ÍNDICE POESIAS

O Último Julgamento

My friend's house


Didática para a vida

A Vida é Comunicação

A Salvação pelo Amor

Café La Película

Menos é mais...

A Lição do Caçador de Andróides

Criatividade do Coração

Ser Amigo é ser Jardineiro

O Mergulho do Coração

 
NAVEGAÇÃO
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PARA PERMITIR UMA MELHOR VISUALIZAÇÃO, AS POESIAS FORAM ORDENADAS EM PÁGINAS. CLIQUE PARA NAVEGAR
 

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O ÚLTIMO JULGAMENTO
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O ÚLTIMO JULGAMENTO

Não deixe que observações maldosas
perturbem seu coração delicado.
O único julgamento que realmente importa
é o Último.

Todos serão julgados com eqüidade,
a justiça será feita a todos,
pacíficos e violentos,
insensíveis e misericordiosos,
mentirosos e pessoas sinceras.

Não deixe que comentários ferinos
destruam sua bondade.
Não deixe o Mal vencer:
mantenha a sua maneira firme e gentil,
não endureça seu coração!

Para o Último Julgamento,
advogados não serão necessários.
Ninguém precisará fazer discursos;
não haverá apelações;
nem falsos testemunhos.
Nem fraudes, nem mentiras,
nem condenação de inocentes,
nem liberdade para os culpados,
no dia do Último Julgamento.

Pobres e ricos serão julgados
somente por suas ações,
pois dinheiro e poder
nada significam
para o Mais Alto Juiz.

O inocente, o sem voz
não precisam temer.
O oprimido será libertado
no dia do Último Julgamento.

Catherine Doherty falou tão bem:
"É pela sua caridade, isto é, pelo seu amor,
que você e todos os demais
serão julgados."

Continue lutando,
mas não endureça o seu coração!
Mantenha vivo o seu espírito
para o dia do Último Julgamento.

Não se esqueça de que seremos julgados
pela medida de nosso amor!

Theresa Catharina de Góes Campos
(in: Escritores Brasileiros - I Rio de Janeiro, Crisalis Editora, 1986)

 

 
MY FRIEND'S HOUSE
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MY FRIEND'S HOUSE

(a birthday gift to my friend Miriam Ebeltoft )

Theresa Catharina de Góes Campos


Out of thousands, there it is:
MY FRIEND´S HOUSE.
It is the largest I know
(I feel like it is...),
the most beautiful
and well decorated,
the best of all!


Yes, it seems to me...
it is the biggest in the whole city...
Never mind what the legal papers say
about its size.
I tell the world, with all my heart:
she has a lovely house,
small only to fit in my heart,
big enough to fill my hands,
to warm my arms
with its endless abundance.


Whoever comes to the tree
pointing friendly to the door -
the most inviting and welcoming entrance -
my friend leads to the warmest place:
one where the heat does not come from
the furnace or the kitchen stove.
It is warmed by the welcoming heart
and the busy hands.
It is heated by the listening soul
and the sincere smile.


There, christianism shows up
not in words
but in the practice of hospitality
(a forgotten skill, nowadays).


There, no one ever feels lonely or neglected,
no one feels small or worthless,
no one leaves still in need.


It is such a blessing
to be with a friend!


Once, at the kitchen window sill,
a clay pot was holding two violet leaves.
Just two tiny leaves...
(a gift from a common friend)
hoping for more company.


Soon, a miracle would happen...
a violet bloomed
to greet every visitor
with its message of quiet determination
(fragility is strong after all!).
A special violet to be owned
by a very important person
in her very special home.


A house shining in the darkness
through its " kind thoughts " windows
and welcoming open doors.


A house so special
it inspires poems to be sung
from family generation to generation.
A place where time is a daily gift
to share,
not an individual possession where to hide
in order to avoid giving or sharing.


My friend´s house combines
the best of everything:
it is old fashioned and modern,
both styles at the same time.


