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COMO SER PESSOA Como ser PESSOA Sem ser
AMIGA?
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 19/10/1988
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O EGOÍSTA O egoísta é muito previsível... e péssima companhia... até para si mesmo.
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 24/10/1988
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ESPAÇO ILIMITADO
No espaço ilimitado do coração, há sempre fronteiras a conquistar.
Theresa Catharina de Góes Campos Genebra, Suíça, agosto de 1960
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COM MEDO DAS PALAVRAS (Poema inspirado no filme "The Accidental Tourist" – EUA –
1988 - O Turista Acidental – de Lawrence Kasdan)
"- Graças à tecnologia, não precisamos dizer uma palavra! Deixemos que a TV converse com todos nós e o vídeo também... como o rádio vem fazendo há tanto tempo (falando em nosso nome e para nós)... Estamos sempre tão cansados e preocupados com nossos problemas pessoais que mal podemos iniciar uma conversação, quanto mais mantê-la em nível que valha a pena".
"- É muito mais fácil quando alguém, bondosamente, nos libera de tal responsabilidade! Se acontece algo de errado, ninguém nos culpará. Assim é muito melhor! Esqueçamos sentimentos ou emoções. Ignoremos as pessoas e seus problemas. Quem precisa de seres humanos complicados quando temos máquinas, brinquedos, computadores, e muitas outras coisas mais?..."
Tantas pessoas continuam a me dizer todo esse lixo! Chamo isso de filosofia descartável, de tão primitiva e inútil... Graças a Deus não vendi a minha vida para os fazedores de dinheiro ou amantes da mediocridade. Insisto em ser uma pessoa
independente do que a comunicação de massa me diz! Valorizo o que existe dentro de mim: minha maneira de pensar; meu coração enérgico e independente que ameaça saltar de meu corpo frágil, temporário; a dor e o sofrimento que experimento a cada decisão que devo tomar. Desejo também comunicar-me com as pessoas utilizando umas poucas (muito essenciais) palavras com as quais estou me familiarizando. Tenho a firme convicção de que sem a comunicação pessoal, qualquer um se torna menos que um ser humano; sem nos importarmos com os outros, conseguiremos ir a algum lugar?!
Nota: COM MEDO DAS PALAVRAS foi escrito originalmente em
inglês:
AFRAID OF WORDS
"- Thanks to
technology,
we do not have to say a word!
Let the TV talk to all of us
and the video too…
as radio has been doing for so long
(speaking for us and to us)…
We are always too tired
as well as worried
with our personal problems
to even manage to start a conversation,
let alone to keep it worthywhile."
"- It is so much easier
when someone else kindly relieves us
from such responsibility!
If anything happens to go wrong
no one will ever blame this on us.
This is so much better!
Let's forget feelings or emotions.
Let's ignore people and their problems.
Who needs complicated human beings
when we have machines, toys,
computers, you name it?..."
So many people go on telling me
all that garbage!
I call it disposable philosophy,
so primitive and useless…
Thanks God I did not sell my life
to money-makers or mediocrity-lovers.
I insist on being a person
no matter what
mass communication tells me!
I value
what there is inside me:
my own thinking;
my strong-willed, strong-minded heart
threatening to jump out
of my frail, temporary body;
the pain and sorrow I go through
for every decision I take.
I also want to reach people
using a few (very essential) words
I have been getting acquainted with.
I choose not to be afraid of talking.
Deep down I firmly believe:
without personal communication,
any one becomes less than a human being;
without caring for others,
can we go anywhere?
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 17 de junho de 1989.
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ONIPRESENÇA DA ARTE
Conviver com a arte de segunda a domingo, de janeiro a dezembro: eis um projeto de vida!
Theresa Catharina de Góes Campos Belém do São Francisco, Pernambuco, abril de 1962.
