ÍNDICE POESIAS

As três maiores dádivas

Os amigos nos libertam

Slogan de vida

O bebê e as brincadeiras do sol

A força da mulher

Heloísa Helena de Castro Giumarães

A esperteza do poema

Sons da alma (Sounds of the soul)

Girassóis no meu caminho para Luján

Até me enxergar como prisma e caleidoscópio

As viagens do vento

Bolas e carambolas

Mandei o sol buscar a chuva

Festa de bonecas

Aprendizado da alegria...para construir e realizar a pessoa que sonhamos ser

Mirabolante!

Pescaria na quermesse

O Aleijadinho perfeito

Minhas razões para escrever

Cinzas

O fruto da jaqueira

Haicai do afeto demonstrado em vida

Que seja feliz...

Sonhei com Santos-Dumont

Haicai da partilha

Sardinha

Estamos no mundo para ser flor e fruto

Se papai chegasse mais cedo...

Onde se esconde a poesia silenciosa?

Passarinho saltitante

Haicai do sucesso

Ovo de Páscoa

 
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AS TRÊS MAIORES DÁDIVAS
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AS TRÊS MAIORES DÁDIVAS

De nossos pais recebemos,
meus irmãos e eu,
os três melhores presentes
que se pode dar a alguém,
seja em que tempo for,
esteja-se onde estiver,
em qualquer época da vida.

Determinados no amor
a cumprir sua missão,
nossos pais nos ofertaram
os três melhores presentes
que se pode receber:
a Fé, a disciplina e o
seu exemplo inesquecível.

Filhos e parceiros de Deus,
na vida que receberam,
nas vidas que transmitiram,
nossos pais foram autênticos
Reis Magos, ofertando com afeto
os seus tesouros do amor maior,
vivendo a contínua revelação da
Epifania familiar, em seus atos
e palavras educadoras.

Repetindo ambos, sem cessar,
os seus exemplos de vida,
jamais se fatigaram eles de
mostrar a sua vivência de fé,
na disciplina do amor diuturno,
nas ações de princípios visíveis.

Com as suas três maiores dádivas:
fé, disciplina e seu exemplo,
para a vida nos prepararam com
ideais de caráter e princípios
vivenciados no cotidiano de amor.

Sabiam eles, muito bem,
o quanto a fé nos fortalece
em todos os momentos
desta vida tão plena
de perigos e sofrimentos.

Sabiam nossos pais,
com certeza, que sem
disciplina, pouco se realiza
de belo e útil nesta vida...
muito menos a construção
do caráter, o exercício da
responsabilidade necessária.

E que ensinamento haveria,
para os seus tão amados filhos,
maior que o exemplo diário
de suas vidas honestas,
de educadores incansáveis ?

Nossos pais já se foram deste mundo,
mas os seus melhores presentes,
as suas três maiores dádivas
que ofertaram a seus descendentes,
são presentes relembrados, repetidos
na memória, nas lembranças,
em tantas mil recordações, como
na saudade imensa que deixaram!

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo - SP, 1º de fevereiro de 2009.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/1
Subject: Re: AS TRÊS MAIORES DÁDIVAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Também nossos pais prezaram vários valores, que cultivamos. Vejo que isso não vem ocorrendo muito com as gerações novas, que tudo podem fazer, infelizmente. Luci

 

OS AMIGOS NOS LIBERTAM
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OS AMIGOS NOS LIBERTAM

Amigos são pessoas escolhidas,
muito especiais e diferentes;
caminham a nosso lado
como anjos protetores,
segurando nossa mão
(ainda que isso não seja visível),
tocando nosso arredio coração
por demais temeroso,sensível.

Louvado seja Deus,
pelas bênçãos da amizade
que nos resgata do egoísmo atrofiante.

Todos os dias, aleluia,
nossos amigos queridos
conseguem nos libertar...
de nossa individualidade
exclusiva, narcisista.

Todos os dias, mesmo
ausentes, distantes...
ainda que estejam
no silêncio refugiados,
atrasados, indecisos,
os nossos abençoados,
preciosos , queridos amigos,
aleluia, enfim nos libertam
de nós mesmos.

Theresa Catharina de Góes Campos
Thousand Islands - Estado de Nova York, EUA (outubro de 1975)


From: Sonia M. Esposito
Date: 2009/2/5
Subject: OS AMIGOS NOS LIBERTAM
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa ... Linda poesia ... (...)
Grande Abraço ...
Sonia


From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2009/2/5
Subject: Re: OS AMIGOS NOS LIBERTAM
To: Theresa Catharina de Goes Campos

AMÉM, Theresita.
Um beijo, Tereza Lúcia.


From: Hercilia Lopes Lopes
Date: 2009/2/5
Subject: Re:OS AMIGOS NOS LIBERTAM
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theca,
que belo poema!
Um beijo.
Hercília


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/5
Subject: Re: OS AMIGOS NOS LIBERTAM
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Para mim, amigos são sagrados. Eles ajudam a trocar idéias, a dirigir
melhor nossas vidas pelos exemplo que eles dão e a enxergar além da
amizade. Luci

 

SLOGAN DE VIDA
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SLOGAN DE VIDA

Viver sem arte
não é viver:
dê poesia de presente!

Theresa Catharina de Góes Campos
Garanhuns - Pernambuco, 15/04/1970.


From: adfalcao
Date: 2009/2/7
Subject: Re:SLOGAN DE VIDA - Theresa Catharina de Góes Campos
To: "theresa.files"

Theresa, concordo com você. Abração, Ana

 

O BEBÊ E AS BRINCADEIRAS DO SOL
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O BEBÊ E AS BRINCADEIRAS DO SOL

O bebê estava chorando
exigindo atenção, um olhar -
esperando carinho
mas sem sucesso:
os adultos tinham afazeres demais.

O sol descobriu a cortina aberta
e entrou já mostrando os dentes.
Sentiu a pele do bebê,
tocou suas bochechas,
beijou seus olhos curiosos
e, ternamente, dengoso,
fez cócegas a seu nariz vermelho e sujo.

Uma criança pequena
é a platéia mais atenta
para a dança, a coreografia
de cores e brilhos
nas brincadeiras do sol.
O bebê atendeu ao chamado
de calor, luz e sombra;
amou, sem reservas,
as lantejoulas bailando,
os movimentos inesperados;
e até esqueceu que os adultos
estavam tão ocupados.

Theresa Catharina de Góes Campos
Fort Henry - Província de Ontário, Canadá, setembro de 1975.

 

A FORÇA DA MULHER
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A FORÇA DA MULHER

Do vento e da semente
ela extraiu sua energia,
seus poderes subestimados.
De rosas e poemas
teceu a beleza de sua força,
perfumou o seu caminho.

Theresa Catharina de Góes Campos
Kingston - Ontário, Canadá, 01/10/1975.


From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2009/2/7
Subject: Re: A FORÇA DA MULHER - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Gosto de poemas assim, enxutos. Que dizem tudo em poucos versos.
Você foi eloquente. (Ai como é difícil omitir o trema!).
Um carinhoso abraço, Tereza Lúcia.

