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Livro:
As palavras são para sempre?
Artigos e outros textos sobre temas diversos
Sabedoria é visão e solidariedade
Theresa Catharina de Góes Campos
Considerando-se a criatividade como um
recurso humano multiplicador e crítico, compreendemos que,
ao comentarmos sobre alguém "de visão", estamos reconhecendo
a sua capacidade para agir no presente com perspectivas
futuras. Os indivíduos que se destacam, em sua comunidade,
por esse conhecimento muito especial, na realidade atuam
regularmente com padrões tridimensionais, pois se
fundamentam nas lições do passado, próximo e remoto.
Em contato com uma realidade limitada, insistem em
examiná-la até descobrirem o seu potencial de transformação
e os instrumentos de mudança que deverão ser utilizados, em
sua dinâmica e seu contexto específicos. Ao contrário do que
pensam os conformistas, eles não vivem loucamente "em outro
mundo": pelo contrário, inseridos na sociedade, não se
deixam por ela dominar, conservando, portanto, a sua
liberdade para enxergar alternativas
que consideram superiores. Assim, ao invés de prisioneiros
de estruturas com as quais não concordam, mostram-se capazes
de visualizar, às vezes com antecedência de séculos, o mundo
que vale a pena ser construído. Felizmente, com esta visão
interior que mantêm de forma permanente diante de seus olhos
(abertos ou fechados), já começam a construí-lo, sozinhos ou
com a ajuda de seus companheiros.
Os artistas das cavernas pré-históricas, por meio de suas
pinturas rupestres, transmitiram às gerações futuras um
testemunho de sua vida primitiva: máscaras, atividades
culturais e de sobrevivência. O fato de que não dispunham de
escrita não se constituiu um impedimento a que buscassem, de
algum modo, um instrumento de comunicação. O teatro grego da
Antiguidade Clássica, com personagens da mitologia, destacou
a figura de um cego, Tirésias, porque a sua sabedoria lhe
dava uma visão mais profunda: conhecia a tragédia pessoal de
Édipo, assim como os desígnios do poder divino; não se
deixava intimidar pelo fausto e poder humanos; não hesitava
em advertir, revelar, profetizar. Na Idade Média, os monges
copistas que trabalharam humilde e exaustivamente, para que
a cultura greco-romana fosse preservada para os leitores dos
séculos seguintes, demonstraram compreender a importância
das obras de artistas, filósofos e estudiosos.
Leonardo Da Vinci, quando morreu, no ano de 1519, legou à
humanidade não somente a excelência de suas pinturas, como
também, inventos científicos os mais diversos. Na
literatura, os romances de Jules Verne deram a seu público o
encantamento de viajar em balões, descobrir o espaço, descer
ao fundo do mar, lutar contra perigos com recursos
tecnológicos e dispor da televisão muito antes dessas
técnicas fazerem parte do cotidiano da sociedade.
Felizmente as dificuldades do ensino não desanimaram a
poetisa e professora chilena Gabriela Mistral, cujas obras
foram homenageadas com o Prêmio Nobel. Ainda bem que os
rostos marcados pela fome e a miséria de multidões animaram
mulheres de visão, como Madre Teresa de Calcutá e Irmã
Dulce, a devotarem tempo e esforços ao bem-estar desses
marginalizados porque desamparados. Em qualquer comunidade,
pessoas com essa força interior para buscar soluções
(trabalhando com situações consideradas, no mínimo,
dificílimas) deixam um exemplo a ser seguido. Aliás, caso
nos falte coragem para tanto amor ao próximo, não sejamos
omissos: ofereçamos o auxílio que nos for possível
proporcionar.
Em todas as áreas profissionais, a atuação de indivíduos
capazes de pensar e forma abrangente, em profundidade,
resultará em benefícios superiores aos obtidos por aqueles
acostumados a repetir ou reproduzir sem pensamento crítico.
O objetivo primordial de todo processo de educação, seja
informal ou acadêmica, deve ser, de fato, adquirir esse
conhecimento lúcido, inquiridor, criativo, numa atitude de
permanente atualização e busca de aperfeiçoamento individual
e coletivo.
Esclarecidas e conscientes, as pessoas de visão jamais se
acomodam, mesmo quando aceitam e acatam; com tranqüilidade
ou numa "santa agitação" justificada pela urgência, estão
sempre enfrentando novos desafios, sem esperar que os outros
se dêem conta e tomem as suas decisões. Se o grupo se
apressa, aquele determinado a refletir sobre as implicações
talvez se reserve o direito de ficar na retaguarda,
analisando o passado, repensando o presente, preparando-se
para o futuro.
Quando muitos se refugiam na inércia, os sábios percebem os
absurdos de tal alienação e, decididos, justificados por sua
visão tridimensional, não-limitada e não-alienada,
gesticulam, falam, escrevem, atuam, como a impulsionar a
roda que parece estar presa ao chão. Afinal, suas mãos estão
guiadas por olhos permanentemente fitos nas estrelas do
amanhã desconhecido, mas libertador. Visão pioneira e
desbravadora, capaz de forjar o porvir!
Ética na prática
Theresa Catharina de Góes Campos
Viver e trabalhar com ética significa saber conviver,
respeitando a dignidade do próximo, tanto quanto a sua
própria dignidade de caráter. Na teoria, fala-se e se
escreve bastante sobre o tema, nos dias atuais, sobretudo
porque não é difícil constatarmos que está na ausência da
prática da ética, no dia-a-dia, apesar de todas as
dificuldades e até, muitas vezes, sofrimentos, a origem das
injustiças, desigualdades e problemas sócioeconômicos.
O indivíduo que se coloca, na comunidade, como pessoa
humana, reconhece a demanda interior de abraçar os hábitos
de caráter que determinarão sua coragem em pensar e agir com
ética.
Conhecendo a si mesmo e os princípios éticos que se
determinou a abraçar, em sua vida privada e pública, também
se acostuma a exigir da comunidade em que está inserido a
transparência ética das decisões, as atitudes marcadas pela
retidão de pensamento, os processos de crescimento
orientados eticamente.
Embora os fundamentos da ética nasçam de escolhas
individuais, sempre conscientes de que a vida exige de nós a
fidelidade diária a esses princípios, devemos entender que a
convivência constitui um sistema de interação, tanto mais
exigente da ética quanto carente de situações em que os
nossos direitos jamais estão isolados das necessidades e dos
direitos do próximo. Nosso espaço interior - íntimo,
afetivo, intelectual - não deve ser considerado como isolado
com relação aos espaços e limites dos outros, próximos ou
distantes.
Pensar nos menos poderosos, nos ausentes, nos excluídos, no
bem comum... são disposições internas que nascem da prática
da ética, e não, das manifestações teóricas alardeadas em
seu nome.
Segundo Carmen Barreira, " a identidade individual e social
cria-se a partir de uma interação sistêmica, base de toda
educação. Sem ética não é possível falar-se em educação,
cujo objetivo fundamental é incitar o afloramento das
capacidades do indivíduo, criar balizas para que elas se
consolidem e,
quando maduras, propiciar o espaço necessário para que
enriqueçam e transformem a sociedade na qual esse indivíduo
está ou escolheu estar inserido."
Se podemos e devemos exigir, de toda pessoa, atitudes
éticas, dos poderosos e das autoridades espera-se a ética
como fundamento de sua posição e atuação. Justiça, caridade
e generosidade são virtudes éticas, os frutos da ética, a
fundamentação filosófica...( e política, no sentido da
origem grega da palavra: a arte de promover o bem comum)
para aqueles que mandam, decidem, fazem acontecer...e para
os que a eles estão subordinados também. A justificativa
para tal exigência intrínseca está nos benefícios para a
sociedade, formada por seres racionais, iguais em seus
direitos fundamentais. A visão utilitarista seria ver, como
objetivo da ética, chegar-se ao resultado ideal/idealista de
obter " o máximo de felicidade para o maior número de
pessoas".
Regras e valores éticos devem estar presentes sem
interrupção em nossa vida. Somente assim é possível
evitarmos o caos, escondido ou aparente. Em nenhum momento a
ética se torna, sob quaisquer pretextos, dispensável, quer
seja no lar, na igreja, no trabalho, nas atividades
intelectuais, no convívio social, na prática sindicalista.
Matéria editada em 19/07/01 às 00h01
DESRESPEITO AOS CIDADÃOS E PASSAGEIROS
A imagem de sucesso da aviação comercial brasileira agora
foi substituída pelas demonstrações de que as companhias
aéreas não respeitam os direitos dos cidadãos e clientes.
Se quando ocorre um problema, as empresas aéreas e seus
funcionários não sabem se comunicar adequadamente com os
seus clientes, isso também é uma falha grave.
Se não prestam as devidas informações a seus passageiros,
nem tentam solucionar alguns problemas que estão sob a sua
alçada, eis outro erro absurdo.
Se não se preocupam com o bem-estar de seus clientes, pelos
quais se tornaram responsáveis, ao lhes vender passagens e
prometer lhes prestar, com responsabilidade e competência, o
serviço de transporte aéreo, as empresas demonstram ser
negligentes, omissas, ineficazes e irresponsáveis.
Não há como se eximirem dessa responsabilidade, todas essas
empresas ,
alegando que os problemas são causados por outros e
abandonando à própria sorte, desesperados e angustiados, os
passageiros que as contrataram diretamente para lhes
prestarem o serviço de transporte aéreo.
Não há como desculpar a total omissão das empresas aéreas,
que assistiram, insensíveis, sem nada fazer para minorar, ao
sofrimento de seus clientes, pessoas humanas a quem deveriam
e poderiam ter socorrido, prestando auxílio, assistência e
acompanhamento. Não seria um favor, mas o cumprimento de um
dever.
Presenciar, sem atitudes de compaixão e gestos
solidariedade,o drama de
passageiros atormentados e desinformados, torturados
emocionalmente, significou uma prova de desumanidade, além
de ferir o princípio da honestidade, por parte de quem se
comprometeu a executar, com datas e horários programados, o
serviço de transporte aéreo.
Aliás, esses episódios horripilantes do chamado "apagão
aéreo" contribuíram para uma situação gravíssima: o
passageiro não confia mais!
Essa quebra da confiança que antes existia é um prejuízo
econômico e moral. O cidadão e cliente não acredita mais nas
informações das empresas aéreas, nem das autoridades que
deveriam ser responsáveis pela fiscalização e punição. O
desrespeito à pessoa humana, ao cidadão e cliente, passou a
ser corriqueiro, rotineiro,embora absolutamente inaceitável.
E como sabemos, em qualquer tipo de relacionamento, quando
desaparece o respeito, a relação se deteriora, não tem
condições de se manter, quanto mais de crescer.
Torna-se um relacionamento marcado pela indignidade das
condições a que se submete uma das partes e atinge a todos
os envolvidos.
