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O ÚLTIMO
JULGAMENTO
Não deixe que observações maldosas perturbem seu coração delicado. O único julgamento que realmente importa é o Último.
Todos serão julgados com eqüidade, a justiça será feita a todos, pacíficos e violentos, insensíveis e misericordiosos, mentirosos e pessoas sinceras.
Não deixe que comentários ferinos destruam sua bondade. Não deixe o Mal vencer: mantenha a sua maneira firme e gentil, não endureça seu coração!
Para o Último Julgamento, advogados não serão necessários. Ninguém precisará fazer discursos; não haverá apelações; nem falsos testemunhos. Nem fraudes, nem mentiras, nem condenação de inocentes, nem liberdade para os culpados, no dia do Último Julgamento.
Pobres e ricos serão julgados somente por suas ações, pois dinheiro e poder nada significam para o Mais Alto Juiz.
O inocente, o sem voz não precisam temer. O oprimido será libertado no dia do Último Julgamento.
Catherine Doherty falou tão bem: "É pela sua caridade, isto é, pelo seu amor, que você e todos os demais serão julgados."
Continue lutando, mas não endureça o seu coração! Mantenha vivo o seu espírito para o dia do Último Julgamento.
Não se esqueça de que seremos julgados pela medida de nosso amor!
Theresa
Catharina de Góes Campos (in: Escritores Brasileiros - I Rio de Janeiro,
Crisalis Editora, 1986)
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MY FRIEND'S HOUSE
(a birthday gift to my friend Miriam Ebeltoft )
Theresa Catharina de Góes Campos
Out of thousands, there it is:
MY FRIEND´S HOUSE.
It is the largest I know
(I feel like it is...),
the most beautiful
and well decorated,
the best of all!
Yes, it seems to me...
it is the biggest in the whole city...
Never mind what the legal papers say
about its size.
I tell the world, with all my heart:
she has a lovely house,
small only to fit in my heart,
big enough to fill my hands,
to warm my arms
with its endless abundance.
Whoever comes to the tree
pointing friendly to the door -
the most inviting and welcoming entrance -
my friend leads to the warmest place:
one where the heat does not come from
the furnace or the kitchen stove.
It is warmed by the welcoming heart
and the busy hands.
It is heated by the listening soul
and the sincere smile.
There, christianism shows up
not in words
but in the practice of hospitality
(a forgotten skill, nowadays).
There, no one ever feels lonely or neglected,
no one feels small or worthless,
no one leaves still in need.
It is such a blessing
to be with a friend!
Once, at the kitchen window sill,
a clay pot was holding two violet leaves.
Just two tiny leaves...
(a gift from a common friend)
hoping for more company.
Soon, a miracle would happen...
a violet bloomed
to greet every visitor
with its message of quiet determination
(fragility is strong after all!).
A special violet to be owned
by a very important person
in her very special home.
A house shining in the darkness
through its " kind thoughts " windows
and welcoming open doors.
A house so special
it inspires poems to be sung
from family generation to generation.
A place where time is a daily gift
to share,
not an individual possession where to hide
in order to avoid giving or sharing.
My friend´s house combines
the best of everything:
it is old fashioned and modern,
both styles at the same time.
A home so reassuring
as a lullaby,
so relaxing as a fireplace
someone lit just for you!
Beautiful as music and silence,
my friend´s house bears sweet remembrances
like the rainbow;
it spreads joy and hope,
it harbors moments of kindness.
Who can afford to forget a favor?
And kind gestures, words and thoughts?
No one can! Nor should...
A friend´s house is more than a home
or a shelter or harbor.
It is a true oasis,
a lighthouse of christian charity.
Ottawa - Ontario, Canada, 1981.
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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2008/12/26
Subject: Re: Amiga Vera (Profa. Vera Lúcia Farias Corrêa
Teixeira):
sempre achei que este poema, MY FRIEND´S HOUSE, escrito
no Canadá, se
aplicaria também àquelas visitas que eu fazia a você, em
sua casa aqui
em Brasília, tão agradável!
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Parabéns, Theresa Catharina:
Você escreve muito bem, tanto em português como em
inglês. É uma
qualidade inata só de você, que consegue expressar em
palavras todos
os seus pensamentos, sentimentos e bondades. Luci
Jornalismo com ética e solidariedade.