A home so reassuring
as a lullaby,
so relaxing as a fireplace
someone lit just for you!


Beautiful as music and silence,
my friend´s house bears sweet remembrances
like the rainbow;
it spreads joy and hope,
it harbors moments of kindness.


Who can afford to forget a favor?
And kind gestures, words and thoughts?
No one can! Nor should...


A friend´s house is more than a home
or a shelter or harbor.
It is a true oasis,
a lighthouse of christian charity.


Ottawa - Ontario, Canada, 1981.
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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2008/12/26
Subject: Re: Amiga Vera (Profa. Vera Lúcia Farias Corrêa Teixeira):
sempre achei que este poema, MY FRIEND´S HOUSE, escrito no Canadá, se
aplicaria também àquelas visitas que eu fazia a você, em sua casa aqui
em Brasília, tão agradável!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Parabéns, Theresa Catharina:

Você escreve muito bem, tanto em português como em inglês. É uma
qualidade inata só de você, que consegue expressar em palavras todos
os seus pensamentos, sentimentos e bondades. Luci

Jornalismo com ética e solidariedade.

 
DIDÁTICA PARA A VIDA
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DIDÁTICA PARA A VIDA


Na sala de encontro regular
O mestre recebeu, sorridente,
com responsabilidade e princípios,
Alunos relutantes, ávidos ou indiferentes.
Da TROCA DE INFORMAÇÕES
E do cumprimento das obrigações,
A EDUCAÇÃO se processou
Como um ato de ESTUDAR,
PENSAR e QUESTIONAR
De acordo com os parâmetros criativos
Envolvendo estudantes e professores.


Da junção de experiências,
Da exposição de IDÉIAS
E na prática de IDEAIS,
O ensino se desenvolveu
Como instrumento de VIDA
E COOPERAÇÃO
Entre os cidadãos do mundo.


Se nem todas as perguntas foram respondidas
E nem todas as respostas chegaram a ser formuladas,
Ficou a vitória da BUSCA em comum,
E o SUCESSO DO QUESTIONAMENTO SINCERO,
Bem como a CERTEZA DA NECESSIDADE DE APRENDER.


Entre as dificuldades, os desacertos e problemas
Encontrava-se igualmente o êxito do esforço concentrado.
Entre as dúvidas e os desenganos e os desalentos,
Também se encontrava a DETERMINAÇÃO DE PENSAR
O conhecimento individual e coletivamente VIVENCIADO;
E o ENCONTRO COM DEUS através da AMIZADE.


No cumprimento da missão de cada um,
Houve empenho, criatividade e conscientização:
E a educação libertadora se concretizou
Na mente e no coração de estudantes e professores.


Sabemos que não se trata de decorar ou repetir,
Mas sim, de aprender ATITUDES e COMPROMISSOS
De reflexão crítica e CONSCIENTIZAÇÃO.


O que importa é construir os FUNDAMENTOS
Para a CORAGEM DE TODOS OS DIAS,
A DETERMINAÇÃO diante de todos os problemas,
O ENTUSIASMO e a ESPERANÇA SEMPRE RENOVADOS,
A despeito do vazio e das desilusões,


Dos sofrimentos imerecidos,
Das injustiças inesperadas
Ou dores há muito latejando;
A despeito de tudo, apesar de tudo!


Jogados na sala de aula permanente
Que é o dia-a-dia de nossa existência-laboratório,
Felizes somos quando podemos aplicar
neste laboratório flutuante,
em constante mutação,
os conhecimentos trazidos das salas
de encontros regulares com nossos mestres.
Da riqueza do intercâmbio estudante-professor
talvez dependa o sucesso das alternativas e opções
que nos ajudarão a realizar nosso potencial
e construir uma SOCIEDADE VITORIOSA
PORQUE SOLIDÁRIA!
Theresa Catharina de Góes Campos
(In: Literatura Brasileira -RJ, Shogun Arte, 1987)

 
OS QUE SOFREM PRECISAM DE ESTRELAS
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OS QUE SOFREM PRECISAM DE ESTRELAS

 

de THERESA CATHARINA de Góes Campos
In: Antologia de Poetas de Brasília - Rio de Janeiro, Shogun Editora, 1985

 

Porque seus olhos nada mais viam,
A jovem guiou-lhe os passos.
Porque seus braços estavam cansados,
Ela lhe estendeu a mão.
Porque ele não queria mais sorrir,
Ela lhe ofertou sua alegria.