Com a degradação do serviço que deveria ser prestado aos
cidadãos e passageiros, foi-se a qualidade de vida, a
modernidade de poder se locomover com rapidez, em tempo
hábil, confortavelmente, em clima de confiança.
Viajar se tornou uma "via crucis" ...quando, vítimas de
chantagens covardes, não sofrem apenas as crianças, os
idosos, as gestantes, os deficientes...mas igualmente os
fisicamente mais fortes, também estressados e levados à
exaustão.
E não podemos esquecer que tal calamidade pública - a praga
desse "apagão aéreo" - começou após o acidente aéreo em que
154 pessoas perderam a sua vida. Depois que foi iniciada uma
investigação. Sob suspeita: os pilotos do "Legacy" que
colidiu no ar com o avião da Gol. No entanto, uma pergunta
fundamental precisa ser respondida com a mais absoluta
clareza: o que faziam os controladores de vôo, naquele dia e
horário, quando deveriam estar acompanhando as duas
aeronaves, e tomando as devidas providências, enfim,
trabalhando na sua nobre missão? Aliás, por que atualmente
reclamam tanto de que não podem mais usar seus celulares
particulares, nem a internet, em seus locais de trabalho?
Imagina-se que não seja possível atuar eficientemente como
controlador de vôo e, ao mesmo tempo, estar acessando a
internet ou falando ao celular...
Em qualquer circunstância, se as empresas aéreas não sabem
atender com a devida sensibilidade, cortesia e
responsabilidade os seus clientes, nos aeroportos e nas
linhas telefônicas disponibilizadas, em situações de
exceção; se os seus funcionários não se mostram
preparados,treinados com eficiência, para socorrer
passageiros estressados e transtornados , nas constantes
ocorrências de anormalidade no serviço de transporte
aéreo...
Como confiar que, durante o vôo, no ar, em eventuais
situações de emergência, as tripulações terão condições
técnicas, profissionais e emocionais, para agir com
responsabilidade, solucionando problemas urgentes, em tempo
útil e real, e atendendo às necessidades primordiais de seus
passageiros?!
Desrespeitados e testemunhas de abusos regulares e
repetitivos, no caos das relações com o transporte aéreo, os
cidadãos, clientes e passageiros,
simplesmente perderam a confiança! O que poderia ser de mais
grave que isso?!
Ganhar dinheiro pode ser fácil para empresários e
administradores. Entretanto, para recuperar a confiança
perdida,tarefa dificílima, sobretudo por causa das
lembranças traumáticas de tantas experiências desagradáveis,
será preciso uma atitude bem diferente! Além de um tempo e
dedicação consideráveis, até que as feridas cicatrizem e as
recordações ruins sejam substituídas por lembranças bem
distantes, quase perdidas no passado, de momentos agradáveis
nas viagens aéreas...
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 16 de abril de 2007
TEXTO VIGOROSO E ATUAL
Theresa Catharina de Góes Campos
(Prefácio do livro A Mulher de Lote, peça teatral de
Reynaldo Domingos Ferreira)
A MULHER DE LOTE - Reynaldo Domingos Ferreira
De: "REYNALDO FERREIRA"
Data: Fri, 05 May 2006 10:24:05 -0300
Para: theca@[...].com.br
Assunto: A MULHER DE LOTE
Ei, amigos!...
A GIZ EDITORIAL E LIVRARIA LTDA, uma nova editora paulista,
lançada oficialmente durante a realização da última Bienal
Internacional do Livro de São Paulo, inicia esta semana o
processo de editoração do meu próximo livro, "A MULHER DE
LOTE", peça de teatro sobre o episódio bíblico da fuga da
família de Lote da cidade de Sodoma a ser destruída, que
mereceu magnífico comentário de apresentação - que segue
anexo - de THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS, jornalista,
escritora, tradutora, poetisa, ex-professora da Faculdade de
Artes Cênicas "Dulcina de Moraes", da Fundação Brasileira de
Teatro.
Abraços, Reynaldo Domingos Ferreira
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UM TEXTO VIGOROSO E ATUAL
Os personagens bíblicos, protagonistas neste texto dramático
de Reynaldo Domingos Ferreira, ainda que vivendo na
realidade de seu contexto no Antigo Testamento, têm
personalidades que podemos reconhecer como atuais, cujas
vozes ecoam, firmes e perenes, registrando características
pessoais e reflexos de sua posição no grupo familiar e na
comunidade social.
Os diálogos, assim como os pensamentos que disfarçam, no
silêncio por trás de palavras e atitudes, demonstram como
decidiram agir... nas circunstâncias de exceção. A ambição
dos futuros genros ignora o perigo iminente, é surda aos
desígnios exigentes da divindade única. As filhas e a mulher
de Lote não escondem, sem dissimulação partilham o seu apego
ao lar e à cidade onde moram, resistindo à insistência do
patriarca temente a Deus, rejeitando todos os argumentos
para fugirem do desastre anunciado.
Situações e personagens de ontem que ainda se afirmam como
hodiernos. Com ação, suspense e o que para mim se afigura
como fundamental, uma bela mensagem moral. Manifesta-se nas
palavras, reveladoras de emoções e sentimentos. E nos
cenários também. Com a presença de Deus quase audível e
visível... porque a Sua vontade é lembrada, com o propósito
de ser cumprida, obedecida, numa demonstração de
relacionamento com fé indiscutível. A crença no amor e na
sabedoria divinos a determinar, ainda que no contexto do
livre arbítrio, as melhores decisões para os Seus filhos na
terra.
Para Lote, chefe de família, o foco está no mais urgente...
mais importante: escapar da morte iminente. A sua
generosidade, expressa no processo objetivo de negociação,
passo a passo renovado, que manteve com o Senhor disposto,
logo de início, em Sua ira divina, a castigar os pecadores
não-arrependidos, inconscientes de sua mortalidade, nem
dispostos a buscar o perdão redentor e salvífico.
A linguagem de Reynaldo Domingos Ferreira, repito, é muito
vigorosa em “A Mulher de Lote”, de novo exercitando seu
talento de dramaturgo, já merecedor de críticas elogiosas
desde a peça inesquecível de pesquisa histórica – “Dona
Bárbara” – sobre as mulheres injustamente esquecidas em
muitos relatos sobre o tempo de Inconfidência Mineira.
Aqui, neste episódio bíblico sobre os antecedentes da
punição divina aos pecadores de Sodoma e Gomorra, a crueza
característica do realismo naturalista explicita-se nas
falas, até nos detalhes de cenários, figurinos e na trilha
sonora escolhida pelo autor – um caminho pioneiramente
aberto no texto oferecido ao público leitor, aos críticos e
possíveis diretores, um percurso visualizado sem
dificuldades na leitura, quase pronto a ser realizado no
palco.
Entretanto, o enredo se destaca, quase dispensa a forma...
Homem de fé, Lote não hesita em seguir a palavra salvadora,
preservadora da vida. Temente a Deus, respeita e pratica o
dever da hospitalidade aos estrangeiros. Determinado a lhes
dar abrigo e proteção, Lote enfrenta corajosamente os homens
ameaçadores, preconceituosos e sem pejo dos vícios que os
mantêm dominados, capazes de gritarem palavras abjetas,
intimidações que expressam a mancha de seus pecados.
O virtuoso Lote, por saber que os estrangeiros, seus
hóspedes, são Anjos, emissários do Senhor, que vive
onipotente, onisciente e onipresente, acima de todos os
poderosos, insiste em defendê-los a todo custo. Oferece os
recursos de que dispõe em defesa da vida e da dignidade
deles, cuja identidade só era por ele conhecida, ao lhes
conceder o privilégio da hospitalidade.
Princípios significam deveres, obrigações. Tomar e assumir
decisões coerentes. Sem desculpas, nem falsas justificativas
para omissão ou negligência. O dever consciente que enfrenta
a violência dos que, em sua fraqueza moral, apenas obedecem
a seus vícios.
Ressalto que eu li “A Mulher de Lote”, sem conseguir parar,
até chegar à última palavra. O texto é, repito, sem
hesitação, de conteúdo atual, vigoroso, com autêntica
linguagem bíblica, como se estivéssemos nas páginas dos
livros proféticos do Antigo Testamento: muitas histórias da
Bíblia Sagrada têm o mesmo estilo de narrativa que Reynaldo
Domingos Ferreira escolheu para recontar com fidelidade os
ensinamentos da cultura judaico-cristã – com força e
realismo, a se desnudarem numa crueza naturalista que se
impõe.
Maravilhoso é sentir que a leitura desta peça, ao invés de
nos deixar petrificados, como a esposa inconseqüente que
ignorou a advertência de não olhar para trás, nos envolve
com a presença dos Anjos que se hospedaram na casa do
patriarca...
Com a fé de Lote na palavra do Senhor Deus, ganhamos coragem
para acreditar no futuro para o qual caminhamos, apressados
porque o tempo já se esgotou, mas dispostos a recomeçar,
fortalecidos na esperança de uma existência fundamentada em
Suas promessas.
THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS, jornalista, escritora,
tradutora, poetisa, ex-professora da Faculdade de Artes
Cênicas “Dulcina de Moraes”, da Fundação Brasileira de
Teatro.
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As prisões nossas de cada dia - Theresa Catharina
Quando assistimos aos noticiários, lemos jornais e revistas
e vemos documentários cinematográficos (como o filme
"Justiça ") sobre as prisões brasileiras , logo nos sentimos
horrorizados com a visão de seres humanos amontoados, atrás
de barras e com o olhar perdido, desanimado, em meio a
sujeira e promiscuidade.
Essas prisões são um problema urgente que a sociedade, como
um todo, precisa resolver, em nome da solidariedade e da
justiça.
Mas há outras prisões que devem ser examinadas - também sem
demora! Estamos nelas encerrados, sem que nos apercebamos
disso! O mundo que nos cerca - com o nosso assentimento ou a
nossa omissão - ali nos colocou.
Sobrevivemos em meio aos ditames da moda, a determinar o que
vestimos, a dizer qual seria nosso peso ideal, como deve ser
nossa aparência e até os lugares que iremos freqüentar...
Outros escolhem as cores de nossos sapatos, informam os
conceitos de beleza.
Passamos a nos preocupar em fazer o impossível: deter o
tempo, em busca da juventude perdida, numa volta ao passado
que nos rouba o presente e nos torna cegos para a realidade
futura.
Perseguindo sem trégua os bens materiais, perdemos o tesouro
maior: sensibilidade, amor, amizade, convivência ética, o
trabalho realizado com satisfação, a paz interior. A ambição
pelo dinheiro nos enfeitiça de tal modo que a ele
sacrificamos o que vale muito mais: o tempo para ser, os
momentos de amor, o processo de crescimento como pessoas.
