ÍNDICE POESIAS

A Alegria da Saudade

O Silêncio Atuante

Medo de esquecer

As Mãos Suplicantes

Meus Poemas Têm História

A Rebeldia Consciente dos Versos

Haicais Alados

Coragem de Mãe

Canción del Sueño

Terre des Hommes

Haicais Primaveris

O Senhor Renova Todas as Coisas

Coletânea de Sonhos

Falsa Convivência

Vida-Morte-Vida

Diário de Bordo

Mar de Prata

A Vitória das Lágrimas

Nuanças

Reconhecida pelo Sorriso

As Lágrimas de Neve sobre os Pinheiros

Semelhanças e Diferenças

Perguntas sem Respostas

Haicais do Verão

Ser e Conviver, Apesar das Rejeições

 
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A ALEGRIA DA SAUDADE
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A ALEGRIA DA SAUDADE

Sob o peso da saudade
deixo lágrimas
no caminho.
À nostalgia do passado
com momentos felizes
retornam meus pensamentos.

Sendo parte de mim,
como enxerto na pele,
a dor da saudade,
lamento tantas ausências...
Volto a chorar
sem conseguir deter
a saudade
de habitar os meus dias,
sem dar férias
a meu coração.

Os soluços de hoje, porém,
expulsaram as lágrimas,
foram embora também...
Comigo deixaram,
para me consolar,
a alegria da saudade:
a memória do amor
que eu recebi ,
partilhei, ofertei.

A alegria da saudade
está nas memórias do amor.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 12 de agosto de 2008


From: Ana Falcão
Date: 2008/7/13
Subject: A ALEGRIA DA SAUDADE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Theresa, ainda sob o impacto da dor recente, você encontra força no passado ao relembrar o amor recebido, partilhado e ofertado. Como expressa Musset, "Rien ne nous rend si grand qu'une grande douleur". Beijos, Ana


2008/8/13 eliza.barros

Tia, este poema ficou especial e único. É triste mas é a realidade que > enfrentamos. Parabéns! A alegria da saudade está nas memórias do amor! É isso mesmo! Que lindo! (...)

De sua sobrinha, Elizabeth.

 

O SILÊNCIO ATUANTE
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O SILÊNCIO ATUANTE

Diante das perdas,
face às dores,
encarando o sofrimento,
palavras se fazem
necessárias...ou
o silêncio atuante.


A voz que afirma
a idéia contida
na garganta.
Os sons a exprimirem
um sonho, a revolta,
discordam do silêncio.


Ainda que ausência,
o silêncio atuante
expressa resistência,
não é omissão.
Nem covardia.
É coragem, ousadia!
Palavras escondidas,
sons abafados,
cortam o ar,
são obstáculos ou
avanços.


O silêncio atuante,
o vazio consciente,
fruto de uma escolha,
pode ter assinatura
e personalidade
libertária.


O que se fala
pode nada dizer,
significar muito pouco.
Os mistérios escondidos
no silêncio
sem códigos
carregam na plenitude
o enigma de uma vida
ainda esperando
as senhas
da metamorfose prometida.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 12 de agosto de 2008


From: Faustino Vicente
Date: 2008/8/12
Subject: RES: O SILÊNCIO ATUANTE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Dra. Theresa Catharina de Góes Campos:

Parabéns pela sua refinada formação cultural e grato pelas suas (sempre) bem-vindas mensagens.Com admiração,estima e respeito,

Faustino Vicente - Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos

Jundiai (Terra da Uva) SP


OBRIGADA, ARTEMIS, por sua REVISÃO

From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/13
Subject: Obrigada por ter me corrigido, sim, porque o verso estava amputado - o que eu pensei ter digitado: "não é omissão." Re: O SILÊNCIO ATUANTE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: artemis coelho


Estimada Artemis:

Muitíssimo obrigada por me ter escrito e me avisado do erro - na verdade, foi mesmo um erro meu, de digitação (pressa?), porque, usando apenas a palavra "omissão", os outros versos, e até o título, estavam se contradizendo em toda a minha proposta para o poema - "omissão", sim, é um termo pejorativo, e o verso seguiu "amputado", sem fazer sentido com todos os versos e o título de meu poema.
O certo: "não é omissão"! Já vou enviar a correção para o Walter!

Deus lhe pague!

Abraços da amiga
Theresa Catharina

-------

2008/8/12 artemis coelho

GOSTEI MUITÍSSIMO. Apenas a "omissão", no terceiro verso,não gosto muito. Acho uma palavra um tanto quanto pejorativa, sobretudo em relação a "resistência". Comento porque gostei muito, mesmo. A estrofe final é belíssima. "O enigma de uma vida esperando as senhas da metamorfose prometida" é especial. Forte abraço.
Artemis


From: Ana Falcão
Date: 2008/7/14
Subject: RES: O SILÊNCIO ATUANTE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Theresa, assim que li seus poemas, lembrei-me de Musset, e de "La Nuit de Mai", que estudei na Aliança Francesa.
"Je ne chante ni l'espérance,
Ni la gloire, ni le bonheur,
Hélas! Pas même la souffrance,
Pour écouter parler le coeur."

Mais uma vez, você brinca com o paradoxo no título. Para os normais, o silêncio é quieto, acomodado. Para as pessoas sensíveis, como você, ele pode ser atuante, pode ter outra face, "invisível" para a maioria. Mais uma vez, você brinca com a aliteração e imprime ritmo à sua composição.
Certamente você pensa em publicá-los.
Abraços, Ana


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/13
Subject: Logo que eu escrevo, antes que desista, já solto, liberto meus versos
Re: O SILÊNCIO ATUANTE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Ana Falcao


Estimada Ana:

Antes que eu desista, logo depois de escrever meus poemas, já solto, liberto meus versos.

(...) não escrevo para mim, ou não valeria a pena. Escrevo para que outros leiam. Assim, preparo o novo cd-rom/livro Existe Vida sem Poesia? O material de que dispomos até o momento está em todos os meus sites. O mesmo conteúdo também se encontra em várias seções dos sites arteculturanews, noticiasculturais, blog da jornalista, etc. Além de enviado por meio de meus correios eletrônicos (são oito caixas postais na internet, em 4 provedores diferentes). A partir dessa largada, vou aprendendo e melhorando, inclusive com as reações e sugestões recebidas. Volto a lhe agradecer por suas palavras que, bondosas, me incentivam. Acredito que o incentivo ao artista promove as expressões artísticas.Aliás, houve pesquisas sobre esse tema que terminaram comprovando essa importância fundamental do incentivo.
Muito obrigada, também, por seus comentários eruditos sobre concertos, abordando os compositores, a programação e os músicos.
Tudo de bom para você e seus entes queridos.
Carinhosamente,
Theresa Catharina


2008/8/13 Jose Araujo:
Querida amiga Theresa,

Amei o seu "O SILÊNCIO ATUANTE" e o trecho que mais me tocou foi:

"O que se fala
pode nada dizer,
significar muito pouco.
Os mistérios escondidos
no silêncio
sem códigos
carregam na plenitude
o enigma de uma vida
ainda esperando
as senhas
da metamorfose prometida."

Que profundidade, querida amiga, me tocou fundo o coração!
Somente alguém com seu talento, com sua sensibilidade escreveria algo assim e que pudesse me tocar da forma que tocou!

Parabéns e obrigado por compartilhar!

O silêncio sempre foi algo muito marcante para mim e ele tem muitas facetas que me atraem a decifrá-lo, me fazem refletir sobre seu poder sobre nós e em 2004 escrevi um texto cujo título é "O som do silêncio", onde na minha maneira simples de escrever, tentei retratá-lo como o vejo em minha mente e o sinto no coração.

Te envio abaixo, para quando puder ler, talvez conheça um pouco mais de mim através de meu humilde texto.

O SOM DO SILÊNCIO

O silêncio tem um poder enorme sobre nós, porém poucos, têm consciência
dessa realidade, talvez mesmo, durante uma existência inteira, algumas pessoas não aprendam o que o silêncio pode fazer com o futuro e talvez até com uma vida toda .

Apesar do nome, o silêncio não é mudo, muito pelo contrário, ele fala, sim, ele fala, através de sentimentos e sensações e pode fazer muito mais barulho do que todos os sons da natureza poderiam fazer juntos.

Ele tem várias facetas, age de formas diferentes, em locais diferentes, em situações das mais diversas, influindo constantemente no comportamento do ser humano, fazendo com que coisas ruins aconteçam, mas também fazendo com que coisas maravilhosas, somente sonhadas, se tornem realidade.

Podemos passar muito tempo, listando tudo que pode vir junto com o silêncio, quando ele aparece ou quando o chamamos, assim vou falar de algumas situações onde o silêncio impera, citando apenas alguns exemplos do poder que tem o som do silêncio.

O relacionamento de duas pessoas que vivem uma vida em comum pode ser destruído, se entre eles não houver diálogo, se os dois não conversarem bastante, para que os dois ouçam as opiniões um do outro, para que um possa saber o que se passa no coração do outro, para que possam conhecer causas, para que possam discutir questões, chegar a um consenso, claro, sempre respeitando o direito do parceiro de opinar ou se manifestar sobre qualquer assunto, não importando qual seja ele.

