ÍNDICE POESIAS

Se esqueço a dor, esqueço de mim!

A informação do silêncio

A viagem dentro de mim

No país de São Saruê

As flores vestidas de luz

Deus: O Artista Maior

A metamorfose consciente

Horta e jardim: cores e perfumes cotidianos

A descoberta maior

A esperança invencível

Espaço infinito do coração aprendiz

Assédio poético

Enxugar as lágrimas

Criar em meio a desesperança

Miragem do refúgio inacessível

Razão de todas as coisas

 
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SE ESQUEÇO A DOR, ESQUEÇO DE MIM!
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SE ESQUEÇO A DOR, ESQUEÇO DE MIM!

Se esqueço,
perco tudo...
até a recordação.

Se esqueço,
perco o sonho,
a força da memória
e o aprendizado
do próprio sofrimento.
Não tenho mais
o que ganhei
em dias muito distantes
pelas mãos do amor.

Se esqueço,
esqueço a dor,
a melancolia,
a insegurança,
mas ME esqueço também!

Theresa Catharina de Góes Campos
Buenos Aires, Argentina, fevereiro de 1964.

(a seguir, o texto original, em espanhol:)

SI OLVIDO EL DOLOR, ME OLVIDO!

Si olvido,
pierdo todo...
mismo el recuerdo...

Si olvido,
pierdo el sueño,
la fuerza de la memoria
y el aprendizaje
de todo sufrimiento.
Yo no tengo más
lo que he ganado
en días muy lejos
por las manos del amor.

Si olvido,
olvido el dolor,
la melancolía,
la inseguridad...
pero ME olvido también!

Theresa Catharina de Góes Campos
Buenos Aires - Argentina, febrero de 1964

 

A INFORMAÇÃO DO SILÊNCIO
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A INFORMAÇÃO DO SILÊNCIO

Às vezes, o silêncio fala mais
que as palavras ruidosas,
muito mais...
Ocorre, porém, que as pessoas,
em sua maioria,
assim como não prestam
a devida atenção às palavras,
também ignoram a informação do silêncio.

Theresa Catharina de Góes Campos

Brasília-DF, 29/11/1988
.
 

 

A VIAGEM DENTRO DE MIM
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A VIAGEM DENTRO DE MIM

A viagem dentro de mim
não tem previsão de retorno,
não tem rumo certo.
A viagem de meu coração
me leva e me faz ficar
em muitos países
sem nunca chegar a eles,
ou neles permanecendo,
sem conhecer a dor de um adeus.

A viagem dentro de mim
me reserva tantas surpresas!
Daí eu ter tanto medo...
e fico, chorando,
dentro de meu coração.

Theresa Catharina de Góes Campos
Montevideo, Uruguai, fevereiro de 1964.



(a seguir, o texto original, em espanhol:)



EL VIAJE DENTRO DE MI

El viaje dentro de mi
no tiene una previsión de regreso.
no tiene una dirección cierta.
El viaje de mi corazón
me lleva y me hace quedar
en muchos países
sin jamás llegar a ellos
y sin conocer
el dolor de uno adiós.

El viaje dentro de mi
me atesora
tantas cosas inesperadas!
Entonces yo tengo tanto miedo...
y me quedo, llorando,
dentro de mi corazón.

Theresa Catharina de Góes Campos
Montevideo-Uruguay, febrero de 1964.

 

 

NO PAIS DE SÃO SARUÊ
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NO PAIS DE SÃO SARUÊ

(poema inspirado no filme "O País de São Saruê" – Brasil,1971 – de Vladimir Carvalho)

Não faltam terras
nem sementes
no Pais de São Saruê...
Nem braços, nem mentes criativas.
Não há escassez de riquezas,
nem obstáculos intransponíveis.
Aqui, os mil e um recursos
se contrapõem à face gigantesca da miséria
e poderiam torna-la coisa do passado...
mas os mil e um recursos esperam
pela vontade dos líderes no poder,
que ficam a mistificar,
adiar e protelar
o que não têm o direito de adiar.

No Pais de São Saruê,
nada falta... só JUSTIÇA!
Nada falta e, no entanto,
aqui fazem da terra,
madrasta cruel...
e tudo parece faltar
porque não há JUSTIÇA!

Até Deus parece distante,
quando não se faz JUSTIÇA!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 17/07/1987.

 

AS FLORES VESTIDAS DE LUZ
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AS FLORES VESTIDAS DE LUZ

Eis que o momento esperado
nos sonhos e no dia-a-dia
chegou, afinal realizado.
As flores vestiram-se de luz,
as folhas saudaram o arco-íris
e sorriam para o sol
com a mesma alegria
com que acenaram
para o orvalho matinal.

Você esperou por mim
no topo da colina.
O seu sorriso tinha a magia escondida
que eu só conhecera, antes,
na mansidão do pôr-do-sol.

O seu sorriso cobriu de prata
as planícies que recordávamos;
e as flores continuaram sorrindo,
enquanto os córregos sussurravam,
trocavam confidências inesperadas
com as árvores mais amigas;
e os ramos de todas as árvores
inclinavam-se para ouvir as abelhas
numa coreografia de movimentos sonoros.