As suas chagas íntimas latejavam,
Tornando-o alheio, impenetrável, sozinho.
As mágoas da moça já cicatrizadas estavam.


Quando o sol se pôs, ele chorou.
E quis imitar a fúria das ondas.
Ela repetiu a palavra ternura
E, no céu, o brilho dos astros mostrou.


Ah, se as dores se unissem,
O sofrimento seria dividido.
Se as pequeninas alegrias
Fossem colocadas no altar comum
Da vida que a todos une,
Nenhum desespero (nenhuma angústia!)
Seria o vencedor da esperança.

 
A VIDA É COMUNICAÇÃO
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A VIDA É COMUNICAÇÃO!

 

de Theresa Catharina de Góes Campos
In: Nossa Poesia Brasileira- Rio de Janeiro, Shogun Editora, 1986

 

A comunicação interessa a todos nós,
pois não é monopólio de ninguém.

Sou eu e você
e todos nós.

Se é verdade que a vida é comunicação,
então você é a minha comunicação com o mundo.

O amor nasce da comunicação.
Sim, precisa haver comunicação primeiro.

Se existe carinho,
ternura e paciência,
ali está a comunicação do amor.

Ah, se todos os gestos e todas as palavras
fossem comunicação...
a solidão não existiria.

Somente quando os gestos e as palavras
transmitem sua mensagem
é que se transformam em comunicação.

Embora seja verdade que a comunicação
é como um toque mágico,
nem todo ato de tocar é comunicação.

Nem toda forma de comunicação é amor,
mas o amor é sempre comunicação.

O amor é uma centelha e um processo contínuo
num sistema de vasos comunicantes.

Sem sentimentos, não há amor;
sem amor, não existe alegria de viver -
porque vida é comunicação!

Vamos acolher o amor em nossa vida
para que tenhamos ternura em abundância,
para que a solidão desapareça
e não mais confunda nosso coração inquieto
ou nos petrifique a capacidade de sentir.

Com o amor verdadeiro,conquistamos a paz -
e só então gozamos o dom da vida.

Amor é confiança -
quando não há amor,
a ansiedade se apodera de nossa paz e
o amor tem dia marcado para desaparecer
sem deixar vestígio.

Amor é valorização do ser amado
e também é dizer ao mundo que se ama.

Como a vida é amor
e o amor é comunicação,
aprendamos a amar -
o único aprendizado essencial!

 
A SALVAÇÃO PELO AMOR
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A SALVAÇÃO PELO AMOR


Conheço muitos que vivem nos desertos
Criados pela sua própria aridez interior.
Poucos sabem
Que, nos desertos,
Sob o que parece areia
De um oceano vazio,
Existe um mundo adormecido
De flores escondidas,
Submersas, latentes,
Germinando como sonhos e promessas.


Há um universo de fontes,
Oásis reais e imaginários.
Poucos sabem que o cáctus,
Se procurado
E tocado
Pelo viajante sedento,
Transforma-se, num passe de mágica,
Em poço e fruto.
Peregrinos desiludidos
Abandonaram seus ideais
Na areia escaldante.
Nos sepulcros de seus olhos cansados,
As lágrimas já secaram.
Mas o coração, obstinado,
Ainda procura flores, lagos e fontes,
Buscando superar a angústia da solidão.
No deserto, nas cidades ou no campo,
Deixe o amor chegar e tomar posse.
O mundo parece prestes a explodir de tanto sofrimento!
Mas onde o amor chega,
Alivia a dor mais pungente;
E, do sofrimento,
Desabrocham violetas e miosótis.
São presentes divinos - 
Uma dádiva primaveril
A romper o inverno dos corações.
NÃO TENHA MEDO:
VÁ SEMEANDO AMOR e
DEIXE O CORAÇÃO FLORESCER...
 