Se o silêncio imperar nesse caso, toda uma vida a dois pode terminar em um instante, ou pior e mais comum, pode terminar lenta e dolorosamente e tristemente, aos poucos, desgastando-se, dia após dia, até chegar a um fim muito triste; e ainda acontece de muitos levarem uma vida inteira, para descobrir quando já é tarde demais, que tudo acabou.

O silêncio é tão complexo e tão versátil que, por outro lado, num relacionamento, se o silêncio imperar em determinados momentos, ele pode proporcionar momentos lindos numa vida a dois, pois ele pode expressar e significar muito amor, muita paz, muita compreensão se os dois estiverem realmente amando um ao outro.

Quando duas pessoas apaixonadas se abraçam ou se beijam, não há nada melhor do que o silêncio entre um olhar e outro, entre um toque de pele e uma sensação de vazio no estômago; e a cumplicidade pode ser tamanha que silencia até mesmo o próprio silêncio.

Quando almas gêmeas se encontram, em muitas situações o silêncio tem seu lugar garantido, pois não há necessidade de usar palavras para se dizer o que se sente, pois o próprio corpo fala por elas, com voz do silêncio imperando entre os sentidos.

O silêncio, também, pode trazer muita tristeza, muita dor no coração dos apaixonados, casais de namorados, amantes, daqueles que vivem uma vida a dois, no momento em que um espera ouvir do outro que se é amado e isto não acontece, fazendo com que se guardem mágoas, que podem perdurar por muito tempo, até mesmo durante toda a vida, toda uma existência.

Ele pode também fazer sofrer alguém que precisa ouvir uma palavra de amor, uma palavra amiga, uma palavra de compreensão, um conselho, ou mesmo uma simples opinião, mas nunca tem do parceiro a atenção de que necessita e geralmente isso acontece nos momentos em que mais precisamos.

O silêncio tem poder de matar, pois quando um ser humano é preso em cárcere fechado, sem esperança de contato com outras pessoas, sem som, essa pessoa chega à insanidade, quebrando o silêncio para falar consigo mesma ou com pessoas imaginárias, esquecendo o significado da palavra razão.

Ele tem o poder da vida e da morte, como quando alguém está com uma crise de enxaqueca, que precisa ficar em silêncio profundo para se acalmar e relaxar, para que a dor insuportável ceda lentamente, assim como quando as pessoas que precisam fazer terapia do sono, para se tratar de distúrbios mais complicados de origem psicológica, tendo que usar o subterfúgio do estado de sonolência profunda, em silêncio total, para se recuperar dos males causados muitas vezes até mesmo pelo próprio silêncio de si próprio ou de alguém que se ama.

O silêncio tem um poder enorme sobre nós humanos e pode trazer muita paz, muito autoconhecimento, quando em uma meditação se fica é ausente de qualquer som artificial, apenas ouvindo o som silencioso da natureza, que fala através de movimentos, de sensações, de estímulos, chegando mesmo a ser possível se quebrar esse silêncio parcial, elevando-o aos céus, em busca de seu desenvolvimento, em busca de absorver as energias do universo.

Ele pode significar muitas coisas em nossas vidas, assim como amor, carinho, respeito, compreensão, ódio, raiva, indiferença, inveja, traição entre muitos outros sentimentos que nos afetam de modo geral; e assim como ele pode nos fazer querer viver intensamente, ele pode nos fazer querer deixar de viver por falta de motivação emocional.

De qualquer forma, não poderíamos viver sem o silêncio, mas também com certeza poderíamos viver com a presença constante dele em nossas vidas. Particularmente, a forma de silêncio que eu mais detesto, que mais me maltrata e me aniquila, é precisar falar, expor meus sentimentos e pensamentos e não ouvir uma palavra como resposta aos meus apelos emocionais e sentimentais, recebendo apenas o silêncio em troca, fazendo com que eu me sinta ignorado, incompreendido e não amado.

O silêncio tem muitas formas, muitos sons, muitas cores, mas ele é sem duvida nenhuma, aquele que mais tem influência sobre nós todos, em todos os campos de nossas vidas; só nos resta aprender a forma correta de se usar esta poderosa ferramenta de comunicação que Deus nos deu, compreendendo que com ele podemos dar vida ao nosso semelhante, mas também podemos ceifar-lhe esta mesma vida, se não o soubermos usar.

Autor: José Araújo

Um abraço carinhoso, com todo o meu respeito e minha admiração, seu fã,
José Araújo


From: Heloisa Guimarães
Date: 2008/8/14
Subject: Re:O SILÊNCIO ATUANTE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Querida Theresa Catharina,

Seus poemas estão muito bonitos, em sua sensível expressividade. E como eles me tocam, tão verdadeiros em sua matéria, é um prazer apreciá-los!
Sim, o silêncio pode ser exuberantemente atuante.
Regressei de Manaus ontem, onde estive passeando por uns dias.
Até a vista. Com saudades, a amiga
Heloisa Helena

 

MEDO DE ESQUECER
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MEDO DE ESQUECER

Se comento é porque
não esqueci.
Se não esqueci
é porque me recordo
e ainda não tomei
uma decisão
silenciosa
para a vida toda.


Converso como quem sonha;
espera uma chamada,
uma decisão
para não falar mais.


Estou falando...
como quem canta
as recordações
que deveriam ser
silenciadas.


Decidi falar ...
porque meus olhos choram.
Canto...
porque meus olhos estão abertos.
Recordo...
com medo de esquecer.

Theresa Catharina de Góes Campos
Mar del Plata, Argentina, fevereiro de 1964.


(este poema foi escrito originalmente em espanhol)

MIEDO DE OLVIDAR


Si hablo es porque
no he olvidado,
es porque me recuerdo
y aún no he tomado
una decisión
silenciosa
por la vida entera.

Hablo como quien sueña,
espera una llamada
para no hablar más.

Hablo como quién canta
los recuerdos
que debrían ser silenciados.

Hablo...
porque mis ojos lloran.
Canto...
porque mis ojos estan abiertos.
Recuerdo...
com miedo de olvidar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Mar del Plata, Argentina, febrero de 1964.


From: REYNALDO FERREIRA
Date: 2008/8/14
Subject: RE:MEDO DE ESQUECER - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Prezada Theresa Catharina,

Este poema, de 1964, escrito originalmente em espanhol, é muito bom.
Belo. Parabéns. Não o conhecia. Obrigado por me havê-lo enviado.
Abraços, Reynaldo

 

AS MÃOS SUPLICANTES
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AS MÃOS SUPLICANTES


Se fôssemos mais humanos,
não haveria
mãos suplicantes.


Nem nos campos de batalha,
nem nas ruelas
das favelas,
nem vivendo nas ruas,
nem esperando nas tendas
dos campos de refugiados.


Nos campos,
nas florestas,
nas cidades,
não haveria mãos suplicantes!


Nas minas de carvão,
nos mares e nos rios,
habitando palafitas,
sozinhos nas jangadas,
morrendo por diamantes,
padecendo em choupanas,
lutando por pão,
pedindo água,
buscando trabalho e vida,
não haveria mãos suplicantes!


Em lugar nenhum,
deste planeta habitado
por seres humanos,
haveria mãos suplicantes!


Ignoraremos
por mais tempo ainda,
absurdamente,
sem generosidade
nem reconhecimento
da igualdade de direitos,
o grito dos olhos,
a visão
das mãos suplicantes,
desesperadas?!


Realizemos o sonho
das mãos que cantam,
fazem florescer,
dançam e constróem!

Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, RJ, 22/05/1963.


From: artemis coelho
Date: 2008/8/14
Subject: RE: AS MÃOS SUPLICANTES - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos



Muito Lindo! Supliquemos por mãos agradecidas,saciadas de suas fomes...

Lembrei de algo que escrevi há um tempo atrás:

                                           FELICIDADE É...

                                           UM LUGAR ONDE TODOS
                                           SEM FOME
                                           VIVAM EM PAZ.

 

MEUS POEMAS TÊM HISTÓRIA
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MEUS POEMAS TÊM HISTÓRIA

Meus poemas têm história
nem sempre revelada
nos versos polidos.
Lembro os sentimentos
geradores da poesia.
Recordo as situações.
Estremeço com
os fatos trágicos
cujos efeitos perduram
até hoje em minha vida.
Poemas abafados
em muitos soluços,
nos arquivos da memória
ali colocados
por golpes de misericórdia.
Selados dia a dia,
nas quedas ao chão,
afogados nas lágrimas,
esses versos não foram escritos!


O poema seminal
faz germinar
outros poemas,
outros versos
faz cantar.


Há poemas que explodem,
impedindo o poeta de abafá-los.
Do mundo não aceitam
ser excluídos.
Pedem passagem,
com determinação
recusas não aceitam.
Querem nascer,
mesmo cercados pela violência,
insistem em viver.


Todo poema tem um passado,
uma história a ser contada.


Versos há que chegam
tão de mansinho
como a luz da madrugada.
Recebem o orvalho da manhã;
deixam-se seduzir
pelo encanto do beija-flor.
Versos que parecem borboletas!


Os versos frágeis
é preciso proteger
com especial precaução
para que não se percam
no silêncio total.


Há uma poesia escondida
na memória lacrada,
a sete chaves fechada,
em dicotomia de coerência,
na mente e no coração,
na dúvida e na certeza,
no pesadelo e no sonho.


Nem todo poema
consegue contar
a sua história.