 

HELOÍSA HELENA DE CASTRO GUIMARÃES
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HELOÍSA HELENA DE CASTRO GUIMARÃES

(Acróstico)


Heloísa respira e vive uma
Existência orientada pela caridade.
Lá no seu íntimo, sensível às artes,
O norte e o sul, tão atentos,
Igualmente indicam, sem dúvida,
Seu foco no ser humano -
A preocupação permanente.


Há na sua vida o sofrimento
Em fases, estágios prematuros.
Legado de saudades antecipadas
Em que a ausência materna
Não pôde acompanhar sua infância e
Adolescência sob a proteção paterna,


Dádivas afetivas Heloísa recebeu
Em abundância: muito amor e carinho.


Caminhos de luta, acertos e realizações
A seus passos determinados, conscientes,
Se abriram para a sociedade e o mundo.
Trilhas, estradas iluminadas pela ética.
Rompendo os obstáculos com seus ideais,
Onde ela estivesse, com seus princípios.


Ganhou muita gratidão, amizades, admiração.
Uma vida dinâmica e produtiva, generosa.
Intensa e profunda em sua disposição
Magnânima, de atitudes compreensivas.
As pessoas que encontra, conquista...
Reconhecendo necessidades e carências,
A todos se mostra prestativa, cordial...
E procura atender com bondade,
Sem jamais aceitar esmorecer.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 29 de janeiro de 2009.


From: Heloisa Guimaraes
Date: 2009/2/18
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Prezada Thereza Catharina,

(...) Hoje que me deparo
com o seu correio, com tantos lindos textos, de que já pude desfrutar uma primeira leitura, mas a merecerem ainda um aproveitamento mais aprofundado. Ficamos, os seus amigos e leitores, viciados no lirismo dessa maravilhosa "cesta básica", nutrientes que você nos oferta para suavizar a nossa lida, com o encaminhamento que nos faz de seus belos poemas, tão sensíveis e sábios no versar aspectos relevantes dos sentimentos, das situações que permeiam a trajetória humana...

Mais uma vez agradecida pela preciosa homenagem que me faz ao incluir-me naquele seu honroso "pantheon", com as gratas expressões do seu dadivoso poema, cujas palavras laudatórias certamente brotam de um afetuoso coração.

Espero oportunidade de nos encontrarmos brevemente por aqui, agora que retornamos à Capital.

Com a amizade de sempre,
Heloisa Helena


From: Heloisa Guimaraes
Date: 2009/2/19
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Querida amiga Theresa Catharina,

Que maravilhosos dons você ostenta!
O poema ficou sublime, na gentileza de suas
carinhosas palavras, agora mais ainda enriquecido com os inspirados
retoques finais, em tudo a realçar em mim virtudes que só a amizade
atribui.

Um afetuoso abraço, da
Heloisa Helena

 

A ESPERTEZA DO POEMA
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A ESPERTEZA DO POEMA


Os versos não mais aceitaram
viver no íntimo do poeta.
Sem negociar, reagiram,
com voz firme se rebelaram...
exigindo seu lugar no mundo.


A esperteza do poema
no início usou máscaras
de sono e silêncio.
Disfarces e artimanhas,
mil posições de imobilidade,
fingindo até não dispor de voz;
como se mãos não tivessem
para retirar as mordaças.


Ora, mas a poesia tem energia,
uma determinação de heroína.
Com poder de convencimento,
abandona as eventuais redomas
e grita sua mensagem,altaneira.


Tudo bem se muitos não enxergam
o ritmo, o lirismo de seus versos.
Não importa o silêncio de reprovação.
Nem o desinteresse, na pressa da vida.
Nem aqueles que fecham as janelas,
sem aceitar uma visita de cortesia.
O poema abre caminhos, decidido
a não se calar, a não se esconder.


Não aceita mais viver em túneis.
Quer sair dos subterrâneos,
deixar as absurdas catacumbas,
fugir dos túneis sem saída,
não mais viver em cavernas.


É preciso manter a fé, a todo custo,
cultivar a esperança de encontrar
uma porta aberta, uma acolhida
à poesia de braços abertos,
olhar amigo, ouvidos atentos.


Theresa Catharina de Góes Campos
Charlottetown - Prince Edward Island, Canadá (24 de outubro de 1971)


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/10
Subject: magia da poesia -ref. A esperteza do poema - Theresa
Catharina G. Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
No seu poema, esta característica é a magia da poesia, que consegue transmitir pensamentos de maneira concisa, rápida e criativa. E você é mestre nessa competência. Luci

 

SONS DA ALMA ( SOUNDS OF THE SOUL)
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SOUNDS OF THE SOUL

If I remember,
I cry.
Why to recall
all those sufferings?

What should I do?


Forget myself?
Change it all, even
the best of myself?


How to stop
this pain
living with me?


Will this suffering ever stop,
will this pain ever go away?



Do I fully realize...
what all this pain did,
it is doing to me,

inside and out,
hidden and visible,
during so many years,
painful decades?


All is gone
except the pain
which insists
to stay with me!
Why?Why this?
If all my strength
is also gone?!


Maybe this pain
built me!

I should be grateful,
I should be repeating
words of thanks,
whether walking or dreaming,
accepting the pain,
realizing it built me
into a mature person
who knows at last
how to feel, to accomplish,
to realize and perceive...
how to love despite all !

Theresa Catharina de Góes Campos
Ottawa-Ontario, Canada (November 29, 1982)

--------------

SONS DA ALMA


Se eu lembrar,
vou chorar.
Por que recordar
todos esses sofrimentos?


Que devo fazer?


Esquecer a mim mesma?
Mudar tudo, até
o melhor do que sou?


Como apagar esta dor
que vive dentro de mim?


Será que este sofrimento,
um dia, terminará?
Será que, um dia, esta dor,
esta mágoa irá embora?

Será que eu realmente
compreendo...


O que este sofrimento me fez,
o que esta dor vem me causando,

dentro de mim e no meu exterior,
durante tantos anos
e dolorosas décadas?


Tudo se foi,
exceto a dor
que insiste em
comigo permanecer!
Por que isso? Por que motivo?
Se toda a minha força
também já se foi ?!


Talvez porque essa dor
me tenha feito o que sou!


Eu deveria ser grata,
deveria estar repetindo
palavras de agradecimento,
estivesse eu a caminhar
ou sonhando, aceitando a dor,
compreendendo que me fez
o que sou, uma pessoa
amadurecida que finalmente
aprendeu a sentir, realizar,
entender e perceber...como,
apesar de tudo, amar !


Theresa Catharina de Góes Campos
Ottawa - Ontário, Canadá (29 de novembro de 1982)


From: artemis coelho
Date: 2009/2/9
Subject: RE: SONS DA ALMA (SOUNDS OF THE SOUL)
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Lindo!
Artemis
 


From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2009/2/11
Subject: Re: SONS DA ALMA (SOUNDS OF THE SOUL)
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresita:

(...)