Analisamos as instituições bancárias, entretanto, deixamos
de refletir sobre a nossa vida e os nossos atos. A
superficialidade não nos incomoda. Não sabemos quem somos,
não nos conhecemos... Não entendemos nossos relacionamentos
familiares - ou será que temos família?
Como bem denunciou o diretor de teatro Elias Andreato:
"Para o homem comum, olhar para dentro de si mesmo às vezes
é uma tarefa quase impossível e tão complexa como observar a
imensidão do cosmo.
Nem sempre temos disponibilidade, interesse, sensibilidade
e, por que não dizer, aprendizado suficiente para exercer
este mecanismo que a psicanálise percorre com maestria."
Ficamos presos ao telefone celular, ignorando as regras de
cortesia, perturbando os que nos cercam, prejudicando,
inclusive, o silêncio das igrejas e dos hospitais. Usamos o
aparelhinho como se estivéssemos isolados, num deserto, a
necessitar de socorro. O celular nos domina, controla a
nossa conversa.
Algemados a nossos preconceitos, asfixiados por sentimentos
de raiva, ódio, inveja e orgulho, sufocados por emoções que
não ousamos confessar ou partilhar, vamos conduzindo mal a
nossa vida. Nossos bens são motivos de exibição - não os
adquirimos por necessidade, mas para mostrá-los...
São as prisões nossas de cada dia, das quais nós temos as
chaves para que os portões se abram e nos devolvam à vida!
Que Deus nos conceda a força espiritual para iniciarmos o
nosso processo de libertação - Ele nos criou para sermos
livres. Não nos esqueçamos de que Jesus padeceu e morreu na
cruz para nos salvar.
Essas prisões nossas de cada dia, que nos transformam em
objetos aprisionados, verdadeiros "sepulcros caiados de
branco", precisam ser destruídas por nós.
E cantaremos, no íntimo de nosso coração, com autêntica
alegria cristã:Aleluia, aleluia!
Theresa Catharina de Góes Campos
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De: "Sergio Luiz
Clemente Ferreira"
Para: "theresa.catharina"
Data: Fri, 22 Feb 2008 14:43:14 -0300
Assunto: Re: artigo de Theresa Catharina
Olá, Theresa Catharina,
Muito obrigado!
Mas que texto maravilhoso! "As prisões nossas de cada dia"
Confortou o meu coração.
Sérgio Clemente.
O EDUCADOR E SEU PRÓXIMO
O tempo, a atenção e o espaço que dedicamos aos outros
enriquecem a nossa existência.
A experiência humana de olhar,ver e sentir com intensidade
amplia-se e se aprofunda quando nos valemos das experiências
igualmente ricas de outras pessoas, que expressam a sua
vivência de modo particular e nos comunicam o que
aprenderam, contribuindo,assim, para a nossa educação como
indivíduos inseridos num contexto social.
A arte, além de ser criação por essência, também é,
fundamentalmente, CRIADORA... e, sendo criadora, EDUCA:
eleva, liberta, faz crescer, sublima.
O educador estabelece a comunicação e conduz à criação. Os
olhos do educador vêem muito além das aparências; o educador
vê e pressente o que os outros não parecem enxergar,
perceber... ou fingem ignorar; o educador apóia antes dos
aplausos da multidão: quem exerce a missão de educar não
inveja, disciplina, critica de forma generosa e numa
perspectiva do crescimento possível; faz sugestões, bate
palmas com entusiasmo, admira no íntimo, e ambém,
externamente.
O educador é aquele que vê, nos outros, as potencialidades
de cada um e, ao invés de ignorá-las ou negligenciá-las por
inveja ou comodismo, se empenha para não deixar que morram
no silêncio: procura ajudar... para que as qualidades se
transformem em realizações.
Para quem educa, todo amanhecer é um caminhar em direção à
beleza arrebatadora (e inquietante) do pôr-do-sol.
E o educador repete, sem jamais se fatigar ou desistir: o
que temos pertence aos outros – daí o dever de
partilharmos... Com exclusividade, só nos pertence o que
ainda não conquistamos. Cabe a nós a visão do trabalho
associada aos sonhos e ideais.
O esforço é de cada um; a vitória ilumina todos nós, irmãos
e parceiros, na caminhada pela vida.
Theresa Catharina de Góes Campos
Programa "Educar é Crescer" - produção e redação de Theresa
Catharina -
Rádio Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco.
CECOSNE - Centro de Comunicações Sociais do Nordeste
FAFIRE - Faculdade de Filosofia do Recife - disciplina Os
meios de comunicação na Educação, ministrada por Theresa
Catharina
Recife- PE, agosto de 1969. |
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Livro:
Cinema: ver... para sentir, pensar e ser
Textos sobre a arte cinematográfica e comentários de filmes
CINEMA: VER... PARA SENTIR, PENSAR e SER
Theresa Catharina de Góes Campos*
Nem sempre é fácil indicarmos um filme ao público,
justificando nossa opinião sobre a sua qualidade técnica,
formal e/ou de conteúdo. Precisamos seguir um caminho
profissional que reconheça nossas características pessoais e
circunstâncias externas, além de exercermos a aptidão
necessária da empatia, colocando-nos insistente e
sucessivamente no lugar dos leitores e ouvintes. Nessa busca
persistente, orientada pela consciência de nossa
responsabilidade, iluminada pelo amor que devotamos ao
cinema como "síntese de todas as artes", visamos, não à
chegada de um porto seguro de "verdades"passivas, mas
vislumbramos o empreendimento de uma viagem cultural,
humanística e dinâmica, a cada dia reiniciada com maior
entusiasmo (mesmo disfarçado,face à preocupação de
objetividade).
De nós, jornalistas, formadores de opinião, numa atividade
constante de procurar as informações, e num contexto de
reflexão crítica, interpretá-las para que sejam encaminhadas
aos que muito esperam de nosso trabalho, a sociedade aguarda
nossa contribuição. Ao transmitirmos os informes - objetiva
e subjetivamente (sim, o público quer a avaliação pessoal do
crítico!), estaremos nos colocando em uma situação dinâmica,
pois as nossas palavras provocarão efeitos individuais e no
mercado. Compreender isso significa entender que somos
responsáveis, também, no processo da comunicação
cinematográfica.
Escrevo essas observações não somente para os meus colegas;
dirijo esses comentários, também, ao público, para que se
conscientize igualmente do que precisa exigir de todos os
profissionais que assumiram a proposta de freqüentar com
assiduidade as salas de exibição. Para confiar nos textos
informativos/opinativos, a sociedade supõe a dedicação a uma
atividade regular (jamais esporádica, eventual...) de
comparecimento, estudo comparativo, pesquisa de bibliografia
e filmografia. Assim, os conceitos emitidos (sejam de elogio
ou repúdio) estarão fundamentados: na presença às sessões de
cinema (em vídeo, dizem os entendidos, "não é o mesmo
filme"); observação das platéias; verificação das condições
da sala e da projeção; bem como leituras e conversas que
representem um autêntico intercâmbio de pensamento.
Afinal, opiniões próprias não devem resultar de isolamento,
e sim, de coleta de informações, análise desses dados e
convicção no exercício do mister jornalístico. Embora se
possa afirmar que a obra de arte vale por si mesma, o
contexto em que a vemos influi, sem dúvida alguma, na
apreciação que fazemos.
RITUAL DE CULTURA
A sociedade necessita do cinema como ritual de cultura. Uma
prática salutar, intelectual, afetiva. Uma forma de lazer,
muitas vezes; contudo, não podemos esquecer seu papel
documental, sua ação denunciadora, perturbadora,seus
convites à reflexão crítica.
Instrumento de educação da sensibilidade a idéias, sons,
imagens, diálogos, expressões faciais; oportunidade para
crescermos como seres humanos, saindo de nosso espaço
individual limitado e penetrando nas mentes e nos corações
revelados na tela, unindo as nossas preocupações às de
outros povos, outras cidades, regiões, nações. Ouvindo vozes
longínquas... Abraçando - sem sairmos da poltrona -
companheiros de humanidade. Há ocasiões em que resistimos,
porém a nossa comoção mostra-se mais forte, mais
avassaladora, nesses momentos especiais, que o
constrangimento social: e as lágrimas vêm, poderosas,
inevitáveis porque o filme as provocou de imediato, sem nos
dar tempo de erguer barreiras ou correr para a nossa
solidão.
As nações se transformam em bairros conhecidos; os
forasteiros, em vizinhos sobre os quais conversaremos depois
da sessão com os amigos ou desconhecidos; familiarizados com
o seu comportamento nas cenas a que assistimos, conhecedores
de seus sentimentos e suas atitudes...até de seu
vocabulário. E como ocorre na vida real, não é todo dia que
lhes concedemos a nossa concordância; diretores e
personagens ocasionalmente suscitam discussões acaloradas,
sobretudo quando procuramos compreender os objetivos de seu
trabalho. Estilos e linguagens tão diversificados
proporcionam múltiplas escolhas, opções para estados de
espírito do freqüentador, necessidades culturais as mais
variadas.
Escrever sobre cinema demanda, além do mais, uma postura de
incentivo a esse ritual de cultura. Damos o exemplo de
comparecermos às salas de cinema, de conversarmos com
entusiasmo sobre o assunto, de nos debruçarmos,
diligentemente, sobre as leituras referenciais e outros
materiais. Da empolgação com os travellings, as panorâmicas
e os closes, retiramos o fôlego para vermos os filmes
repetidas vezes, memorizando os diálogos preferidos,
absorvendo as suas cores, luzes e sombras. A interpretação
nos convence e surpreende; a sonoplastia parece ter vida
própria, a fotografia de qualidade transforma em quadros
originais os lugares mais comuns.
Um bom filme: enriquece a nossa rotina! Faz, do ritual do
cinema, em sua repetição convicta, uma festa,uma celebração
da vida, mesmo quando se mostrou a morte em traços
impressionistas ou na crueza do realismo-naturalismo. E a
velocidade da projeção dos fotogramas, criando a ilusão do
movimento, vivifica o que parecia fugaz, eterniza o
temporário.
A JORNADA DO OLHAR
Numa peregrinação que pode até ser inconsciente, o trio
coração- mente-visão (a ordem dos fatores é variável...)
segue a jornada de filme a filme, num processo de
capacitação emocional e de observações intelectuais aberto a
qualquer ser humano que se disponha a conhecer o cinema cada
vez mais intimamente. Acredito nos efeitos benéficos dessa
jornada que nos aproxima de outros seres humanos, envolvidos
na criação, realização e divulgação das obras
cinematográficas. A sétima arte - em todos os seus estágios,
entre os quais há desdobramentos como produtos comerciais
disseminados no mundo inteiro (fotos,livros, camisetas,etc.)