Ansiosos pela ternura um do outro
viemos de tão longe,
com o coração pesado
e magoado... bem medroso
por causa de gestos falsos
e das palavras vazias;
coração medroso
por causa dos sonhos
que morreram meninos
e das carícias perdidas
nos vales profundos do tempo.

Eis que o milagre do amor
revestiu o mundo de uma nova beleza,
como o toque novo de verde
que a primavera usa
como varinha de condão
após o silêncio do inverno.
E as árvores abriram seus braços –
não mais vazios de folhas –
para o céu primaveril.
Todo o universo parecia novo
quando as promessas de amor
deram um sentido à busca
que parecia sem sentido.

Theresa Catharina de Góes Campos
Lac Léman, Genebra -Suíça, 05/09/1960


(a seguir, a versão original deste poema, em inglês)

THE FLOWERS DRESSED IN LIGHT

Then, the moment I waited for so long,
in my dreams and in my daily routine,
came as reality at last.
The flowers dressed in light,
the leaves greeted the rainbow
and smiled at the sun
with the same joy they waved
to the morning dew.

You waited for me
at the top of the hill.
Your smile had the hidden magic
I had seen before only
in the quiet sunset.

Your smile covered in silver
the plains we remembered;
and the flowers were still laughing,
while the streams were whispering,
exchanging unexpected confidences
with the most friendly trees;
the branches of the trees
were bowing and listening to the bees
in their choreography
of sounds and movements.

Eager for each other's tenderness
we came from so far away,
with a heavy heart,
feeling hurt… and so much afraid
because of false gestures
and empty words;
a fearful heart
because of dreams
which died young
and lost caresses
in the deep valleys of time.

Then the miracle of love
gave a new beauty to the world
like the new green touch
Spring always gives
with its new green touch
after the silent Winter.
And the trees opened their arms –
no more empty of leaves –
for the spring sky.
The whole universe looked as new
when the love promises
gave a sense to the search
which apparently had no sense.

Theresa Catharina de Góes Campos
Lake Leman, Geneva -Switzerland (September 5, 1960)


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/1/26
Subject: Re: AS FLORES VESTIDAS DE LUZ
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Você é uma pessoa criativa por natureza! Luci


From: walter ferreira
Date: 2009/2/1
Subject: Re: AS FLORES VESTIDAS DE LUZ - Theresa Catharina de Góes
Campos (Walter: eu tinha 15 anos !...)
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Estimada Theresa Catharina:

O poema é de muita sensibilidade, bem parecido com a Senhora!

Um abraço,
Walter

 

DEUS: O ARTISTA MAIOR
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DEUS: O ARTISTA MAIOR

Criador e criativo,
Ele nunca Se repete.
Jamais estabelece suas fronteiras
nos espaços limitados
do ontem, hoje, amanhã.
Artesão e artista maior,
em permanente processo
de inspiração e criação,
Seu espaço é ilimitado:
o universo, o infinito.

Theresa Catharina de Góes Campos
Versalhes - França, 07/09/1960.

 

A METAMORFOSE CONSCIENTE
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A METAMORFOSE CONSCIENTE

Enfrentei as recordações tristes
para que a amargura
não me transformasse
no que eu não queria ser;
enfrentei a insistência da tristeza
para não me perder no labirinto
de eventos que não posso controlar.
Persisti na esperança...
Continuei a percorrer,
com medo mas sem desistir de caminhar,
as avenidas da poesia.

O braço forte de Deus me sustentou
até onde a busca me levou.
Antes de ser árvore, fui semente;
fui nuvem, perdida no céu,
antes de me transformar em chuva
e fertilizar o solo.

Os desencontros, as derrotas
e as não-respostas
me levaram à caverna escura
onde o meu tesouro estava guardado,
esperando por mim...

Theresa Catharina de Góes Campos
Cap-de-la Madeleine, Província de Québec - Canadá, junho de 1972.


(versão original do poema)


THE CONSCIOUS METAMORPHOSIS

I did face my sad memories
so that bitterness
would not change me
in what I did not want to be;
I faced the stubborn sadness
so that I would not get lost
in a labyrinth of events
I cannot control.
I went on being hopeful…
I went on walking,
feeling afraid but
not wanting to give up,
walking through poetry avenues.

God's strong arm supported me
wherever my search took me.
Before being a tree, I was a seed;
I was a cloud, lost in the sky,
before I changed into rain
and fertilized the soil.

Defeats, no-answers
and failure in meeting
took me to the dark cave
where my treasure was being kept,
waiting for me…

Cap-de-la Madeleine - Province of Québec, Canada (June, 1972)


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/1/26
Subject: Re: A METAMORFOSE CONSCIENTE
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina
Inicialmente, quero agradecer o livro que você nos presenteou. Acabei de ler "Adeus, China", belíssima autobiografia, um exemplo de vida para todos, pela coragem, persistência e determinação no enfrentamento de problemas. Além de mostrar aspectos positivos e negativos dos que vivenciam cenários comunistas e capitalistas, destacando os valores culturais étnicos, éticos e humanos. Adorei.
Da mesma forma, seus versos transmitem muito saber e humanidades. Luci

 

HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
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HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS

As frutas coloridas
deram um toque de arco-íris
ao lanche saudável das crianças.
As flores fizeram da sala
um jardim interno, acolhedor.
Os morangos do nosso quintal,
recolhidos amorosamente
em minhas mãos fatigadas,
golpeadas e feridas,
chegaram à mesa da varanda
no aconchego de meu avental.
E nós todos, mãe e filhos,
cheirávamos a hortelã!