Theresa Catharina de Góes Campos
(In: Escritores Brasileiros – II – RJ, Crisalis Editora, 1986)

 
CAFÉ LÁ PELÍCULA
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CAFÉ LA PELÍCULA

I

Ler, comer, viver...
A oportunidade de confraternizar.

Peça antes e depois dos filmes;
E não ficará decepcionado.
Livros, revistas acompanharão seu lazer...
Intercâmbio de idéias e sonhos
Com visão internacional
Unida à estética das imagens.
Ler, ver, conversar:
A oportunidade de confraternizar!

II

Leve é o cardápio, tão original,
A nos levar à memória.

Ponto de encontro
Entre muitos conhecidos;
Livre debate,
Intercâmbio de idéias
Com visão
Universal;
Livros acessíveis;
Amigos a confraternizar!

III

Lá/aqui, no Cine Brasília,
A alegria especial de um

Ponto de
Encontro:
Livre debate,
Intercâmbio de idéias
Com olhar/mente
Universais;
Livros a escolher e
Amigos a rever!

 

Brasília, 24 de maio de 1997
Theresa Catharina

 
MENOS É MAIS...
 
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"Menos é mais..."
Theresa Catharina de Góes Campos


Porque andar, nadar contra a correnteza é minha bússola.

Porque às vezes menos é mais.

"Desistir do sempre mais" é sobreviver.
Menos montanhas e desfiladeiros,
menos precipícios onipresentes.
Mais planície, mais jardins...
Até o menos de um deserto...
Pode nos oferecer o presente do...
viver é mais.

Usar menos palavras pode ser
pensar mais.
Menos esforço é mais dinâmica interior.
Porque ouvir você,
no silêncio de seu íntimo, é mais, muito mais.

Menos é mais:
menos estresse, menos exercícios,
menos tensão/pressão, menos colesterol,
menos cobrança,
MAIS escolhas pessoais,
mais tranqüilidade, mais reflexão,
mais saúde!


Uma semana com menos dias de trabalho,
Um dia com menos horas de esforço
É mais relaxamento,
para enfrentar melhor o dia seguinte,
para reunir mais energia e
desafiar a semana seguinte.

Um dia de menos lutas,
para mais horas de sono e sonhos,
para um despertar também para os sonhos,
é viver mais, muito mais.

Porque temos mais sede e fome de sonhos,
menos covardia e mais ousadia
do que acreditávamos ter!

E até no menos podemos realizar mais,
se mantivermos a respiração mínima para sobreviver.

Mas para fazer do menos
o nosso mais,
é preciso mais sonho e mais lazer,
ainda que vivamos um processo criativo...
porque até Deus, nosso Criador, escolheu
descansar no sétimo dia!

São Paulo, 08 de julho de 2005

 
A LIÇÃO DO CAÇADOR DE ANDRÓIDES
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A LIÇÃO do CAÇADOR DE ANDRÓIDES
Poema inspirado no filme "Blade Runner “- uma fábula para o século XXI, um filme para pessoas inteligentes e responsáveis.