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O ESFORÇO VITORIOSO
Não tem importância se falhamos. A única razão para nos desesperarmos é quando desistimos da busca. Se os sonhos não existissem, não haveria futuro. Uma derrota é: não procurar sempre...
Nota: O poema acima foi escrito originalmente em inglês e
publicado pela primeira vez em Ottawa, Ontario, Canadá.
Texto original:
NO SEARCH EVER FAILS
The failure doesn't really matter. The only reason to despair Is when we give up the search. If dreams didn't exist There would be no future. A failure is: not searching forever.
Theresa Catharina de Góes Campos (In: Presence – November 15, 1981 – p. 9)
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SONHAR...
é vencer a mediocridade do dia-a-dia
apresentando um projeto para o amanhã. Os sonhos jamais são derrotados porque constituem,
em si mesmos, uma vitória sobre a realidade.
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 04/02/1989
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AS MÃOS FALAM
(poema inspirado no filme "Hiroshima mon Amour" – França,
1959 – Hiroshima meu Amor – de Alain Resnais) Porque o coração guarda o silêncio, as mãos falam... E dizem tudo o que o coração quer dizer, chorar, gritar, sussurrar... Mas o coração tem medo, de tão frágil e magoado, e se cala. O coração não dorme jamais... apenas se esconde e se cala... A mão repousa na outra mão docemente, embora com muita sensibilidade. As mãos se procuram quando os corações se calam, enquanto o espírito busca um canal de comunicação. O coração não dorme... jamais! As mãos repousam e, com o silêncio, constroem a ternura sonhada, quando falam de amor sem se cansar nem elevar a sua voz. Como os corações sensíveis, as mãos são eternamente jovens e querem sempre proclamar o amor. Observação: o poema "As Mãos Falam" foi escrito
originalmente em francês
LES MAINS PARLENT
Parce que le coeur garde son silence, les mains parlent... Et disent tout ce que le coeur veut dire, pleurer, crier, murmurer... Mais le coeur a peur; le coeur est si fragile et blessé! et le coeur se taît... Le coeur ne dort jamais... il se cache et il se taît... La main repose sur l'autre main doucement, mais très sensible. Les mains se cherchent quand les coeurs se taisent et quand I' esprit cherche une voie de communication. Le coeur ne dort... jamais! Les mains reposent et, avec du silence, elles construisent la tendresse songée, quand elles parlent d'amour sans se fatiguer ni élever leur voix. Comme les coeurs sensibles, les mains sont toujours jeunes et elles veulent toujours crier l'amour.
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 03 de junho de 1989.
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CAMINHAR NA DOR
Nós somos o que construímos com as nossas limitações, sobretudo o tempo... Somos o que fazemos com a nossa dor, as nossas frustrações, com a nossa solidão. As perguntas que formulamos também expressam o que somos. Somos as nossas escolhas, as nossas prioridades conscientes, os nossos princípios. Nós somos o que fazemos com a nossa dor.
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 17/08/1988.
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A DOR TAMBÉM CONSTRÓI
Do sofrimento, alguns partem para a violência, a inveja, o descrédito; alguns se escondem na amargura ou insistem na destruição. Outros, escrevem páginas de beleza e perdão, fazem filmes de reflexão crítica, cantam a ternura e a solidariedade. Nós somos o que fazemos com a nossa dor.
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 17/08/1988.
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OS TESOUROS PERDIDOS
Se eu não tivesse arrancado a rosa do meu jardim, seu perfume ainda estaria no meu coração para sempre.
Se eu não tivesse procurado a paz com tanto desespero e fechado meus olhos às dores e às lágrimas de meu próximo, a paz estaria comigo sempre, em todo lugar.
Theresa Catharina de Góes Campos Recife, PE, 26/01/1970.
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A LINGUAGEM DO CORAÇÃO
Se o coração falasse a linguagem rude, agressiva e ruidosa do mundo, nós todos estaríamos perdidos.
Theresa Catharina de Góes Campos Recife, PE, 05/03/1962.