O poema "Sons da alma", tanto em inglês como em português, é forte, belo, vero. É... a dor também constrói.
Há um verso de Félix Leclerc que diz: "Non, je ne suis jamais seul/avec ma solitude".*

O mesmo se pode dizer da dor.
No fim, nos sons da alma, não prevalece o AMOR?
Isto é o que importa.

Um beijo,
Tereza Lúcia

* "Não, não estou jamais só/com a minha solidão".


From: Virginia Silva
Date: 2009/2/11
Subject: Re: SONS DA ALMA (SOUNDS OF THE SOUL)
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Amiga, lindo!! Beijos, Virgínia

 

SUNFLOWERS ON MY WAY TO LUJÁN
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SUNFLOWERS ON MY WAY TO LUJÁN


Sunflowers in the fields
on my way to Luján.

A vision of splendor
to keep forever.


Sunflowers´ waves,
a sea of splendor,
smiling to welcome,
sunflowers waving
to all of us
at each side of the road
to Luján Basílica.


Why do I feel so hurt?
The sunflowers greet life,
thank God,
smile proudly,
so glad with their life!


No reason for me
to go on feeling so hurt
due to people´s words,
surprising attitudes,
disturbing behavior,
unexpected events...


I can certainly survive
with joy.
Surely I can live
with joy.
I just have to admire
the splendorous sunflowers,
smiling and waving,
bowing to pray,
counting their blessings,
happy for meeting the sun,
the wind, the sky,
gladly and charming
waving to all of us,
at both sides of the road
to the Luján Cathedral.


How to hear without crying,
without feeling
hurt and sad ,
inside me, untrue words,
speaking just the opposite
of what is thought;
actions, gestures and
attitudes which deny all
that was said ...
against feelings and
thoughts ?


How to hear all that
without crying?

Regarding the splendorous
fields of sunflowers
greeting the sky,
waving to the pilgrims
on their way to Luján.


The pain seems to quiet down.
Just because the sunflowers
are saying such a nice hello to me...


Arriving to Luján,
I intend to pray and sing,
to count my blessings
with no more delay...
thanking God for everything,
at the Luján Cathedral.
Sunflowers will certainly be
at the church, spreading beauty
all over the pilgrims.
Or should they still be
looking gladly to the sun,
their picture remaining
with us only in our memory,
alive in our heart,
waving like angels in the fields,
smiling and friendly angels,
as a surprising, wonderful,
splendorous crowd,
at each side of the road,
on our pilgrimage to Luján?


Theresa Catharina de Góes Campos
Luján - Argentina ( February,1964 )



GIRASSÓIS NO MEU CAMINHO PARA LUJÁN!


Girassóis nos campos,
em meu caminho para Luján!


Uma visão de esplendor
para jamais esquecer.


Ondas de girassóis,
um mar de esplendor,
sorrindo para dar boas-vindas...
girassóis acenando para todos nós,
em cada lado da estrada
para a Basílica de Luján.


Por que me sinto tão magoada?
Os girassóis cumprimentam a vida,
agradecem a Deus,
sorriem orgulhosamente,
tão alegres com a sua vida!


Não há razão para eu continuar
me sentindo magoada
com palavras que ouvi,
atitudes que me surpreenderam,
comportamento perturbador,
acontecimentos inesperados...


Com certeza eu posso
sobreviver com alegria.
Sem dúvida eu posso
viver com alegria.
Basta que eu admire
os esplendorosos girassóis,
para rezar se curvando,
contando as suas bênçãos,
felizes por encontrarem o sol,
o vento, o firmamento,
com encanto e alegria
acenando para todos nós,
em ambos os lados da estrada
para a Catedral de Luján.


Como ouvir sem chorar, sem
mágoa nem tristeza dentro de mim,
palavras mentirosas a dizerem
exatamente o oposto do que pensam;
ações, gestos e atitudes que negam
tudo que foi dito...contrariando
pensamentos e afirmações?


Como escutar tudo isso
sem chorar?


Olhando os esplendorosos
campos de girassóis
que cumprimentam o céu,
acenando para os peregrinos
em seu caminho para Luján.


A dor parece ter se acalmado
somente porque os girassóis
estão, de um modo tão amável,
dizendo " olá " para mim...


Ao chegar em Luján,
rezar e cantar eu pretendo;
reconhecer as muitas bênçãos
que tenho, sem demora...
a Deus agradecendo
na Catedral de Luján.
Haverá girassóis na igreja,
certamente, espalhando
beleza sobre todos os peregrinos.
Ou deveriam estar, ainda,
olhando com alegria para o sol,
a sua imagem permanecendo
apenas em nossa memória,
viva em nosso coração,
nos campos acenando
como anjos sorridentes,
arcanjos amigos,
em multidão surpreendente,
maravilhosa, esplendorosa,
em cada lado da estrada,
em nossa peregrinação a Luján ?


Theresa Catharina de Góes Campos
Luján - Argentina, fevereiro de 1964


From: artemis coelho
Date: 2009/2/10
Subject: RE:GIRASSÓIS NO MEU CAMINHO PARA LUJÁN
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Acabo de viajar com você,sentindo o vento no rosto.
Alegrei-me contigo ao ver os girassóis nos acenarem.
Também estive lá, num eterno presente passado.
Artemis


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/11
Subject: Re: GIRASSÓIS NO MEU CAMINHO PARA LUJÁN
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:

Você é esplendorosa na expressão de seus sentimentos em palavras, seja
em português ou inglês. Luci


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/2/20
Subject: Graças a você e sua amizade, pude corrigir "Regarding", que
trazia um "d" intruso. Obrigada! Re: GIRASSÓIS NO MEU CAMINHO PARA
To: adfalcao

Estimada Ana:

Graças a você, e à sua competência e amizade, pude corrigir o "d" intruso de "Regarding" (digitado por mim, erradamente, como "Regardind") - muito obrigada!
Confesso que li o poema uma segunda vez, até enxergar o segundo "d", inexistente... Que "cegueira" autoral e poética... Se não fosse você, esse segundo "d" continuaria ali, tal qual cupim silencioso, que outros nem perceberam!
Aliás, escrevi ao Reynaldo sobre como você tem me auxiliado, com as suas correções e sugestões, registrando eu as mais interessantes, como leitura para os leitores e visitantes de meus sites e dos cd-roms/livros, após textos e versos, muitas vezes acompanhadas de meus agradecimentos em nossa troca de e-mails.
Desejando-lhe tudo de bom, especialmente saúde, alegria e viagens interessantes,
Abraços da amiga
Theresa Catharina

------------------------------

2009/2/18 adfalcao

Theresa, uma "coisinha" na digitação de "Regarding". Abraços
Ana

 

ATÉ ME ENXERGAR COMO PRISMA E CALEIDOSCÓPIO
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ATÉ ME ENXERGAR COMO PRISMA E CALEIDOSCÓPIO


Porque eram lamentos
em lágrimas transformados,
seguidos de soluços...
Porque eram dores escondidas,
gritos esquecidos na memória,
eu me determinei a esconder,
a sepultar essas memórias,
amigas de todas as horas...
esses bons companheiros,
embora não fossem populares.