As imagens, os sons e as palavras do cinema-fábula,
lenda e saga futurista,
cintilante de beleza plástica e filosófica
provocaram uma reflexão crítica
sobre a vida: ontem, hoje e amanhã.
Com ação e suspense de conto policial,
este filme especialíssimo narrou uma história de amor
cintilante de sentimento e emoção.
No labirinto mágico do coração-mundo,
nas sombras das luzes diurnas da cidade-universo
e no mistério de suas perguntas essenciais
sobre a razão e o destino da existência humana,
embora reprimido, rejeitado e amedrontado,
o amor se impôs finalmente...
derrubando a frieza e a desilusão,
a desmotivação e o desinteresse,
o choro escondido, o terror disfarçado,
o amor se impôs...
abriu os lábios, os braços, as mãos;
juntou os olhos, uniu os corpos, humanizou, SALVOU.
A melodia inebriante do sentimento
dobrou a força esmagadora
e sacudiu as ilusões do progresso amoralmente cego.
O amor destruiu a teia do desencanto,
enfrentou as dúvidas e o desconhecido.
Perturbador, inquietante e envolvente,
o amor se impôs...
atingindo as camadas mais profundas da alma em coma;
identificando e diferenciando, movendo, transformando,
o amor se impôs...
e resgatou os sentimentos aprisionados.
O mundo tenebroso, artificial e violento
deixou de ser aceitável, pois o amor o rejeitou.
Num contexto aterrador, o amor contestou...
e venceu. Ressuscitou. Calou a descrença.
Como evento extraordinário e redentor,
o amor resgatou da inércia e da solidão,
transformando a existência deprimente, restritiva,
sem horizonte,
em paisagem libertadora
onde reina a esperança das árvores
e a promessa do espaço azul, infinito,
acima das montanhas mais inacessíveis.
Amando e confiando,
somos capazes de enfrentar as perguntas
que antes não ousávamos formular,
mas que devem ser colocadas diante de nós,
seres humanos e, portanto, capazes
de perguntar, escolher e AMAR.
E nos momentos decisivos,
transfiguradores de nossa existência,
os sentimentos se revelam
com tal poder e sinceridade
que a coragem nos envolve,
nos fortalece e
nos faz caminhar com decisão.
Convictos, confiantes no amor,
ILUMINADOS E TRANSFIGURADOS POR SUA CHAMA,
frágeis e fortes, trêmulos e fortalecidos,
empreendemos uma caçada ao íntimo de nós mesmos
e, procurando conhecer o nosso espírito,
e buscando compreender o próximo
(ouvindo, também, o seu coração...),
em toda a dimensão sombra-luz do ser humano,
chegamos, afinal, a entender,
à luz da reflexão,
a diferença fundamental
entre andróide e pessoa humana:
o amor é, antes de tudo, um ato de fé e coragem.

Brasília, 13 de junho de 1997
Theresa Catharina de Góes Campos
Departamento de Fundamentos
Faculdade AEUDF

 

CRIATIVIDADE DO CORAÇÃO
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CRIATIVIDADE DO CORAÇÃO

 

O coração

tem mãos invisíveis,

mas muito criadoras.

 

Theresa Catharina de Góes Campos

Salvador, Bahia, 1953.

 

SER AMIGO É SER JARDINEIRO
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SER AMIGO É SER JARDINEIRO

 

(poema inspirado no filme "The Spanish Gardener" – 1956, Inglaterra – O Jardineiro Espanhol – de Philip Leacock)

 

O menino louro sentia a ausência da mãe,

mas rezava por ela sem desespero,

entregando-a aos cuidados do Pai Nosso.

Suas cartas tocavam seu coração de garoto,

mas não extinguiam a amargura de seu pai.

A mão do Deus criador tocou o menino louro,

triste e solitário,

através da bondade de um simples jardineiro,

que sabia cuidar bem das plantas

porque amava as pessoas.

Podava, revolvia o terreno, plantava,

e, trabalhando com satisfação,

sem preguiça e sem amargura,

sorria e fazia amigos.

O garoto perdido entre as paredes frias do

casarão

recebeu, de coração alegre,

a dádiva muito especial do jardineiro:

sua amizade de moço humilde.

O menino louro, guiado pelo jardineiro,

descobriu, com entusiasmo, o esporte;

aprendeu a pescar e a gostar do sol;

sua fragilidade transformou-se em vigor;

sua timidez e insegurança

foram substituídas pela maturidade precoce

que vem com a bênção do sofrimento

e o toque insistente da dor.