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DIDÁTICA PARA
A VIDA
Na sala de encontro regular
O mestre recebeu, sorridente,
com responsabilidade e princípios,
Alunos relutantes, ávidos ou indiferentes.
Da TROCA DE INFORMAÇÕES
E do cumprimento das obrigações,
A EDUCAÇÃO se processou
Como um ato de ESTUDAR,
PENSAR e QUESTIONAR
De acordo com os parâmetros criativos
Envolvendo estudantes e professores.
Da junção de experiências, Da exposição de IDÉIAS E na prática de IDEAIS, O ensino se desenvolveu Como instrumento de VIDA E COOPERAÇÃO Entre os cidadãos do mundo.
Se nem todas as perguntas foram respondidas E nem todas as respostas chegaram a ser
formuladas, Ficou a vitória da BUSCA em comum, E o SUCESSO DO QUESTIONAMENTO SINCERO, Bem como a CERTEZA DA NECESSIDADE DE APRENDER.
Entre as dificuldades, os desacertos e problemas Encontrava-se igualmente o êxito do esforço
concentrado. Entre as dúvidas e os desenganos e os
desalentos, Também se encontrava a DETERMINAÇÃO DE PENSAR O conhecimento individual e coletivamente
VIVENCIADO; E o ENCONTRO COM DEUS através da AMIZADE.
No cumprimento da missão de cada um, Houve empenho, criatividade e conscientização: E a educação libertadora se concretizou Na mente e no coração de estudantes e
professores.
Sabemos que não se trata de decorar ou repetir, Mas sim, de aprender ATITUDES e COMPROMISSOS De reflexão crítica e CONSCIENTIZAÇÃO.
O que importa é construir os FUNDAMENTOS Para a CORAGEM DE TODOS OS DIAS, A DETERMINAÇÃO diante de todos os problemas, O ENTUSIASMO e a ESPERANÇA SEMPRE RENOVADOS, A despeito do vazio e das desilusões,
Dos sofrimentos imerecidos, Das injustiças inesperadas Ou dores há muito latejando; A despeito de tudo, apesar de tudo!
Jogados na sala de aula permanente Que é o dia-a-dia de nossa
existência-laboratório, Felizes somos quando podemos aplicar neste laboratório flutuante, em constante mutação, os conhecimentos trazidos das salas de encontros regulares com nossos mestres. Da riqueza do intercâmbio estudante-professor talvez dependa o sucesso das alternativas e
opções que nos ajudarão a realizar nosso potencial e construir uma SOCIEDADE VITORIOSA PORQUE SOLIDÁRIA!
Theresa Catharina de Góes Campos (In: Literatura Brasileira -RJ, Shogun Arte,
1987)
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OS QUE SOFREM
PRECISAM DE ESTRELAS
de THERESA CATHARINA
de Góes Campos In: Antologia de Poetas de Brasília - Rio de
Janeiro, Shogun Editora, 1985
Porque seus
olhos nada mais viam, A jovem guiou-lhe os passos. Porque seus braços estavam cansados, Ela lhe estendeu a mão. Porque ele não queria mais sorrir, Ela lhe ofertou sua alegria.
As suas chagas íntimas latejavam, Tornando-o alheio, impenetrável, sozinho. As mágoas da moça já cicatrizadas estavam.
Quando o sol se pôs, ele chorou. E quis imitar a fúria das ondas. Ela repetiu a palavra ternura E, no céu, o brilho dos astros mostrou.
Ah, se as dores se unissem, O sofrimento seria dividido. Se as pequeninas alegrias Fossem colocadas no altar comum Da vida que a todos une, Nenhum desespero (nenhuma angústia!) Seria o vencedor da esperança.
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A VIDA É
COMUNICAÇÃO!
de Theresa
Catharina de Góes Campos In: Nossa Poesia Brasileira- Rio de Janeiro,
Shogun Editora, 1986
A comunicação
interessa a todos nós, pois não é monopólio de ninguém.
Sou eu e você e todos nós.
Se é verdade que a vida é comunicação, então você é a minha comunicação com o mundo.
O amor nasce da comunicação. Sim, precisa haver comunicação primeiro.
Se existe carinho, ternura e paciência, ali está a comunicação do amor.
Ah, se todos os gestos e todas as palavras fossem comunicação... a solidão não existiria.
Somente quando os gestos e as palavras transmitem sua mensagem é que se transformam em comunicação.