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NÃO MATEM A ESPERANÇA!
Quem já ensurdeceu de dor não pode mais ouvir palavras ferinas. Quem ficou cego de tanta tristeza e maldade que viu hoje tem os olhos embaçados de lágrimas; caminhos, beco e pontos se confundem.
O corpo geme e vacila; a alma também; a voz enrouquece, desiludida; a esperança vai morrendo e a gente vira fantasma.
Entontecidos e amargurados, mas ainda procurando defender a Fé que, apesar de tudo, não morreu dentro de nós, corremos, assustados e mortificados, em busca de outros cegos, à procura de loucos, chamando os surdos, questionando os mudos.
Brancos e negros, apesar do apartheid, somos irmãos na dor da desilusão que se repete. Somos todos fantasmas da vida. A união jamais alcançada na alegria e no amor hoje é irmandade de sofrimento.
O coração ainda bate no peito, embora os olhos não mais sorriam. A boca ainda emite gemidos; não diz mais palavras de amor.
Os olhos conseguem chorar e as lágrimas banham
a voz transformada pela dor.
Não mais importa que o sangue corra nas veias como vertente natural. Não mais importa que o nosso andar pareça indicar uma vida normal. A verdade vem à tona, persistente como o suor que não se esconde; já morremos dentro de nós... porque matamos a esperança em nosso íntimo ao desistirmos de lutar contra as injustiças que não parecem nos atingir pessoalmente...
Theresa Catharina de Góes Campos Dacar, Senegal, agosto de 1960.
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MEU CORAÇÃO TE PROCURA
Onde estás? Eu te procuro ontem e amanhã, mas te perdi em todas as épocas... Por que estás longe? Por que te manténs silencioso? Por que não me escutas nas ondas do tempo? Meu coração me diz que estás aí... no contorno dos séculos... pronto a me tocar no tempo dos minutos e segundos há muito sonhados. Mas estamos por demais angustiados devido à espera tão longa. Gritamos e choramos porque eu estou aqui, hoje e agora, neste instante amargo e solitário, e tu estás aí, no dia seguinte ou no amanhã.
Theresa Catharina de Góes Campos
(a seguir a versão original, em francês, deste poema,
escrito em Québec City, Província de Québec, Canadá, em
1971)
MON COEUR TE CHERCHE Où es-tu ? Je te cherche... hier et demain, mais je t'ai perdu dans toutes les époques... pourquoi es-tu si loin ? Pourquoi gardes-tu ce silence ? Pourquoi ne m'écoutes pas dans les ondes du temps? Mon coeur me dit que tu es là... au contour des siècles... prêt à me toucher dans le temps des minutes et des secondes autrefois songés. Mais nous sommes trop angoissés à cause d'une si longue attente. Nous crions et nous pleurons parce que je suis ici, aujord' hui et maintenant, (dans cet instant amer et solitaire) et tu es là, au lendemain ou dans l'avenir.
Theresa Catharina de Góes Campos
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SONHOS IRMÃOS
Quando fugimos dos gritos e das lágrimas de nossos irmãos, perdemos nosso direito ao silêncio criativo.
Os sonhos dos que nos cercam são irmãos de nossos sonhos.
Theresa Catharina de Góes Campos Gruyères, Suíça, agosto de 1960.
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O ESPÍRITO DO NATAL: COMUNICAÇÃO O Natal interessa a todos nós, pois não é monopólio de ninguém. Sou eu e você e todos nós. Se todos os gestos e todas as palavras fossem comunicação... os conflitos não levariam às guerras, e sim, à compreensão e à tolerância.
A chamada trégua natalina é a vitória da ternura para com todos os seres humanos; a transmissão da mensagem de solidariedade por gestos e palavras extraídas do coração. NATAL NÃO SE FESTEJA EM SOLIDÃO.