Como a erva daninha que aparece, ameaçadora,

a calúnia atacou o jardineiro,

ainda que seu jovem amigo o defendesse,

contra todas as evidências e circunstâncias,

apesar das mentiras proferidas

e das supostas provas...

A amizade acreditou na inocência

porque a amizade vê além das aparências

(muito além da superfície enganadora!)

e vai direto aos corações.

A persistência confiante da amizade

presenciou a vitória da verdade,

que libertou o jardineiro aprisionado

para que voltasse a cuidar das flores,

cultivar as amizades

e apreciar o sorriso do sol.

 

Theresa Catharina de Góes Campos

Pelotas, Rio Grande do Sul, 10 de julho de 1963.

 

O MERGULHO DO CORAÇÃO
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O MERGULHO DO CORAÇÃO

 

Poema inspirado no filme  "Le grand bleu" (The Big Blue) – "Imensidão Azul" – França,1988 –  de Luc Besson

 

Olho o mar ou dentro do meu coração?

Vejo os golfinhos ou a face de Deus?

As ilhas, para mim, são pegadas do Infinito;

não são acidentes geográficos.

As ondas não representam obstáculos:

são pontes e veredas.

A lua, às vezes, parece guiar o oceano

tão mansamente como a chuva que dança

e me dá a impressão de beijar as flores.

 

O que sinto, realmente, quando olho o mar?

O que vejo, na verdade, quando brinco

e nado em companhia dos golfinhos?

O que consigo atingir,

em termos de minha dimensão humana,

quando admiro o oceano

e vou até o seu íntimo mais desconhecido?

 

O silêncio do mar é canto de sereia?

As vozes dos golfinhos compõem

o meu silêncio interior?

Aqueles a quem amo me fazem falta

em cada segundo de alegria ou dor.

A pérola escondida que os mergulhadores

procuram com risco de vida

é o amor secreto que meu coração

tenta proteger, desajeitadamente.

Por que arriscar tudo, com tanto esforço,

por aquilo que não sabemos expressar

em palavras ou medir?!

Que visão chega a meu coração

quando sinto o oceano me envolver

nas mil e uma tonalidades de verde e azul?

Toco o limiar de um mistério,

a fronteira de um enigma

que é meu tesouro desde a infância

porque me desafia sem cessar

impresso em todos os anos de minha vida

como o prelúdio do futuro que não vejo

apesar de tocá-lo... no fundo do mar.

Um prefácio para um grande amor?

Ninguém responde... mas eu pergunto

sem jamais me fatigar!

Somente eu sei

que guardo, nas paredes de meu coração,

a pérola conquistada em todos os mergulhos

na busca incessante do sentido para a vida;

vale mais que todos os troféus...

A minha pérola é como estrela-guia

a multiplicar os sonhos adormecidos

que não ouso cantar em voz alta.

A visão dos golfinhos brincalhões

que não conhecem a inveja

nem se envolvem em competições

me faz vislumbrar um mundo diferente:

mais belo porque mais natural;

mais acolhedor porque sem desconfiança;

hospitaleiro, apesar da escuridão...

Guiada pelos golfinhos,

vejo através do que parece névoa;

em terra firme, sinto-me cega

porque insegura

quanto aos sentimentos e aos motivos

dos que me cercam,

me apressam, e me pressionam,

querendo me conduzir

aonde meu coração pode morrer...

 

As águas coloridas fluem,

curam e cantarolam

canções de fontes múltiplas;

aqui, minhas mãos sabem acariciar

porque são recebidas sem reservas;

aqui, tenho segurança para amar

porque acreditam em mim.

 

            Nesta IMENSIDÃO AZUL,

            não sou invasora, nem conquistadora:

            sou IRMÃ , Amiga e Companheira

            no Reino de Deus;

            nas mil e uma tonalidades de azul,

            não entro em conflitos;

            me harmonizo com a natureza

            da qual faço parte...

 

Nesta imensidão azul,

a pérola que conquistei

tornou-se facho de luz

nas ruas silenciosas

e não invadidas

de meu coração.

