ÍNDICE POESIAS

Como ser pessoa

O egoísta

Espaço ilimitado

Com medo das palavras

Onipresença da arte


O esforço vitorioso

Sonhar...

As mãos falam

Caminhar na dor

A dor também constrói

Os tesouros perdidos

A linguagem do coração

Não matem a esperança

Meu coração te procura

Sonhos irmãos

O espírito do Natal: Comunicação

Quando as lágrimas denunciam...

Haicais de homenagem ao cinema


Ternura insistente

A Estrela-Guia do peregrino

As mãos prisioneiras

O mistério do sofrimento

Coração não é depósito

Ele deu rosas ao mundo

As mãos vestidas de rugas

Novos haicais para o cinema

 
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COMO SER PESSOA
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COMO SER PESSOA
Como ser PESSOA
Sem ser AMIGA?

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 19/10/1988

 

O EGOÍSTA
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O EGOÍSTA
O egoísta
é muito previsível...
e péssima companhia...
até para si mesmo.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 24/10/1988

 

ESPAÇO ILIMITADO
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ESPAÇO ILIMITADO

No espaço
ilimitado
do coração,
há sempre fronteiras
a conquistar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Genebra, Suíça, agosto de 1960

 

COM MEDO DAS PALAVRAS
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COM MEDO DAS PALAVRAS
(Poema inspirado no filme "The Accidental Tourist" – EUA – 1988 - O Turista Acidental – de Lawrence Kasdan)

"- Graças à tecnologia,
não precisamos dizer uma palavra!
Deixemos que a TV converse com todos nós
e o vídeo também...
como o rádio vem fazendo há tanto tempo
(falando em nosso nome e para nós)...
Estamos sempre tão cansados
e preocupados com nossos problemas pessoais
que mal podemos iniciar uma conversação,
quanto mais mantê-la em nível que valha
a pena".

"- É muito mais fácil
quando alguém, bondosamente, nos libera
de tal responsabilidade!
Se acontece algo de errado,
ninguém nos culpará.
Assim é muito melhor!
Esqueçamos sentimentos ou emoções.
Ignoremos as pessoas e seus problemas.
Quem precisa de seres humanos complicados
quando temos máquinas, brinquedos,
computadores, e muitas outras coisas mais?..."

Tantas pessoas continuam a me dizer
        todo esse lixo!
        Chamo isso de filosofia descartável,
        de tão primitiva e inútil...
        Graças a Deus não vendi a minha vida
        para os fazedores de dinheiro
        ou amantes da mediocridade.
        Insisto em ser uma pessoa independente
        do que a comunicação de massa me diz!
Valorizo
o que existe dentro de mim:
minha maneira de pensar;
meu coração enérgico e independente
que ameaça saltar
de meu corpo frágil, temporário;
a dor e o sofrimento que experimento
a cada decisão que devo tomar.
Desejo também comunicar-me com as pessoas
utilizando umas poucas (muito essenciais)
palavras
com as quais estou me familiarizando.
Tenho a firme convicção de que
sem a comunicação pessoal,
qualquer um se torna menos que um
ser humano;
sem nos importarmos com os outros,
conseguiremos ir a algum lugar?!

Nota: COM MEDO DAS PALAVRAS foi escrito originalmente em inglês:

AFRAID OF WORDS

"- Thanks to technology,
we do not have to say a word!
Let the TV talk to all of us
and the video too…
as radio has been doing for so long
(speaking for us and to us)…
We are always too tired
as well as worried
with our personal problems
to even manage to start a conversation,
let alone to keep it worthywhile."


"- It is so much easier
when someone else kindly relieves us
from such responsibility!
If anything happens to go wrong
no one will ever blame this on us.
This is so much better!
Let's forget feelings or emotions.
Let's ignore people and their problems.
Who needs complicated human beings
when we have machines, toys,
computers, you name it?..."


So many people go on telling me
all that garbage!
I call it disposable philosophy,
so primitive and useless…
Thanks God I did not sell my life
to money-makers or mediocrity-lovers.
I insist on being a person
no matter what
mass communication tells me!