A comunicação é o toque mágico dos presentes e abraços de UMA NOITE MUITO ESPECIAL em todas as latitudes, nos recantos mais afastados do mundo.
Embora nem todo ato de tocar seja comunicação nem toda forma de comunicação seja amor, O NATAL É SEMPRE UM MOMENTO ESPECIAL de comunicação e paz – uma promessa de esperança para a humanidade ameaçada, conturbada; uma promessa de vida num sistema internacional de vasos comunicantes e círculos entrelaçados.
Sem amor, não existe alegria de viver – porque vida é comunicação e NATAL NÃO SE FESTEJA NA SOLIDÃO!
Dizer FELIZ NATAL é reconhecer, no presente, um bem maior que o passado; é assinar uma Declaração de confiança no futuro que se desconhece; é abrir as portas fechadas, colorir os pontos sombrios de nossa vida, atravessar as pontes e se lançar ao espaço infinito.
Dar um presente, mesmo silenciosamente, é como dizer de público: EIS A MINHA AMIZADE –
a dádiva maior que todo ser humano tem para oferecer.
Apesar de ogivas nucleares e dos foguetes intercontinentais; malgrado o imperialismo metamorfoseado, apesar das superpotências e das multinacionais, os cometas, as estrelas e os planetas fazem ciranda, com os satélites, no firmamento... as suas guirlandas vivas proclamam: AINDA HÁ ESTRELAS NO CÉU!
Apesar do barulho das metralhadoras, as crianças continuam a nascer e nós as recebemos, apesar de nosso desespero e de nossa angústia, e de nossos fracassos contínuos, com uma ternura esperançosa –
mais preciosa do que nunca!
Que as crianças nos ouçam: FELIZ NATAL, IRMÃOS! E que o espírito de Natal –
a comunicação – seja uma realidade visível, palpável, para todos nós.
Theresa Catharina de Góes Campos Santos, SP, 10/12/1962.
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QUANDO AS LÁGRIMAS DENUNCIAM... (poema inspirado no filme "Mouchette" – "Mouchette, a virgem
possuída" – França,1967- de Robert Bresson)
De tão indiferentes, nem perguntaram: - Quem matou o seu sorriso, querida irmã? Quem vestiu você de preto? Quem colocou todas essas lágrimas nas estrelas de seus olhos?
Sim, alguém matou o seu sorriso e apagou o brilho especial de seu rosto jovem. Quem fez isso? Quem apagou o seu sorriso? Quem deixou a sombra de um pôr-do-sol
no orvalho de seus lábios silenciosos, revestindo de tristeza infinita a ternura que poderia existir em seus gestos? Quem colocou tantas lágrimas nas estrelas de seus olhos hoje cansados e desiludidos?
Porque não lhe disseram - e repetiram – que apesar de obstáculos, das derrotas e da indiferença, a busca do amor continua: é preciso PROSSEGUIR, continuar a viver mesmo que as lágrimas não cessem de cair e molhar as nossas mãos fatigadas.
Ainda que o corpo se recuse, o coração tem que reagir e continuar a crer, a esperar, mesmo que as lágrimas se recusem a parar de envolver nosso rosto empalidecido e chocado porque a solidariedade não nos resgatou do desespero.
É preciso prosseguir, caminhar sempre, até que as lágrimas silenciosas se transformem em palavras de vida...
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, 06 de julho de 1989.
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HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA (e dedicados a Meus Pais) Theresa Catharina de Góes Campos
1) O olhar do cinema transforma a vida de quem olha a tela.
2) O som do filme inspira os ouvidos ao se escutar o cinema.
3) Na companhia das imagens vivi, revivi a vida dos personagens na tela.
4) Pulsações invisíveis senti como ondas cerebrais nascidas e alimentadas no cinema.
5) A alma vibrou com a trilha sonora: o coração cantou.
6) Sombras e luzes invadiram com imagens meu coração hospitaleiro.
7) A tela do cinema falou com imagens ao coração aberto.