- emprega crescentemente um maior número de pessoas.
A necessidade da empatia é fundamental, pois não se trata de
uma estrada de mão única...Ninguém realiza um filme para que
ninguém o veja. Busca-se um público, limitado ou não.
Encontramos, portanto, na peregrinação dos olhos que desejam
VER, uma atitude, ao mesmo tempo passiva e dinâmica, de
comunicação humana. A visão interior pode - e deve - crescer
com o passar do tempo, exigindo um nível de qualidade.
Há numerosos exemplos na literatura e nos textos bíblicos
que se referem aos olhos que não vêem, aos ouvidos que não
ouvem... Nossa proposta de caminhada com o cinema representa
a esperança de que a platéia se aperfeiçoe,
concomitantemente, obtendo/alcançando os efeitos de um
aprendizado humanístico.
A educação da sensibilidade conduziria a um respeito maior
pelo próximo, à valorização da vida, à solidariedade e à
criatividade. Isso não se restringe ao campo emocional.
Sentir significaria uma abertura para a filosofia aplicada a
nós mesmos e aos outros; uma oportunidade contínua e
permanente de pensar em termos míticos e místicos; um
repúdio a todas as formas de violência.
Pensar com sensibilidade inclui o próximo, em nossas opções.
Bem sabemos que há filmes capazes de revolver profundamente
nosso íntimo. Ao nos sensibilizar, o cinema nos transforma
como pessoas. Comédia, drama, documentário, aventura,
suspense...o gênero é uma questão da multiplicidade de
escolhas a nosso dispor. O que importa: a qualidade dos
filmes. E a nossa disposição de, em busca do lazer e da
cultura, nesse ritual encontrarmos mais um caminho para SER.
*Theresa Catharina é Jornalista e professora universitária,
fundadora e responsável pelo Cineclube dos Educadores.
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BLADE RUNNER
- O CAÇADOR DE ANDRÓIDES |
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BLADE RUNNER é o MELHOR FILME DE FICÇÃO
CIENTÍFICA
dizem os melhores cientistas do mundo
Em pesquisa publicada ontem, " The Guardian"
divulgou que os 60 (sessenta) dos mais
importantes cientistas do mundo, consultados
pelo jornal britânico, afirmaram que " Blade
Runner - o Caçador de Andróides " (1982) é o
melhor filme de ficção científica já
realizado, em todos os tempos.
Stephen Minger, biólogo do King´s College,
em Londres, especializado em células-tronco,
explicou:
" Blade Runner " se adiantou muito a seu
tempo; e a premissa toda da história - o que
é ser humano, quem somos, de onde viemos -
retoma questões eternas. "
(Atenção: meus comentários se referem à
primeira versão conhecida pelo público- e
preferida por mim-, com a narrativa de
Harrison Ford, e o belíssimo travelling
final, além de menos pessimista; portanto,
não trato, aqui, da versão original do
diretor.) Gênero: ficção científica
(história policial, com suspense e ação;
reflexão sobre engenharia genética;
filosofia e romance!).
Filme especialíssimo, sucesso no cinema, nas
locadoras de vídeo, entre os críticos, nas
pesquisas de opinião e nas lojas de discos
(trilha sonora), "Blade Runner - o Caçador
de Andróides (Blade Runner - EUA, 1982 -
125'- de Ridley Scott, com música original
de Vangelis) é uma obra-prima de imagens,
sons e palavras. CINEMA em toda a sua beleza
plástica. Uma aula de cinematografia e de
reflexão crítica sobre a vida: ontem, hoje
e amanhã.
Com ação e suspense característicos de
histórias policiais, este filme seminal é,
não só uma linda narrativa romântica, mas um
debate filosófico íntimo sobre a importância
dos sentimentos e das emoções.
Em Los Angeles, em pleno século XXI, um
ex-policial (afirmando "não querer mais
matar...") vê-se obrigado a perseguir e
aniquilar cinco andróides ou replicantes
que, de tão perfeitos, são quase impossíveis
de se distinguir dos seres humanos.
"Surpreendente pelo seu toque trágico e
existencial", foi indicado para o OSCAR de
1983, na categoria de efeitos especiais.
Trata-se de um filme de alta qualidade, pois
exige do público uma atitude positiva de
questionamento em nível superior e até de
pós-graduação. A magia de suas imagens, o
mistério de suas perguntas fundamentais
sobre a existência humana e, sobretudo, a
excelente combinação forma-conteúdo (cenas
criativas, sonoplastia atraente,
interpretação comovente, diálogos marcantes,
a beleza dos momentos de amor), tudo, enfim,
nesta obra, justifica o cinema admirado como
arte e instrumento permanente de
conscientização.
Apesar das cenas de violência, é um filme
pró-VIDA, pró-sentimentos; a favor da
solidariedade e do amor. Inspirado no
romance de Phillip K. Dick (a quem foi
dedicado, in memoriam). "Não sei por que ele
me salvou. Talvez porque, nos últimos
momentos, ele amasse a vida mais do que
nunca. Não somente a sua vida. A de todos. A
minha vida."
Do diretor inglês Ridley Scott (o mesmo de
"Alien", "A Lenda", "Os Duelistas", "Perigo
na Noite", "Chuva Negra" e "Thelma e
Louise"), eis uma obra cinematográfica para
ser vista e apreciada (partilhada e amada)
muitas e muitas vezes. Uma advertência sobre
o "progresso" científico. Uma discussão
sobre valores morais, sociais e individuais,
a ser debatida no íntimo de cada um. Um
grito de alerta sobre um "futuro" bem
próximo de nós, em que a "ciência",
ignorando os sentimentos e a consciência
individual, se mostra desumana, desenfreada
e lucrativa. Aliás, a mensagem maior está,
principalmente, na salvação pelo amor, que
vence todos os obstáculos, as dúvidas e a
violência. Que filme espetacular! E achamos
mais espetacular - e intrigante- a cada vez
que o repetimos! Se eu só pudesse escolher
um único filme para exibir e debater, eu
escolheria "Blade Runner"... apesar de
conhecer dezenas de outros filmes mais
bonitos, mais interessantes e agradáveis de
se assistir. Escolheria o "Caçador de
Andróides" porque "mexe" com a nossa cabeça
e desencadeia o pensamento filosófico,
fazendo-nos refletir sobre temas essenciais
e sempre atualíssimos. Na minha opinião, a
cada dia que passa, a mensagem de "Blade
Runner" será cada vez mais significativa e
urgente.
No elenco, estão: Harrison Ford (da trilogia
"Guerra nas Estrelas", "Indiana Jones e os
Caçadores da Arca Perdida", "A Testemunha",
"Uma Segunda Chance", "A Costa do Mosquito",
"Busca Frenética", "Jogos Patrióticos",
"Secretária do Futuro", "O Fugitivo", "Seis
Dias, Sete Noites" e outros); Sean Young
("Duna", "Sem Saída", etc.); Ruthger Hauer
("O Feitiço de Áquila", "A Conquista
Sangrenta", "A morte pede carona", "Os
Falcões da noite", etc.); Daryl Hannah ("Roxanne",
"Wall Street", etc. ).
Mas, afinal, o que nos diz este filme
perturbador, inquietante e envolvente, a nos
sacudir da cabeça aos pés, de dentro para
fora e do exterior ao mais profundo de nossa
alma?
* Nenhum engenho, por mais aperfeiçoado que
seja, pode substituir o ser humano. Se a
"substituição" ocorre, o que aconteceu com o
ser humano?!
* Os sentimentos, as emoções constituem a
característica mais humana, o sinal
identificador que nos diferencia das
máquinas e de outros seres diversos.
* Vivendo, quotidianamente, com a angústia e
o medo, as circunstâncias de nossa
mortalidade, descobrimos que a vida se nos
apresenta como um recinto sombrio,
tenebroso, artificial e violento; e perdemos
o entusiasmo pelo cotidiano e até mesmo a
vontade de agir profissionalmente; e nos
isolamos; e recorremos à bebida, aos
diálogos insinceros, desistindo de entabular
uma conversação que valha a pena ser
começada...
* Nesse contexto tão aterrador, de repente,
a amizade e o amor se revelam como eventos
absolutamente extraordinários e, sobretudo,
redentores, porque a sua força, suave,
afetuosa tem o potencial de nos resgatar da
inércia e da solidão, transformando a nossa
existência, por mais deprimente que a
situação nos pareça, libertando-nos das
restrições que nos amarguram...
* E a amizade e o amor, assim como a
verdade, nos libertam e nos conduzem mais
alto, a paisagens onde reina a esperança das
árvores.
* Amando e confiando, somos capazes de
enfrentar as perguntas que antes não
ousávamos formular, mas que devem ser
colocadas diante de nós, seres humanos e,
portanto, capazes de perguntar, escolher e
AMAR.
* Que pode existir de mais precioso e
criativo do que a vida?
* No entanto, como viver sem a presença do
ser amado? E como é difícil se aceitar a
morte! Principalmente, a morte de quem
amamos acima de tudo e de todos...
* E a pergunta volta a nos incomodar, a nos
inquietar: que existe de mais precioso ou
superior à vida?
* A amizade; o amor... pois há momentos
decisivos, transfiguradores de nossa
existência, em que tais sentimentos se
revelam com tal poder e sinceridade que a
morte não mais assusta... e a vida, tão
preciosa, é oferecida,consciente e
voluntariamente, com amor e convicção, em
troca da vida de outrem.
* Antes de se iniciar uma "caçada a
andróides", é preciso ter coragem de
empreendermos uma caçada ao íntimo de nós
mesmos e, conhecendo a nós mesmos, em toda a
dimensão do ser humano, chegamos, afinal, a
compreender, à luz da reflexão, a diferença
fundamental entre andróide e pessoa humana:
o amor é, antes de tudo, um ato de fé e
coragem.
|
A LIÇÃO DO CAÇADOR DE
ANDRÓIDES
Poema de Theresa
Catharina, inspirado no
filme "Blade Runner" -
uma fábula para o século
XXI, um filme para
pessoas inteligentes e
responsáveis.
As imagens, os sons e as
palavras do
cinema-fábula,
lenda e saga futurista,
cintilante de beleza
plástica e filosófica
provocaram uma reflexão
crítica sobre a
vida: ontem, hoje e
amanhã.
Com ação e suspense de
conto policial,
* este filme
especialíssimo narrou
uma história de amor
* cintilante de
sentimento e emoção.
* No labirinto mágico do
coração-mundo,
* nas sombras das luzes
diurnas da
cidade-universo
* e no mistério de suas
perguntas essenciais
* sobre a razão e o
destino da existência
humana,
* embora reprimido,
rejeitado e amedrontado,
* o amor se impôs
finalmente...