I value
what there is inside me:
my own thinking;
my strong-willed, strong-minded heart
threatening to jump out
of my frail, temporary body;
the pain and sorrow I go through
for every decision I take.
I also want to reach people
using a few (very essential) words
I have been getting acquainted with.
I choose not to be afraid of talking.
Deep down I firmly believe:
without personal communication,
any one becomes less than a human being;
without caring for others,
can we go anywhere?

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 17 de junho de 1989.

 

ONIPRESENÇA DA ARTE
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ONIPRESENÇA DA ARTE

Conviver com a arte
de segunda a domingo,
de janeiro a dezembro:
eis um projeto de vida!

Theresa Catharina de Góes Campos
Belém do São Francisco, Pernambuco, abril de 1962.

 

O ESFORÇO VITORIOSO
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O ESFORÇO VITORIOSO

Não tem importância se falhamos.
A única razão para nos desesperarmos
é quando desistimos da busca.
Se os sonhos não existissem,
não haveria futuro.
Uma derrota é: não procurar sempre...

Nota: O poema acima foi escrito originalmente em inglês e publicado pela primeira vez em Ottawa, Ontario, Canadá.

Texto original:

NO SEARCH EVER FAILS

The failure doesn't really matter.
The only reason to despair
Is when we give up the search.
If dreams didn't exist
There would be no future.
A failure is: not searching forever.

Theresa Catharina de Góes Campos
(In: Presence – November 15, 1981 – p. 9)

 

SONHAR...
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SONHAR...

é vencer
a mediocridade do dia-a-dia
apresentando um projeto
para o amanhã.
Os sonhos jamais são derrotados
porque constituem,
em si mesmos,
uma vitória sobre a realidade.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 04/02/1989

 

 

AS MÃOS FALAM
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AS MÃOS FALAM

(poema inspirado no filme "Hiroshima mon Amour" – França, 1959 – Hiroshima meu Amor – de Alain Resnais)
Porque o coração
guarda o silêncio,
as mãos falam...
E dizem tudo
o que o coração quer dizer,
chorar, gritar, sussurrar...
Mas o coração tem medo,
de tão frágil e magoado,
e se cala.
O coração não dorme
jamais...
apenas se esconde e se cala...
A mão repousa
na outra mão
docemente, embora com muita sensibilidade.
As mãos se procuram
quando os corações se calam,
enquanto o espírito busca
um canal de comunicação.
O coração não dorme... jamais!
As mãos repousam e,
com o silêncio, constroem a ternura sonhada,
quando falam de amor
sem se cansar
nem elevar a sua voz.
Como os corações sensíveis,
as mãos são eternamente jovens
e querem sempre
proclamar o amor.
Observação: o poema "As Mãos Falam" foi escrito originalmente em francês

LES MAINS PARLENT

Parce que le coeur
garde son silence,
les mains parlent...
Et disent tout
ce que le coeur veut dire,
pleurer, crier, murmurer...
Mais le coeur a peur;
le coeur est si fragile et blessé!
et le coeur se taît...
Le coeur ne dort
jamais...
il se cache et il se taît...
La main repose
sur l'autre main
doucement, mais très sensible.
Les mains se cherchent
quand les coeurs se taisent
et quand I' esprit cherche
une voie de communication.
Le coeur ne dort... jamais!
Les mains reposent et,
avec du silence,
elles construisent la tendresse songée,
quand elles parlent d'amour
sans se fatiguer
ni élever leur voix.
Comme les coeurs sensibles,
les mains sont toujours jeunes
et elles veulent toujours
crier l'amour.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 03 de junho de 1989.

 

 

CAMINHAR NA DOR
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CAMINHAR NA DOR

Nós somos o que construímos
com as nossas limitações,
sobretudo o tempo...
Somos o que fazemos
com a nossa dor,
as nossas frustrações,
com a nossa solidão.
As perguntas que formulamos
também expressam o que somos.
Somos as nossas escolhas,
as nossas prioridades conscientes,
os nossos princípios.
Nós somos o que fazemos
com a nossa dor.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 17/08/1988.

 

A DOR TAMBÉM CONSTRÓI
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A DOR TAMBÉM CONSTRÓI

Do sofrimento,
alguns partem para a violência,
a inveja, o descrédito;
alguns se escondem
na amargura
ou insistem na destruição.
Outros, escrevem
páginas de beleza e perdão,
fazem filmes
de reflexão crítica,
cantam a ternura
e a solidariedade.
Nós somos o que fazemos
com a nossa dor.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 17/08/1988.