Há versos condenados
ao silêncio, impedidos
de cantar.
Sinos quebrados
lutando contra o silêncio.


Quando o poema consegue
sua história revelar,
o passado de seus versos,
faz outro poema cantar.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 15 de agosto de 2008.

A REBELDIA CONSCIENTE DOS VERSOS
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A REBELDIA CONSCIENTE DOS VERSOS

Mandei calar,
o poema reagiu,
disse não!


Prendi os versos,
disse" não ".
O poema gritou "sim ".


Brigamos sem parar
até o sol chegar.
Anoiteceu sem acordo.


Tranquei as portas,
levantei os braços,
irritada.
A poesia reclamou,
indignada.


Gritou, esbravejou, vociferou,
à madrugada tudo denunciou.
Depois, exausta, chorou
um choro que comoveu
a alvorada,
pronta a ouvir confidências.


Tentei não ver,
fingi não ouvir,
soluços e lágrimas.
Tentei ficar insensível
ao clamor dos versos
aprisionados.


Eles recorreram
a instâncias superiores,
que também me ordenaram,
sem exceção, todas,
a libertar o poema
sem mais delongas.


Aí foi minha vez de chorar,
com voz embargada,
soluços altos,
lágrimas em cascata.


Pedi, supliquei,
com mil razões argumentei.
O poema não abdicou
de seus direitos.
Continuou insistindo
em realizar
sua missão profética.


Bati pé,
usei estratégia
com cenas de histeria.
A muitas artimanhas recorri,
mas não convenci
a poesia,
mais do que determinada
a abrir caminho,
deixar as grutas,
os desertos,
e se revelar.


A rebeldia
consciente dos versos
quebrou minha resistência.


Venceu a poesia,
carente de luz,
pedindo voz,
libertando o poema
antes ignorado
porque acorrentado,
impedido de ter vida,
asfixiado, sem respirar,
nem poder voar.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 17 de agosto de 2008.


From: REYNALDO FERREIRA
Date: 2008/8/17
Subject: RE: A REBELDIA CONSCIENTE DOS VERSOS - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Prezada Theresa Catharina,

Este "A Rebeldia Consciente dos Versos" é inspiradíssimo. Belo poema. Parabéns. Vejo que sua produção literária se encontra, no momento, em expansão. Que bom!... Cumprimento-a por isso!...
Forte abraço, Reynaldo


From: artemis coelho
Date: 2008/8/17
Subject: RE: A REBELDIA CONSCIENTE DOS VERSOS - Theresa Catharina de
Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


AMEI!!!!
Que continuem a se insurgir contra/a favor de você.

Lembrou-me um poema do Carlos Drummond de Andrade, chamado O Lutador, vale conferir.
Artemis

 

HAICAIS ALADOS
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HAICAIS ALADOS

No Dia das Aves
o céu tem festa
de asas arco-íris.

Tico-tico no fubá
é música de sucesso
na festa do céu.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 19 de agosto de 2008.


From: Jose Araujo
Date: 2008/8/20
Subject: Re: Grata por suas palavras de incentivo e carinho. Deus lhe pague! Re: HAICAIS ALADOS - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Não precisa agradecer, minha amiga, tudo que eu disse foi de coração!
Tenha uma boa noite de sono e fique com Deus, sempre!
José Araújo

--------

From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/20
Subject: Grata por suas palavras de incentivo e carinho. Deus lhe pague! ref. HAICAIS ALADOS - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Jose Araujo


Caro José Araújo:

Gratíssima por suas palavras de incentivo e carinho! E por sua atenção em me escrever mensagem tão generosa. Deus lhe pague!
Tudo de bom para você!
Theresa Catharina

-----
2008/8/20 José Araújo

Cara amiga Theresa,

É sempre com grata satisfação que leio seus e-mails , sempre cheios de poesia, sensibilidade e que nos passam a sua essência, como um ser humano cheio de luz.
Haicais Alados, curtos em palavras, mas de uma profundidade imensa, que tocou meu coração, como tudo que você escreve.
Parabéns pela arte, pela sensibilidade, pelo talento tão aparentes em tudo que faz!
Abraços carinhosos de seu amigo e fã,
José Araújo

 

CORAGEM DE MÃE
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CORAGEM DE MÃE

Se minha mãe não fosse
tão corajosa,
de coração determinado;
se não tivesse
me resgatado,
eu teria morrido
precocemente
em país estrangeiro,
afastada de todos
que me amavam.
Longe de mim,
bem distante,
irreconhecível
na existência que levava,
semelhante à morte,
muito longe mesmo,
de minha própria vida.


Igual a um número sem fim
de mulheres vitimadas
por uniões infelizes,
nas tragédias repetidas
no cotidiano dantesco
de seus lares.


Sobrevivendo,como eu,
aos anos de incerteza.
Dias de medo e de horror,
de violência diária,
disfarçada e cruel.
Anos de solidão,
dias sem sol
nem luar.
Dias sem luz,
anos ausentes de proteção.
Anos sem paz,
sem visão de esperança.


À coragem de minha mãe,
devo minha segunda vida.
Uma nova existência,
uma ressurreição em vida,
sem precisar morrer.
Uma vida a mim ofertada
pelo amor de minha mãe.

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife-PE, 13 de dezembro de 1982.


From: adfalcao
Date: 22/08/2008 21:06
Subject: Re: CORAGEM DE MÃE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: "theresa.files"


Theresa, fiquei muito emocionada com o agradecimento que você fez à sua mãe. Assim, vou conhecendo e admirando a coragem que dela você herdou.
Abraços, Ana


From: artemis coelho
Date: 22/08/2008 19:34
Subject: RE: CORAGEM DE MÃE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Que coisa linda!... e sobretudo que bom,ao que tudo indica, que ela pode lê-lo. Nada como o amor explicitado, entregue ao destinatário.
Parabéns pelo ato de amor da "Mãe Coragem".
Artemis


From: Agnes
Date: 22/08/2008 19:58
Subject: Re: CORAGEM DE MÃE - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Apreciei seu poema, estando bem retratado todo o seu drama conjugal vivido em terra estrangeira. Oxalá o Senhor remova do seu coração todos esses traumas, e coloque um alento maior, depois do resgate feito pelo esforço de sua genitora, tocada pelo amor maternal. Deus cura todas as dores, com afeto novo é preciso deixar o espaço livre para que Ele possa atuar.
Muito incentivo há para que depois de uma decepção todos se fechem uns para os outros, é uma reação natural. Após todo vendaval, vem a calmaria, em que é possível ver nossas fragilidades entregues em boa fé àqueles que suprimem o temor de Deus... Ver como somos ingênuos, ao deixar que nossas fragilidades sejam manipuladas por aqueles que juram paixões em perjúrio do Amor que só pode ser concedido por Deus - a verdadeira fonte.

Tenho fé que Deus restaura a vida como também os sonhos perdidos, sobretudo com muita fé, confiança e amor ao próximo, mesmo levando nossa vida bastante ressentidos desse maná tão precioso que é o afeto dos que nos mais nos assediam ou nos subestimam, fazendo-se de "apaixonados"...
Abraços,
Agnes

Que o SENHOR JESUS toque no seu coração para senti-lo a cada dia com alegria, paz e tudo o que Deus quer de melhor para a sua vida. Bom fim de
semana.
Agnes

 

CANCIÓN DEL SUEÑO
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CANCIÓN DEL SUEÑO

- Yo lo quiero!


- No es para tí.


- Yo lo quiero tener.


- No es para tí. No lo tendrás.


- Yo lo quiero gañar.
Porque es mi sueño
desde niña.


- No lo tienes, no lo tendrás,
no es para tí.
Que sea otro sueño...


- Yo lo quiero.
En mi corazón
es para mí,
es mi sueño.


- No lo tienes, no lo tendrás.
No es para tí.
Mejor olvidar.
No lo tienes, no lo tendrás.
No es para tí.


- Yo lo quiero,
para llevar a mi corazón,
para tener hoy y mañana
y después...
yo lo quiero también,
para olvidar ayer
con el brillo de la luna,
la canción de la fuente.


- No lo tienes, no lo tendrás,
no es para tí.
Sueños, sueños!
Pero no es verdad ,
no los tienes
en tu manos,
en tu casa.
No es realidad,
es sueño.
No lo tienes, no lo tendrás,
no es para tí, jamás.


- Pero mañana llega.
La canción del sueño
es hoy.
No es más ayer,
es hoy!
YO LO QUIERO!
YO LO TENGO!

Theresa Catharina de Góes Campos
Montevidéo- Uruguay, febrero de 1964.


CANÇÃO DO SONHO

- Eu quero!


- Não é para ti.


- Eu quero ter!

- Não é para ti. Não terás.


- Eu quero ganhar.
Porque é meu sonho
desde menina.


- Não tens, não terás,
não é para ti.
Que seja outro sonho...


- Eu quero.
Em meu coração
é para mim.
É meu sonho.


- Não tens, não terás.
Não é para ti.
Melhor esquecer.
Não tens, não terás.
Não é para ti.


- Eu quero meu sonho,
para ter hoje e amanhã
e depois...
eu o quero também
para esquecer o ontem,
com o brilho da lua,
a canção da fonte.


- Não tens, não terás,
não é para ti.
Sonhos, sonhos!
Mas não é verdade,
não os tens
em tuas mãos,
em tua casa.
Não é realidade,
é sonho.
Não o tens, não o terás.
Não é para ti, jamais.