Nesses versos despretensiosos
meu coração quis fotografar,
como, se fosse eu artista,
decidiria em cores pintar,
uma cena bem realista
de meu cotidiano familiar,
na aparência tecido
com a arte da natureza,
no jardim e na horta,
cultivados e protegidos,
antes de a neve chegar
para tudo, com firmeza,
em longos meses dominar
com a sua uniformidade
misteriosa , desafiadora.

Assim, em nossa imensa casa,
em cuja frente plantamos
cento e vinte mudas de árvores -
elmo chinês, rápido em crescer -,
nossos morangos perfumavam,
na sua época tão breve,
a cozinha em permanente atividade.
Mas em todos os cômodos,
nos quatro andares da residência,
onde eu espalhava dezenas de ramos,
todos nós, mãe e filhos,
cheirávamos a hortelã!

Theresa Catharina de Góes Campos
Ottawa - Ontário, Canadá (13/06/1982)


From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2009/1/26
Subject: - HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Que bela recordação, Theresita.
Cheiros e imagens que saram outras feridas da vida.
Um beijo., Tereza Lúcia.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/1/28
Subject: Re: HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Acho muito lindos esses momentos cotidianos de trajetória da vida, que mostram o olhar e os valores que conduzem o dia-a-dia das pessoas.
Luci


From: artemis coelho
Date: 2009/1/26
Subject: RE: HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Escolhi esse para responder.
Porque senti o cheiro;
senti o calor no interior da casa,
no interior do coração.
Vi a beleza do jardim
e a singeleza da horta.
Ouvi o ruído agradável de risos infantis,
mas, sobretudo, vi as mãos zelosas
se limpando sem se limpar -
e ainda bem - do cheiro maravilhoso
da hortelã, do alecrim, do tomilho
e de tudo que foi vivido,
e que ninguém, absolutamente
ninguém, arrebatará
de um coração - ainda bem!

Artemis Coelho


From: Sonia M.Esposito
Date: 2009/1/26
Subject: HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Obrigada ...
Muito bonitas, as suas poesias ...
Abração ...
Sonia*


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/1/30
Subject: HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: adfalcao

Estimada Ana:

Renovo meus agradecimentos por você se importar o suficiente para me escrever, fazendo sua competente revisão. Muito obrigada! Já vou reenviar o poema ao Walter, com os versos aperfeiçoados.
Sobre o poema, acredito que nada mais escrevi, no Canadá, depois destes versos.(...) Foi o último verão na minha residência, ao lado de meus filhos. Cinco meses depois desta poesia, retornei ao Brasil, após quase doze anos de ausência. Eu, consciente, como disse à minha mãe, de que não me arrependeria jamais de minha partida, acontecesse o que acontecesse depois. De fato, jamais me arrependi por ter voltado.
O único arrependimento, ainda recorrente e angustiante: por que não saí antes?! uma década antes?!
Surpreende-me esta minha poesia - "Horta e jardim: cores e perfumes cotidianos" - como foi possível ... eu conseguir separar uma lembrança de beleza simples, recortando cenas reais, registrando com lirismo momentos verdadeiros em que a poesia se fazia presente, derrotando a tristeza de meus dias?!!

Abraços da amiga
Theresa Catharina

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From: adfalcao
Date: 2009/1/30
Subject: HORTA E JARDIM : CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: "theresa.files"

Theresa, belo registro.
Você tem a inspiração, coloca-a no papel em forma de bela poesia e, eu, comento apenas a falta ou o excesso de vírgulas.
Desaforo!!!!!!!!!!!

sala (sem a vírgula)
antes de a neve
Beijos, Ana


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/1/31
Subject: Agradeço sua acolhida às minhas poesias, o que me incentiva bastante... e me comove!Re: HORTA E JARDIM: CORES E PERFUMES COTIDIANOS
To: elizabeth barros

Caríssima sobrinha e amiga Elizabeth Fernanda:
Agradeço sua acolhida às minhas singelas poesias. Suas palavras me
incentivam e muito me comovem.
Carinhosamente, sua tia e madrinha de casamento,
Therezita

-------------------

2009/1/31 elizabeth barros

Tia, muito obrigada por me enviar suas poesias. São comoventes e maravilhosas. Parabéns.
Elizabeth

 

 A DESCOBERTA MAIOR
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A DESCOBERTA MAIOR

Descobri que,
se eu estou a perder,
posso até sair ganhando.
Os soluços podem quebrar grilhões!
Se fiquei livre é porque
vivi a plenitude do pranto,
tomando as lágrimas
para construir o meu canto.