 

OS TESOUROS PERDIDOS
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OS TESOUROS PERDIDOS

Se eu não tivesse arrancado
a rosa do meu jardim,
seu perfume ainda estaria
no meu coração para sempre.

Se eu não tivesse procurado
a paz com tanto desespero
e fechado meus olhos às dores e às lágrimas
de meu próximo,
a paz estaria comigo sempre,
em todo lugar.

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife, PE, 26/01/1970.

 

A LINGUAGEM DO CORAÇÃO
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A LINGUAGEM DO CORAÇÃO

Se o coração falasse
a linguagem rude,
agressiva e ruidosa do mundo,
nós todos estaríamos perdidos.

Theresa Catharina de Góes Campos
Recife, PE, 05/03/1962.

 

NÃO MATEM A ESPERANÇA
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NÃO MATEM A ESPERANÇA!

Quem já ensurdeceu de dor
não pode mais ouvir
palavras ferinas.
Quem ficou cego de tanta tristeza
e maldade que viu
hoje tem os olhos embaçados de lágrimas;
caminhos, beco e pontos se confundem.

O corpo geme e vacila;
a alma também;
a voz enrouquece, desiludida;
a esperança vai morrendo
e a gente vira fantasma.

Entontecidos e amargurados,
mas ainda procurando defender
a Fé que, apesar de tudo,
não morreu dentro de nós,
corremos, assustados e mortificados,
em busca de outros cegos,
à procura de loucos,
chamando os surdos,
questionando os mudos.

Brancos e negros, apesar do apartheid,
somos irmãos na dor
da desilusão que se repete.
Somos todos fantasmas da vida.
A união jamais alcançada
na alegria e no amor
hoje é irmandade de sofrimento.

O coração ainda bate no peito,
embora os olhos não mais sorriam.
A boca ainda emite gemidos;
não diz mais palavras de amor.

Os olhos conseguem chorar
e as lágrimas banham
a voz transformada pela dor.

Não mais importa que o sangue
corra nas veias como vertente natural.
Não mais importa que o nosso andar
pareça indicar uma vida normal.
A verdade vem à tona, persistente
como o suor que não se esconde;
já morremos dentro de nós...
porque matamos a esperança
em nosso íntimo
ao desistirmos de lutar
contra as injustiças
que não parecem nos atingir pessoalmente...

Theresa Catharina de Góes Campos
Dacar, Senegal, agosto de 1960.

 

MEU CORAÇÃO TE PROCURA
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MEU CORAÇÃO TE PROCURA

Onde estás?
Eu te procuro ontem e amanhã,
mas te perdi em todas as épocas...
Por que estás longe?
Por que te manténs silencioso?
Por que não me escutas
nas ondas do tempo?
Meu coração me diz que estás aí...
no contorno dos séculos...
pronto a me tocar no tempo
dos minutos e segundos há muito sonhados.
Mas estamos por demais angustiados
devido à espera tão longa.
Gritamos e choramos
porque eu estou aqui, hoje e agora,
neste instante amargo e solitário,
e tu estás aí,
no dia seguinte ou no amanhã.

Theresa Catharina de Góes Campos

(a seguir a versão original, em francês, deste poema, escrito em Québec City, Província de Québec, Canadá, em 1971)

MON COEUR TE CHERCHE
Où es-tu ?
Je te cherche... hier et demain,
mais je t'ai perdu
dans toutes les époques...
pourquoi es-tu si loin ?
Pourquoi gardes-tu ce silence ?
Pourquoi ne m'écoutes pas
dans les ondes du temps?
Mon coeur me dit que tu es là...
au contour des siècles...
prêt à me toucher dans le temps
des minutes et des secondes
autrefois songés.
Mais nous sommes trop angoissés
à cause d'une si longue attente.
Nous crions et nous pleurons
parce que je suis ici,
aujord' hui et maintenant,
(dans cet instant amer et solitaire)
et tu es là,
au lendemain ou dans l'avenir.

Theresa Catharina de Góes Campos

 

SONHOS IRMÃOS
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SONHOS IRMÃOS

Quando fugimos
dos gritos e das lágrimas
de nossos irmãos,
perdemos nosso direito
ao silêncio criativo.