Negligenciei, porém, o fato
de que eram, além de lamentos,
gritos continuamente abafados,
disfarçando lágrimas e soluços,
algo talvez mais precioso e duradouro.


Fiz várias tentativas, para me livrar
desses incômodos sentimentos.
Mas não consegui, confesso...
A força do que eu não queria
reconhecer, irrompeu em mim,
me inundou, me jogou ao chão.


Até que me fiz doente...
e no sofrimento consegui
me enxergar como prisma,
me perceber como caleidoscópio.


Fui obrigada a me curvar,
a olhar de frente, constrangida,
a soluçar tanto, até que, em
minha mente, aceitei o inevitável.


Porque além de lamentos,
esses gritos,lágrimas e soluços,
eram atitudes, ações de vida:
eram versos e poemas
reclamando seu espaço,
pedindo voz e libertação.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, setembro de 2001.


From: artemis coelho
Date: 2009/2/10
Subject: RE: ATÉ ME ENXERGAR COMO PRISMA E CALEIDOSCÓPIO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Muito lindo.
Artemis


From: artemis coelho
Date: 2009/2/24
Subject: POEMA CALEIDOSCÓPICO - ATÉ ME ENXERGAR COMO PRISMA E
CALEIDOSCÓPIO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Caleidoscópio (para Theresa)

Calei dois corpos de amor em mim.
Calei dois corpos de dor em mim.
Calei amor e dor - e adoeci.
Calei a dor e sobrevivi.

Multiforme e multicores.
Fragmentos reunidos num mosaico,
de amor e dor.

Num movimento de criação e recriação,
calei e criei meu universo

Caleidoscópico.
Artemis Coelho

 

AS VIAGENS DO VENTO
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AS VIAGENS DO VENTO


Vento gosta de viajar sem parar.
Sozinho, seguro de si, vigoroso,
assovia, canta, desperta a lua,
convoca as estrelas, acorda o sol.
Até faz visitas sem avisar...
bate nas portas das casas,
ameaça quebrar as vidraças,
entra nas casas falando alto,
faz voar as flores nos vasos,
arranca do jardim os amores-perfeitos.
Ou vai entrando sem bater,
como se fosse dono de tudo.
Até nas igrejas históricas
o vento entra sem a menor cerimônia.


O Vento veleja, navega,
convoca as ondas, desperta
os peixes, os cavalos-marinhos,
chama as sereis pra cantar com ele.
Faz até coro com os golfinhos,
unindo sua voz às suas melodias
de comunicação, inteligentes,
sensíveis, que acompanham
seus movimentos graciosos.
Vento veleja e navega,
sem ter medo das ondas do mar.
Acho até que ele faz
coleção de búzios e conchas,
para não se esquecer do mar.


Não sei se o Vento viaja
com ajuda de mapas.
O certo é que não pára
de viajar, subir e descer
montanhas, escadarias,
vales e colinas, senhor de si.
Viaja até o Polo Norte,
segue depois até o Polo Sul.
Conhece os iglus, sorri dos
pinguins trajados a rigor.


Chega aos escaldantes desertos,
ao oásis hospitaleiro dos berberes.
O Vento atravessa também os lagos,
cruza os desfiladeiros, sem medo;
faz-se presente nos vales,
quando é de sua vontade.
Sim, porque ele me parece
ser um viajante egoísta e mimado.
Malcriado, insolente e voluntarioso.
Quase um ditador ...se a natureza
deixasse o Vento mandar em tudo.
Nas florestas e matas, o Vento
não se faz de rogado: assovia
e canta com as folhas,
os ramos e as copas
de árvores tão altas
que podem estar a desafiá-lo.


Será que o Vento também conhece
canções de ninar, ou
histórias para contar
às crianças como eu?
Se o Vento não sabe,
é porque não aprendeu...
e não aprendeu porque
ele não pára de viajar.
Que vida boa!
Se parasse um pouco
iria aprender a recitar,
com os garotos de Olinda,
a história das igrejas.
Se ao menos por alguns minutos
o Vento aceitasse parar,
nas lindas paisagens de Olinda,
aprenderia com os pequenos guias,
a repetir a história da cidade
e de seus mosteiros serenos.
Mas Vento não pára nem
para aprender, só faz passear...


Vento viaja, voa, veleja
e navega, afoito, ousado.
Viaja e viaja pra todo lugar.
Até sem bússolas, nem mapas.
Vento nem precisa de avião!
Aliás, gosta muito de empurrar
o vôo desses aviões, acompanhar
suas asas, os seus motores,
porque, penso eu, sem ter muita certeza,
que o Vento os considera seus amigos.
Deve ser também admirador
de seu colega viajante Marco Polo,
de Dom Quixote e do meu herói aviador,
o escritor francês Saint-Exupéry.


Vento só faz viajar.
Viajar e passear...
O Vento não cansa de viajar.
Nem de viajar, nem de velejar,
nem de voar, nem de navegar.
Nem de assoviar e cantar.
Nem de entrar sem cumprimentar
e sair sem dizer até logo ou adeus.
O que Vento gosta mesmo é de viajar.
E brincar de esconde-esconde.
Não aceita ordens nem limites.
É indisciplinado e teimoso.
Decide viajar e pronto! Vai!
Sem combinar com ninguém.
Que aventura, a vida do Vento!
Vento viaja, viaja, até cansar.
Acho, porém, que ele não cansa.
Pois ninguém cansa de coisa boa.
Vento vive a brincar,rodopiar e dançar.
Vento veleja, voa, navega e faz um balé
de nuvens e mais nuvens de poeira.


Sem relógio nem roteiro,
é uma aventura atrás da outra.
Nem sei por que, às vezes,
o vento parece estar zangado,
com raiva das pessoas,
que correm dele, depressa.
tentando escapar de sua fúria.
Vento vive a passear.
Sua vida é brincar, brincar.
Que vida boa o Vento leva!
Vou perguntar se posso, um dia,
quem sabe, acompanhá-lo
em suas muitas viagens.
Nem precisará me dizer
qual o destino: vou com ele,
para onde o Vento me quiser levar.


Theresa Catharina de Góes Campos
Olinda-Pernambuco, junho de 1961.

 

BOLAS E CARAMBOLAS
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BOLAS E CARAMBOLAS


Porque o nome da carambola
lá no fim tem bola,
vou comer a carambola.
Depois, vou sair pra brincar,
jogar um tempo com a bola.


Por que eu não posso
chutar também a carambola?
Porque de plástico é a bola,
só posso usar a bola
no futebol? não posso
botar, na boca, a bola?
Por que não posso, suado,
tomar sorvete de graviola?