- Mas o amanhã chega.
A canção do sonho
é hoje.
Não mais é ontem,
é hoje!
EU QUERO!
EU TENHO!

Theresa Catharina de Góes Campos
Montevidéu - Uruguai - fevereiro de 1964.


GENEROSIDADE DE AMIGA

From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 25/08/2008 17:41
Subject: Muitíssimo obrigada por sua revisão amiga, assim me dando a oportunidade de fazer a correção. Re: CANCIÓN DEL SUEÑO -Theresa Catharina de Góes Campos (espanhol/português)
adfalcao


Estimada Ana:

Sou-lhe muito grata por sua atenção, fazendo a revisão e assim me dando a oportunidade de proceder à correção dos erros que, neste caso, sim, foram erros de digitação. Cada dia estou usando um local diferente para trabalhar, com teclados diversos, e acho que talvez isso me atrapalhe... Ou a pressa, a distração, etc.

Fiz curso clássico, onde se ensinava espanhol, durante três anos, antes de prestar vestibular para jornalismo. Há artigos meus, escritos e publicados em espanhol, inglês e francês. Por incrível que pareça, vem sendo mais fácil recuperar os poemas, porque algumas pessoas os conservaram dentro de livros preferidos! E atenderam a meu apelo. As mudanças tecnológicas (microfilmes, informática, etc.) fizeram com que muitos arquivos de matérias publicadas ficassem pelo caminho.
Agradeço sua leitura atenta, o seu aviso sobre os erros a serem corrigidos.
Sim, são ensinamentos do seu conhecimento! Sou beneficiada por sua generosidade.

Abraços da amiga
Theresa Catharina


2008/8/23 adfalcao

Theresa, você continua surpreendendo. Agora conhecemos sua expressão em espanhol, com uma mensagem de vitória do otimismo, após a peleja entre o afirmativo e o negativo. E isso estava escondido Há quanto tempo...
Abraços Ana

Quanto à digitação: "corazón" e talvez "mí" tônico. A observação visa a reparar pequeníssima distração . Não contém nenhum ensinamento. Ana

 

TERRE DES HOMMES
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TERRE DES HOMMES
À Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), aviateur, journaliste, héros... qui nous a écrit de beaux livres.

On va dire tout
aux étoiles d'Exupéry.
Mais il faut se taire
devant les hommes
perdus dans le désert
de leur orgueil.


On va courir
devant les fleurs,
mais pas si
on écoute les bruits
de la guerre.


Il faut beaucoup de courage,
beaucoup d'amour,
pour parler aux hommes.


Avec les fleurs
on peut parler d'amour.
En regardant les étoiles,
on peut causer
sur la tendresse
cachée au coeur pur
du Petit Prince.


On voit que,
sans retard,
le renard viendra.
N'oubliez pas les jardins,
la rose unique,
les fontaines au désert,
les champs du blé doré!

Theresa Catharina de Góes Campos
Paris-France, le 8 septembre 1960.


TERRA DOS HOMENS
A Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), aviador, jornalista, herói, que nos escreveu belos livros.

Tudo se vai dizer
às estrelas d'Exupéry.
Mas é preciso se calar
diante dos homens
perdidos no deserto
de seu orgulho.


Vamos correr
diante das flores,
embora não,
se ouvirmos os ruídos
da guerra.


É preciso muita coragem,
muito amor,
para se falar aos homens.


Com as flores,
podemos falar de amor.
Com as estrelas
podemos conversar
sobre a ternura
escondida no coração puro
do Pequeno Príncipe.


Sabemos que,
sem atraso,
a raposa virá.
Não esqueçamos os jardins,
a rosa única,
as fontes no deserto,
os campos de trigo dourado!

Theresa Catharina de Góes Campos
Paris-França, 8 de setembro de 1960.


From: adfalcao
Date: 23/08/2008 20:27
Subject: Re:TERRE DES HOMMES - (francês/português) - Theresa Catharina
de Góes Campos
To: "theresa.files"


Bon soir, Theresa, "superbe" sua poesia dedicada a Exupéry. Você transportou para o seu mundo interior o mundo do autor - désert, fleurs, guerre/amour, homme, étoiles . Mais uma manifestação de sua sensibilidade, surpreendentemente com absoluto domínio da musicalidade da língua francesa.
O meu até breve. Ana


De:Theresa Catharina
Para:"adfalcao"
Data:Fri, 3 Oct 2008 11:41:29 -0300
Assunto:Obrigada: fiquei com as duas vírgulas... retirei o "s" -Re:Agradecendo seus recentes e-mails com preciosas informações


Estimada Ana:
Como você pode ver , resolvi ficar com as duas vírgulas, sugeridas tão bondosamente por você, no original em francês e na tradução para o português... E também retirei o "s" .
As razões que me motivaram a escrever de forma diferente foram, com certeza, naquela época e provavelmente ainda hoje, porque meu estilo parece não ter mudado muito, talvez até tenha se consolidado:
a)realmente me senti bem livre para fazer uma tradução subjetiva, bastante livre, sobretudo considerando que se trata de um poema e a autora sou eu (às vezes, sou mesmo "abusada" - que horror!) - aí , fazendo o teste da leitura oral da poesia, decidi por não colocar a tal vírgula na versão em português.
b) O motivo da colocação das vírgulas, nos meus textos em prosa ou verso: busco tanto uma ênfase/um destaque maior das palavras e idéias, como tento uma comunicação mais fácil com os leitores.
Muito obrigada por sua atenção!
O poema "renovado" logo estará nos meus sites e no próximo cd-rom/livro em preparação ("Existe Vida sem Poesia?").
Abraços cordiais de
Theresa Catharina
-------------------------------------------

De:"adfalcao"
Para:Theresa Catharina
Data:Wed, 24 Sep 2008 22:55:51 -0300
Assunto: Agradecendo seus recentes e-mails com preciosas informações


Theresa,
Não há o que agradecer: é apenas uma troca de idéias.
Tomo a liberdade de acrescentar algumas sugestões a seu poema, com o intuito de que você o aperfeiçoe, se julgar conveniente.
Use a preposição "de" sem o "s" em "de beaux livres".
Observo uma diferença de pontuação no original e na tradução em "on voit que, sans retard,". No francês, há apenas uma vírgula. Você pode optar pelo adjunto entre vírgulas ou sem vírgula (como em português). Um abraço, Ana
--------------------------------------------

De: "theresa.arquivos"
Para: "adfalcao"
Data: Wed, 24 Sep 2008 16:13:00 -0300
Assunto: Agradecendo seus recentes e-mails com preciosas informações


Estimada Ana:
(...)
A revisão de um texto é um presente, uma atenção especial, que todo autor deve agradecer de coração. É o que eu faço, regularmente!
Abraços da amiga
Theresa Catharina

 

HAICAIS PRIMAVERIS
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HAICAIS PRIMAVERIS

Primaveras há
invisíveis aos olhos,
florindo no coração.


Imigrante na cidade,
a tipuana das florestas
mostrou versatilidade.


Esperando a primavera,
esquecemos o inverno,
sonhamos com flores.


Beija-flor viu sua amada,
não demorou a chegar,
para lhe dizer alô.


Cores perfumadas,
em desenhos originais,
retratam a primavera.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 29 de agosto de 2008.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 29 de agosto de 2008.


- Theresa, de volta à capital, abro meus e-mails.
Você brinca com os opostos em seus haicais e talvez esse seja um dos segredos dessa poesia de três versos.
Também descobre nova maneira de ver e sentir algo aparentemente comum. Ótimos.
Abraços, Ana
(9 de setembro de 2008)

 

O SENHOR RENOVA TODAS AS COISAS
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O SENHOR RENOVA TODAS AS COISAS

Falsos amores
canções não cantam.
Amores fingidos
arte não criam.


Com todos os meus bens eles ficaram...
sem piedade ou vergonha,
de tudo que era meu tomaram posse.


Mas em corpo e alma eu me salvei.
Embora despojada de bens materiais,
resgatada eu fui.
A vida reconquistei,
minha liberdade retomei.


Pobre de bens materiais,
tudo construí de novo,
porque n´Ele tudo renovei...
acreditando nas promessas do Senhor,
com a fé revigorada n´Ele,
capaz de tudo reconstruir.
Porque Ele renova todas as coisas!


Despojada de todos os bens materiais,
perdi também os laços de afeto
que eu pensava ter
mas não existiam.
nem confirmavam os laços de sangue.


Atingida por todos os lados,
com o amor me magoei.
Feridas que parecem eternas
continuam a pedir socorro.


Gemendo de silenciosas dores,
aprendi a lição que me faltava.
Amor que não existe,
afeição que não se tem,
não se pode perder.
Ganha-se a compreensão
do que não deve fazer falta
porque jamais existiu de verdade.
Amor ausente é alucinada ilusão,
uma sombra enganadora,
sem fonte de luz.


A presença maior
é o amor que se tem
com a fé renovada,
independente de bens materiais
e de falsos afetos.


A presença maior
do amor que se tem,
na convivência com a bondade,
que exercita o amor,
generoso e forte.