Os sonhos dos que nos cercam
são irmãos de nossos sonhos.

Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères, Suíça, agosto de 1960.

 

O ESPÍRITO DO NATAL: COMUNICAÇÃO
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O ESPÍRITO DO NATAL: COMUNICAÇÃO
O Natal interessa a todos nós,
pois não é monopólio de ninguém.
Sou eu e você
e todos nós.
Se todos os gestos e todas as palavras
fossem comunicação...
os conflitos não levariam às guerras,
e sim, à compreensão e à tolerância.

A chamada trégua natalina
é a vitória da ternura
para com todos os seres humanos;
a transmissão da mensagem de solidariedade
por gestos e palavras extraídas do coração.
NATAL NÃO SE FESTEJA EM SOLIDÃO.

A comunicação é o toque mágico
dos presentes e abraços
de UMA NOITE MUITO ESPECIAL
em todas as latitudes, nos recantos
mais afastados do mundo.

Embora nem todo ato de tocar seja comunicação
nem toda forma de comunicação seja amor,
O NATAL É SEMPRE UM MOMENTO ESPECIAL
de comunicação e paz –
uma promessa de esperança
para a humanidade ameaçada, conturbada;
uma promessa de vida
num sistema internacional
de vasos comunicantes
e círculos entrelaçados.

Sem amor, não existe alegria de viver –
porque vida é comunicação
e NATAL NÃO SE FESTEJA NA SOLIDÃO!

Dizer FELIZ NATAL é reconhecer, no presente,
um bem maior que o passado;
é assinar uma Declaração de confiança
no futuro que se desconhece;
é abrir as portas fechadas,
colorir os pontos sombrios de nossa vida,
atravessar as pontes
e se lançar ao espaço infinito.

Dar um presente, mesmo silenciosamente,
é como dizer de público:
EIS A MINHA AMIZADE –
a dádiva maior
que todo ser humano tem
para oferecer.

Apesar de ogivas nucleares
e dos foguetes intercontinentais;
malgrado o imperialismo metamorfoseado,
apesar das superpotências e das
multinacionais,
os cometas, as estrelas e os planetas
fazem ciranda,
com os satélites, no firmamento...
as suas guirlandas vivas proclamam:
AINDA HÁ ESTRELAS NO CÉU!

Apesar do barulho das metralhadoras,
as crianças continuam a nascer
e nós as recebemos,
apesar de nosso desespero
e de nossa angústia,
e de nossos fracassos contínuos,
com uma ternura esperançosa –
mais preciosa do que nunca!

Que as crianças nos ouçam:
FELIZ NATAL, IRMÃOS!
E que o espírito de Natal –
a comunicação –
seja uma realidade visível,
palpável,
para todos nós.

Theresa Catharina de Góes Campos
Santos, SP, 10/12/1962.

 

QUANDO AS LÁGRIMAS DENUNCIAM...
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QUANDO AS LÁGRIMAS DENUNCIAM...
(poema inspirado no filme "Mouchette" – "Mouchette, a virgem possuída" – França,1967- de Robert Bresson)

De tão indiferentes, nem perguntaram:
- Quem matou o seu sorriso, querida irmã?
Quem vestiu você de preto?
Quem colocou todas essas lágrimas
nas estrelas de seus olhos?

Sim, alguém matou o seu sorriso
e apagou o brilho especial
de seu rosto jovem.
Quem fez isso?
Quem apagou o seu sorriso?
Quem deixou a sombra de um pôr-do-sol
no orvalho de seus lábios silenciosos,
revestindo de tristeza infinita
a ternura que poderia existir em seus gestos?
Quem colocou tantas lágrimas
nas estrelas de seus olhos
hoje cansados e desiludidos?

Porque não lhe disseram
- e repetiram –
que apesar de obstáculos, das derrotas
e da indiferença,
a busca do amor continua:
é preciso PROSSEGUIR,
continuar a viver
mesmo que as lágrimas
não cessem de cair e
molhar as nossas mãos fatigadas.

Ainda que o corpo se recuse,
o coração tem que reagir
e continuar a crer, a esperar,
mesmo que as lágrimas
se recusem a parar
de envolver nosso rosto
empalidecido e chocado
porque a solidariedade
não nos resgatou
do desespero.