_ Está bem, está bem,
já entendi...vou jogar
lá fora, brincar com a bola.


Antes, vou comer a carambola!
Vou pedir sorvete de graviola.
Quem sabe, se eu não desisto,
se ficar insistindo, pedindo,
ganho tudo isso, que eu tanto quero?
Não somente a bola,
mas a carambola...
e o sorvete de graviola.


Quando eu acabar
de jogar com a bola,
voltarei para casa. Aí,
não vou querer mais carambola.
Nem carambola, nem bola,
nem o sorvete de graviola.


Isso meus pais me disseram:
que vou chegar com sono
e mais cansado que eles.
Sabem que eu vou largar a bola,
recusar as carambolas,
esquecer o sorvete de graviola.


Logo, logo, fecharei meus olhos.
Talvez, então, nos meus sonhos,
estarei falando sobre jogos e bolas
e muitas, muitas carambolas,
enquanto me delicio
com o sorvete de graviola.


Theresa Catharina de Góes Campos
Caruaru-Pernambuco, janeiro de 1962


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/3/2
Subject: Re: BOLAS E CARAMBOLAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Ah! Como adoro sorvete de graviola,
Luci

 

MANDEI O SOL BUSCAR A CHUVA
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MANDEI O SOL BUSCAR A CHUVA


Fazia tanto calor!
O sol brilhava demais...
Mandei que ele fosse
buscar a chuva, rápido,
rapidinho, sem demora.


Como as horas se passavam
e os pingos da chuva não chegavam,
fiquei muito aborrecido...
"Vou conversar é com as sombras
do sol, pois acho que são poderosas."


Não fiquei surpreso quando,
logo, logo, bem depressa,
os pingos da chuva estavam
lavando o meu rosto.
Achei bom demais...porque
mamãe vive a me exigir limpeza.
Que bom, minha mãe não quer
o seu filho de rosto sujo!


Theresa Catharina de Góes Campos
Salgueiro-Pernambuco, julho de 1961

 

 

FESTA DE BONECAS
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FESTA DE BONECAS

A Tânia Maria Barros, vizinha de infância em Natal-RN, e nossa amiga até hoje.


Decidimos comemorar
o batizado de nossas bonecas.
Desenhamos os convites,
temos um bolo de verdade,
embora de tamanho pequeno,
sucos de fruta para beber,
até não se querer mais...
porque depois, no fim da festa,
costuma faltar lugar na barriga.


Minha irmã Victoria e eu vamos
ter uma festa de bonecas.
Chamamos Tânia, nossa melhor amiga,
a vizinha da linda, enorme casa,
juntinho à nossa residência,
com jardim de rosas de fazer inveja,
e muitas outras flores,
todas cuidadas pelas mãos de fada
de Dona Inês, mãe de Tânia.
João Eduardo e Carlinhos.


Nossa festa vai começar
no muro alto que separa
apenas as nossas casas.
Para nós, não representa
obstáculo algum.
Porque é ponto de encontro
entre vizinhas amigas,
uma ponte que atravessamos
de um lado a outro,
sem a menor hesitação.
Como se fosse uma porta aberta
habitualmente, para acesso fácil
aos nossos jardins e quintais.


Quase todo dia, conversamos
e brincamos juntas,
na maior animação.
Não precisamos abrir portão.
Subimos cuidadosamente
o muro alto, como de hábito.
É a nossa sala de visitas -
ao ar livre, com vista para a rua
e os jardins de nossas residências.


Entre as duas casas,
entre vizinhas amigas,
festejamos o batizado
de nossas bonecas,
que não deixaríamos pagãs.


Mês que vem, teremos festa de novo!
Vamos preparar mais uma comemoração:
o aniversário de nossas bonecas.
Não vai faltar um bolo de verdade,
enfeitado com sementes de romã,
nem suco,nem roupa nova para elas.
Porque tratamos nossas bonecas
como se fossem nossas filhas.


Theresa Catharina de Góes Campos
Natal - Rio Grande do Norte, junho de 1971.

 

 

APRENDIZADO DA ALEGRIA
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APRENDIZADO DA ALEGRIA...PARA CONSTRUIR E REALIZAR
A PESSOA QUE SONHAMOS SER


Muito precisamos fazer,
ao longo de nossa vida,
para construir e realizar
em nós, a pessoa que nasceu
no Pensamento criador e no plano de Deus,
Aquele que nos concebeu e nos conhece,
como pessoa e ser humano
com potencial de superações,
apesar dos limites e obstáculos,
desde toda a eternidade,
desde todos os séculos.


Embora eu me considere independente,
confesso que ainda assim,
sofro demais, e lamento,
sem aceitar com humildade
ou de forma natural, como deveria,
a dor dos muitos desencontros.


Reconheço, envergonhada,
o meu sofrimento...porque
todo desencontro é rejeição.
Não sendo misantropa,
nem muito menos masoquista,
mas humanista, social e solidária,
me dói a frustração do afeto
que não se concretizou
apesar do meu empenho e sonhos;
me dói a amizade que não
foi possível, como eu tanto gostaria;
me dói a ausência da estima
que não recebi, apesar de querer.
Deixo-me perturbar com os rompimentos,
para mim sempre inesperados.
Sinto-me transtornada com
os conflitos que se estabeleceram
de repente e não foram resolvidos.
Dói-me a ausência de comunicação,
o desinteresse permanente, explícito,
os afetos negligenciados sem pudor.


Ninguém busca o desencontro.
Procura-se, ao contrário, o amor,
a amizade, o apoio que faz falta.
A vida toda perseguimos o amor,
ainda que isso se tente negar
ou esse objetivo maior dissimular.
A ninguém o desencontro interessa
_ esse fracasso externo e íntimo
que nos é " forçado goela abaixo"
pela vida, até ameaçar nos derrubar...
porque, sem podermos fugir
da condição humana, somos
frágeis, solitários seres humanos.
Muitas vezes, permanecemos à deriva,
sem rumo e desesperados
por causa do "chão que nos faltou",
nos instantes em que a realidade
se impõe a nossos olhos, ao coração
afinal conscientizado pela mente.


Conquistar nossa independência
como indivíduo - eis a solução,
o único meio de salvação,
seja na ausência dos desencontros
ou apesar da dor dos desencontros.
Um processo fundamental,realista,
necessariamente essencial e pragmático
à nossa libertação do que não podemos
ter, e assim precisamos reconhecer,
pois não nos pertence, não faz parte
de nós, nem de nosso corpo,
nem de nossa alma preciosa.


Daí o aprendizado contínuo
na conquista da alegria pela vida,
que nos concede habilidade para enxergar
seus encantos, descobrindo suas dádivas.
Um processo educativo de amadurecimento
que, na verdade,enquanto estivermos vivos,
nunca vai, felizmente, terminar.


Não temos escolha...porque
não há outros caminhos,
nem soluções fáceis e rápidas.
Opção não é, mas direção
obrigatória, porque o ser pessoa,
única em sua originalidade,
independente como deve ser,
sem a solidariedade rejeitar,
sem a humanidade abandonar,
nem da sensibilidade descuidar,
faz nascer dentro de nós
o único remédio para a dor
dos muitos desencontros.