Por trás de cada soluço
encontrei vitórias não-planejadas.
Foram se tornando visíveis...
depois que aceitei
e confessei a derrota
que veio gerar a vitória.

O que perdi, não mais me prende...
O que não tenho mais,
não mais me preocupa.
Quando perdi,
sempre me libertei
porque me desprendi
de tudo que não me pertencia;
me libertei de verdade,
nos mínimos detalhes,
em toda a plenitude.

Quando escuto os meus
lamentos de dor,
tenho o conhecimento
fortalecido
da amplitude do amor.
Se estremeço, é que eu sinto.
Se me dói, é que estou viva!

Quando reconheço as derrotas,
identificando minhas perdas
mais dolorosas,
mostro-me consciente
dos passos necessários
para a vitória tecida
nas lágrimas e nos soluços.

Quando não vejo,
percebo e sinto;
quando não posso tocar,
eu sonho além dos limites;
quando não tenho a benção do sonho,
imagino sem barreiras...

Nas perdas, consigo
nos obstáculos me encontrar;
perdendo, eu ganho;
o que perdi, me enriquece;
o meu choro, o meu lamento
vira canto...
ainda que um canto de dor!

Se eu fico, não devo partir;
se eu parto, não posso ficar.
Se eu perco as forças,
entendo a energia que eu tive...
Se eu vivo é porque...
não morri dentro do pranto!

Se não aceito chorar,
eis que não posso aprender!

O que perdi, abriu as portas
de minha prisão temporária.
Quando eu me perco,
me vou encontar;
quando me encontro, percebo
os pontos de luz e sombra.

Se recusamos o pranto,
por que cantar a canção?!

As minhas perdas
me transformam
e me vão levar
a momentos de coragem;
quando estou vulnerável,
reúno todas as forças;
quando sou magoada,
eu me ponho a caminhar...

Se eu choro, posso fugir;
na fuga, posso vencer.
Se eu choro, posso mudar;
se eu mudo, posso vencer.
Se eu choro, depois sorrio...

Da lágrima, faço janela;
do pranto, faço canção;
da canção, faço arco-íris;
da perda, faço caminho.

Nas minhas lágrimas,
eu me purifico, me afasto,
dessa maldade do mundo!
Com os meus versos enfrento
toda a calúnia do mundo.
A minha canção me liberta
dessa arrogância do mundo.

E quem zombou
não me viu,
a sorrir
por entre as lágrimas...
E quem fugiu,
depois das maldades,
vitoriosa não me viu
vencer o mal
com a canção dos meus versos!

Se amo
é porque te quero
nos teus versos e
no teu pranto
a construir os teus sonhos.

Se recusamos o pranto,
como fazer a canção?

De que me serve o choro
que não me leva à canção?
De que me serve a lágrima
que não me dita o poema?

Do choro, faço meu barco;
do pranto, faço acalanto;
do choro, faço uma porta
e uma janela escondida.

Nas lágrimas, eu vejo as estrelas;
no pranto, eu sinto o luar.
Das lágrimas não quero fugir
porque refletem os teus olhos.
Da prisão de teu olhar,
eu já consegui voar.

Se aceito perder, eu ganho
o riso que eu não perdi;
se aceito chorar, eu ganho
o poema de meu pranto
e a canção que me procura,
e me encontra,sem falhar,
nas rugas do meu coração.

De que me serviria vencer,
se não pudesse cantar?
Perder também é ganhar,
a lágrima conduz ao riso;
o riso pode ser um lamento,
um grito disfarçado de dor.
No choro, posso encontrar
o riso, o sorriso, a canção
que se escondiam de mim!

E quem quiser descobrir
a descoberta maior,
aceite as lágrimas do canto;
vá chorando, vá sofrendo
e aprenda a se conduzir
à vitória do viver.

O que não tenho me enriqueceu.
Descobri que o sucesso
também pode derrotar
e que as resistências talvez tragam
muitas afirmações corajosas.

Se choro, é porque senti;
se canto, é porque chorei;
se eu vivo é porque morri
na dor , em cada uma das dores;
se venço é porque aprendi
com as perdas, os golpes
do meu viver desprotegido.

E perdendo, vou ganhando;
nas quedas, me levantando;
sofrendo, vou conseguindo
viver sem desistir;
e amando, caminhando
no amor e na dor,
vou construindo o meu SER.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília - DF, 24/07/1989.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/1/29
Subject: És delicada, sensível e corajosa
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
És uma pessoa sensível, delicada como porcelana, mas muito corajosa.
Além de ser uma filósofa. Luci


From: bere bahia
Date: 2009/2/1
Subject: Re: A DESCOBERTA MAIOR
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Amiga,

(...), adorei este poema, já o incorporei à tua pasta...
Abração, Berê Bahia

 

A ESPERANÇA INVENCÍVEL
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A ESPERANÇA INVENCÍVEL

Conhecemos alguns caminhantes
de esperança invencível,
fortalecidos por uma energia
que,dentro de si mesmos,
movimenta seus corpos,
impelindo-os a caminhar
enfrentando ventos e neve.