É preciso prosseguir,
caminhar sempre,
até que as lágrimas silenciosas
se transformem
em palavras de vida...

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 06 de julho de 1989.

 

HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA
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HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA
(e dedicados a Meus Pais)
Theresa Catharina de Góes Campos

1)
O olhar do cinema
transforma a vida
de quem olha a tela.

2)
O som do filme
inspira os ouvidos
ao se escutar o cinema.

3)
Na companhia das imagens
vivi, revivi a vida
dos personagens na tela.

4)
Pulsações invisíveis senti
como ondas cerebrais
nascidas e alimentadas no cinema.

5)
A alma vibrou
com a trilha sonora:
o coração cantou.

6)
Sombras e luzes
invadiram com imagens
meu coração hospitaleiro.

7)
A tela do cinema
falou com imagens
ao coração aberto.

8)
Tudo vibrou.
Nada foi tocado.
Quase tudo falou...

9)
Individual e coletivo,
de longe e tão perto...
eis o cinema.

10)
O silêncio gritou
naquele filme distante,
iluminando a tela.

11)
A lágrima das palavras
banhou as imagens
impressas na película.

12)
Vestidas de cores,
imagens encontraram
sombras e luzes do cinema.

13)
Projeção do filme na tela...
coração soltando a voz,
reescrevendo o roteiro.

14)
Fotogramas,ecos de imagens
unidas às trilhas de som
reverberando na mente.

15)
O percurso das lágrimas
começa nos fotogramas,
continua na alma.

16)
Filmes podem
não envelhecer.
Nós, envelhecemos.

17)
Não amei aquele filme
porque me perturbou
ou foi meu silêncio interior?

18)
Quem gritou?
O filme? Eu? Os sons?
Foram as cadeiras vazias?

19)
O projecionista abandonou o filme...
a imagem se perdeu,
o som virou silêncio.

20)
O cinema não me trouxe
os sonhos que eu pedi?
Ou meu espírito se calou?

21)
O amor, no filme,
sorriu para mim...
agora é fonte a cantar!

22)
Percebi com gratidão:
ao se comunicar com a tela
meu coração se multiplicou.

23)
Recebi o filme
no espírito preparado
para amar a mensagem.

24)
Meu coração transitório
guarda e partilha
o olhar permanente do cinema.

25)
A fonte da juventude,
que não existe,
o cinema descobriu.

26)
O silêncio dos filmes
ecoa... porque vibra
com imagens e sons.

27)
Cerejeiras floridas
tagarelando ao vento
perfumaram a platéia.

28)
Viagens à volta do mundo:
ousadas na tela,
sem data para terminar.

29)
O que eu não vivi
o cinema mostrou
e o mundo viu...

30)
Imóvel e dinâmico,
silencioso e falante,
viva o cinema peregrino!

31)
No espelho de tantas cores,
e de muitos sons,
o cinema refletiu a vida.

32)
Riu tanto no cinema!
Desmarcou a consulta
com o psiquiatra.

33)
O que ninguém confessou
o cinema revelou
sem hesitação nem pudor.

34)
Tudo ficou mais fácil
e bem mais difícil
quando o filme terminou...

35)
Não foi beijada...
mas saiu do cinema
como se tivesse sido...

36)
Parado no tempo,
dinâmico e veloz,
o cinema continua e recomeça.

37)
Terminada a refeição,
foram todos ao cinema
alimentar o espírito.

38)
De tanto chorar no cinema
chegou em casa
esperançosa.

39)
Se o filme é rebobinado,
por que desistir
de recomeçar a vida?

40)
Se o filme tem edição,
por que se recusar
a reeditar sua vida?

41)
Achou o filme confuso,
perturbador. Saiu.
Lá fora estava pior...

42)
Olhou e não viu.
O cinema viu
e registrou!

43)
Viu no cinema.
Contou lá fora.
Gostou ainda mais.

44)
Sozinho
não se faz cinema
nem se vive a vida.

45)
De meus queridos pais
recebi, com seu exemplo,
o cinema de presente.

São Paulo, 29 de maio de 2008.