Assim, nada perdi:
despojada do nada,
do que não tinha valor algum,
do que não existia realmente,
graças a Deus tudo ganhei!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF - Dia de Ação de Graças - 25 de novembro de 1993


De: Luci tiho Ikari
Em: 12/9/2008
Assunto: poesia O SENHOR RENOVA TODAS AS COISAS


Olá, Theresa Catharina.
Tudo bem com você?
Nós estamos levando a vida. Achei esta poesia reveladora, pois mostra as coisas que vão acontecendo em nossas vidas, e que vão amadurecendo o nosso olhar.
Até, Luci


From: artemis coelho
Date: 2008/10/4
Subject: O SENHOR RENOVA TODAS AS COISAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Theresa, não estou maluca não, mas cada vez que leio esse salmo/poema gosto mais ainda. Definitivamente, os outros que me perdoem, mas este é meu preferido. Veja isso apenas como um impulso livre de meu coração. Abraços

*Será que é porque foi feito na véspera de meu aniversário? rs (só agora percebi)


Amiga Luci:

Obrigada por suas palavras sobre o meu poema O Senhor renova todas as coisas. De fato, a mensagem dessa minha poesia é que o mais importante está, não no que perdemos, mas no que ganhamos com a nossa Fé, porque Deus renova todas as coisas e nos dá muito mais do que pensávamos ter perdido.
Levar a vida, ou melhor, VIVER A VIDA que nos foi dada, é mesmo fundamental.
Abraços afetuosos para você e a querida Sae.
Com a estima de sempre,
Theresa Catharina

 

COLETÂNEA DE SONHOS
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COLETÂNEA DE SONHOS

El sueño es para cambiar/usted y el mondo.
Theresa Catharina de Góes Campos


Coletânea de sonhos
para a tristeza anular
face às decepções da vida.
Porque é melhor aplicar
receita bem superior
à de fadas e bruxas,
personagens de lendas
antigas, repetidas,
cantadas por muitas gerações.


Coletânea de sonhos
junto ao peito carregar
não é miragem, é oásis!


Água e tâmaras,
abrigo de palmeiras,
tendas hospitaleiras,:
coletânea de sonhos.


Nos livros, refúgio buscar;
na solidão interior,
cercada de convivência externa,
em coletânea de sonhos,
utopias cultivar.


Ter fé no sonho
da metamorfose prometida,
anunciada por sinos e fontes,
profetizada em versos,
forças vai nos dar
para o deserto atravessar,
mesmo com tempestades de areia.
Para os naufrágios da vida
corajosamente enfrentar.


Para sobreviver
aos naufrágios da vida,
uma coletânea de sonhos
se faz necessária.
Para que os náufragos sobrevivam
ainda mais fortes,
metamorfoseados
muito além dos mais belos sonhos.
Vidas celebradas,
cantadas por sinos e fontes.


Naufragar,
sofrer,
porém lutar ,
revigorados
por uma coletânea de sonhos.


Melhor não questionar
o porquê de tantas perguntas
e dúvidas
na coletânea de sonhos.
Seria como indagar
o porquê de tanta vida,
o porquê de tantos sonhos!

Theresa Catharina de Góes Campos
Santos-São Paulo, fevereiro de 1961
---------------------------------------------------
From: artemis coelho
Date: 2008/9/13
Subject: COLETÂNEA DE SONHOS
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Amiga, definitivamente seu 'forte' é poesia. Esse poema também é uma pérola. Gosto de todos, mas de alguns, realmente, gosto profundamente. Pelas datas, fico muito feliz q. vc esteja resgatando suas poesias para nosso desfrute hoje. Abraços.

 

FALSA CONVIVÊNCIA
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FALSA CONVIVÊNCIA


Isso é conviver?
na superfície?
Isso é conviver
ou usar máscaras?
Melhor falar, dialogar ,
fazer confidências
ou silenciar?


Por neste momento temer
a resposta indesejada,
vou simplesmente viver
para um dia descobrir
o que hoje não sei...
e a temida resposta compreender .


Tal convivência apressada,
talvez até mentirosa,
sempre tão superficial
não me agrada
nem me satisfaz,
mesmo em seus disfarces.
Causa-me tanta dor!


O que fazer?
Viver
em busca das respostas.
Viver
para aprender
soluções que respondam
às dúvidas das respostas.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, março de 1994


From: REYNALDO FERREIRA
Date: 2008/9/12
Subject: RE: FALSA CONVIVÊNCIA
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Bela coleção de poemas, Theresa Catharina. Digna de ser publicada.
Quando você vai organizar um livro com as suas poesias?... (...)
Reynaldo


2008/9/12 LUCI TIHO IKARI

Olá, Theresa Catharina
Acho que a vida é assim, como fala a poesia. Mas ainda conseguimos encontrar uma luz e conseguimos resistir a intempéries e descobrir algumas belezas, que acabam enriquecendo nossas vidas.
Até, Luci

 

VIDA-MORTE-VIDA
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VIDA-MORTE-VIDA
(Poema dedicado à querida amiga Luzinette Laporte de Carvalho, escritora e professora, luminosa e profunda, em sua espiritualidade e fé.)

Vida-morte-vida
a correr e fluir
para chegar à vida-vida-vida.


Na flor, protegida está
a semente criadora.
Eis a vida seminal
a se perpetuar, vitoriosa,
disfarçada de transitória.


O fruto protege
a vida da semente
que recomeça, recria
numa visão de flores,
um miniuniverso
de cor e sabor
abrigados, protegidos.


Na vida seminal,
de aparência diminuta,
marca de toda semente,
a natureza se prepara:
veste-se e se desnuda
para os mistérios
simples,arrebatadores,
do florescer,frutificar.


Vida-morte-vida,
morte também seminal.
Vida-morte-vida
espelhando a vida do amor,
o enigma em tudo se revela.


Parece quase nada
uma semente.
Parece tão pouco,
é quase tudo
o poder da semente.
O sonho da flor,
o sonho do fruto,
os sonhos do amor.


A vida sonhada
que se concretiza.
A vida fragilizada
que se realiza
em tudo revigorada.


Vida semente
amadurecendo
em meio a pragas,
tempestades,furacões,
negligências e omissões.
Vida seminal, vencedora,
mesmo na morte
seguindo o seu caminho
de vida-morte-vida.


Vida que a violência viola,
impondo a morte aparente.
Vida que se impõe,
porque capaz de vencer.
Vida ameaçada a todo instante
que precisamos proteger.


Parece tão frágil,
pequena, diminuta.
Não é superficial
nem transitória.
Parece quase nada...
Na verdade, é tudo.


Porque nada supera
a vida seminal,
criativa e criadora,
original e plena
em seu potencial.


Nos gestos de amor,
vida seminal
em que Deus se revela
a nós, seus filhos:
permanência e potencial.
Nós, seus filhos sonhados,
escolhidos, planejados.


Nós, caminhos e portos,
rios, grutas e lagos,
montanhas e planícies,
até precipícios...
Nós, vidas seminais,
seres originais,
únicos e criadores;
nós, criaturas
desorientadas
ou pela fé guiadas,
sendo jardins e desertos
nesta vida seminal.


Todos nós, sementes,
flores e frutos divinos.
Nós, salvadores e náufragos
nas rotinas de convivência.
Ou na urgência
dos encontros inesperados.


Parece tão pouco,
se olharmos apenas
as aparências,
que tudo escondem.
Mas temos fontes e rios
de água e sangue fluindo,
palpitando, pulsando,
correndo em nossos corpos.
Seria pouco...
é tudo VIDA!

Theresa Catharina de Góes Campos
Garanhuns- Pernambuco, julho de 1962.


From: LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/9/27
Subject: RE: VIDA-MORTE-VIDA
To: Theresa Catharina de Goes Campos


OLá, Theresa Catharina
Fico admirada com a sua fluição e inspiração. Parabéns. (...) Luci


From: artemis coelho
Date: 2008/9/26
Subject: RE: VIDA-MORTE-VIDA
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Lindo, Theresa.

 

DIÁRIO DE BORDO
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DIÁRIO DE BORDO
À minha avó materna, Júlia Laura de Oliva Góes - In memoriam

Cruzeiro marítimo
presente dela,
tenho Vovozinha por companhia.
Sou a neta mais velha,
menos jovem de tão séria,
talvez bem comportada demais.


Na viagem de navio,
nos passeios animados,
pareço mãe e avó...
Ela, viúva há anos,
é pura animação.
Dança , ri, faz compras,
canta, conversa toda feliz.
Uma ótima companhia!


Seu objetivo e sonho:
que a neta encontre
o primeiro namorado...
Vovozinha só fica triste
quando vê que eu afirmo
tudo apreciar
sem parar de escrever,
sem namorado arranjar.


Minha avó não perde tempo.
A muitos encanta
com a sua juventude especial,
a beleza amadurecida,
o entusiasmo pela vida.
Para ela, os candidatos
aparecem todos os dias!


Eu escrevo sem parar,
como se tivesse pressa
de memórias a relatar.
E Vovozinha não sai da pista,
não pára de dançar!