Embora seja verdade que a comunicação é como um toque mágico, nem todo ato de tocar é comunicação.
Nem toda forma de comunicação é amor, mas o amor é sempre comunicação.
O amor é uma centelha e um processo contínuo num sistema de vasos comunicantes.
Sem sentimentos, não há amor; sem amor, não existe alegria de viver - porque vida é comunicação!
Vamos acolher o amor em nossa vida para que tenhamos ternura em abundância, para que a solidão desapareça e não mais confunda nosso coração inquieto ou nos petrifique a capacidade de sentir.
Com o amor verdadeiro,conquistamos a paz - e só então gozamos o dom da vida.
Amor é confiança - quando não há amor, a ansiedade se apodera de nossa paz e o amor tem dia marcado para desaparecer sem deixar vestígio.
Amor é valorização do ser amado e também é dizer ao mundo que se ama.
Como a vida é amor e o amor é comunicação, aprendamos a amar - o único aprendizado essencial!
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A SALVAÇÃO
PELO AMOR
Conheço muitos que vivem nos desertos Criados pela sua própria aridez interior. Poucos sabem Que, nos desertos, Sob o que parece areia De um oceano vazio, Existe um mundo adormecido De flores escondidas, Submersas, latentes, Germinando como sonhos e promessas.
Há um universo de fontes, Oásis reais e imaginários. Poucos sabem que o cáctus, Se procurado E tocado Pelo viajante sedento, Transforma-se, num passe de mágica, Em poço e fruto. Peregrinos desiludidos Abandonaram seus ideais Na areia escaldante. Nos sepulcros de seus olhos cansados, As lágrimas já secaram. Mas o coração, obstinado, Ainda procura flores, lagos e fontes, Buscando superar a angústia da solidão. No deserto, nas cidades ou no campo, Deixe o amor chegar e tomar posse. O mundo parece prestes a explodir de tanto
sofrimento! Mas onde o amor chega, Alivia a dor mais pungente; E, do sofrimento, Desabrocham violetas e miosótis. São presentes divinos - Uma dádiva primaveril A romper o inverno dos corações. NÃO TENHA MEDO: VÁ SEMEANDO AMOR e DEIXE O CORAÇÃO FLORESCER...
Theresa
Catharina de Góes Campos (In: Escritores Brasileiros – II – RJ, Crisalis
Editora, 1986)
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CAFÉ LA
PELÍCULA
I
Ler, comer, viver... A oportunidade de confraternizar.
Peça antes e depois dos filmes; E não ficará decepcionado. Livros, revistas acompanharão seu lazer... Intercâmbio de idéias e sonhos Com visão internacional Unida à estética das imagens. Ler, ver, conversar: A oportunidade de confraternizar!
II
Leve é o cardápio, tão original, A nos levar à memória.
Ponto de encontro Entre muitos conhecidos; Livre debate, Intercâmbio de idéias Com visão Universal; Livros acessíveis; Amigos a confraternizar!
III
Lá/aqui, no Cine Brasília, A alegria especial de um
Ponto de Encontro: Livre debate, Intercâmbio de idéias Com olhar/mente Universais; Livros a escolher e Amigos a rever!
Brasília, 24
de maio de 1997 Theresa Catharina
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"Menos é mais..." Theresa Catharina de Góes Campos
Porque andar, nadar contra a correnteza é minha bússola.
Porque às vezes menos é mais.
"Desistir do sempre mais" é sobreviver.
Menos montanhas e desfiladeiros, menos precipícios onipresentes.
Mais planície, mais jardins... Até o menos de um deserto...
Pode nos oferecer o presente do... viver é mais.
Usar menos palavras pode ser pensar mais.
Menos esforço é mais dinâmica interior. Porque ouvir você,
no silêncio de seu íntimo, é mais, muito mais.
Menos é mais: menos estresse, menos exercícios,
menos tensão/pressão, menos colesterol, menos cobrança,
MAIS escolhas pessoais, mais tranqüilidade, mais reflexão,
mais saúde!
Uma semana com menos dias de trabalho,
Um dia com menos horas de esforço É mais relaxamento,
para enfrentar melhor o dia seguinte, para reunir mais energia e
desafiar a semana seguinte.
Um dia de menos lutas,
para mais horas de sono e sonhos, para um despertar também para os sonhos,
é viver mais, muito mais.