OS FAVORITOS DE TEREZA LÚCIA

From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2008/6/1
Subject: Re: HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Theresita:
Opinião de leitora:
Eis os meus haikais favoritos:
5,6,7,8 - 10 - 13 - 14 - 15
18, 21, 25, 27 - 32 - 33 - 34 - 38 - 39.
Para mim, foram os que tiveram melhor ritmo e eloqüência.
Grata por compartilhar.
Com carinho,
Tereza Lúcia


ASSOCIAÇÃO DOS SENTIDOS

From: adfalcao
Date: 2008/7/24
Subject: Re:Eis os meus indisciplinados HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA - Theresa Catharina
To: "theresa.files"


Theresa, como podia esperar, você encontrou nova forma para demonstrar sua sensibilidade , bastante conhecida por todos. Essa impressão que transmito é absolutamente sincera. Não sei jogar confeti. Quando não me agrada um trabalho que recebo, penso um jeito de estimular o/a autor/a e, em contrapartida, emitir "meu parecer". Com certeza você irá publicá-los em breve. Do que mais gostei foi da associação dos sentidos, presente em todos os hai-cais.
Abraços Ana


From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/3
Subject: Muitíssimo obrigada por suas observações, sobre as quais direi o seguinte Re: (talvez você nem perceba a diferença, mas fiz várias modificações) HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA - Theresa Catharina
To: Ana Falcao


Amiga Ana:

Gostei imensamente de suas inteligentes observações, sobre as quais direi o seguinte:

a) A palavra retina é excelente, jamais me pareceu lugar comum.

b) Nós, envelhecemos - escrevi assim conscientemente, também, como você, não considerando que estaria incorretamente separando o sujeito do predicado. Minha leitura para escrever o verso (buscando a redução necessária ao haicai), foi "Quanto a nós, sim, nós envelhecemos." Portanto, eu me apoiei nas chamadas licenças poéticas, reduzindo o verso, omitindo palavras que eu esperava ser subentendidas, embora eu não concorde que tudo seja permitido no reino da poesia.

c) Com referência ao haicai que numerei 18, escrevi propositalmente numa linguagem de fábula, personificando os objetos, para envolver "os participantes", os personagens animados e inanimados no que eu classificaria de "jogo aberto, não-fechado para uma resposta única", tanto o ser humano espectador, com a sua responsabilidade de pessoa, assim como as coisas, os objetos encontrados numa sala de cinema.

Concluindo, ouso afirmar que o problema e ao mesmo tempo o desafio e a superação ao se escrever haicais parecem estar nesse limite criativo - obrigar-se a expressar uma idéia completa em três pequenos versos, com o mínimo possível de sílabas.

Muitíssimo obrigada por seus valiosos comentários (para mim, os adjetivos também são fundamentais, como fruto de análise e conclusão).

Abraços de
Theresa Catharina


Em 03/07/08, Ana Falcão escreveu:

Theresa, sempre penso em sua sensibilidade ao ler os hai-cais que me envia. Você não acredita que pensei na palavra "retina", não sei se você gosta dela ou se é lugar comum.
No número 16, encontro uma vírgula que venho pesquisando ao longo dos anos. Considero-a correta. Não penso que separe o sujeito do predicado. Penso que se trata de uma "topicalização", como menciona a Professora Eunice Pontes. Para mim, seria um destaque, o equivalente a "quanto a..... ". Em francês, seria "Le Brésil, ce n'est pas un pays sérieux. "Em português, "O Brasil, não é uma país sério." Veja que não temos recurso para expressar a paradinha na leitura. Talvez reticências: "O Brasil...não é um país sério" . No hai-cai, as reticências quebrariam o ritmo.
No 18, tomo a liberdade de comentar que "quem" se refere a pessoas. Claro, também posso pensar que há uma personificação de "cadeira" e de "sons".
Esses comentários em nada desmerecem seu excelente texto poético. Ao contrário, resultaram de uma leitura cuidadosa.
Abraços, Ana

 

TERNURA INSISTENTE
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TERNURA INSISTENTE

Os sorrisos que jamais esbocei
apagaram o brilho de meus olhos.
A ternura que não retive
dentro de mim
superou todos os obstáculos
e, vencendo o medo,
mostrou-se mais forte que a neve.
Ternura insistente,
ternura vencedora!

Theresa Catharina de Góes Campos
Paris, França, setembro de 1960.