Integridade e independência,
na conquista de nós mesmos,
vai pouco a pouco representar
uma solução com dignidade,
além de com revelações nos presentear,
sem que cessem os encontros possíveis,
as revelações, os enigmas e mistérios.


Se dói a dor dos desencontros,
muito mais dói não ser pessoa.
Para ser o que sonhamos ser,
há também a alegria dos encontros
possíveis, renovados e cultivados
ao longo de nossa existência.
Mesmo os encontros únicos,
inclusive os encontros fortuitos,
eventuais ou superficiais,
têm o seu papel em nossa vida,
a sua importância para o nosso
amadurecimento necessário.


A vida toda é, na verdade,
um processo sofrido de
nascimento e crescimento,
de mudança e repetição,
consolidação e transformação.
Um aprendizado obrigatório,
libertador, a partir de rejeições e
daqueles desencontros que não
sonhamos nem planejamos
como desencontros definitivos.


Vamos aprendendo, a duras penas,
ao longo de nossa existência,
lutando todos os dias, todo alvorecer,
a cultivar nossa alegria: o nosso abrigo,
a nossa força, o nosso alimento essencial.
Sobretudo, a alegria que precisamos ter
para dar ao nosso próximo,
que isso espera de nós.


Alegria que só depende de nós; a alegria de
estar vivo e querer na vida permanecer ;
alegria de fazer, construir e criar;
a alegria capaz de com o próximo viver
em solidariedade plena: alegria de
ser, alegria para continuar a ser
o que sempre fomos e, talvez,
num determinado momento, nós
nos permitimos esquecer, ignorando,
nós mesmos, o que precisamos ser.
Porque foi assim que sonhamos ser,
a isso nos propusemos como pessoa realizar,
fazendo a nós mesmos o que devemos
cumprir, essa maravilhosa promessa de SER.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 19 de janeiro de 2009.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/3/2
Subject: Re: APRENDIZADO DA ALEGRIA
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina!
Você retrata aquilo que também penso.
Luci


From: artemis coelho
Date: 2009/3/2
Subject: RE: APRENDIZADO DA ALEGRIA
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Maravilhoso. Artemis


O PRIVILÉGIO DA AMIZADE É RECÍPROCO

From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/3/2
Subject: O privilégio da amizade é recíproco. E, para mim, uma honra poder ....Re: APRENDIZADO DA ALEGRIA... -
To: adfalcao

Ana,

Receba meus agradecimentos por suas palavras tão generosas.
Devo reafirmar, no entanto, que o privilégio da amizade é recíproco.
E, para mim, poder enviar os poemas que expressam meus sentimentos e a minha realidade, constitui receber, da amiga, uma autorização para construir uma ponte necessária à travessia que preciso fazer, todos os dias, como ser humano ainda em processo de crescimento.
Sou devedora à amiga, igualmente, por seu tempo de leitura e boa vontade em comentar.
Aliás, sua qualificação e competência tornam ainda mais valiosas cada palavra que se dispõe a me escrever.
Abraços carinhosos de
Theresa Catharina
2009/3/2 adfalcao:

Theresa, em seu desabafo triste e sincero, você nos ensina alguns dos ingredientes extraídos de sua vivência e necessários nos momentos de muita dor: a fé, a superação, a humildade, a independência, a integridade e a alegria. Ao enunciá-los, estamos vendo-a com toda a sua força. Nem todos são capazes de realizá-los: você faz parte de uma lista de eleitos e nós, de uma lista de privilegiados por tê-la como amiga.
Abraços
Ana

 

MIRABOLANTE
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MIRABOLANTE!


Circo é mirabolante, sensacional!
Como são eletrizantes, mirabolantes,
os voos dos trapezistas, de tirar o fôlego.


Mirabolantes, os números dos malabaristas,
hábeis nos movimentos rápidos dos malabares.
Os artistas do circo, mirabolantes, lançam arcos
para o ar, no seu trabalho mostrando perícia,
acompanhada com a poesia de cores e luzes .


Quantas histórias mirabolantes,
interpretadas pelos animados ,
mirabolantes e mágicos palhaços!


Viajando, passam por muitas cidades,
fazendo, em todas elas, espetáculos
mirabolantes, fantásticos, fantasiosos,
os efuziantes acrobatas e palhaços.
Com os seus risos, na platéia repetidos,
fazem o público se divertir e sorrir.


Gostaria de ser um artista de circo,
batendo palmas também para os
trapezistas, malabaristas, acrobatas,
fazendo mágica que eu nem explico
nem sei o segredo...ah, se pudesse,
aprenderia a viver e trabalhar no circo,
transformando a minha vida, todo dia,
numa aventura muito mirabolante!


Theresa Catharina de Góes Campos
Pelotas-Rio Grande do Sul, julho de 1962.

 

 

PESCARIA NA QUERMESSE
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PESCARIA NA QUERMESSE


Eu já vi que nem sempre os peixes
vão parar nos anzóis dos pescadores,
ainda quando eles usam, como iscas,
as minhocas de qualidade...
E quando os pescadores voltam
trazendo peixes, não trazem prendas.


Comigo, porém, é muito diferente,
quando faço pescaria de sucesso
nas animadas festas da paróquia.


Sigo os conselhos do meu pai:
um pouquinho de habilidade e
paciência para direcionar bem
a vara de pescar na minha mão.


A cada dia estou mais experiente
nas pescarias de quermesse.
Assim, ganho uma prenda diferente
por todo peixe que retiro da areia fina.
Eu consigo pescar, mas os peixes
vão continuar lá na barraca, voltam
a seu oceano, um mar de brincadeira.


Para mim, é como um jogo do qual
saio vitorioso, exibindo o que eu ganhei,
com pose de pescador habilidoso.


Penso que aprendi como se deve
fazer na vida: vou ser pescador
sem precisar de minhocas,
nem esperar horas,em silêncio,
à beira do rio, a fisgada na isca, ou
que o peixe decida se deixar pegar.
Vou continuar me divertindo
nas quermesses festivas, populares.


Posso crescer, isso posso, espero
que sim. Vai ser legal, ser adulto.
Só não posso esquecer de ir pescar
prendas e mais prendas nas quermesses.


Theresa Catharina de Góes Campos
Porto Alegre- RS, julho de 1962.

 

O ALEIJADINHO PERFEITO
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O ALEIJADINHO PERFEITO


Admira-se um artista perfeito,
contemplando suas esculturas
em Congonhas do Campo.
Vê-se o nosso Aleijadinho
sem doenças nem dores.
Um homem realizado no tempo
que transcende a sua existência,
vivendo com arte única, original,
a tragédia de sua vida pessoal.


Obras que nos comovem,
a força e o vigor ali estão.
Inquebrantáveis, com solidez,
em nada lembram o corpo frágil,
deformado e dolorido.
De sua alma heróica dão
um testemunho perene.