Sou neta, mãe e avó,
neste cruzeiro afetivo,
de tantas recordações,
que a memória há de guardar
e o coração festejar,
relembrando...
Ainda que um dia,
a minha Vovozinha
pare de dançar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Punta del Este - Uruguai, fevereiro de 1963


From: adfalcao
Date: 2008/9/28
Subject: Re:DIÁRIO DE BORDO -Theresa Catharina de Góes Campos
To: "theresa.files"


Theresa, li com atenção suas poesias. Nelas observo os antecedentes, a permanência dos valores e da percepção aguçada que você demonstra desde sempre.
Abraços, Ana


From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2008/9/28
Subject: Re: DIÁRIO DE BORDO
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Theresita:
Presença de avó na vida da gente é marca indelével. Herança permanente
dentro de nós. Grata por compartilhar.
E obrigada também pelos e-mails anteriores com poemas que, somente hoje consegui ler com calma.
Um grande abraço, Tereza Lúcia.


From: Artemis Coelho
Date: 2008/9/29
Subject: DIÁRIO DE BORDO
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Ótimos, Theresa, acho o máximo vc resgatar suas pérolas antigas. Boa
semana prá vc. Bjs


From: raquelc
Date: 2008/9/30
Subject: RES: DIÁRIO DE BORDO


Theresita,
Você me emocionou muito com esses versos de doce nostalgia que fazem sonhar, mas também refletir. Grande beijo da amiga Raquel.

 

MAR DE PRATA
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MAR DE PRATA

Sendo o mar, de prata,
meu coração, de ouro,
o sol trouxe esmeraldas
que nas águas cintilaram.


Sendo o mar, de prata,
meu coração, de ouro,
a noite chegou,
fazendo as águas brilharem,
com um manto de rainha
em diamantes bordado.


A chuva também veio,
respingando em tons de cinza,
cravejada de ametistas.


O rosto do relâmpago
mostrou-se com fulgor
gritando em voz poderosa,
deixando cair topázios.


Embora contemplando
o mar de prata,
a ninguém ofereci -
na verdade, ninguém viu,
ninguém ouviu -
meu coração,
que me parece de ouro.

Theresa Catharina de Góes Campos
Mar del Plata - Argentina, fevereiro de 1963

 

A VITÓRIA DAS LÁGRIMAS
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A VITÓRIA DAS LÁGRIMAS

Do sofrimento, das lágrimas
vertidas pela ostra,
nascem as pérolas.


A princípio, não são belas,
apenas corpos estranhos
que a ostra, invadida e ferida,
não conseguiu
de seu íntimo expulsar.


Sozinha, mesmo capaz,
a ostra não faz a pérola.
Sem esforço, sem resistência,
não surge a pérola.


Alguém poderia chamar
esse processo criativo
de tentativa frustrada,
insucesso, derrota...
mas todas as pérolas,
nascidas de lágrimas da ostra,
são belas vitórias!

Theresa Catharina de Góes Campos
Macaé - Rio de Janeiro, julho de 1963


From: LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/9/29
Subject: RE: A VITÓRIA DAS LÁGRIMAS Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos


É muito criativo. Como você é inspirada e faz comparações maravilhosas! Luci

 

NUANÇAS
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NUANÇAS


A arte tem nuanças
e, como a natureza,
também de nuanças
a vida é tecida.


São cores, matizes,
tonalidades,contrastes.
Nuanças têm reflexos e luzes
com espessura,intensidade diversas.


Nuanças são como os sinos
com seus diferentes sons.
Como instrumentos musicais
criando vozes em harmonia
e rotineira dissonância.


Nuanças brilham
como estrelas
de tamanho e luz
bem diferentes!
Em isolamento ou constelações,
reluzem distantes
ou mais próximas de nossos olhos
nem sempre atentos
às nossas amigas em traje de gala.


Nuanças embelezam
os canteiros dos jardins,
os campos de trigo,
as profundezas do mar,
o teclado dos pianos.


Nuanças fazem o amor nascer
porque vestem a pessoa amada,
de sons,cores,tons e matizes
esplendorosos, resplandescentes.
Nuanças não encontradas nos outros,
que aparentam não oferecer
nuanças tão especiais.


A procurar nuanças e matizes
lá vou eu seguindo,
sonhando, ansiosa,
pela vida prosseguindo
a sonhar com fé
na diversidade
a meus sentidos oferecida
para ser apreciada,
para nuanças encontrar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Araruama - Rio de Janeiro, julho de 1963


From: LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/9/29
Subject: RE: NUANÇAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Olá, Theresa Catharina.
É belíssimo. Luci

 

RECONHECIDA PELO SORRISO
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RECONHECIDA PELO SORRISO


- "Reconheci você pelo sorriso..."
Ouvindo essas palavras,
chorei por dentro, em silêncio...
talvez um pouco de alegria,
por saber que algo em mim
ainda era reconhecível,
sem ter sido levado,
com os meus cabelos perdidos,
pelo câncer recidivo,
insistente em seus ataques
à minha tão humana fragilidade.


Depois, chorei bastante
na intimidade.
Não apenas uma vez,
mas todas as vezes
em que eu recordava,
sem deixar de refletir
sobre a permanência
de meu sorriso,
intacto apesar das lágrimas,
voltava eu a chorar.


Meu sorriso sobreviveu
às sessões de quimioterapia.
Ajudou a preservar
meu corpo ferido,
a alma ansiosa,
a respiração ofegante,
os olhos marejados noite e dia.


Na pele do rosto
onde o câncer e a quimioterapia
deixaram alguns sinais e
coloração de aspecto doentio,
o sorriso ainda se reconhecia.


Sorriso campeão,
não sendo eu heroína.
Sorriso vencedor,
apesar de minhas derrotas,
visíveis e tão conhecidas,
até na surdina propaladas.


O segredo do meu sorriso
talvez seja este:
não sendo eu atleta,
cultivo uma atitude campeã
fortalecida nas lágrimas.
Meu sorriso tem vivência,
por isso segue vencendo
montanhas e precipícios.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 13 de junho de 2002.


From: Hercilia Lopes
Date: 2008/9/30
Subject: Re: RECONHECIDA PELO SORRISO
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Olá, adorei sua linda poesia! Muitos beijos. Hercilia


From: Juliana Taroda
Date: 2008/9/30
Subject: Re: RECONHECIDA PELO SORRISO
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Nooooosssaaa! Dona Theresa Catharina, realmente é lindo e profundo.
Parabéns!!!
Um grande e forte abraço
Juliana


From: LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/9/30
Subject: RE: RECONHECIDA PELO SORRISO
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Bom dia, Theresa Catharina
O fato de escrever e colocar aquilo que está no âmago faz bem para a saúde. Coloquei no trabalho de mestrado "lazer da comunidade nikkei", a razão de os primeiros imigrantes japoneses no Brasil desenvolverem poesia "tanka" e depois "haicai", num lugar inóspito, onde não havia nada. Bom dia a você, Luci

 

AS LÁGRIMAS DE NEVE SOBRE OS PINHEIROS
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AS LÁGRIMAS DE NEVE SOBRE OS PINHEIROS


As lágrimas dos pinheiros
à margem do lago
coberto com um tapete
todo branco.


As vozes do vento e da água
partilham alguns segredos.
As lágrimas dos pinheiros:
a neve a chorar a noite inteira
sobre os pinheiros.
Onde estão as pessoas
plenas de amor a partilhar?


Mas quando o inverno é vencido
pelas flores,
as lágrimas deixam o rosto,
o peito dos pinheiros
com verde brilhante.


As vozes do lago e do vento
ainda estão lá.

- Tudo bem?
- Não, isso não vai bem!
- Vamos?
- Não, não vamos!


- Quem está ali?
- Quem chegou?
- Alguém está chorando.
- Não se chora de amor.
O amor se canta!


- Vamos sorrir, cantar e dançar
por causa do amor
que chegou à margem do lago
com o vento e o sol.
Canções de amor
que não se esquece jamais.


É preciso deixar
as lágrimas para o inverno
e a neve, para os pinheiros.
É preciso cantar
muito antes do inverno.
Porque os pinheiros em lágrimas
tremem de amor durante todo o inverno.


Até a primavera é preciso
a chegada das flores aguardar.
Para as lágrimas enxugar.
As lágrimas dos pinheiros
cobertos de neve à margem do lago.
As lágrimas dos pinheiros
têm uma voz poderosa
para segredos do amor confessar.


Theresa Catharina de Góes Campos
Lac Léman, Genebra-Suíça, 1960.


LES LARMES DE NEIGE SUR LES SAPINS


Les larmes des sapins
au bord du lac
couvert avec un tapis
tout blanc.


Les voix du vent et de l'eau
partagent quelques secrets.
Les larmes des sapins:
la neige à pleurer toute la nuit
sur les sapins.
Où sont les êtres
avec plein d'amour pour partager?


Mais quand l'hiver est vaincu
par les fleurs,
les larmes laissent le visage,
la poitrine des sapins
en vert brilhant.


Les voix du lac et du vent
sont là encore.


- Ça va?
- Ça ne va pas!
- On va?
- On ne va pas!


- Qui est là?
- Qui est arrivé?
- On pleure!
- On ne pleure pas d'amour.
On chante l'amour!


- On va sourir, chanter et danser
à cause de l'amour
venu au bord du lac
avec le vent et le soleil.
Chansons d'amour
qu'on n'oublie jamais.


Il faut laisser
les larmes pour l'hiver
et la neige, pour les sapins.
Il faut chanter
bien avant l'hiver.
Parce que les sapins en larmes
tremblent d'amour tout l'hiver.


Jusqu'au printemps il faut
attendre les fleurs.
Pour effacer des larmes.
Les larmes des sapins
couverts de neige au bord du lac.
Les larmes des sapins
ont une voix puissante
pour avouer les secrets d'amour.