* derrubando a frieza e
a desilusão,
* a desmotivação e o
desinteresse,
* o choro escondido, o
terror disfarçado,
* o amor se impôs...
* abriu os lábios, os
braços, as mãos;
* juntou os olhos, uniu
os corpos, humanizou,
SALVOU.
* A melodia inebriante
do sentimento
* dobrou a força
esmagadora
* e sacudiu as ilusões
do progresso amoralmente
cego.
* O amor destruiu a teia
do desencanto,
* enfrentou as dúvidas e
o desconhecido.
* Perturbador,
inquietante e
envolvente,
* o amor se impôs...
* atingindo as camadas
mais profundas da alma
em coma;
* identificando e
diferenciando, movendo,
transformando,
* o amor se impôs... e
resgatou os sentimentos
aprisionados.
* O mundo tenebroso,
artificial e violento
* deixou de ser
aceitável, pois o amor o
rejeitou.
* Num contexto
aterrador, o amor
contestou...
* e venceu. Ressuscitou.
Calou a descrença.
* Como evento
extraordinário e
redentor,
* o amor resgatou da
inércia e da solidão,
* transformando a
existência deprimente,
restritiva,
* sem horizonte,
* em paisagem
libertadora onde reina a
esperança das árvores
* e a promessa do espaço
azul, infinito,
* acima das montanhas
mais inacessíveis.
Amando e confiando,
somos capazes de
enfrentar as perguntas
que antes não ousávamos
formular,
mas que devem ser
colocadas diante de nós,
seres humanos e,
portanto, capazes
de perguntar, escolher e
AMAR.
E nos momentos
decisivos,
transfiguradores de
nossa existência,
os sentimentos se
revelam
com tal poder e
sinceridade
que a coragem nos
envolve,
nos fortalece e
nos faz caminhar com
decisão.
Convictos, confiantes
no amor,
ILUMINADOS E
TRANSFIGURADOS POR SUA
CHAMA,
frágeis e fortes,
trêmulos e fortalecidos,
empreendemos uma caçada
ao íntimo de nós mesmos
e, procurando conhecer
o nosso espírito,
e buscando compreender o
próximo
(ouvindo, também, o seu
coração...),
em toda a dimensão
sombra-luz do ser
humano,
chegamos, afinal, a
entender,
à luz da reflexão,
a diferença fundamental
entre andróide e pessoa
humana:
o amor é, antes de tudo,
um ato de fé e coragem.
Brasília, 13 de junho de
1997
Theresa Catharina de
Góes Campos
Departamento de
Fundamentos
Faculdade AEUDF |
|
LEITOR APRECIA COMENTÁRIO SOBRE O FILME "
BLADE RUNNER"
De: "Yan Jacobina"
Data: Tue, 28 Mar 2006 20:41:16 -0300
Para: theca@[...].com.br
Assunto: BLADE RUNNER
Theresa:
Navegando pela web e pesquisando sobre "Blade
Runner", li seu artigo sobre o filme e quero
dizer que nunca senti tanta inveja, como
senti de você por escrever tão bem e fazer
tão belo comentário sobre Blade Runner.
Você foi simplesmente Fantástica,
parabéns...
Você escreveu tão bem, que deu vontade de
ver de novo esse filme, que para mim
é realmente uma obra dos deuses.
Ouvi dizer, não sei se você está sabendo,
que se planeja um "Blade Runner" 2, baseado
no livro que tem uma continuação na qual o
policial Deckard iria a julgamento por ter
matado um ser humano que ele julgou ser um
replicante... é uma boa premissa para uma
continuação, mas o primeiro foi tão perfeito
para mim que se pudesse proibiria uma
continuação (nem que fosse o Spielberg) do
Blade Runner, não acha?
Acho que, em DVD, só existe a versão do
diretor, ou já saiu a versão tradicional,
cult? Se tiver, compro na mesma hora, até
vou pesquisar no site da locadora, pois eu
tenho em VHS, quando a Warner lançou seus
primeiros filmes em VHS no Brasil.
Para terminar, queria dizer que achei o
máximo o trecho em que você diz: " É uma
obra-prima de imagens, sons e palavras".
Simplesmente você conseguiu resumir o que é
o "Blade Runner"...
Bem, fiquei tão empolgado com seu texto que
resolvi lhe escrever, mesmo não tendo o seu
talento de traduzir em forma de palavras o
sentimento do espetáculo que é este filme "BLADE
RUNNER".
Grande abraço e que Deus lhe abençõe, dando
cada vez mais inspirações
para outros textos tão lindos como esse...
Yan
Data: Wed, 13
Dec 2006 21:31:36 -0200
De: "Theresa Catharina de Góes Campos"
Para: "Walter Filho"
Assunto: Sinto-me honrada em ser citada,
tanto no seu livro como nas palestras
Prezado Dr. Walter Filho:
Sinto-me honrada com os seus elogios, assim
como por ser incluída em seu livro, nas suas
palestras, enfim, nos seus comentários.
Como esclareci em resposta a seu e-mail
anterior, todos os meus textos podem ser
reproduzidos e citados, desde que se
registre a minha autoria.
Muito obrigada! Deus lhe pague!
Cordialmente,
Theresa Catharina
--------------------------------------------------------------------------------
Wed, 13 Dec
2006 03:43:15 +0000, "Walter Filho"
escreveu:
Jornalista e Professora Theresa
Catharina:
Não conseguiria dormir sem te enviar
este e-mail. Ao ler seu artigo
sobre Blade Runner mergulhei no
mundo do filme e viajei na música de
Vangelis. Assisti ao filme várias
vezes. Vou guardar para sempre sua
frase: "Se eu só pudesse
escolher um único filme para exibir
e debater, eu escolheria "Blade
Runner" . Eu digo o
mesmo. Apesar de amar outros filmes
maravilhosos e este não ser o meu
favorito. Peço permissão para
colocá-la no meu livro. Se possível,
leia o outro e-mail. De coração!
Será citada em todas as minhas
palestras sobre cinema. Estou
encantado com seu trabalho. Agora
dormirei melhor...abraços. Walter
Silva Pinto Filho.
|
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EXTREMO SUL
Espero que esse documentário possa vir a ser, no circuito
comercial de exibição cinematográfica do Brasil, uma
produção que também se destaque, alcançando sucesso
comercial, de público, isso dependendo do espaço que lhe for
concedido e do aumento do número de cópias ( até o momento
insuficiente para o seu inegável merecimento ). Apresso-me a
declarar que eu fiquei absolutamente fascinada por este
filme!
www.mschmiedt.com.br/extremosul
" Extremo Sul " ( Brasil, 2005), cor, 92 min., dirigido por
Sylvestre Campe e Monica Schmiedt , com distribuição Europa
Filmes, tem no elenco:
Nelson Baretta, Ronaldo Franzen Jr. e Eduardo Hugo López.
" Em março de 2003, cinco alpinistas montaram um acampamento
no extremo sul da Terra do Fogo, um dos locais mais
inóspitos do planeta.
Enfrentando o frio, a chuva constante, a neve e os ventos
fortes, é realizada uma expedição para escalar o Monte
Sarmiento, montanha pouco explorada mas bastante conhecida
pela sua beleza, pelo isolamento e perigo. "
É surpreendente, como obra cinematográfica, pelo fato de
tudo ter saído diferente ( do roteiro original), " errado ",
contrariando o que fora cuidadosamente planejado... e,
apesar disso, dessa grande frustração, os cineastas
conseguirem fazer um filme perturbador, belo, misterioso em
perguntas essenciais sobre a natureza, a vida, o ser humano.
E ganharem, com o filme, um troféu cinematográfico - Gran
Premio - Genziana D´Oro, no 53º Trento Film Festival,
premiação nunca
antes concedida a uma produção brasileira no gênero
aventura/alpinismo!
" Nessa expedição, só a montanha é de gelo. " ( frase da
divulgação)
Quando todos os protagonistas desistiram de realizar o seu
sonho, o seu projeto, os cineastas superaram a guinada do
destino, para concluírem, apesar do que seus esforços e sua
dedicação não conseguiram realizar ( ! ), o seu documentário
inesperado, e por isso muito especial.
Eu já me preparava para assistir a " Extremo Sul " no dia
seguinte, quando encontrei, saindo da sala de exibição do
cinema, um amigo paulista, médico psiquiatra, que estava "
nas nuvens ", impressionado com o filme.
Mesmo sabendo o desfecho da história, " Extremo Sul " me
reservou grandes surpresas com a sua narrativa, enriquecida
por imagens e sons de arquivos históricos; as informações
sobre os primeiros habitantes da área; com os seus diálogos
documentais, suas palavras reveladoras e a natureza como
locação externa privilegiada, senhora absoluta, ativa e
atuante, hipnotizadora e mágica. Sempre misteriosa e ativa,
encantando e atraindo...e atemorizando também.
Theresa Catharina de Góes Campos
CRESCER COM O CINEMA
Cresci ao longo de um século com o cinema, e hoje sei que
foi o cinema que
me fez crescer. Obrigado a todos, e viva o cinema!
Manoel de Oliveira, cineasta, aos 99 anos, em seu discurso
após receber a
Palma de Ouro Especial - no 61º Festival de Cannes - 19 de
maio de 2008.
MEU TIO DA AMÉRICA
Com "Meu tio da América" (Mon oncle d'Amérique - França,
1980), o diretor Alan Resnais deu a sua contribuição
magistral para um mundo melhor.
"A única razão de ser de um ser é ...ser. Conservar a sua
estrutura."
Para os que consideram o cinema apenas uma diversão
superficial e sem maiores efeitos, as palavras acima
pareceriam um texto de obra filosófica. Estariam enganados,
porém. Aquele pensamento, expresso em vocábulos
aparentemente muito simples, mas de profunda significação, é
a citação inicial que se apresenta ao público na introdução
do filme "Meu tio da América". Com esse impacto verbal, Alan
Resnais revela de imediato a sua intenção, como diretor de
uma obra que precisa e merece ser vista muitas e muitas
vezes, tais os benefícios que pode trazer para a vida de
cada um e da sociedade em geral, sem restrição de tempo ou
espaço.
Sendo a originalidade a marca de sua carreira
cinematográfica, o cineasta aborda os mecanismos da memória
(como fez em "Providence") e o paralelismo de épocas
diversas (como em "O ano passado em Marienbad") de maneira
bastante especial, criativa na forma e no conteúdo, e
transbordante de informação e reflexão crítica.
"O filme surpreende, desafia, aguça a sensibilidade e
convida à reflexão, mas tudo isso numa linha bem-humorada,
rara num realizador em geral monopolizado pelos mais
angustiantes debates em torno da condição humana. Tratando
seus personagens como instrumentistas de uma orquestra de
câmara, Resnais abre mão do comando que poderia exercer
sobre eles - e que exerceu sobre os personagens de seus
outros filmes - para observá-los, divertido, complacente, um
pouco à maneira de Truffaut.