8) Tudo vibrou. Nada foi tocado. Quase tudo falou...
9) Individual e coletivo, de longe e tão perto... eis o cinema.
10) O silêncio gritou naquele filme distante, iluminando a tela.
11) A lágrima das palavras banhou as imagens impressas na película.
12) Vestidas de cores, imagens encontraram sombras e luzes do cinema.
13) Projeção do filme na tela... coração soltando a voz, reescrevendo o roteiro.
14) Fotogramas,ecos de imagens unidas às trilhas de som reverberando na mente.
15) O percurso das lágrimas começa nos fotogramas, continua na alma.
16) Filmes podem não envelhecer. Nós, envelhecemos.
17) Não amei aquele filme porque me perturbou ou foi meu silêncio interior?
18) Quem gritou? O filme? Eu? Os sons? Foram as cadeiras vazias?
19) O projecionista abandonou o filme... a imagem se perdeu, o som virou silêncio.
20) O cinema não me trouxe os sonhos que eu pedi? Ou meu espírito se calou?
21) O amor, no filme, sorriu para mim... agora é fonte a cantar!
22) Percebi com gratidão: ao se comunicar com a tela meu coração se multiplicou.
23) Recebi o filme no espírito preparado para amar a mensagem.
24) Meu coração transitório guarda e partilha o olhar permanente do cinema.
25) A fonte da juventude, que não existe, o cinema descobriu.
26) O silêncio dos filmes ecoa... porque vibra com imagens e sons.
27) Cerejeiras floridas tagarelando ao vento perfumaram a platéia.
28) Viagens à volta do mundo: ousadas na tela, sem data para terminar.
29) O que eu não vivi o cinema mostrou e o mundo viu...
30) Imóvel e dinâmico, silencioso e falante, viva o cinema peregrino!
31) No espelho de tantas cores, e de muitos sons, o cinema refletiu a vida.
32) Riu tanto no cinema! Desmarcou a consulta com o psiquiatra.
33) O que ninguém confessou o cinema revelou sem hesitação nem pudor.
34) Tudo ficou mais fácil e bem mais difícil quando o filme terminou...
35) Não foi beijada... mas saiu do cinema como se tivesse sido...
36) Parado no tempo, dinâmico e veloz, o cinema continua e recomeça.
37) Terminada a refeição, foram todos ao cinema alimentar o espírito.
38) De tanto chorar no cinema chegou em casa esperançosa.
39) Se o filme é rebobinado, por que desistir de recomeçar a vida?
40) Se o filme tem edição, por que se recusar a reeditar sua vida?
41) Achou o filme confuso, perturbador. Saiu. Lá fora estava pior...
42) Olhou e não viu. O cinema viu e registrou!
43) Viu no cinema. Contou lá fora. Gostou ainda mais.
44) Sozinho não se faz cinema nem se vive a vida.
45) De meus queridos pais recebi, com seu exemplo, o cinema de presente.
São Paulo, 29 de maio de 2008.
OS FAVORITOS
DE TEREZA LÚCIA
From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2008/6/1
Subject: Re: HAICAIS DE HOMENAGEM AO CINEMA
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresita:
Opinião de leitora:
Eis os meus haikais favoritos:
5,6,7,8 - 10 - 13 - 14 - 15
18, 21, 25, 27 - 32 - 33 - 34 - 38 - 39.
Para mim, foram os que tiveram melhor ritmo e eloqüência.
Grata por compartilhar.
Com carinho,
Tereza Lúcia
ASSOCIAÇÃO
DOS SENTIDOS
From:
adfalcao
Date: 2008/7/24
Subject: Re:Eis os meus indisciplinados HAICAIS DE HOMENAGEM
AO CINEMA - Theresa Catharina
To: "theresa.files"
Theresa, como podia esperar, você encontrou nova forma para
demonstrar sua sensibilidade , bastante conhecida por todos.