Theresa Catharina de Góes Campos
Lac Léman, Génève - Suisse, 1960.


From: Artemis Coelho
Date: 2008/9/30
Subject: RE: AS LÁGRIMAS DE NEVE DOS PINHEIROS
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Esses poemas pelo mundo à fora/a dentro, revelam uma história que eu não conhecia e gostaria muito de ouvi-la de vc. Peut être un jour, d'accord? Este, por exemplo, tem presque mon âge e acabo de conhecê-lo. Lindo. Abraço.


From: Luci Tiho Ikari
Date: 2008/10/1
Subject: Parabéns pela criatividade
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Olá, Theresa Catharina
Parabéns pela criatividade. Luci
 

 

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS
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SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

Ao sertanista Orlando Villas Bôas*


Aproximar-se... ou se afastar
por respeito e amor?
No espaço do tempo avançar
para o encontro das semelhanças...
ou se distanciar,
cientes de tantos contrastes,
em nome das diferenças?


Olhar bem nos olhos
seria permitido
ou ofensivo?


Em sua nudez,vestidos.
Frágeis ante os semelhantes
estranhos, desconhecidos.
Frágeis mas conscientes
do que são.


Semelhanças e diferenças
teriam um ponto de encontro?


Caminhávamos para a união
ou para espaços separados
onde o diferente se festejaria
no sonho das semelhanças
universais, originais,
inegáveis e visíveis
apesar dos disfarces culturais?


Orgulho de ser um ,
único e diferente.
Orgulho de ser dois e mil
nas muitas semelhanças.


Dilema permanente:
crescer nas diferenças
ou nas semelhanças?


Em tudo diferentes,
em tudo a nós semelhantes!


Diante da natureza,
são amálgama, crosta e cerne.
Semente, folha e fruto.


"Eis que sou um!
Eis que sou todos!"
Em mil canções celebrada,
em muitos acordes e tons,
somos vida
a ser protegida,
a ser respeitada,
em todos os ritmos cantada.


E nós? Estudamos ainda...
como lhes ser semelhantes
embora tão diferentes
em nossas perturbadoras
semelhanças.


Tão diferentes somos
em nossas semelhanças
que pretendemos preservar.
Para continuarmos diferentes,
enquanto únicos, autênticos,
sempre muito semelhantes.

Theresa Catharina de Góes Campos
Parque Nacional do Xingu - Estado do Mato Grosso, julho de 1966.

(Desde 1967, Parque Indígena do Xingu)

*Orlando Villas Bôas (12/1/1914 - 12/12/2002), sertanista e defensor dos povos indígenas, me recebeu gentilmente por alguns dias no Parque, em tudo colaborando para o êxito de minhas atividades e missões como Assessora de Imprensa da Fundação Brasil Central. Quando ele precisava ir a Brasília, aceitava meu oferecimento e trabalhava na minha sala. Ao sair, costumava deixar um bilhete manuscrito de agradecimentos, usando um tom brincalhão, que eu encontrava no dia seguinte e me fazia sorrir.
Cuidadoso na proteção dos índios que viviam no Parque do Xingu, não era a todos os solicitantes que ele autorizava a entrada e permanência. Ressaltei a sua deferência para conosco, antes de levar meus alunos de Comunicação da Universidade de Brasília. Recomendei aos estudantes, inúmeras vezes, que por favor tivessem no Parque um comportamento exemplar, respeitando a natureza e os indígenas. Confesso, porém, que estive sempre com "o coração na mão", o tempo todo de nossa visita, ansiosa e preocupada durante aquela experiência inusitada, inesquecível, pela qual eu era responsável. Tudo correu bem, graças a Deus. E a Orlando Villas Bôas.
Theresa Catharina
Brasília-DF, 13 de dezembro de 2002.


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/10/1
Subject: Re: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS
To: LUCI TIHO IKARI


Estimada Luci:

De fato, realizei inúmeras viagens - primeiro, com meus pais e irmãos, sobretudo porque papai era Oficial Aviador da Aeronáutica. Depois, porque iniciei bem jovem o jornalismo, editando jornais estudantis a partir dos quinze anos, além de integrar vários movimentos de estudantes, como associações que também organizavam eventos regionais e nacionais, além de participar das atividades de Centros de Comunicação, como o CECOSNE (do Nordeste).
Alguns prêmios recebidos eram viagens com acompanhantes (meus pais). Nos tempos da Faculdade, colaborei ainda com os Círculos dos Operários Cristãos, para os quais editava boletins informativos.
Já com o diploma de jornalista, as viagens continuaram, se sucederam, no Brasil e no exterior.
Agora, estou recuperando alguns escritos bastante antigos.
Abraços carinhosos para você, Sae e Celeste.

Afetuosamente,
Theresa Catharina
------------------------------------------
2008/10/1 LUCI TIHO IKARI

Boa-noite!
Puxa! Que viagens inusitadas você tem feito na sua vida!
Seu lado humano vem do seu convívio e de sua compreensão da diversidade cultural!
Mais uma qualidade mostrada por seus escritos.
Fico admirada, Luci


From: Artemis Coelho
Date: 2008/10/2
Subject: RE: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Estou achando ótimo conhecer essas páginas de sua história.


From: raquel
Date: 2008/10/3
Subject: RES: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS


Theresita,
O Xingu deve ser realmente o máximo do contato com os ancestrais de nossa terra! Raquel.

 

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS
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PERGUNTAS SEM RESPOSTAS


De tanto perguntar,
sem respostas obter,
aprendeu ao silêncio amar.


De tanto caminhar
sem chegar,
decidiu valorizar
todos os passos.


De tanto sonhar,
perdeu-se no sono,
acordou perturbada,
sonhando com a vida.


De tanto rezar,
sentiu Deus a seu lado
indicando seu Anjo da Guarda.


Saiu sem voltar,
chegou sem partir,
desapareceu outra vez
no silêncios dos sonhos
incompreendidos, enigmáticos,
sempre renovados.


Cantou versos,
escreveu canções.
Foi tocar os sinos,
badalar e celebrar
o passar das horas.


Na fonte dos sonhos,
nos sons e timbres dos sinos;
no canto das aves,
no sonho da semente,
reencontrou os sonhos
esquecidos, perdidos
nos corredores do tempo.


A roldana puxou a água
cantando os versos da fonte.
Sem responder às perguntas,
sem deixar de perguntar,
o silêncio já procurado,
e nos enigmas amado,
emudeceu nas dúvidas.
Apenas por um tempo,
desistiu de questionar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Cascais - Portugal, 1960.


From: Jose Araujo
Date: 2008/10/1
Subject: Re: PERGUNTAS SEM RESPOSTAS
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Querida amiga Theresa,
É com grata satisfação que leio o seu "Perguntas sem respostas", que como sempre tocou fundo em meu coração.
Uma vez você me disse, que nós sentimentais sofremos por sermos assim, mas mesmo sofrendo, vou morrer sendo um.
Ao ler este poema, lágrimas turvaram minha visão e uma sensação de aperto em meu coração, me fez refletir sobre tantas e tantas perguntas, que ficam sem respostas durante nossa jornada por este plano astral. Talvez porque, em algum lugar, só Deus sabe onde, estava escrito que não precisávamos fazer as perguntas, muito menos obter as respostas. Quem sabe, Ele, nosso criador, tenha nos trazido a este mundo, com as respostas em nossos corações, contudo, às vezes nos tornamos inaptos a procurá-las dentro de nós e, com esta atitude, deixamos de ouvir a voz do coração.
A humanidade dá mais valor à razão, não leva em conta os sentimentos, e neles, fica enclausurada a voz do coração, sem poder se manifestar. Quem sabe um dia, o ser humano compreenda que para se viver plenamente, é preciso ser sensível, é preciso deixar que nosso coração fale através da expressão de nossos sentimentos e que ele nos diga, o caminho a seguir, porque enquanto a razão nos leva sempre a uma encruzilhada desconhecida,onde nos vemos na dúvida cruel, de qual caminho seguir, o coração nos indica sempre, um único caminho, o caminho da luz...
Ser sentimental para mim, é ouvir sempre a voz dele que eu ouço através dos meus sentimentos, pois num sorriso de criança, numa fresta de luz que penetra pela janela de um quarto escuro, ou no cantar de um pássaro, que muitas vezes nem podemos ver, ouvindo apenas o seu canto, está a resposta para tudo neste mundo, e esta resposta, para aqueles que são sentimentais como nós, minha amiga, é que nada existiria neste mundo, sem o milagre da vida...
Obrigado pelo carinho de se lembrar de me enviar esta mensagem que muito me emocionou.
Um abraço carinhoso, com todo o meu respeito e minha admiração. Por você ser esta pessoa tão especial, lhe desejo um resto de semana com muita saúde, muita paz e muito amor no coração.

Do amigo sincero,
José Araújo


From: raquel
Date: 2008/10/3
Subject: RES: PERGUNTAS SEM RESPOSTAS


É, Theresita, a vida realmente é um enigma. Mas, dentro de toda incerteza, há esperança em seus belos versos.Beijo, Raquel.

 

HAICAIS DO VERÃO
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HAICAIS DO VERÃO


Um verso para o verão
vai competir com o calor,
vai perfumar o suor.


O sol não pára
de beijar a areia da praia
com ardor incomparável.