Essa liberdade de ação se combina à beleza de imagens
requintadamente construídas, como é sua marca registrada,
tornando o filme leve, fluido, belo em todos os sentidos. As
interpretações de Gérard Dépardieu, em seu melhor desempenho
até hoje, de Nicole Garcia e Roger Pierre contribuem para
que "Meu tio da América" se defina como obra-prima."
(transcrição de texto reproduzido pela Fundação Cultural do
DF, sem indicação de autoria, e distribuído ao público no
Cine Brasília)
"Mon oncle d'Amérique" divulga a teoria científica do
biólogo Henri Laborit, exemplificando-a pela ficção - a
história de dois homens e uma mulher, de cidades e origens
sociais e familiares diversas, da infância à idade adulta.
Enfatiza a influência da família, das recordações infantis,
dos jogos e das atividades iniciais. Destaca a importância
do meio ambiente no desenvolvimento de personalidades e
atitudes.
Voltando a citar o prólogo do filme (Prêmio Especial do Júri
no Festival de Cannes de 1980): "As plantas passam a vida
toda no mesmo lugar, sem se deslocar, extraindo do solo em
que estão tudo de que necessitam para viver."
Com a sua construção visual colorida (na qual também inseriu
imagens em preto e branco), Alan Resnais aborda o problema
da dificuldade de adaptação às constantes mudanças da vida
atual, a relutância na aceitação da nova realidade
socioeconômica (exemplificada na figura do administrador de
uma pequena empresa, quando esta é absorvida por uma grande
companhia, com novas idéias, novos métodos e direção nova).
Isolado da família (que não se mudou com ele para o local da
nova função, que lhe foi imposta sem alternativa de recusa
ou opção ...), tenso, sentindo-se rejeitado e humilhado, sem
saída, o marido e pai gourmet , apesar de aparentar ser
fisicamente forte, tenta o suicídio. Ora, logo nos seus
primeiros momentos, "Meu tio da América" enuncia uma
definição que precisamos apreender para conseguirmos
sobreviver com dignidade e em consonância com o nosso
potencial:
"Angústia é a impossibilidade de se controlar uma situação."
As idéias, experiências e conclusões do cientista Henri
Laborit, divulgadas pelo filme, candidato ao Oscar de 1981
(melhor roteiro), sobre os conflitos sociais, motivam
análises mais profundas: trata-se da luta pelo poder, uma
luta que não respeita os direitos dos outros e provoca
conflitos. Revela-se a guerra, então, como a ambição da
propriedade sem restrições e sem limites, por qualquer meio,
inclusive o violento, agressivo.
"Meu tio da América" aponta a presença dos outros em nós:
nós somos os
outros, que atuam sobre nós, que nos influenciam de um modo
ou de outro. Daí ser um filme atual e permanente -
universal. Os personagens são hodiernos: a atriz
independente e liberada que, depois de conquistar um alto
funcionário público (casado e pai de um casal de filhos
menores), vê-se cuidando das crises de angústia e úlcera que
ele passa a ter; uma atriz que, mais tarde, será enganada
pela dramatização e astúcia (o amor?) da esposa traída que a
procura para lhe pedir que permita ter de volta o seu
marido, pois ela está sofrendo de uma doença fatal e tem
pouco tempo de vida...Assim, a amante o abandona e o casal
se reconcilia. Na sua solidão, tentando compreender o que
ocorrera em sua vida particular, a atriz - transformada por
necessidade em desenhista de modas - procura o seu ex-amante
e a família dele, descobrindo, finalmente, que fora
ludibriada. E a esposa, vitoriosa, ainda lhe diz que, se não
fosse a sua ajuda (dela, esposa), o marido não teria escrito
o livro sobre o sol que há muito planejava publicar.
Entre as cenas de experiências profundamente humanas,
intercalam-se pesquisas laboratoriais com ratinhos, quando
Laborit ilustra com muita ênfase os efeitos altamente
perigosos da angústia, do stress, enfim, da tensão que nos
fere intimamente e provoca úlcera, câncer, e muitos outros
males e distúrbios funcionais, a nosso organismo tão
sensível e frágil. Como não podemos reagir violentamente
contra os outros que nos desagradam, ou ferem, ou irritam ou
nos contrariam, escolhemos, erradamente, ser agressivos
contra nós mesmos. O suicídio, por conseguinte, é a agressão
máxima que se comete.
Material publicitário de "Meu tio da América" apregoa:
"O que os ratos brancos podem nos ensinar sobre a condição
humana."
De acordo com as estatísticas mais recentes, o número de
suicidas vem aumentando assustadoramente, no mundo inteiro,
em todas as faixas etárias (até crianças e adolescentes se
angustiam a ponto de perderem a esperança!) e condições, mas
a idade dos que se suicidam está baixando!
A solução começa, é claro, na compreensão de que o problema
existe e que a angústia precisa ser considerada como um
ponto de partida para se encontrar uma saída positiva,
humana, ainda que se recorra a uma alternativa, adaptação,
ou a um redirecionamento de nossos interesses e objetivos.
Daí a importância da criatividade - cuja definição, aliás,
é, segundo cientistas da NASA que se pronunciaram a
respeito, a capacidade de resolver problemas. Sobreviver é
nossa obrigação para com a vida que existe em nós.
Precisamos realizar nosso potencial, conservar nossa
estrutura, enfrentando e vencendo os obstáculos, sem deixar
que a angústia nos domine, asfixie e nos leve à destruição.
Um dos trechos mais importantes de "Meu tio da América"
comenta que, na hipótese de uma criança ser criada numa
floresta, entre os animais, sem nenhum contato com outro ser
humano, ainda que se desenvolvesse fisicamente, jamais seria
um homem no sentido exato da palavra, devido à ausência do
contato humano, pois é a comunicação com outras pessoas que
possibilita a plena realização do ser humano. (Ver o filme
"O garoto selvagem", de François Truffaut; ler meu
comentário.)
Infelizmente, nem todos sabem apreciar essa obra-prima (a
que TODOS DEVERIAM ASSISTIR!, por ser um filme que nos
ensina a viver, nos faz refletir sobre nós mesmos, sobre a
nossa sobrevivência pessoal, sobre a nossa realização como
indivíduos inseridos em um contexto social...) do cinema
contemporâneo europeu. Isto porque a comunicação de massa de
baixa qualidade e o ritmo atual da vida nas metrópoles
contribuem para a uniformização do espectador num estado de
embotamento intelectual que se nega a pensar, raciocinar,
refletir e, sobretudo, aprender, quando isto exige uma certa
dose de concentração e esforço. O hábito de assistir a
programas repetitivos e fáceis, no conforto de seu lar, sem
nenhum esforço para selecionar outras produções de maior
profundidade e de nível mais elevado, realizadas
inteligentemente sobre assuntos sérios, filosóficos ou
científicos.
Assim, uma janela cultural é fechada previamente pelo
espectador que não busca seu aperfeiçoamento intelectual
através da diversão caracterizada pela excelência de
qualidade. Aos poucos, ele vai perdendo a capacidade de ler
com rapidez as legendas e apreender o significado de um
roteiro mais complexo, hermético ou simbólico.
Conseqüentemente, os que se acostumam à mediocridade talvez
durmam ou se retirem da sala de projeção na primeira parte
do magistral "Meu tio da América", reclamando:
"- Não sabia que era documentário", ignorando que os gêneros
artísticos nem sempre são rígidos ou limitados na sua
criatividade, alienados quanto à possibilidade de o cinema
divulgar pensamentos, ensaios e relatórios científicos por
meio da ficção dramática.
Mesmo entre aqueles que assistem ao filme até o fim, ainda
encontramos os que, honestamente, perguntam:
"- Por que o título?! Não tem nada a ver!"
Mas é claro que tem a ver! A mensagem do "tio da América"
está explícita, em um determinado momento da película,
quando o público fica sabendo que era um parente citado
porque decidira se mudar para a América e continuava pobre.
A família repetia a história toda vez que alguém pensava em
efetuar qualquer mudança em sua vida, em seu empenho para
resistir a qualquer interferência na sua rotina tradicional.
Todavia, a criança já percebia que era um relato mal contado
e que o tio, na certa, enriquecera. O menino acreditava que
o "tio da América" possuía realmente um tesouro, escondido
em algum lugar... e, como acontece com todo tesouro, merecia
ser procurado sem esmorecimento. É bem verdade que, em se
tratando de símbolos e mensagens profundas, as leituras dos
espectadores podem ser diferentes, pessoais... , o que se
constitui, portanto, em mais uma riqueza do filme. Quanta
simbologia em um simples título! E como é importante que um
título leve à reflexão e se revele aos poucos, devagar,
gradualmente, desvendado lentamente, esclarecido pela mente
e pela sensibilidade maravilhosa do coração humano!
Durante a projeção e ao término da sessão, percebemos que
precisamos rever "Meu tio da América" ... para que possamos
nos lembrar e compreender melhor os diálogos, a narração, as
imagens. E que mais se poderia exigir de um filme, quando
provoca, nos espectadores, a necessidade e o desejo de vê-lo
mais vezes?!
Theresa Catharina de Góes Campos
Fundadora e Jornalista Responsável
Cineclube dos Educadores
Brasília, 6 de agosto de 1987
-------------------------------------------------
Prezada Profa. Theresa,
Estou querendo e precisando rever o filme Meu Tio da América
de Alan Resnais, tão bem comentado no seu Arte & Cultura
News.
Professor Vladimir Amâncio de Abreu
Universidade Anhembi-Morumbi
São Paulo - SP
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From:
REYNALDO FERREIRA
Date: 2008/9/24
Subject: RE: Meu tio da América
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Magnífico o seu comentário, prezada Theresa Catharina, sobre
o filme de Resnais "Meu Tio da América", que revi
recentemente. É realmente um dos meus preferidos de Resnais.
Parabéns. Reynaldo
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From:
LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/9/24
Subject: RE: Meu tio da América
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresa Catharina:
Gostei muito dos seus comentários sobre o filme. Será que já
tem em DVD? Até, Luci
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From:
adfalcao
Date: 2008/9/25
Subject: Re:Meu tio da América
To: "theresa.files"
Theresa, com enorme acuidade, você esmiúça as referências
sutis lançadas pelo diretor e as contextualiza em sua
análise minuciosa.
Excelente comentário. Ana
AMORES PARISIENSES
"Tu és como o vento, que faz cantar o violino e tem o
perfume das rosas...(...) Palavras, palavras... (...) As
palavras ternas e doces saem da minha boca, mas nunca do meu
coração."