Essa impressão que transmito é absolutamente sincera. Não
sei jogar confeti. Quando não me agrada um trabalho que
recebo, penso um jeito de estimular o/a autor/a e, em
contrapartida, emitir "meu parecer". Com certeza você irá
publicá-los em breve. Do que mais gostei foi da associação
dos sentidos, presente em todos os hai-cais.
Abraços Ana
From: Theresa
Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/3
Subject: Muitíssimo obrigada por suas observações, sobre as
quais direi o seguinte Re: (talvez você nem perceba a
diferença, mas fiz várias modificações) HAICAIS DE HOMENAGEM
AO CINEMA - Theresa Catharina
To: Ana Falcao
Amiga Ana:
Gostei imensamente de suas inteligentes observações, sobre
as quais direi o seguinte:
a) A palavra retina é excelente, jamais me pareceu lugar
comum.
b) Nós, envelhecemos - escrevi assim conscientemente,
também, como você, não considerando que estaria
incorretamente separando o sujeito do predicado. Minha
leitura para escrever o verso (buscando a redução necessária
ao haicai), foi "Quanto a nós, sim, nós envelhecemos."
Portanto, eu me apoiei nas chamadas licenças poéticas,
reduzindo o verso, omitindo palavras que eu esperava ser
subentendidas, embora eu não concorde que tudo seja
permitido no reino da poesia.
c) Com referência ao haicai que numerei 18, escrevi
propositalmente numa linguagem de fábula, personificando os
objetos, para envolver "os participantes", os personagens
animados e inanimados no que eu classificaria de "jogo
aberto, não-fechado para uma resposta única", tanto o ser
humano espectador, com a sua responsabilidade de pessoa,
assim como as coisas, os objetos encontrados numa sala de
cinema.
Concluindo, ouso afirmar que o problema e ao mesmo tempo o
desafio e a superação ao se escrever haicais parecem estar
nesse limite criativo - obrigar-se a expressar uma idéia
completa em três pequenos versos, com o mínimo possível de
sílabas.
Muitíssimo obrigada por seus valiosos comentários (para mim,
os adjetivos também são fundamentais, como fruto de análise
e conclusão).
Abraços de
Theresa Catharina
Em 03/07/08,
Ana Falcão escreveu:
Theresa,
sempre penso em sua sensibilidade ao ler os hai-cais que me
envia. Você não acredita que pensei na palavra "retina", não
sei se você gosta dela ou se é lugar comum.
No número 16, encontro uma vírgula que venho pesquisando ao
longo dos anos. Considero-a correta. Não penso que separe o
sujeito do predicado. Penso que se trata de uma "topicalização",
como menciona a Professora Eunice Pontes. Para mim, seria um
destaque, o equivalente a "quanto a..... ". Em francês,
seria "Le Brésil, ce n'est pas un pays sérieux. "Em
português, "O Brasil, não é uma país sério." Veja que não
temos recurso para expressar a paradinha na leitura. Talvez
reticências: "O Brasil...não é um país sério" . No hai-cai,
as reticências quebrariam o ritmo.
No 18, tomo a liberdade de comentar que "quem" se refere a
pessoas. Claro, também posso pensar que há uma
personificação de "cadeira" e de "sons".
Esses comentários em nada desmerecem seu excelente texto
poético. Ao contrário, resultaram de uma leitura cuidadosa.
Abraços, Ana |
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TERNURA INSISTENTE
Os sorrisos que jamais esbocei apagaram o brilho de meus olhos. A ternura que não retive dentro de mim superou todos os obstáculos e, vencendo o medo, mostrou-se mais forte que a neve. Ternura insistente, ternura vencedora!
Theresa Catharina de Góes Campos Paris, França, setembro de 1960.
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A ESTRELA-GUIA DO PEREGRINO
Meu amigo me disse: - "Proibi meus olhos de serem estrelas, pois não conheço ninguém suficientemente puro para olhar as estrelas."