Traga água de coco
para refrescar o verão
que não cansa de dar sede.


Vou passear de jangada,
vou deixar longe o calor,
trazer peixe ao entardecer.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 2 de outubro de 2008.

 

 

SER e CONVIVER, APESAR DAS REJEIÇÕES
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SER e CONVIVER, APESAR DAS REJEIÇÕES


Rejeição que a pele corta,
registra e recorda,
também atingindo o âmago invisível,
o corpo exposto
até a ponta dos pés.
Esse devastador furacão,
a rejeição.


Rejeição repetida,
renovada,reativada,
a refletir uso e abuso,
a revelar outras rejeições,
multiplicadas, sucessivas.


Rejeição íntima,
violência emocional,
às antigas rejeições adicionada.
Não é preconceito, é calúnia.
Rejeições visíveis, explícitas,
humilhantes, cruéis.
Maléficas, mesmo implícitas,
a ferir, magoar mais e mais,
porque gratuitas, agressivas
sem razão, sem motivo aparente,
sem provocação nem racionalidade.


Rejeições contínuas, covardes
porque atingem a vítima
já fragilizada, enfraquecida,
sem poder de reação.
Rejeições em grupo,
maltratando de maneira vil
quem está só,
sem defesa.


Rejeições que provocam
outras rejeições individuais,
mas seminais,
corriqueiras,
como se nada fossem...
e ninguém as visse...
num processo de cegueira
irresponsável, voluntária.


Rejeições mascaradas,
em duplo sentido disfarçadas,
na astúcia escondidas,
hábeis na ambigüidade,
para evitar identificação
da falta de humanidade.


Rejeições que calam,
emudecem o íntimo,
a voz da vítima silenciam.
Rejeições impunes,
ainda que abusivas.
Rejeições que são recusas
à solidariedade.


Rejeições que magoam,
rejeições praticadas
como gestos habituais,
comportamentos adquiridos
de insensibilidade,
do dia à noite, sem interrupções,
enquanto durar a vida
de quem sofreu a rejeição.


Inesperadas rejeições,
um turbilhão interior
a causar desilusões,
a quebrar quem já se encontrava
alquebrada e ferida.


Rejeições
que não se consegue
da memória apagar
nem do coração extirpar.
Porque os anos, as décadas
só fazem reavivar
as calúnias repetidas
com tanta covardia.


Rejeição:negligência,
omissão nas relações,
ausência de generosidade.
Explosão de dores,
origem da lágrima,
do poema inspiração.


SER E VIVER, APESAR DAS REJEIÇÕES,
ainda que sejam afastamentos dolorosos,
separações inexplicáveis.
SER E VIVER, com o que temos,
para quem somos mostrar,
ou mesmo esconder.


Ir à fonte buscar
o alento que faltar.
Receber com gratidão
a água trazida pela roldana
como alimento de vida.
Ouvir a música que a roldana canta
trazendo devagar o presente da água,
seu estribilho, sussurros em meio ao deserto
de carências e dificuldades naturais
à sobrevivência.
Eis o essencial, reconheçamos,
que nos deve bastar,
suficiente para viver,
porque de nada mais precisamos
para ser e conviver.
Se conseguimos à fonte chegar,
a roldana movimentar,
bastará ter paciência,
continuar na persistência
de SER, dia a dia,
o que pretendemos SER.


Pode também ajudar
ir à praia procurar
as dádivas que são as conchas
que trazem sussurros do mar.
Não são ruídos, são preces,
que não precisam ser entendidas.
Basta que sejam ouvidas.


Relembre a música da roldana,
puxando a água com humildade,
cantando a mesma canção,
cumprindo a sua missão.
Pense no som que o mar
lhe oferece nas ondas
e balbucia nas conchas.
Sinta-se forte, fortalecido,
capaz de tudo, agora pronto...
Amadurecido, um renovado você,
consciente de sua condição humana,
vivendo sua dignidade como pessoa,
disposto a SER e CONVIVER.


Theresa Catharina de Góes Campos


A NECESSIDADE IMPERIOSA DE PERDOAR
(para o nosso bem ...e o bem do próximo!)
To: artemis coelho

Estimada Artemis:

Como eu consegui lhe mandar um relato bem pessoal e você me respondeu com a devida espiritualidade, fiquei encorajada a lhe enviar o meu poema SER E CONVIVER, APESAR DAS REJEIÇÕES, que considero, sem dúvida alguma, o meu texto mais sofrido, o mais íntimo, o mais revelador , o que passei décadas sem concluir nem aceitar que fosse lido por outra pessoa, sendo você a primeira a quem tive a coragem de enviar, depois de pela primeira vez publicar.
Retirei as inúmeras datas, porque eram muitas, bem antigas e recentes, assim como os inúmeros locais...e sinceramente, eu me sentiria, de fato, bastante acanhada, talvez humilhada, na verdade, devo reconhecer isso, com essas revelações...
Se alguém leu no meu site, entre tantas poesias de minha autoria, nenhum comentário até hoje recebi. Aliás, só decidi publicar depois que eu consegui escrever um título e um final "positivos", capazes de transmitir, como eu venho me empenhando durante toda a minha vida, a esperança cristã para SER E CONVIVER, APESAR DAS REJEIÇÕES.
Que o meu registro possa ajudar, se porventura um indivíduo qualquer viveu (ou ainda experimenta) essas situações.
Sobre o perdão tão difícil de conceder com generosidade aos que nos magoam cotidianamente, presentes ou na sua ausência, garanto apenas que me disciplinei a ter o hábito de, pelo menos duas vezes por dia, fazer orações pedindo a Deus pelo bem, nominalmente, dessas pessoas...
Aqui encerro esta mensagem, contando com a sua compreensão, pois se trata de um assunto sempre penoso, além de íntimo demais.

Abraços afetuosos de
Theresa Catharina

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2008/12/5 artemis coelho

Olá, Theresa,

Lamento muito por sua tia. É dor para quem fica, libertação para quem vai. Mas é difícil. (...)
Deus sabe que sim, pois tudo vê e a todos retribui com justiça, e é Dele que vem seu conforto. E quanto mais você perdoar, mais você receberá, quanto aos que insistem no caminho da maldade. 'Não é de hoje' que Deus os observa, e, como a própria Palavra nos diz, "coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo".
Mas isso é só com Ele.
A nós nos é 'ordenado' perdoar. E sei que você faz isso um pouco a cada dia. E testemunhe, para Glória de quem lhe possibilita a proeza. Fica com Jesus, que nunca te deixa e que te ama.

Forte braço
Artemis


From: artemis coelho
Date: 2008/12/6
Subject: RE: SER E CONVIVER, APESAR DAS REJEIÇÕES
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Caríssima Theresa,
Obrigada pelo privilégio de seu tão belo e doído poema, doído, mas alentador, como um farol na escuridão a mostrar o caminho aos que perdem por um momento a rota do amor e do aconchego do lar.
Um amigo muito querido escreveu que as 'lágrimas de hoje são adubo para alegrias no porvir'. Isso é lindo e verdadeiro.
Em Deus, que é nosso eterno farol e nossa capacidade para reconhecê-Lo,
abraço-a com carinho.

Artemis


De: Heloisa Guimaraes
Assunto: Re: Envio meus versos mais sofridos, que saíram à luz porque vislumbrei poderem ajudar algumas pessoas, depois que encontrei um final positivo.
Para: "Theresa Catharina de Goes Campos"
Data: Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009, 15:46

Querida Theresa Catharina,

A leitura atenta do seu sentido poema confessional SER e CONVIVER, APESAR... me deixou muito tocada, pela funda sinceridade na exposição de sentimentos íntimos, tão dolorosos, quais sejam os provindos de ingrata e cruel REJEIÇÃO - inteiramente infundada em todos os seus aspectos, como bem sabemos os seus fraternais amigos, conhecedores dos notáveis testemunhos de retidão de caráter e de generosidade que os seus atos estão sempre a nos oferecer, sem quaisquer desvios.
Mas é confortante divisar-se, ao final daquelas sofridas linhas poéticas, a bravura com que você logra alcançar - em triunfal conclusão - a sábia e apaziguadora conscientização da dignidade que é atributo inafastável do ser humano, nesta condição propício ao ilimitado engrandecimento espiritual e moral, pela via do exercício enaltecedor do SER E CONVIVER. Que soberbo "gran finale" para tais reflexões!
Sendo assim, veja que nunca se poderá sentir desamparada. Como você justamente discerniu: há uma indestrutível FORTALEZA nesse SER E CONVIVER, sob as bênçãos divinas.

Com o afeto sincero, da amiga
Heloisa Helena
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Querida amiga Heloísa:

Só posso voltar a repetir que suas belas palavras nasceram de sua permanente bondade. São, antes de tudo, um bálsamo generoso para o meu coração.
Você interpretou com tanta sensibilidade, de forma correta e maravilhosamente os meus versos, de modo especial as estrofes que revelam a compreensão de que podemos ser maiores que as nossas dores, superando nossas lágrimas, aprendendo com os nossos sofrimentos.
Para isso viemos a este mundo, marcado por tantas fraquezas e imperfeições, mas bem inferiores à vida maior que temos em nós.
Porque viemos da Luz , somos luzes, em nosso potencial de vitórias e realizações.

Com a gratidão de sempre,
Theresa Catharina