"Amores Parisienses", o mais "recente" filme de Alain
Resnais, um dos nomes seminais do cinema francês inovador,
mostra que o diretor de "Hiroshima Meu Amor" (1959), "O Ano
Passado em Marienbad"( 1961), "Meu Tio da América" (1980) e
"Smoking/No Smoking" (1993) ainda faz, aos 80 anos, muito
sucesso e por isso continua sendo exibido nos cineclubes e
no circuito comercial, como atualmente em São Paulo. O êxito
foi facilitado porque, desta vez, sua obra não tem
estruturas narrativas complexas, nem script enigmático por
suas visões psicológicas. Os atores Agnès Jaoui e
Jean-Pierre Bacri ( os roteiristas de "Smoking/No Smoking")
escreveram o roteiro, cuja característica principal é a
fluidez, na descrição ágil das situações e reações humanas
facilmente reconhecíveis.
" - Você amaria um homem doido? Doido varrido por você? "
Homenageando, em seu contexto, a Cidade-Luz, e também,
canções populares contemporâneas (36 composições), o filme
nos permite um encontro com os anseios e problemas de
pessoas da classe média. Os seres humanos nem sempre dizem a
verdade, ou nem sempre as suas palavras refletem o que, na
verdade, está acontecendo em seu íntimo ou em sua vida. E,
com freqüência, se enganam na interpretação dos próprios
sentimentos, deixando-se iludir, igualmente, com as
aparências enganadoras do próximo. Carro e hotel caros
seriam indícios de sucesso profissional e financeiro...Camille
mostra-se encantada ao ver a Guarda Republicana desfilar: "o
uniforme valoriza!"
" - Eu não poderia viver sem você...você sabia?
- Não, eu não sabia."
Obra realista, engraçada e romântica. Nela, é possível
enxergar as três dimensões da realidade: passado, presente,
o futuro dos relacionamentos.
"Mascarar e trapacear para não sofrer muito." (Claude, sem
conseguir dialogar com a esposa Odile, interpretada pela
graciosa Sabine Azéma, de "Smoking/No Smoking.) Ela
reconhece querer se mudar para um apartamento maior, num
bairro chique, mesmo que isso signifique uma dívida
considerável. A todos, trata com cortesia, exceto o seu
marido...embora ele de boa vontade ajude a mulher em algumas
tarefas domésticas. Com seus amigos - o esposo observa -
mostra-se tão atenciosa que até parece estar flertando com
eles!
" - Se não digo nada, eu observo tudo. Eu me reprimo..."
E ocorre, algumas vezes, que Odile nem demonstra prestar
atenção às perguntas de Claude: não responde, fala de outro
assunto, comporta-se quase com indiferença.
"Você não quer que eu dê minha opinião, Odile! Quer que eu
concorde com você. E fique feliz em concordar!" (E tudo o
que o marido lhe sugeria era que pensassem um pouco mais
antes de investir em um novo imóvel...)
"Amores Parisienses" (On Connaît la Chanson - co-produção:
França, Suíça, Inglaterra - 1997 - cor- dolby digital - 120
min.-35mm) é, de fato, o filme mais leve e divertido do
octogenário Alain Resnais, um musical diferente porque não
tem números de dança, mas reúne uma coletânea de canções
francesas que revelam circunstâncias, expressam emoções e
pensamentos, substituem diálogos dos personagens, urbanos e
bem atuais. Os versos manifestam tanto a fantasia, o sonho,
como a realidade de suas vidas, nas relações familiares e
sociais, afetivas e profissionais. Diálogos interessantes e
canções muito bem escolhidas para as situações e os
personagens - tudo se encaixa, tudo se mostra apropriado ao
contexto da obra - que eficiência! Quando se é competente,
eis o resultado: obra de qualidade!
"Não se pode ser muito sincero. É preciso ser um pouco
falso."
No entanto, o pai de Odile e Camille é todo sinceridade e
tranqüilidade, inserindo-se nas circunstâncias como um
personagem que afirma sua presença, nos poucos momentos em
que aparece. Uma simpatia de pessoa! Com a sua sabedoria
pragmática, diz a Odile não entender um preço tão baixo para
aquele apartamento enorme... Quando Camille não se sente
bem, o pai logo quer saber se ela se alimentou, que tipo de
alimento, ou se deixou de comer. Lembra, com toda a sua
simplicidade, que os atletas se alimentam de massas e
bananas, antes das competições. Viajou seis horas para ouvir
a defesa de tese de Camille, entusiasmando-se com as
observações elogiosas dos examinadores. Apesar de
reconhecer, sem rodeios nem acanhamento, que ele nada
entende do assunto, entusiasma-se: "Bravo, minha filha!"
"- Vai começar...não consigo relaxar..."
"(...) Tenho a impressão de que vou cair, morrer aqui mesmo.
(...) Sinto um peso de duas toneladas e meia no peito..."
E seu pai, contemplando-a carinhosamente:
"- Isso não é nada. Com o tempo, vai passar."
Os adultos às vezes se agridem com palavras ou simplesmente
agem com descortesia. Quando refletem sobre esses erros, um
pedido de desculpas demonstra que chegaram à conclusão de
que fizeram mal; esse reconhecimento é bom para a
convivência. Como também funciona, ao fazermos uma besteira,
reconhecermos que cometemos um erro grave, precisando correr
para os braços de quem pode nos oferecer carinho, apoio, até
nos defender!
Comédia dramática existencial, com romance e humor refinado,
" Amores Parisienses " apresenta-se como se fosse um teatro
lírico contemporâneo, uma típica opereta para os dias de
hoje. Diálogos comuns alternam-se com as cenas em que o
elenco "canta" com as vozes de Maurice Chevalier, Edith Piaf,
Dalida e Alain Delon, entre muitos outros. Jane Birkin,
porém, dubla a si mesma. O filme partiu de uma idéia do
dramaturgo britânico Dennis Potter (1935-1994), a quem
"Amores Parisienses" é dedicado; em suas obras, os
personagens interpretavam, a todo momento, músicas
populares. O acaso e as coincidências têm papel fundamental
nos acontecimentos narrados pelo roteiro, como na existência
de todos nós, se refletirmos sobre essas surpresas tão
comuns... Mais uma obra de Alain Resnais que merece ser
vista e apreciada várias vezes! Uma jóia! E inteiramente
rodada em Paris.
"Ele te acaricia com os olhos."
Original e criativo, além de agradável (desde a apresentação
dos créditos iniciais), reproduz, em suas primeiras cenas, o
fato de o oficial nazista Von Choltitz desobedecer, na
França ocupada, às ordens explícitas de Hitler para destruir
Paris. Explosivos já tinham sido colocados em todas as
pontes da cidade, mas o militar tomou decisão corajosa. No
filme, a voz de Josephine Baker sai, sincronizada,
provocando risos na platéia, dos lábios de Von Choltitz,
"cantando" o clássico, na versão francesa, em que declara ,
como seus dois amores, o seu país e Paris ("Two Loves Have
I"): "Esses dois amores encantam o meu coração."
(...) "- Ser ajuizado é qualidade? pergunta Nicolas à sua
amiga Odile, que lhe fala sobre o marido.
- Sim, é qualidade."
Vencedor de sete César 98, entre os quais o prêmio de melhor
filme, "Amores Parisienses" poderia ser previamente
explicado aos espectadores não-avisados como obra realizada
na linha de trabalho da comédia musical, dramática e
romântica de Woody Allen, "Todos Dizem Eu Te Amo",
considerando-se que o público jovem, e mesmo os adultos,
levados pelo título em português, reagem de forma negativa,
diante da surpresa cinematográfica. Constatamos essa reação
da platéia, em diversas sessões. A informação sobre o
gênero, mais importante que a sinopse, estabeleceria uma
comunicação maior com o público (recomendação: a partir de
14 anos).
"Ter um bom amigo é o que há de melhor no mundo" -
reconhecem Nicolas e Simon - este, apaixonado por Camille (a
co-roteirista de " Amores Parisienses ", Agnès Jaoui), guia
turística e pesquisadora universitária.
"- Passei a ser seu confidente: nada de sexo, só ouvidos."
A possibilidade do riso "nas tristezas. Quando se tem um bom
amigo."
Uma foto da família de Nicolas, mostrada a Simon em cena de
confidências, já tinha provocado anteriormente, da parte de
Odile, a observação de que se assemelharia a uma publicidade
de chicória... Simon, mesmo nas horas de trabalho, não tira
Camille de seu pensamento, vivenciando uma contínua
"vertigem do amor". Na sua presença, desdobra-se em atenções
sinceras, na esperança apaixonada de que ela compreenda que
têm afinidades de interesses. Camille lhe confessa estar
trabalhando como " louca ", preparando-se para a defesa da
tese dali a três dias e continuando suas outras atividades.
As contradições da vida universitária são, também, um dos
temas de " Amores Parisienses", que expõe os projetos
aparentemente sem utilidade próxima, sobre os quais poucos
se interessam e, ainda assim, essas teses são publicadas! E
quem as estudou e defendeu também parece não saber o que
fazer dessas pesquisas no futuro...
"As canções, que funcionam como um coro, surgem para
comentar a ação ou sublinhar o estado de espírito dos
personagens, envolvidos em relações desajustadas em uma
Paris romântica." São situações de amor, intrigas e algumas
revelações sobre as pessoas que desfilam na tela, ante
nossos olhos conduzidos por diálogos, melodias, imagens e
sons a comporem a narrativa. Esta inclui cenas absolutamente
corriqueiras nas metrópoles, como grupos de turistas,
barulho do trânsito e de construções, atropelamentos sem que
o motorista socorra a vítima... E ninguém anotou a placa do
carro!
Os personagens em primeiro plano, em cenários interiores, e
a visão da rua, através de balcões e varandas, ou janelas,
por onde se vê pessoas e veículos se movimentando, nas
calçadas e nas ruas, o que imprime uma característica
realista, "ao vivo". Ou durante a festa, alguns convidados
conversam, desfocados, compondo o cenário de fundo para os
protagonistas. Na estação ferroviária, barulhenta e agitada,
a esposa de Nicolas tenta dialogar com o marido. Na
maternidade, não vemos os bebês, mas ouvimos a sua "canção"
exclusiva - o choro quase em coro! - a invadir o corredor. E
a bela paisagem contemplada, do apartamento novo de Odile e
Claude, nas cenas noturnas da festa: a igreja Sacré-Coeur de
Montmartre, a silhueta inconfundível da Torre Eiffel,
iluminadas e iluminando quem sabe admirá-las!
"Gostaria que a terra parasse, para eu descer."
"De nosso amor ardente restariam apenas cinzas" - canta (e
atua) Jane Birkin, com muita sensibilidade.
Angustiada ao extremo, pede que o marido lhe fale a
verdade...
Afirma que prefere a verdade:
- Diga "não consigo", "as coisas não vão bem..."