Como ignorar que os homens precisam desesperadamente de olhos-estrelas? Procuram, como peregrinos, sorrisos que sejam como estrelas em toda parte... Acredito que é melhor termos olhos e sorrisos brilhando como estrelas e lareiras do que, um dia, termos a revelação de que alguém procurava por eles e morreu sem experimentar a bênção de encontrá-los.
Um dia, o amor virá... E assim como a primavera desenterra as flores e desperta as sementes escondidas, soprará vida em nossos corações. Um dia, o amor virá, justificando a espera, amadurecendo o coração.
Preparemo-nos: Um dia, o amor virá...
Conheço um peregrino que atravessou muitas vezes o mesmo deserto, tão sedentos de fontes e árvores, tão ansioso pelo toque humano; sufocado pelo calor e pelas tempestades que dobravam seu corpo até o solo, deixando seu espírito abatido. Sedento, faminto, sedento de calor humano. Com os pés sangrando, banhado em suor e, no peito, a ânsia de lágrimas reprimidas. Em meio à tempestade, o peregrino SONHOU com a noite, vislumbrando sua estrela-guia. A areia e o vento perturbaram a visão do peregrino, mas não venceram a sua fé; sentiu o frio, pressentiu a escuridão; aguardou, tranqüilo, as estrelas...
Theresa Catharina de Góes Campos Toronto, Ontário, Canadá – julho de 1971.
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AS MÃOS PRISIONEIRAS
As mãos que eu libertei do coração perderam a razão de seus movimentos.
E as mãos supostamente livres tornaram-se prisioneiras do desamor.
Theresa Catharina de Góes Campos Natal, RN, junho de 1971.
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O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO
Imitemos o poeta com sua coragem para amar. Viu as crianças ignorarem as estrelas e darem atenção às pedrinhas do jardim; contemplou, entristecido, quando esmagaram uma pequena flor silvestre. O poeta compôs versos para a estrela que ainda não surgira e correu para proteger com suas mãos trêmulas outras florzinhas que o vento ameaçava afugentar. O poeta ama as folhas verdes e cultiva seus sonhos mais impossíveis. Ele acolhe a dor do amor porque sabe que, atrás do sofrimento, estão os versos de seus poemas. O sofrimento é um mistério que o poeta respeita.
Theresa Catharina de Góes Campos Algonquin Park, Ontário, Canadá, 08/09/1972.
(A seguir, a versão original deste poema, em inglês)
SUFFERING IS A MYSTERY...
Emulate the poet with his courage to love. He saw children ignore the stars and give attention to tiny rocks in the garden; he was there, so sad, when they smashed a little wild flower. The poet wrote verses for the star which was still to show up and he ran to protect with his shaky hands other little flowers the wind threatened to blow away. The poet loves the green leaves and cultivates his most impossible dreams. He welcomes the pain of love because he knows that, behind suffering, he will find his poetry. Suffering is a mystery the poet respects.
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CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO...
Um sorriso não pode ser guardado... nem mesmo no coração. Sorriso é para ser dado.
Coração-depósito seria coração morto. Sorriso retido seria lágrima escondida.
Sorriso é para ser ofertado!
Theresa Catharina de Góes Campos
From:
Faustino Vicente
Date: 2009/2/28
Subject: RES: CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Dra. Theresa Catharina de Góes Campos:
Parabéns.Grato pelas suas (sempre) bem-vindas mensagens.
Ótimo fim de semana.
Faustino
From:
artemis coelho
Date: 2009/3/1
Subject: RE: CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Acho que teu poema combina com meu pensamento:
Amor que não se manifesta é como um tesouro no fundo
mar; nem os peixes dele se alimentam...