 

            A imensidão azul

            me fez perseguir sem descanso

            a face resplandescente do Amor.

 

Não mais experimento o medo

de viver com a minha solidão;

não mais receio perder o rumo;

aqui, o amor não me assusta...

 

            O mergulho do coração é o mais perigoso...

            porque nas profundidades desconhecidas

de si mesmo.

Aceito os desafios do oceano

ou mergulho nas mãos de Deus?

                        Quando mergulho, inebriado,

            quais as distâncias que supero?

            Abandono-me à imensidão azul

            ou persigo a face do Amor?

            As vozes dos golfinhos

                        se comunicam com o meu silêncio?

                        Olho o mar ou dentro do meu coração?

            Vejo os golfinhos ou a face de Deus?

 

                        Estou apenas mergulhando

                        ou me lançando, confiante,

            nas mãos amorosas de meu Criador?

 

Theresa Catharina de Góes Campos

 

Brasília, 13 de julho de 1989.


From: REYNALDO FERREIRA
Date: 03/04/2008 12:52
O MERGULHO DO CORAÇÃO - Theresa Catharina de Góes Campos


Prezada Theresa Catharina, Lembro-me bem o quanto você gostou do filme de Luc Besson!... O poema corresponde ao seu encantamento pelo filme. De certa feita, vimos a película na Embaixada da França. Valeria a pena montar um diaporama com a imensidão do mar e seus versos sobrepostos sobre as imagens. Obrigado pela mensagem. Abraços, Reynaldo


O FILME "Imensidão Azul" FOI UM DIVISOR DE ÁGUAS EM MINHA VIDA

From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 10/04/2008 16:02
Não foi apenas encantamento o que senti com o filme Imensidão Azul.
To: REYNALDO FERREIRA


Amigo Reynaldo:

A seguir, o texto que eu não ousei escrever antes. Aliás, sinto-me assim, com pudor, em relação aos poemas de minha autoria, muito pessoais, íntimos, reveladores.
Abraços cordiais e a estima de
Theresa Catharina
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O FILME "IMENSIDÃO AZUL" FOI UM DIVISOR DE ÁGUAS EM MINHA VIDA

Não foi apenas encantamento o que senti ao assistir tantas vezes ao filme de Luc Besson.

"Imensidão Azul" representou um divisor de águas na minha vida!

Aprendi a me aceitar, a conviver comigo 24 horas, sem deixar que as rejeições, as maldades e as indeferenças encontradas no mundo me impedissem de me apreciar e viver tudo que sou como pessoa, missão, vocação e potencialidade.

Continuei convivendo. No entanto, deixei de esperar aceitação, de aguardar retorno e até de tentar mudar a frieza, alienação e indiferença de alguns. Passei a gostar de mim, a me valorizar.

A abertura para o meu próximo continuou a existir, de minha parte, porque tal disponibilidade para os outros é um dos componentes fundamentais de minha personalidade social.

Vivo como sou. Não mudei o que sou. A grande mudança foi eu me sentir viva sem depender do próximo. Passei a ser feliz em contemplar meu íntimo, a ter orgulho de ser independente interiormente, capaz de atender às minhas necessidades, ao meu crescimento pessoal, profissional e cultural.
Percebi, então, o significado positivo da solidão: o tempo que ganhamos para ser, refletir, apreciar, elaborar decisões, planejar atitudes. Antes, eu perdia muito tempo me esforçando demais em prol dos que nem mesmo precisavam de mim... Para que tanto esforço inútil? Compreendi que eu precisava bem mais de atenção e carinho interiores. E passei a não mais me negligenciar!

Do mergulho nas imagens, nos sons e na história de "Imensidão Azul", consegui reverter a profunda tristeza que ameaçava me afogar. Emergi inteira, disposta a não repetir erros, amadurecida, revigorada, e ainda mais fiel ao que sempre fui.

Theresa Catharina
Brasília-DF, 10 de abril de 2008