Porque temos mais sede e fome de sonhos,
menos covardia e mais ousadia do que acreditávamos ter!
E até no menos podemos realizar mais, se mantivermos a respiração mínima para sobreviver.
Mas para fazer do menos o nosso mais, é preciso mais sonho e mais lazer,
ainda que vivamos um processo criativo... porque até Deus, nosso Criador, escolheu
descansar no sétimo dia!
São Paulo, 08 de julho de 2005
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A LIÇÃO do CAÇADOR DE
ANDRÓIDES Poema inspirado no filme "Blade Runner “- uma fábula para o
século XXI, um filme para pessoas inteligentes e
responsáveis.
As imagens, os sons e as palavras do cinema-fábula, lenda e saga futurista, cintilante de beleza plástica e filosófica provocaram uma reflexão crítica sobre a vida: ontem, hoje e amanhã. Com ação e suspense de conto policial, este filme especialíssimo narrou uma história de amor cintilante de sentimento e emoção. No labirinto mágico do coração-mundo, nas sombras das luzes diurnas da cidade-universo e no mistério de suas perguntas essenciais sobre a razão e o destino da existência humana, embora reprimido, rejeitado e amedrontado, o amor se impôs finalmente... derrubando a frieza e a desilusão, a desmotivação e o desinteresse, o choro escondido, o terror disfarçado, o amor se impôs... abriu os lábios, os braços, as mãos; juntou os olhos, uniu os corpos, humanizou, SALVOU. A melodia inebriante do sentimento dobrou a força esmagadora e sacudiu as ilusões do progresso amoralmente cego. O amor destruiu a teia do desencanto, enfrentou as dúvidas e o desconhecido. Perturbador, inquietante e envolvente, o amor se impôs... atingindo as camadas mais profundas da alma em coma; identificando e diferenciando, movendo, transformando, o amor se impôs...
e resgatou os sentimentos aprisionados. O mundo tenebroso, artificial e violento deixou de ser aceitável, pois o amor o rejeitou. Num contexto aterrador, o amor contestou... e venceu. Ressuscitou. Calou a descrença. Como evento extraordinário e redentor, o amor resgatou da inércia e da solidão, transformando a existência deprimente, restritiva, sem horizonte, em paisagem libertadora
onde reina a esperança das árvores e a promessa do espaço azul, infinito, acima das montanhas mais inacessíveis. Amando e confiando,
somos capazes de enfrentar as perguntas que antes não ousávamos formular,
mas que devem ser colocadas diante de nós, seres humanos e, portanto, capazes
de perguntar, escolher e AMAR. E nos momentos decisivos,
transfiguradores de nossa existência, os sentimentos se revelam com tal poder e sinceridade que a coragem nos envolve,
nos fortalece e nos faz caminhar com decisão. Convictos, confiantes no amor,
ILUMINADOS E TRANSFIGURADOS POR SUA CHAMA,
frágeis e fortes, trêmulos e fortalecidos, empreendemos uma caçada ao íntimo de nós mesmos e, procurando conhecer o nosso espírito,
e buscando compreender o próximo (ouvindo, também, o seu coração...),
em toda a dimensão sombra-luz do ser humano, chegamos, afinal, a entender,
à luz da reflexão, a diferença fundamental entre andróide e pessoa humana:
o amor é, antes de tudo, um ato de fé e coragem.
Brasília, 13 de junho de 1997 Theresa Catharina de Góes Campos Departamento de Fundamentos Faculdade AEUDF
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CRIATIVIDADE DO CORAÇÃO
O coração
tem mãos invisíveis,
mas muito criadoras.
Theresa Catharina de Góes
Campos
Salvador, Bahia, 1953.
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SER AMIGO É SER JARDINEIRO
(poema inspirado no filme "The
Spanish Gardener" – 1956, Inglaterra – O
Jardineiro Espanhol – de Philip Leacock)
O menino louro sentia a
ausência da mãe,
mas rezava por ela sem
desespero,
entregando-a aos cuidados do
Pai Nosso.
Suas cartas tocavam seu
coração de garoto,
mas não extinguiam a amargura
de seu pai.
A mão do Deus criador tocou o
menino louro,
triste e solitário,
através da bondade de um
simples jardineiro,
que sabia cuidar bem das
plantas
porque amava as pessoas.
Podava, revolvia o terreno,
plantava,
e, trabalhando com
satisfação,
sem preguiça e sem amargura,
sorria e fazia amigos.