Pensamos, desde o primeiro impacto:
Que Aleijadinho, que nada!
O escultor de tantas maravilhas
não pode ser, nunca foi, de fato,
um pobre Aleijadinho.


Eis o mistério, a glória da arte,
a emoção concretizada,
o sentimento visível,
refletindo as idéias do autor;
tornando invisíveis os defeitos físicos,
os efeitos da doença em seu corpo
martirizado,mas nunca vencido.
Quem aplaude o Aleijadinho,
vê e admira o que ele fez,
o que deixou para nós.


Nos olhos de suas imagens,
nas mãos de seus personagens,
nas pregas das vestimentas,
os cabelos, os inúmeros detalhes
em seus anjos e santos percebidos,
nos convencem de que ele foi,
na verdade, um artista incomparável,
o Aleijadinho perfeito !


Theresa Catharina de Góes Campos
Congonhas do Campo, novembro de 1964

 

MINHAS RAZÕES PARA ESCREVER
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MINHAS RAZÕES PARA ESCREVER


Espalhei poesia na minha vida,
pintei com versos as lembranças
esculpidas, construídas, mas
adormecidas no coração silencioso.
Talvez por anelar que a mesma poesia
respingue de versos a vida de outros.


Fiz chover poesia nos meandros,
nas grutas azuis e nos labirintos
de meu íntimo, quiçá para curar,
quiçá para recordações reavivar,
de tantas paisagens, esquinas...
ruelas e cidades de encantadoras,
charmosas praças visitadas.
Coloquei ritmos e rimas
em todas essas lembranças.
Aspergi de versos os canteiros,
borrifei de poesia as flores cultivadas.
E não deu outra coisa: os caminhos
floresceram em cores de poesia.


Tudo isso digo para confessar:
escrevo porque sou/permaneço
frágil e temporária, até assustada
com a mortalidade dos entes queridos,
o desamparo de nossa condição humana.


Escrevo porque sou
forte, consciente, plena
de fé na imortalidade potencial.
Porque sou e permaneço
muito determinada.


Mais facilmente eu diria
a pura verdade, sem mais
nada alegar...nem justificar.
Teria razão se eu dissesse,
simplesmente, sem rodeios:
escrevo porque não consigo
parar de escrever, silenciar
de todo o meu teimoso coração.


As palavras me acordam
com vigor e suavidade
no seu chamado ao papel,
à caneta, à máquina de escrever.
Pela mão me tomam, resolutas
palavras e versos de poesia.
O meu coração tocam,
meu intelecto direcionam,
escrever me obrigam...
pode crer, não duvide...
porque é a pura verdade
dos escritores e poetas.


Quando as palavras me acordam,
às vezes começo a sonhar!
Quando no íntimo silenciam,
já iniciei meu discurso ousado.
Como se fosse dona do mundo,
quando apenas sou escriba,
jornalista não-alienada,
com ideais e metas a realizar
sem demora porque já são
tardios e devidos, prometidos
a mim mesma, a primeira pessoa
a quem dei minha palavra.


Escrevo porque as palavras
também me correm nas veias.
Os versos pulam dos olhos
onde as lágrimas marejam
e a poesia escorre pelo rosto,
chamando a prosa para conversar,
convocando textos e mais textos.


Escrevo porque sou,
porque eu quero ser.
Porque meus olhos vêem,
os ouvidos escutam,
a boca - aberta ou fechada,
deve cumprir sua vocação,
sua missão humanista.
Ou silenciar...para refletir,
sonhar com o silêncio
do amadurecimento necessário.


Que a poesia, os versos, as palavras
pelo mundo afora com amor aspergidas
me façam crescer (e aos outros, também).


_ Ei, tenho algo a lhe dizer:
vamos acabar com tanta lenga-lenga,
pois a poesia existe, não precisa
de tanta explicação...por favor
trate de aprender a fazer haicais,
para encerrar esse longo discurso
seu (relatório, depoimento, sei lá!),
com versos precisos, enxutos.
Não demore a fazer isso, porque
preciso fugir, antes que o texto
lhe venha reclamar atenção
(como me fez confidência).
Uma prosa com ele, há muito
lhe é devida e prometida.


Faço poesia porque
a mim não me dá trégua,
não quer largar do meu pé!


_ Do seu pé não vou largar,
enquanto você viver.
Não vou sair de seu lado,
não vou largar do seu pé!


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 07 de março de 2009.


From: adfalcao
Date: 2009/3/8
Subject: Re: MINHAS RAZÕES PARA ESCREVER
To: "theresa.files"

Querida Theresa,
Realmente você respinga de versos nossas vidas ao reviver lembranças, hoje postas em palavras, lembranças que nos remetem a tantas outras, pessoais. Só que você tem o raro dom de encontrar as palavras, as rimas e os sons e arrumá-los harmoniosamente para nosso encantamento. Obrigada.
Ana

 

CINZAS
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CINZAS (haicai)

Cinzas nos lembram
nosso futuro final,
a nos chegar um dia.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 07 de março de 2009.

 

 

O FRUTO DA JAQUEIRA
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O FRUTO DA JAQUEIRA


Nos gomos da jaca,
no bagaço também,
há deliciosas vitaminas.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF - 04 de março de 2009.

 

HAICAI DO AFETO DEMONSTRADO EM VIDA
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HAICAI DO AFETO DEMONSTRADO EM VIDA

Importante é demonstrar
nosso afeto pelos outros
quando eles vivos estão.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 03 de março de 2009.

 

QUE SEJA FELIZ...
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QUE SEJA FELIZ...

A quem me magoa
desejo felicidade e peço:
não me magoe mais!


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 24 de fevereiro de 2009.

 

SONHEI COM SANTOS-DUMONT
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SONHEI COM SANTOS-DUMONT


Nessa noite fui presenteada
(talvez no amanhecer de hoje,
disso não me recordo bem...)
com um sonho precioso.
Logo eu, que não costumo sonhar,
ou de meus sonhos lembrar,
estando de olhos fechados,
para o mundo adormecida.


Numa imagem brilhante,
inacreditavelmente nítida,
em luz diáfana azul celeste,
Santos-Dumont estaria sendo
homenageado num evento
com a projeção de um filme
sobre a sua vida memorável.


Na cena projetada em meu sonho,
ele caminhava, luminoso e firme,
esbelto, altivo, elegante
como sempre é retratado,
usando o chapéu que fez moda
e terno de corte impecável.
Saía de um túnel também azul,
amplo e de traçado moderno.


Ele mesmo, Santos-Dumont,
herói de coração generoso:
recebeu o dinheiro de prêmios
e distribuiu entre seus mecânicos,
fez doação aos pobres de Paris.


Nesse meu presente de sonho,
tudo estava em azul registrado.
Uma imagem única, singular,
tudo em harmonia se integrava,
compondo uma visão dinâmica,
fazendo sobressair, inconfundível,
a figura de nosso Santos-Dumont.


