Os tempos
passageiros
são eternidade.


São versos loucos,
esses pensamentos,
ou misticismo?

Não é mentira
o que não se compreende.
Pode ser verdade.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 10 de julho de 2009.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/7/12
Subject: Re: MISTICISMO
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Olá,Theresa Catharina
Adorei! Vejo cena e música. Luci

 

DIÁLOGO COM O VENTO (DISCUSSÃO?)
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DIÁLOGO COM O VENTO (DISCUSSÃO?)


- Quanto movimento! E força !
Por que fazer tantos esforços?
Por que tanto empenho,
muitas vezes com tanta fúria,
demonstrando tanta violência?


- Ora, sou assim por natureza...
Apareço com toda minha energia,
sem o meu vigor esconder
sem economizar esta indômita força,
sem nada disfarçar.
E por que seria diferente,
se tal é a minha personalidade
própria, individual e única,
diversa da chuva e da calmaria ?


- Sei não, sei não, por quê ?
A chuva também não realiza
sua missão, com energia e
dotada de poderosa força ?
É capaz de para longe levar,
pronta para obstáculos derrubar,
no seu dorso muito carregar.
Mistura e ainda vai transformar
o cenário das paisagens...
mais o que vê pela frente derrubar -
grandes obstáculos, barreiras -,
mostrando ser independente,
de outras forças bem diferente,
porém igualmente determinada
a vencer todas as fronteiras.


- Esta discussão é inútil...
No máximo, um tolo diálogo
sobre o que não se pode
em nenhum momento comparar.
Afinal, tudo está bem definido:
temos métodos individuais,
características próprias -
chuva molha, chega e se vai;
sou vento, apareço sem avisar,
faço o que eu quero, independente
tal qual minha irmã, a chuva.
Às vezes combinamos para unir
toda a força de que somos capazes,
porém mesmo assim diferentes
( não vejo qualquer semelhança ! ),
cada um na sua personalidade,
em nossa natureza específica,
também ambos independentes.
É isso e pronto, nada para discutir!


- Tudo bem, já compreendi.
Por que tanto alvoroço,
tamanho nervosismo?!
Somos únicos, originais, sim !
Todos nós, criações divinas,
portanto em nossas origens,
Deus nos fez semelhantes.
Não há a menor necessidade
de nós dois nos aborrecermos.
Sempre reconheci nossas diferenças.
Admito sem a menor dificuldade
saber de toda a sua força, sim,
como aceito os feitos de sua energia.
Jamais briguei ou discuti com a chuva,
inclusive quando de repente aparece,
zangada, raivosa além dos seus limites,
em atitudes, ações, em que parece
existir sozinha neste mundo de Deus.


Quando o vento irascível se foi,
para finalmente calar, repousar,
fatigado talvez de nosso diálogo,
que encarou como discussão,
revelo o que escolhi e vou ser:
nem vento, nem chuva, nem mar;
nada de calmaria também.
Minha decisão vem de menina...
eis o que escolhi e vou ser:
com palavras e versos realizar
a vocação que aceitei viver.


Quem viver, verá !
É só esperar...
porque acontecerá!


Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, novembro de 1963
(na sede do Círculo dos Operários Cristãos, após finalizar o trabalho voluntário como editora e redatora de textos para um Boletim Informativo da entidade).

 

 

A GAROTA DA ESTRADA
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A GAROTA DA ESTRADA

Para mamãe, com todo o meu carinho, no dia de seu aniversário.

Eu a encontrei chorando,
sozinha na estrada
e fiquei pensando:
ela foi abandonada!

A garota logo compreendeu
que eu a olhava -
aumentou o choro,
o rosto entre as mãos prendeu,
de soluçar não parava.
Pelos seus bracinhos escorriam
suas lágrimas infantis.
Sua fronte estava molhada,
pingando de suor.

Que pena senti!
Não havia ninguém a seu lado!
Ela estava só. Sozinha!
Na imensidão do caminho!

Corri para a infeliz criança
para estreitá-la nos braços.
Havia um mundo de sonhos em seu olhar!
Logo suas mãos rodearam meu pescoço...
aflitas, inseguras e trêmulas,
com receio talvez
que eu voltasse atrás.
A cabecita, exausta,
repousou em meu ombro.

Era a hora do crepúsculo.
Morria o dia.
Havia angústia em meu coração.

Naquela hora indecisa,
resolvi levá-la comigo.
Prometi intimamente
jamais abandoná-la;
falei a ela, baixinho,
sobre um lar feliz.

Adormecera a menina no meu colo,
enquanto eu caminhava de volta.
Interessante! Eu esperava novos problemas,
entretanto, já não sentia mais angústia,
nem tédio, nem descrença.

Alguém em meus braços
precisava de amor,
alguém que também tinha
direito à felicidade.

Beijei de leve a inocente fronte.
Tive vontade de dizer bem alto
àqueles que passavam apressados,
honestos mas egoístas:
por que não ter sempre
o coração aberto?
Por que não ver continuamente
naquele que sofre, no próximo que é infeliz,
no que verga ao peso de uma responsabilidade,
na pessoa que caminha ao nosso lado,
a figura sublime de Jesus ferido,
Jesus maltratado, Jesus por nós abandonado?