O garoto perdido entre as
paredes frias do
casarão
recebeu, de coração alegre,
a dádiva muito especial do
jardineiro:
sua amizade de moço humilde.
O menino louro, guiado pelo
jardineiro,
descobriu, com entusiasmo, o
esporte;
aprendeu a pescar e a gostar
do sol;
sua fragilidade
transformou-se em vigor;
sua timidez e insegurança
foram substituídas pela
maturidade precoce
que vem com a bênção do
sofrimento
e o toque insistente da dor.
Como a erva daninha que
aparece, ameaçadora,
a calúnia atacou o
jardineiro,
ainda que seu jovem amigo o
defendesse,
contra todas as evidências e
circunstâncias,
apesar das mentiras
proferidas
e das supostas provas...
A amizade acreditou na
inocência
porque a amizade vê além das
aparências
(muito além da superfície
enganadora!)
e vai direto aos corações.
A persistência confiante da
amizade
presenciou a vitória da
verdade,
que libertou o jardineiro
aprisionado
para que voltasse a cuidar
das flores,
cultivar as amizades
e apreciar o sorriso do sol.
Theresa Catharina de Góes
Campos
Pelotas, Rio Grande do Sul,
10 de julho de 1963.
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O MERGULHO DO CORAÇÃO
Poema inspirado no filme
"Le grand bleu" (The Big Blue) – "Imensidão
Azul" – França,1988 – de Luc Besson
Olho o mar ou dentro do meu
coração?
Vejo os golfinhos ou a face
de Deus?
As ilhas, para mim, são
pegadas do Infinito;
não são acidentes
geográficos.
As ondas não representam
obstáculos:
são pontes e veredas.
A lua, às vezes, parece guiar
o oceano
tão mansamente como a chuva
que dança
e me dá a impressão de beijar
as flores.
O que sinto, realmente,
quando olho o mar?
O que vejo, na verdade,
quando brinco
e nado em companhia dos
golfinhos?
O que consigo atingir,
em termos de minha dimensão
humana,
quando admiro o oceano
e vou até o seu íntimo mais
desconhecido?
O silêncio do mar é canto de
sereia?
As vozes dos golfinhos
compõem
o meu silêncio interior?
Aqueles a quem amo me fazem
falta
em cada segundo de alegria ou
dor.
A pérola escondida que os
mergulhadores
procuram com risco de vida
é o amor secreto que meu
coração
tenta proteger,
desajeitadamente.
Por que arriscar tudo, com
tanto esforço,
por aquilo que não sabemos
expressar
em palavras ou medir?!
Que visão chega a meu coração
quando sinto o oceano me
envolver
nas mil e uma tonalidades de
verde e azul?
Toco o limiar de um mistério,
a fronteira de um enigma
que é meu tesouro desde a
infância
porque me desafia sem cessar
impresso em todos os anos de
minha vida
como o prelúdio do futuro que
não vejo
apesar de tocá-lo... no fundo
do mar.
Um prefácio para um grande
amor?
Ninguém responde... mas eu
pergunto
sem jamais me fatigar!
Somente eu sei
que guardo, nas paredes de
meu coração,
a pérola conquistada em todos
os mergulhos
na busca incessante do
sentido para a vida;
vale mais que todos os
troféus...
A minha pérola é como
estrela-guia
a multiplicar os sonhos
adormecidos
que não ouso cantar em voz
alta.
A visão dos golfinhos
brincalhões
que não conhecem a inveja
nem se envolvem em
competições
me faz vislumbrar um mundo
diferente:
mais belo porque mais
natural;
mais acolhedor porque sem
desconfiança;
hospitaleiro, apesar da
escuridão...
Guiada pelos golfinhos,
vejo através do que parece
névoa;
em terra firme, sinto-me cega
porque insegura
quanto aos sentimentos e aos
motivos
dos que me cercam,
me apressam, e me pressionam,
querendo me conduzir
aonde meu coração pode
morrer...
As águas coloridas fluem,
curam e cantarolam
canções de fontes múltiplas;
aqui, minhas mãos sabem
acariciar
porque são recebidas sem
reservas;
aqui, tenho segurança para
amar
porque acreditam em mim.