Homens e mulheres a buscar um ideal
ao qual se dedicam
porque lhes sintetiza a vida.
Um poder imperecível,
uma crença
a iluminar cada vereda
com uma alegria independente
de qualquer recompensa material.

Um escândalo para o mundo!
Uma bênção para nós!

Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères, Suíça, agosto de 1960.


Versão original:


THE UNFAILING HOPE

We know a few people
who walk with unfailing hope,
a force inside moving their body,
forcing them to walk
against wind and snow.

Men and women searching,
giving themselves to an ideal
that summarizes life to them.
An imperishable power,
an ideal,
brightening up any path,
giving joy,
independent of any material reward.

A scandal to the world!
A blessing to us!

Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères - Switzerland, August, 1960.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/1/29
Subject: Re: A ESPERANÇA INVENCÍVEL
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina:
Você tem uma coleção de poesias variadas. Mais uma vez, te admiro! Luci

 

ESPAÇO INFINITO DO CORAÇÃO APRENDIZ
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ESPAÇO INFINITO DO CORAÇÃO APRENDIZ

No "meu" espaço infinito,
sempre cabem meus amigos.
O meu coração, aprendiz,
estuda e fala todas as línguas.

No "meu" espaço infinito,
embora também limitado,
os caminhos são bem-vindos,
os obstáculos, vencidos.

Esse espaço infinito
é universo de sonhos
que se renova e recria
na luz do realizar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Água Preta, Pernambuco, 18/05/1962.


From: adfalcao
Date: 2009/1/29
Subject: Re: ESPAÇO INFINITO DO CORAÇÃO APRENDIZ
To: "theresa.files"

Amiga Theresa, admiro sua coerência de vida desde sempre. Abraços Ana

 

ASSÉDIO POÉTICO
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ASSÉDIO POÉTICO

Como os poetas, em geral,
vivem no mundo da lua,
escrevem com a luz do coração,
e não se cansam de oferecer
versos carinhosos aos amigos,
como se presentes fossem,
magicamente tocados,
envolvidos em sentimentos
e com palavras inspiradoras.

Ignoram, talvez, se
os seus poemas desajeitados,
jamais por alguém solicitados,
nem esperados, também,
incomodam quem os recebe...

Talvez porque, nesta existência sofrida,
entre muitas outras razões,
parecem os poetas em outro mundo viver.
Ah, essa gente, por tantos incompreendida!
Sonham numa outra dimensão...
diferente, com certeza.Ou esquisita.
Em outro universo, no espaço sideral,
parecem os poetas transitar, respirar.

E não se cansam de insistir,
compondo, enviando versos,
sem perguntar se os seus poemas
vão ser bem-vindos, acolhidos...
se há um espaço disponível,
na vida intensa, apressada,
dos destinatários ocupados,
à realidade do cotidiano atentos,
sem o tempo necessário à leitura
de poesia desprezada por autoridades
porque seria inútil à sociedade...
E porque precisam cumprir numerosos,
importantes e urgentes compromissos.

Como os amigos dos poetas
são destinatários educados,
gente séria, de coração bondoso,
às vezes escolhem ficar calados.
Sem nada dizer, sem reclamar,
sofrem com paciência o assédio
dos poetas, seus amigos.

Como nossa vida pertence a Deus,
o Poeta Maior de todos nós,
nossa dádiva são versos pessoais
porque só podemos dar o que temos:
nossa poesia, por demais reveladora
de nossa fragilidade avassaladora,
abrindo portas e trilhas sem fim
em nosso íntimo desvendado
quase sem pudor ou reserva.

Os poetas ficam insistindo,
nem se desculpam aos amigos,
por tantas mensagens mandarem.
Com certeza, os poetas tentam,
com desespero disfarçado,
estabelecer maior comunicação
entre as pessoas queridas.
Tentam, persistentes, manifestar
os sentimentos que afloram
além dos diálogos comuns,
práticos, realistas, pragmáticos.

Que nos desculpem os amigos
por nossa impertinência.
Que nos perdoem o assédio poético.
Somos culpados, reconhecemos.
A nosso favor, digo apenas, que
vivemos com o coração na mão,
sempre a pulsar, fazendo poesia.
Inclusive para ofertá-la aos amigos.

Pedimos ainda mais compreensão
para essa inundação, avalanche de versos,
porque assédio poético não é crime.
Os poetas fazem questão de afirmar
a não existência desse crime, decididos
a continuar invadindo, com afeto e lirismo,
o espaço de seus familiares e amigos.

Se Deus onisciente, o Poeta Maior, que
nos concedeu o potencial de, com palavras,
também criar, repetir versos e poemas,
nos aceita, nos entende perfeitamente,
esperamos que nossos destinatários
reservem um pouco de seu tempo
para acolher nossas poesias singelas.

E que Deus, Poeta Maior,
nos abençoe a todos nós,
com palavras responsáveis,
eficientes e criadoras,
mas sobretudo fraternas,
no dia-a-dia solidárias,
sejamos ou não poetas.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 31 de janeiro de 2009.