(Que eu me lembre,
de olhos fechados
só tive antes pesadelos,
situações absurdas,
bastante assustadoras.)


Nesta manhã, porém,
recebi do sono o presente
de um sonho a preservar
na memória: seria um filme de
homenagem a Santos-Dumont,
com ele à frente, a se destacar
na cor azul da Aeronáutica,
o mesmo azul intenso dos céus
que tanto amou e o motivou
a pesquisar e a fazer voar.


O azul da paz, também, que
Santos-Dumont sonhava dar
como benefício aos vôos humanos.
Porque o seu sonho declarado,
ideal de ciência e de vida, era
o avião como instrumento de paz,
com potencial para unir os povos,
para tornar as viagens aéreas
uma oportunidade de intercâmbio
entre nações distantes, um meio
de conhecimento, uma fronteira
a mais para o homem conquistar.


É verdade: sonhei com Santos-Dumont.
Mas eu me via confusa, num labirinto,
talvez semelhante ao labirinto inesperado
que o inventor brasileiro vivenciou
nos últimos anos de sua existência
perturbada pelos conflitos do mundo.


Os aviões usados na guerra
foram o seu pesadelo real.
Essas imagens bélicas
o levaram à depressão, ao
desespero de sua alma pacífica.
E nos roubaram Santos-Dumont
bem antes do que nós esperávamos.


Porque os pacifistas nunca vivem demais!
De gente assim, estamos sempre
precisando e sonhando ter conosco.
Pessoas assim, tão essenciais,
deveriam permanecer neste mundo.
Como eterna é a sua memória,
o sonho real, verdadeiro, que
o nosso Santos-Dumont nos legou.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 06 de março de 2009.

P.S.
Registro aqui, mais uma vez, porque é uma de minhas repetidas citações, o pensamento do escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), que escreveu em seu livro "Piloto de Guerra": "A guerra não é uma aventura. É uma doença. Um tifo."
Aliás, na França, Alberto Santos-Dumont (20/7/1873 -23/7/1932) conquistou, em vida, uma enorme admiração e o respeito à sua memória como pioneiro da aviação mundial.
Theresa Catharina

 

HAICAI DA PARTILHA
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HAICAI DA PARTILHA


Neste mundo tão carente,
ao invés de desperdiçar,
vamos doar e partilhar.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 13 de fevereiro de 2009.

 

SARDINHA
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SARDINHA
(haicai)

Pequena e deliciosa,
vai afugentar anemia,
sardinha nas refeições.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 18 de março de 2009.

 

ESTAMOS NO MUNDO PARA SER FLOR E FRUTO
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ESTAMOS NO MUNDO PARA SER FLOR E FRUTO
(Haicais)

Do pó viemos,
na terra crescemos...
para ser flor e fruto.


Luz e arco-íris fomos,
(muito antes de ser pó),
no pensamento de Deus.


Rejeitando as sombras,
sonhando ser árvore,
vivemos nossos dias.


Na terra lutamos,
com o sonho, porém,
de um dia ser estrela.


No deserto crescemos,
sonhando ser fonte,
enfrentando os ventos.


Com a semente na terra a crescer,
voltarei a sonhar, quando estrela
eu for...porque semente desejo ser.


A semente canta na terra,
se movimenta, encanta...
Como a roldana das fontes.


Estrelas também cantam.
Não escutamos...porque
não aprendemos a ouvir.


Os cantos da vida
que não ouvimos
têm melodia e ritmo.


O pulsar das sementes
é ritmo e vibração na terra,
criando flores e frutos.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 19 de março de 2009.


From: artemis coelho
Date: 2009/3/21
Subject: RE: ESTAMOS NO MUNDO PARA SER FLOR E FRUTO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

LINDO. Artemis


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/3/22
Subject: Re: ESTAMOS NO MUNDO PARA SER FLOR E FRUTO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Seus poemas parecem cantos melodiosos, numa sequencia muito boa e bonita. Luci

 

SE PAPAI CHEGASSE MAIS CEDO...
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SE PAPAI CHEGASSE MAIS CEDO...


Se meu pai chegasse mais cedo,
todos os dias me levaria
a passear e brincar no parque.
Eu queria tanto, tanto mesmo,
que todos os dias fossem
como os domingos ensolarados...


De qualquer modo,
chovendo ou fazendo sol,
com papai sem sair
tão cedo para trabalhar,
qualquer dia sempre seria
um domingo feliz para mim!


Theresa Catharina de Góes Campos
Niterói- RJ, agosto de 1963

 

ONDE SE ESCONDE A POESIA SILENCIOSA?
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ONDE SE ESCONDE A POESIA SILENCIOSA?


Janela com grade é janela?
Porta fechada continua sendo porta
ainda que não dê acesso?
Vasos com flores na varanda
pequena de apartamento lá no alto
podem vir a ser um jardim?


A poesia nasce com as flores?
Ou nas asas dos pássaros,
nas folhas das árvores?
E onde se esconde a poesia?
Onde vive, quando silenciosa?


Quem colocou o som
dentro dos búzios encontrados
na areia e nos recifes do mar,
atrás das rochas, escondidos?
Por que as ondas do mar
são tão irrequietas na praia?
Nem param na areia, nem
sossegam quando retornam?


Tais perguntas não me incomodam,
apenas se repetem dentro de mim.
São melodias que saem das pautas
avistadas nas paredes invisíveis
de meu coração também irrequieto,
inquiridor, tão desassossegado.


Se não sei as respostas,
não é por isso que vou
parar de me questionar.


Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, maio de 1963.

 

PASSARINHO SALTITANTE
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PASSARINHO SALTITANTE


De galho em galho
pulou o passarinho/
não sei se fugindo
ou ao encontro do sol indo,
apressado, saltitante.


Será que está fazendo
exercícios matinais...
procurando frutas maduras,
caçando larvas para se alimentar
e a seus filhotes famintos levar?


Para onde vai, tão gracioso,
esse passarinho cantando,
saltitante, de árvore em árvore?
O que vai fazer, essa ave sonora
da qual nem sei o nome?
Será que busca outras vozes?
Persegue o calor, as sombras
ou os raios do luminoso sol?


Ou apenas vai levando,
muito cuidadoso e diligente,
os sonhos de minha mãe,
embaixo de suas asas?


Theresa Catharina de Góes Campos
Serra Talhada - Pernambuco, abril de 1962.

 

HAICAI DO SUCESSO
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HAICAI DO SUCESSO

Chorar não aconselho.
Para tudo conseguir,
bem melhor é sorrir.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 03 de dezembro de 2008

 

OVO DE PÁSCOA
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OVO DE PÁSCOA (haicais)


Colorido ovo de Páscoa,
símbolo da festa cristã,
não pode mesmo faltar.


Comer em demasia
os ovos de Páscoa
é acabar com a festa.


Ser moderado para comer
os deliciosos ovos de Páscoa
evita obesidade e outros males.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 18 de março de 2009.