Nesta IMENSIDÃO
AZUL,
não sou invasora,
nem conquistadora:
sou IRMÃ , Amiga
e Companheira
no Reino de Deus;
nas mil e uma
tonalidades de azul,
não entro em
conflitos;
me harmonizo com
a natureza
da qual faço
parte...
Nesta imensidão azul,
a pérola que conquistei
tornou-se facho de luz
nas ruas silenciosas
e não invadidas
de meu coração.
A imensidão azul
me fez perseguir
sem descanso
a face
resplandescente do Amor.
Não mais experimento o medo
de viver com a minha solidão;
não mais receio perder o
rumo;
aqui, o amor não me
assusta...
O mergulho do
coração é o mais perigoso...
porque nas
profundidades desconhecidas
de si mesmo.
Aceito os desafios do oceano
ou mergulho nas mãos de Deus?
Quando mergulho, inebriado,
quais as
distâncias que supero?
Abandono-me à
imensidão azul
ou persigo a face
do Amor?
As vozes dos
golfinhos
se
comunicam com o meu silêncio?
Olho
o mar ou dentro do meu coração?
Vejo os golfinhos
ou a face de Deus?
Estou
apenas mergulhando
ou me
lançando, confiante,
nas mãos amorosas
de meu Criador?
Theresa Catharina de Góes
Campos
Brasília, 13 de julho de
1989.
From: REYNALDO FERREIRA
Date: 03/04/2008 12:52
O MERGULHO DO CORAÇÃO - Theresa Catharina de
Góes Campos
Prezada Theresa Catharina, Lembro-me bem o
quanto você gostou do filme de Luc
Besson!... O poema corresponde ao seu
encantamento pelo filme. De certa feita,
vimos a película na Embaixada da França.
Valeria a pena montar um diaporama com a
imensidão do mar e seus versos sobrepostos
sobre as imagens. Obrigado pela mensagem.
Abraços, Reynaldo
O FILME "Imensidão Azul" FOI
UM DIVISOR DE ÁGUAS EM MINHA VIDA
From:
Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 10/04/2008 16:02
Não foi apenas encantamento o que senti com
o filme Imensidão Azul.
To: REYNALDO FERREIRA
Amigo Reynaldo:
A seguir, o texto que eu não ousei escrever
antes. Aliás, sinto-me assim, com pudor, em
relação aos poemas de minha autoria, muito
pessoais, íntimos, reveladores.
Abraços cordiais e a estima de
Theresa Catharina
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O FILME "IMENSIDÃO AZUL" FOI UM DIVISOR DE
ÁGUAS EM MINHA VIDA
Não foi apenas encantamento o que senti ao
assistir tantas vezes ao filme de Luc
Besson.
"Imensidão Azul" representou um divisor de
águas na minha vida!
Aprendi a me aceitar, a conviver comigo 24
horas, sem deixar que as rejeições, as
maldades e as indeferenças encontradas no
mundo me impedissem de me apreciar e viver
tudo que sou como pessoa, missão, vocação e
potencialidade.
Continuei convivendo. No entanto, deixei de
esperar aceitação, de aguardar retorno e até
de tentar mudar a frieza, alienação e
indiferença de alguns. Passei a gostar de
mim, a me valorizar.
A abertura para o meu próximo continuou a
existir, de minha parte, porque tal
disponibilidade para os outros é um dos
componentes fundamentais de minha
personalidade social.
Vivo como sou. Não mudei o que sou. A grande
mudança foi eu me sentir viva sem depender
do próximo. Passei a ser feliz em contemplar
meu íntimo, a ter orgulho de ser
independente interiormente, capaz de atender
às minhas necessidades, ao meu crescimento
pessoal, profissional e cultural.
Percebi, então, o significado positivo da
solidão: o tempo que ganhamos para ser,
refletir, apreciar, elaborar decisões,
planejar atitudes. Antes, eu perdia muito
tempo me esforçando demais em prol dos que
nem mesmo precisavam de mim... Para que
tanto esforço inútil? Compreendi que eu
precisava bem mais de atenção e carinho
interiores. E passei a não mais me
negligenciar!
Do mergulho nas imagens, nos sons e na
história de "Imensidão Azul", consegui
reverter a profunda tristeza que ameaçava me
afogar. Emergi inteira, disposta a não
repetir erros, amadurecida, revigorada, e
ainda mais fiel ao que sempre fui.
Theresa Catharina
Brasília-DF, 10 de abril de 2008 |
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