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/1/31
Subject: Sem dúvida alguma, gostei bastante de seus versos.Re: ASSÉDIO
POÉTICO
To: artemis coelho

Amiga Artemis:

Obrigada por suas palavras animadoras. Sim, sem dúvida alguma, gostei bastante de seus versos. Aliás, enviei ao Walter, para colocá-los nos sites e no cd-rom Existe Vida sem Poesia?, como você comprovará, pois lhe remeterei cópia de meu encaminhamento.
Apreciei sua visita poética! Seja sempre bem-vinda.

Abraços e a estima de
Theresa Catharina

-----------------------------

2009/1/31 artemis coelho

Achei maravilhoso esse 'Assédio Poético'. Ele bem pode tornar-se um libelo para nós,que insistimos em 'chatear' amigos com nossos derrames poéticos.
Certamente passarei adiante,e, obviamente com a devida autoria.
Por falar em intromissão poética,não sei se você gostou do comentário/ intromissão/ poesia que fiz sobre seu poema. (Horta e Jardim...)
Escrevi porque fiz um viagem perfeita no tempo e no espaço,indo visitá-la no Canadá; senti absolutamente tudo o que escrevi.
Espero que tenha gostado.
Abraços,
Artemis


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/1
Subject: Re: ASSÉDIO POÉTICO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Seus poemas e pensamentos são sempre originais e expressam o seu modo de ser. Eu acho ótimo isso. Luci


From: agness
Date: 2009/2/2
Subject: Re:ASSÉDIO POÉTICO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Cara amiga poeta Theresa
Agradecendo e desejando a vc que Deus sempre derrame bençãos com muita inspiração.
ABS
Agnes.
Que o SENHOR JESUS toque no seu coração para senti-lo a cada dia com alegria, paz e tudo o que Deus quer de melhor para a sua vida.


From: Telma Sueli Aguilar
Date: 2009/2/2
Subject: RES: ASSÉDIO POÉTICO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Que lindo, Theresa!
Quero me desculpar por não ter respondido seus e-mails ultimamente.
Fico muito feliz em receber suas mensagens, especialmente suas poesias. Assim que leio, guardo na pasta "mensagens da Theresa Catharina", e de vez em quando volto a ler. Quero te desejar muita saúde e alegria em seu novo ano de vida!
Um abração da amiga
Telma

 

ENXUGAR AS LÁGRIMAS
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ENXUGAR AS LÁGRIMAS

Você já pensou
na beleza criada
pelas mãos paradas
a desenharem
o gesto em potencial?

Alguém já explicou
que a essência das mãos
se definiria ...
no que estão prestes a criar?

Se os homens cantassem
os sonhos e as ilusões que matamos
nas profundezas de nossos corações,
muitas mãos se uniriam
a criar e a construir,
apaziguar, consolar...

Se proporcionássemos às crianças
a alegria da paz,
na companhia de pássaros e borboletas,
os seus risos seriam puros
e teriam o poder inocente
de apagar nossas lágrimas.

Theresa Catharina de Góes Campos
Montreux - Suíça, agosto de 1960.



(a seguir a versão original, em inglês):



WIPING OUT TEARS

Have you ever thought
about the beauty
quiet hands create
when they draw
the potential gesture?

Has someone ever explained you
that the essential thing in a hand is…
what the hand is about to create?

If men would sing
the dreams and the fantasies
we kill deep down in our hearts,
many hands would get together
in order to create and to build,
to quiet down and to console…

If we would provide the joy of peace
to all children,
as well as the company of birds
and butterflies,
their laughs would be pure and
they would have the innocent power
to wipe out our tears.

Theresa Catharina de Góes Campos
Montreux - Switzerland, August 1960.

 

CRIAR EM MEIO À DESESPERANÇA
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CRIAR EM MEIO À DESESPERANÇA

CRIAR, realizar, construir,
malgrado a repetição
dos gestos maquinais.

Sonhar, perdoar, mesmo chorando,
apesar da mediocridade
aparentemente onipresente,
falsamente onipotente.

Criar, refazer, renovar, reavivar,
em meio à desesperança,
ao desespero que reaparece,
ao desamor insistente.

Avançar, em meio a tantos perigos.
Rezar, quando a fé vai se apagando.
Criar o bem tão essencial,
nos momentos mais cruéis.
Tudo para que a graça da Fé renasça!

CRIAR: eis a vitória luminosa
dos heróis, santos e poetas!

Theresa Catharina de Góes Campos
Québec - Província de Québec, Canadá, 13/01/1973.


From: artemis coelho
Date: 2009/1/31
Subject: RE:CRIAR EM MEIO À DESESPERANÇA
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Lindo,especialmente "apesar da mediocridade aparentemente onipresente, falsamente onipotente".
Artemis


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/2/4
Subject: Obrigada pela sugestão de retirar "City", deixando apenas "Québec." ref. CRIAR EM MEIO À DESESPERANÇA
To: adfalcao

Ana,
mais uma vez lhe devo expressar meus agradecimentos por sua excelente
sugestão - já retirei a palavra "City", deixando apenas "Québec" (o nome original da cidade, e não, a versão do nome em inglês, Québec City). Obrigada.
O poema foi escrito quando completei 28 anos, estando eu casada há seis meses e grávida de meu primeiro filho.
De fato, essa coerência de princípios foi observada por um de meus amigos de longa data - Áureo César, meu colega de Jornalismo e amigo desde 1963 -, em dezembro último. A ele dediquei o poema a seguir, "Sonhos desfeitos não matam ideais". Lembro que você leu essa poesia. Reenvio apenas para reforçar a precisão de suas palavras.