 

A ESTRELA-GUIA DO PEREGRINO
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A ESTRELA-GUIA DO PEREGRINO

Meu amigo me disse:
- "Proibi meus olhos de serem estrelas,
pois não conheço ninguém
suficientemente puro para olhar as estrelas."

Como ignorar que os homens precisam
desesperadamente
de olhos-estrelas?
Procuram, como peregrinos,
sorrisos que sejam como estrelas
em toda parte...
Acredito que é melhor
termos olhos e sorrisos
brilhando como estrelas e lareiras
do que, um dia, termos a revelação
de que alguém procurava por eles
e morreu sem experimentar
a bênção de encontrá-los.

Um dia, o amor virá...
E assim como a primavera desenterra as flores
e desperta as sementes escondidas,
soprará vida em nossos corações.
Um dia, o amor virá,
justificando a espera,
amadurecendo o coração.

Preparemo-nos:
Um dia, o amor virá...

Conheço um peregrino que atravessou
muitas vezes o mesmo deserto,
tão sedentos de fontes e árvores,
tão ansioso pelo toque humano;
sufocado pelo calor e pelas tempestades
que dobravam seu corpo até o solo,
deixando seu espírito abatido.
Sedento, faminto,
sedento de calor humano.
Com os pés sangrando,
banhado em suor e, no peito,
a ânsia de lágrimas reprimidas.
Em meio à tempestade,
o peregrino SONHOU com a noite,
vislumbrando sua estrela-guia.
A areia e o vento perturbaram
a visão do peregrino,
mas não venceram a sua fé;
sentiu o frio, pressentiu a escuridão;
aguardou, tranqüilo, as estrelas...

Theresa Catharina de Góes Campos
Toronto, Ontário, Canadá – julho de 1971.

 

AS MÃOS PRISIONEIRAS
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AS MÃOS PRISIONEIRAS


As mãos que eu libertei
do coração
perderam a razão
de seus movimentos.


E as mãos supostamente livres
tornaram-se prisioneiras
do desamor.


Theresa Catharina de Góes Campos
Natal, RN, junho de 1971.

 

O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO
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O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO

Imitemos o poeta
com sua coragem para amar.
Viu as crianças ignorarem as estrelas
e darem atenção às pedrinhas do jardim;
contemplou, entristecido, quando esmagaram
uma pequena flor silvestre.
O poeta compôs versos
para a estrela que ainda não surgira
e correu para proteger
com suas mãos trêmulas
outras florzinhas
que o vento ameaçava afugentar.
O poeta ama as folhas verdes
e cultiva seus sonhos mais impossíveis.
Ele acolhe a dor do amor
porque sabe que, atrás do sofrimento,
estão os versos de seus poemas.
O sofrimento é um mistério
que o poeta respeita.


Theresa Catharina de Góes Campos
Algonquin Park, Ontário, Canadá, 08/09/1972.


(A seguir, a versão original deste poema, em inglês)


SUFFERING IS A MYSTERY...

Emulate the poet
with his courage to love.
He saw children ignore the stars
and give attention to tiny rocks in the garden;
he was there, so sad,
when they smashed a little wild flower.
The poet wrote verses
for the star which was still to show up
and he ran to protect
with his shaky hands
other little flowers
the wind threatened to blow away.
The poet loves the green leaves
and cultivates his most impossible dreams.
He welcomes the pain of love
because he knows that, behind suffering,
he will find his poetry.
Suffering is a mystery
the poet respects.

 

CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO...
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CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO...

Um sorriso
não pode ser guardado...
nem mesmo no coração.
Sorriso é para ser dado.

Coração-depósito
seria coração morto.
Sorriso retido
seria lágrima escondida.

Sorriso é para ser ofertado!

Theresa Catharina de Góes Campos


From: Faustino Vicente
Date: 2009/2/28
Subject: RES: CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Dra. Theresa Catharina de Góes Campos:

Parabéns.Grato pelas suas (sempre) bem-vindas mensagens. Ótimo fim de semana.
Faustino


From: artemis coelho
Date: 2009/3/1
Subject: RE: CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Acho que teu poema combina com meu pensamento:
Amor que não se manifesta é como um tesouro no fundo mar; nem os peixes dele se alimentam...