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - Pernambuco, 15 de outubro de 1961

Nota: Devo a minha irmã Victória Elizabeth ter encontrado essa poesia manuscrita, assinada com o apelido - Therezita Campos, nos pertences de nossa mãe, depois de seu falecimento. Com meus pais esses versos foram a muitas cidades, em estados e países diferentes... O poema seguinte também retornou assim às minhas mãos.Mas estava datilografado em máquina bem antiga e, sendo uma cópia em carbono, trazia dedicatória e uma segunda data, manuscritas, como estava na assinatura o apelido, escolhido por eles desde a participação de meu nascimento.

Theresa Catharina
Brasília-DF, 24 de agosto de 2009

 

MINUTOS
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MINUTOS

Para os meus adorados pais, com todo o carinho de sua filha Therezita
Recife-Pernambuco, 07 de janeiro de 1961

Sentada na areia,
contemplando o mar,
a moça embebia-se do verde
que, na areia, em ondas se derramava.

O menino foi ficando triste,
começou a chorar,
e ninguém conseguiu a ele consolar,
porque ninguém sabia,
ninguém compreendia,
ninguém se detinha a meditar
que não pode ser alegre
um garoto de orfanato.

Olhou o rio que seguia silencioso,
ora calmo, ora revolto,
todos os dias sempre o via.
Olhou tanto a profundeza de suas águas,
tanto a sua magia, seu encanto,
que parecia mesmo ter achado nele
a coragem que lhe faltava.
Entretanto, depressa sentiu:
não tinha a coragem
que possuía o rio.
Jogou nele sua vontade de morrer,
lançou nele seus planos de fuga da vida,
seu desespero, sua angústia, sua fraqueza,
sua covardia,
e calmamente recebeu
a lição de coragem que lhe comunicava -
continuou seu caminho,
continuou a viver...

Após longo tempo de separação encontraram-se.
Olharam-se com o mesmo amor de outrora,
sentiram tudo que costumavam sentir,
todo o amor que dedicavam um ao outro.
E seus olhares juraram,
em muda e perene promessa
que, daquele dia em diante,
onde um estivesse,
o outro estaria também.

Descansava no peito do pai,
confiante, a cabecinha do garoto;
seu narizinho roçava aquele rosto,
suas mãos envolviam-no docemente.

Chegando, então, a que era esposa e mãe,
e contemplando tão bela cena,
nada disse,
porque não sabia transformar em palavras
a ventura que sentia.
Aproximou-se dos dois
e os abraçou com carinho,
assim ficando por longo tempo.

Ele não estava ali,a seu lado.
Lutava pela liberdade em sua pátria,
estava bem longe...
Entretanto, o retrato que deixara
consolava um pouco sua noiva,
a ela ficava acompanhando,
dando-lhe apoio.
O sorriso do noivo até viu
quando a moça, depois de contemplá-lo
tão demoradamente a suspirar,
começou-lhe uma carta,
quase chorando,
tentando naquelas linhas colocar
todo o seu afeto de juventude.
Toda a tristeza e vazio despertados
por sua angustiante ausência.
Todo o desejo vão que tinha de revê-lo!

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife-Pernambuco, 10 de dezembro de 1960

 

PRIMAVERA ...EM TROVAS E HAICAIS
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PRIMAVERA ...EM TROVAS E HAICAIS

Eis que chega a primavera,
trazendo flores e trovas,
também fazendo haicais.

O coração está em festa,
o jardim ostenta cores.
O amor oferece rosas,
perfumadas de promessas.

Enquanto o inverno não vai
o frio nos faz tremer
de tanta saudade das flores!

Quando chega a primavera
até o sol tem sorriso.
Tudo canta no jardim,
com a voz dos passarinhos.

Lá vem o meu jardineiro
trazendo nas suas mãos
o brilho para o gramado.

O poeta cultiva jardins
ao escrever os seus versos.
São rimas e muito mais...
palavras que tecem sonhos!

Vou levar os amigos
a ver a rosa suspirar...
e declarar seu amor.

Antes que a lua apareça,
bem antes do fim do dia,
chamarei o meu amado
para ver o pôr-do-sol.

A todos os jardineiros
convocou a primavera
com editais perfumados.

Quem bate palmas à arte,
percebendo todas as cores,
não fica dentro de casa:
sai para aplaudir os jardins.

Se a primavera não viesse
talvez eu logo adoecesse
por não poder viver sem ela!

Se apenas inverno existisse,
sem as cores da primavera
não sei mesmo o que faria,
nem sei se poeta seria...

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de agosto de 2009

 

OBRIGADA AO CINEMA
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OBRIGADA AO CINEMA
(HAICAIS)

Se estou triste ou feliz,
para mim o que importa
é ser dia de cinema.


Dores e mágoas seguem
a também me ensinarem
a lição maior do cinema.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 13 de setembro de 2009