Abraços carinhosos de
Theresa Catharina

SONHOS DESFEITOS NÃO MATAM IDEAIS
Dedicado a Áureo César Coelho do Valle*


Sonhos desfeitos ,
como as perdas e ausências
de entes queridos,
são golpes da vida,
mas nenhuma dessas tristezas
tão profundas quanto o sofrimento
que nos infligem, dolorosamente,
têm o poder de matar
nossos valores, nossos ideais.


Somente nós temos,
de acordo com a nossa vontade,
nossa fraqueza e ganância,
o poder de matar, destruir
nossos princípios, nossos ideais.
Sim, não adianta negar:
reconhecer precisamos
que desculpa não há
para nossas indecisões,
os silêncios de omissão,
as fraquezas e indignas ações.
Porque apenas nós podemos
silenciar, esquecer e matar,
nossos valores, nossos ideais.


Cabe a nós protegê-los,
fortalecer nossa vontade,
fugir da ganância e do mal,
para que esses princípios
além da morte sejam cultivados .


Porque são a nossa herança,
nosso maior patrimônio,
para nós e outras gerações.
Vivem além da morte,
nossos valores, nossos ideais.


Os sonhos desfeitos nos trazem lágrimas.
Os ideais e valores as enxugam
e de novo para a vida nos despertam.


Que desculpa é essa,
de que as ilusões,
os muitos sonhos desfeitos,
fizeram ruir princípios,
ideais e valores...
se nem a morte pode
destruí-los?


Sonhos desfeitos
vêm com o dom da vida,
assim como as perdas,
tão inevitáveis como dolorosas.
Mas ideais e valores nascem
de nossa vontade e decisão,
de nosso caráter cultivado
ao longo da vida, antes de
mergulharmos na luz invisível,
desconhecida, da eternidade.


Quando somente o espírito -
a alma vencedora, imortal -
em sua plenitude existir,
nossos ideais e valores
permanecerão com vida,
falando em nosso nome,
luminosos como a estrela de Belém,
apontando o caminho, orientando,
em honra a nós construindo.


Porque sonhos desfeitos
ideais não matam ...
os sonhos renovam,
ideais reafirmam,
valores consolidam.
Na verdade, sonhos desfeitos
nos dão a maravilhosa oportunidade
de nos fazer repetir ,
com a fé da rotina heróica,
a essência do melhor
que cultivamos em nós.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 26 de dezembro de 2008

*SOBRE O MEU POEMA "SONHOS DESFEITOS NÃO MATAM IDEAIS"

Escrevi "Sonhos desfeitos não matam ideais" porque o economista,
auditor da receita federal e professor Áureo César Coelho do Valle, em
10 de dezembro/2008, relembrou como eu era na Faculdade...suas
palavras me decidiram a registrar o que ele falou, sua afirmação de
que , ao ler o meu livro mais recente - " Pensamentos para ser, agir e
viver melhor", confirmou que ali estavam os mesmos valores e ideais
que eu tinha, quando nos tornamos colegas e amigos, no Curso de
Jornalismo (FNFi - Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal
do RJ ), desde março de 1963...e que me tornei a cada dia mais
determinada na minha fé. Fiquei profundamente comovida quando Áureo
César , de forma espontânea, fez esse comentário.
Estávamos os três - ele, sua esposa Ione e eu sentados à mesa de sua
hospitaleira cozinha, compartilhando uma refeição deliciosa. Que
generosa hospitalidade - me receberem em sua residência - e dizer
essas palavras que tanto me emocionaram! Só mesmo na casa de amigos se
tem uma experiência afetuosa como a que vivenciei, uma autêntica
dádiva de Natal, merecedora de registro porque perdura para sempre em
nossa memória, em nosso coração.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 28 de dezembro de 2008

 

MIRAGEM DO REFÚGIO INACESSÍVEL
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MIRAGEM DO REFÚGIO INACESSÍVEL*

Se os jovens fossem jovens
aceitariam o sacrifício heróico
tal como parte e condição do amor.

Se os homens soubessem transmitir
todas as palavras que aprisionam
dentro de si, covardemente,
as canções e as mensagens que apagaram
fluiriam sem cessar, noite e dia.
E os sonhos seriam realizações;
as sementes protegeriam o trigo latente,
e, mesmo invisíveis, as sementes
seriam pão e flor, árvore e frutos.

Porque algo tão simples
parece um sonho distante,
sinto medo do mundo.
Quero buscar um farol...
para ali viver protegida, mas
capaz de proteger outras vidas.
Porém a raiva do mar, os recifes
e as ondas de som furioso,
estão em meu caminho,
não me permitem passar.
Isso é realidade ou, quem sabe,
uma visão juvenil, imatura,
criada pelo medo que eu sinto?