Artemis

 

ELE DEU ROSAS AO MUNDO
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ELE DEU ROSAS AO MUNDO


O objetivo único da beleza
é criar amor...
Nossas lágrimas apagarão nosso caminho
para que nossos filhos construam
as pontes que idealizaram.
Temos medo, porém, até de amar:
somos por demais orgulhosos para pedir,
fracos demais para tentar.
Por que lutamos às cegas
contra nossos melhores sentimentos
e nossas tendências mais generosas?
Por que choramos
quando o amor chega?
Por que expulsamos a verdade
com tanto rigor e tanta constância?
Por que deixamos o amor esperando?
Por que negligenciamos a justiça?


Algumas pessoas nunca se humanizam,
nunca aprendem a ternura,
nunca ofertam flores.
Alguns, nunca chegam a amar.
As rosas florescem para dar alegria
a um pedaço de terra
que elas transformam em jardim.
Florescem para ofertar o seu perfume.


Embora nenhuma rosa seja eterna,
a memória de um gesto de amor
pode ficar para sempre
em nossa memória.


Deus ofertou rosas ao mundo
para que homens e mulheres
aprendessem, pelo Seu exemplo,
a alegria de DAR.


Theresa Catharina de Góes Campos
Belém, Pará, 24/10/1970


Versão para o inglês:

HE GAVE ROSES TO THE WORLD


The only purpose for beauty
is to create love…
Our tears will wash our path away
so that our children will build
the bridges they dreamed.
Though we are afraid of loving:
we are too proud to ask,
to weak even to give it a try.
Why do we fight like a blind
against our best feelings
and our most generous trends?
Why do we weep
when love comes?
Why do we throw truth away?
In such a harsh way and so persistently?
Why do we leave love waiting?
Why do we neglect justice?


Some people never get to be human,
never learn tenderness,
never give flowers.
Some never get to love.
Roses bloom to give joy
to a piece of land
they change into a garden.
They bloom to give perfume.
though no rose is forever,
the memory of a gesture,
if a gesture of love,
lives forever in our memory.


God gave roses to the world
so men and women
would learn, by His example,
the joy of GIVING.


Theresa Catharina de Góes Campos
Belém - Pará, 24/10/1970

 

AS MÃOS VESTIDAS DE RUGAS
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AS MÃOS VESTIDAS DE RUGAS

(poema inspirado no curta-metragem de Nirton Venâncio: "Um Cotidiano Perdido no Tempo" – Brasil, 1988)


A cabeça enluarada em fios de prata
e as mãos vestidas de rugas,
mais que nunca,
precisam ser amadas.


O rosto sulcado de rugas
hoje espera, ansioso,
nossos beijos tardios.
A vista fraca não ousa confessar
mas precisa de nossa visão irrequieta.
O andar trêmulo do coração inquieto
aguarda, silencioso,
o apoio de nosso braço jovem.


Os dias longos e as noites curtas
são espaços abertos
para nós que, apressados,
desperdiçamos as horas
sem sentir
que a nossa pressa
é tão vã
quanto as nossas vaidades...
e pouco sábia!
Imaturos,
esquecemos
de beijar
os lábios deformados
por gengivas sem dentes...


Mãos trajadas de rugas
preparam
uma acolhida calorosa
para os beijos dos que virão
fazer a visita sempre esperada.
Cheguemos antes
das mãos vestidas de rugas
adormecerem...


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, DF - 24/07/1989.

 

NOVOS HAICAIS PARA O CINEMA
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NOVOS HAICAIS PARA O CINEMA

I

Brigaram demais
antes do filme
que os reconciliou.

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II

Ninguém se entendia
porque todos discordavam
do filme provocador.

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III

A criançada só não
jogou pipoca na tela
porque estava fora do alcance.

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IV

Atentos aos celulares,
leram mensagens pessoais
e não viram o filme.

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V

Conversaram sem parar
até o filme terminar.
Por que foram ao cinema?

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VI


Entraram bem atrasados,
saíram antes dos créditos finais -
como opinar sobre o filme?

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VII

No fim da sessão,
de coração iluminado,
pisamos a sujeira no chão.

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VIII

O mundo esqueceu.
A imprensa também.
O cinema voltou a denunciar.

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IX

O cinema, rotina
na minha vida, também
celebra meus aniversários.

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X

Ah, que alegria,
encontrar os amigos
nas idas ao cinema!


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 1º de junho de 2008