Artemis
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ELE DEU ROSAS AO MUNDO
O objetivo único da beleza é criar amor... Nossas lágrimas apagarão nosso caminho para que nossos filhos construam as pontes que idealizaram. Temos medo, porém, até de amar: somos por demais orgulhosos para pedir, fracos demais para tentar. Por que lutamos às cegas contra nossos melhores sentimentos e nossas tendências mais generosas? Por que choramos quando o amor chega? Por que expulsamos a verdade com tanto rigor e tanta constância? Por que deixamos o amor esperando? Por que negligenciamos a justiça?
Algumas pessoas nunca se humanizam, nunca aprendem a ternura, nunca ofertam flores. Alguns, nunca chegam a amar. As rosas florescem para dar alegria a um pedaço de terra que elas transformam em jardim. Florescem para ofertar o seu perfume.
Embora nenhuma rosa seja eterna, a memória de um gesto de amor pode ficar para sempre em nossa memória.
Deus ofertou rosas ao mundo para que homens e mulheres aprendessem, pelo Seu exemplo, a alegria de DAR.
Theresa Catharina de Góes Campos Belém, Pará, 24/10/1970
Versão para o inglês:
HE GAVE ROSES TO THE WORLD
The only purpose for beauty is to create love… Our tears will wash our path away so that our children will build the bridges they dreamed. Though we are afraid of loving: we are too proud to ask, to weak even to give it a try. Why do we fight like a blind against our best feelings and our most generous trends? Why do we weep when love comes? Why do we throw truth away? In such a harsh way and so persistently? Why do we leave love waiting? Why do we neglect justice?
Some people never get to be human, never learn tenderness, never give flowers. Some never get to love. Roses bloom to give joy to a piece of land they change into a garden. They bloom to give perfume. though no rose is forever, the memory of a gesture, if a gesture of love, lives forever in our memory.
God gave roses to the world so men and women would learn, by His example, the joy of GIVING.
Theresa Catharina de Góes Campos Belém - Pará, 24/10/1970
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AS MÃOS VESTIDAS DE RUGAS
(poema inspirado no curta-metragem de Nirton Venâncio: "Um
Cotidiano Perdido no Tempo" – Brasil, 1988)
A cabeça enluarada em fios de prata e as mãos vestidas de rugas, mais que nunca, precisam ser amadas.
O rosto sulcado de rugas hoje espera, ansioso, nossos beijos tardios. A vista fraca não ousa confessar mas precisa de nossa visão irrequieta. O andar trêmulo do coração inquieto aguarda, silencioso, o apoio de nosso braço jovem.
Os dias longos e as noites curtas são espaços abertos para nós que, apressados, desperdiçamos as horas sem sentir que a nossa pressa é tão vã quanto as nossas vaidades... e pouco sábia! Imaturos, esquecemos de beijar os lábios deformados por gengivas sem dentes...
Mãos trajadas de rugas preparam uma acolhida calorosa para os beijos dos que virão fazer a visita sempre esperada. Cheguemos antes das mãos vestidas de rugas adormecerem...
Theresa Catharina de Góes Campos Brasília, DF - 24/07/1989.
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NOVOS HAICAIS PARA O CINEMA
I
Brigaram demais antes do filme que os reconciliou.
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II
Ninguém se entendia porque todos discordavam do filme provocador.
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III
A criançada só não jogou pipoca na tela porque estava fora do alcance.
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IV
Atentos aos celulares, leram mensagens pessoais e não viram o filme.
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V
Conversaram sem parar até o filme terminar. Por que foram ao cinema?
------ VI
Entraram bem atrasados, saíram antes dos créditos finais - como opinar sobre o filme?
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VII
No fim da sessão, de coração iluminado,
pisamos a sujeira no chão.
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VIII
O mundo esqueceu. A imprensa também. O cinema voltou a denunciar.
------- IX
O cinema, rotina na minha vida, também celebra meus aniversários.
------- X
Ah, que alegria, encontrar os amigos nas idas ao cinema!
Theresa Catharina de Góes Campos São Paulo, 1º de junho de 2008
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