Theresa Catharina de Góes Campos
Caux-sur-Montreux - Suíça, agosto de 1960.


*Atendendo a meu pedido, a comemoração familiar de meus 15 anos (13 de janeiro de 1960) foi um piquenique com a minha mãe e meus irmãos, Fernando José e Victoria Elizabeth, nas proximidades do Farol de Santo Agostinho, localizado na praia do Cabo de Santo Agostinho (Cidade do Cabo, próxima ao Recife, em Pernambuco).
Meu pai não pôde ir conosco porque estava trabalhando, mas providenciou o veículo e o motorista para o nosso passeio.
O destaque, nessa programação para celebrar meu aniversário natalício, foi a visita que fizemos ao Farol, especialmente solicitada por mim, pois eu dizia, na época, que seria ótimo viver num farol.
À noite, em casa, na Praia de Piedade (Jaboatão - PE), meus pais, meus irmãos e eu festejamos na forma tradicional: bolo e parabéns, recordando os momentos tão agradáveis no Cabo de Santo Agostinho, o que vimos no
interior do farol, o que conversamos com o faroleiro.
Para falar com mais sinceridade, o fato é que, na época, eu afirmava querer morar num farol, quando me tornasse adulta. Seria essa a minha vocação paralela, num local que me parecia ideal (tranqüilo e solitário), o que não me impediria de exercer, concomitantemente, a vocação de jornalista, escritora e poeta. (Bem, era o que eu dizia, compenetrada...)
Devo registrar que meus pais, sabiamente, riam um pouco e comentavam sobre as dificuldades, sobretudo a solidão, no trabalho e na vida em um farol. Mas não se posicionavam contrários à minha decisão...
Meses depois, cursando o clássico, no Colégio de São José (Recife - PE), fundamos e passamos a editar, no formato tablóide, um jornal estudantil, impresso em branco e verde, com fotografias e bastante informativo. Chamava-se "O Farol", nome escolhido por mim e aprovado com a minha argumentação sobre periódicos homônimos, históricos, no Brasil e em outros países, o simbolismo da palavra, etc.
Durante os três anos de nosso curso clássico, "O Farol" esteve sob a responsabilidade das quatro fundadoras e editoras: Tereza Halliday, Tereza Dubeux , Isabel Brayner e eu.
Depois, nos tornamos universitárias e deixamos o nosso jornal "O Farol".
Na comemoração dos quarenta anos de nossa formatura do clássico (1962-2002), houve a publicação de um número especial de "O Farol", com a reimpressão de artigos selecionados.
Ainda guardo alguns números desse meu jornal tão querido, editado e redigido com o entusiasmo pioneiro de suas quatro editoras e inúmeras colaboradoras. Impossível não me emocionar, ao reler suas páginas, embora tivesse havido, antes, outros jornais em minha vida.
Como o meu "tablóide" da infância, que eu fazia manuscrito, desde os oito anos, sozinha, e também se chamava "O Farol"; e outros, na adolescência, em trabalho de equipe, como o informativo impresso do CESP - Centro dos Estudantes Secundários de Pernambuco, entidade cuja diretoria eu integrei, como secundarista e participante do movimento estudantil democrático.
Representando o CESP, ao lado de ótimos colegas e amigos, fiz muitas viagens inesquecíveis, para reuniões e congressos, servindo e aprendendo com populações carentes, o que me deu a oportunidade de conhecer melhor Pernambuco e o Brasil.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 31 de janeiro de 2009.


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/2/1
Subject: Sim, é o cd-rom/livro Existe Vida sem Poesia?, que sairá em breve. ref. MIRAGEM DO REFÚGIO INACESSÍVEL
To: artemis coelho

Estimada Artemis:

Obrigada pelo incentivo.
Apesar do título sugerido ser muito bom (talvez até eu possa usá-lo para um futuro poema), os meus cd-rom/livro Existe Vida sem Poesia? deverão sair muito em breve - o cd-rom eu já autorizei a gravação, e será seguido do livro impresso.
Nem todos os poemas de minha autoria já incluem o relato das vivências, embora alguns estejam acompanhados de observações sobre o contexto dos versos. Outros, estão sozinhos... até mesmo porque não tenho condições emocionais para essa explicitação de meus sentimentos diante dos fatos e das circunstâncias.

Abraços carinhosos da amiga
Theresa Catharina

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2009/1/31 artemis coelho

Ótimo! Sinceramente, não lhe ocorre escrever um livro do tipo 'Diário poético de Viagem'? Estariam registrados os poemas e as vivências que lhe forneceram o material. Que tal?
Abraços,
Artemis


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/1
Subject: MIRAGEM DO REFÚGIO INACESSÍVEL
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Você, desde cedo, foi uma pessoa voltada para ações comunicativas, sociais e políticas. Cada vez mais, te admiro, Luci

 

RAZÃO DE TODAS AS COISAS
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RAZÃO DE TODAS AS COISAS

Eu penso.
Eu existo.
Eu amo.

Porque você pensa em mim.
Porque você existe.
Porque você me ama.

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - Pernambuco, abril de 1960.