Ela acredita que esconder a realidade nada resolve,
complica, multiplica os problemas, impedindo a sua solução.
"- Por que você chora assim, constantemente?"
Odile, Madame Lalande, é empresária e muito carinhosa com
sua irmã Camille, por quem se preocupa sinceramente. Odile,
Camille, Claude e Simon não fumam, nem a esposa de Nicolas
(Jane Birkin) - os outros, não largam o cigarro, o que chega
a incomodar os espectadores não-fumantes, entre os quais eu
me incluo. Parece até que sentimos o cheiro desagradável a
nos atacar olhos, narinas e garganta! Enquanto a anfitriã
arruma as travessas de salgados e doces, na cozinha, Nicolas
fuma sem parar, conversando ao lado dela... e o cigarro
aceso pairando acima da mesa, como espada de Dâmocles
contemporânea, ameaçando os pobres mortais não-fumantes e
seus alimentos supostamente limpos e saudáveis.
Lambert Wilson, interpretando o dono da imobiliária que era
de seu pai, faz o galã da história: o jovem Marc (será que o
ator encontrou a fonte da juventude e dela bebeu ?!),
elegantemente vestido, cortês para uns, agressivo e
indelicado com o seu empregado mais antigo e culto (Simon).
Constantemente trazendo flores para oferecer, Marc encanta
as mulheres. Sua capacidade de sedução traz resultados
rápidos, nos mínimos detalhes. Seu resfriado é confundido
com o que seriam lágrimas de uma suposta decepção amorosa,
beneficiando-se, assim, de uma falsa imagem de homem carente
de amor...ao ser observado por quem deveria se mostrar mais
inteligente! Marc usa e abusa de clichês, em seus diálogos
sociais, comerciais e sentimentais. Mas, tão elegantemente
vestido, o efeito de conquista é imediato! Uma de "suas"
canções bem define seu personagem, que "ama todas as
garotas", seja quais forem e onde quer que estejam.
(...) "Quando se perde a cabeça, perde-se muito mais!"
Destaques: produção, direção, interpretação, roteiro; temas,
personagens e diálogos; trilha sonora (mixagem,
sonoplastia); fotografia, cenografia (cenários interiores e
cenas externas) e objetos de cena; penteados e maquiagem;
figurinos (Sabine Azéma veste Christian Lacroix; Lambert
Wilson usa Christian Dior Monsieur); apresentação dos
créditos iniciais e dos créditos finais. Filme sem cenas de
violência, baixarias ou qualquer tipo de apelação, nem
sensacionalismo. Sem linguagem chula, nem gestos vulgares.
Uma preciosidade do cinema!
"- Por que (recomeçar)?
- Porque eu esperei por você muito tempo."
Entre os intérpretes das canções de "Amores Parisienses ",
além dos que foram citados, estão: Josephine Baker; Gilbert
Bécaud; Charles Aznavour; Jacques Dutronc;Sylvie Vartan;
Johnny Halliday; Serge Lama; Claude François; France Gall;
Sheila; Albert Préjean; Koval; Michel Sardou; Téléphone;
Simone Simon; Dranem; Alain Bashung; Pierre Perret; Henn
Garat; e Julien Leclerc...
"Com o tempo, tudo passa. Esquecemos o rosto, esquecemos a
voz. Quando o coração bate mais forte, não vale a pena ir
mais longe."
E vejamos o que escreveram alguns críticos:
"Uma sinfonia" (Adriano Schwartz); "a vida a cantar" (Amir
Labaki); "diversão de mestre" (Christian Petermann); "música
no coração" (Inácio Araújo); "o discreto charme da
burguesia" (João Leiva Filho); "Resnais bem-humorado"
(Suzana Amaral).
Outra temática de " Amores Parisienses ": a questão do
profissionalismo entre os corretores imobiliários; as
práticas comuns que indicam falta de ética e, portanto,
seriam inaceitáveis e condenáveis; as omissões...essas
informações caladas que, na verdade, são mentiras a
revelarem desonestidades e prejuízos para os clientes.
"- Sim, no trabalho de corretor, diz-se qualquer coisa."
O roteiro apresenta situações em que os casais têm
dificuldade na interpretação das atitudes e palavras de seus
cônjuges. Ou "vêem" demais ou de menos! Ouvem e lembram o
que deveriam esquecer, para seu próprio bem...Ou deixam de
se voltar para o outro, de ouvidos atentos, como acontece
entre os amigos de verdade! Cena de jantar em restaurante
ilustra esse desencontro. No local, ouvimos também o
desabafo de jovem separada...Ela chega a confessar à amiga,
que até se sente mal, ao contemplar toda aquela "felicidade"
de Claude e Odile, em mesa próxima.
O problema do desemprego revela-se em sua face comum - a
procura durante anos, ainda que a pessoa tenha um bom
currículo. As histórias se parecem...
Para Odile, o que ela descumpriu, como empresária, pode ser
desculpado com a frase:
"Nada é certo, enquanto não estiver no papel!"
Otimista, pragmática em alguns assuntos, carinhosa com a
irmã Camille, que precisa ser interrompida ou perturbada em
seu trabalho de guia turística, para prestar atenção em quem
somente tem olhos para ela. Acontece que tanto Camille
quanto Nicolas enfrentam um problema de saúde real, embora
quem não sofra desse mal tenda a minimizá-lo. Ambos procuram
médicos diversos, entretanto, talvez porque não sejam
sinceros nas consultas, ouvem diagnósticos diferentes,
conselhos contraditórios. Eles mesmos não reconhecem seu
estado depressivo, então o tratamento demora a fazer parte
de seu cotidiano. Como espectadores, refletimos, mas não
deixamos de rir com o roteiro desse filme, no qual a
realidade é abordada com um talento especial e, mesmo ao
descrever um problema sério como a depressão, o faz de modo
divertido, assumindo um tom absurdo e autêntico de
tragicomédia cotidiana. Hipoglicemia, espasmofilia tornam-se
assuntos corriqueiros nos encontros sociais.
"- E todos os remédios que toma! Para isso e para aquilo...
Eu nunca tomo remédios!" (...)
"- O médico disse que ela está bem. Não tem nada de
grave...só um problema de nervos. Nada para se preocupar."
O médico jovem e alegre recebe Nicolas em consultório onde
há um grande aquário. (Atenção para os versos detalhistas da
canção "Je Suis Malade" - Estou Doente.)
Outro médico, de mais idade, com a sua experiência tenta
tranqüilizá-lo:
"Seu coração ainda vai durar bastante tempo. (...) Relaxe,
ande de bicicleta, não se preocupe tanto com as
palpitações... ou vai adquirir uma úlcera. Deixe seu coração
palpitar... é natural."
A médica, irritada com a prescrição de um colega que
anteriormente tratou de Nicolas, dá consultas em ambiente
ruidoso, enervante: através de janela perto da mesa onde
trabalha, sons estrondosos de máquinas de construção...
Nicolas prefere ter depressão, a sofrer de câncer ou outras
doenças.
"- E quanto tempo dura uma depressão?
- A minha durou quatro anos.
- Quatro anos?"
Esse diálogo termina em cena de ternura e romantismo
tranqüilo, próprios das pessoas amadurecidas. Momento em que
se aceita por meio da reflexão, assumindo uma sinceridade
íntima, o poder do sentimento afetivo, que deve acompanhar o
tratamento médico da depressão tão comum entre nós...
Em muitas circunstâncias, a verdade, de fato, incomoda
bastante. Aos pacientes, aos cônjuges, aos amigos e
parentes, aos colegas de trabalho. Daí a dificuldade que
temos em aceitá-la em nosso íntimo, muito menos
verbalizá-la.
Assim como participamos da animação de alguns personagens,
em seus preparativos para a festa, constatamos que a reunião
social também serviu de ocasião para os desagradáveis
comentários, as fofocas, intrigas e inverdades. Há pessoas
que, sem a menor cerimônia, tiram alimentos dos pratos de
outrem! Ou se mostram descorteses, maliciosas.
O silêncio, a bagunça generalizada nos dirão que aquela
festa terminou, servindo de cenário para alguém que entrará
em cena e olhando diretamente para a lente da câmera, isto
é, olhando para nós, espectadores, vai nos fazer uma
pergunta perfeita para encerrar a "nossa festa"... esse
filme que Alain Resnais fez para nós!
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 13 de janeiro de 2003
Observações:
a) Ler, também, sobre "Meu tio da América".
b) Lamentavelmente, as legendas em português de "Amores
Parisienses" apresentam negligências, como erros de grafia e
troca de palavras, que prejudicam a compreensão imediata,
como nas referências "àquele apartamento", quando o certo
seria "este apartamento". Uma boa revisão teria sido
bem-vinda!
Theresa Catharina
Theresa Catharina
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From:
adfalcao
Date: 2008/9/26
Subject: Re:Amores Parisienses
To: "theresa.files"
Theresa, como sempre, seus artigos revelam cuidado,
sensibilidade, pesquisa, conhecimento, tudo o que de bom
você pode nos transmitir. Obrigada. Ana
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From: raquelc
Date: 2008/9/26
Subject: RES: Amores Parisienses
Theresita querida,
Que beleza de texto! Traduz exatamente o teor do filme com
muita propriedade e extrema sensibilidade. Beijo e até mais.
Raquel.
UM GRITO DE LIBERDADE
Com roteiro, trilha sonora, interpretação e fotografia de
primeira qualidade, "Um Grito de Liberdade " (Cry Freedom -
Inglaterra, 1987 - 151 min.), foi dirigido por Richard
Attenborough ( o mesmo de "Gandhi").
Trata-se de uma excelente produção cinematográfica,
atualíssima, emocionante e humana do começo ao fim.
Dramatização de fatos, ação e suspense. Reflexão crítica,
conscientização; transformação interior.
Cenas de violência, mas sem apelação.
Todos devem assistir a este filme, que denuncia o racismo e
traz uma mensagem de solidariedade inesquecível, narrando a
história real do líder negro sul-africano, o carismático
Biko (interpretado de forma inesquecível por Denzel
Washington). Kevin Kline e Penelope Wilton também encabeçam
o elenco.
Acompanhamos o drama e a lealdade de um editor de jornal
liberal, na África do Sul, e os perigos enfrentados por sua
família, quando ele decide contar a verdade sobre o ativista
negro Stephen Biko. Admiração e amizade, em contexto de
diferenças pessoais - e nas situações as mais difíceis.
História contemporânea, narrada com emoção e idealismo,
registrando tragédias indesculpáveis, acreditando em dias
melhores para a humanidade. Porque no sacrifício de alguns
podemos vislumbrar um futuro sem racismo.
(Assisti ao filme no cinema. Encontrado em vídeo CIC.)
Theresa Catharina de Góes Campos
Ver também: Mandela - Luta pela liberdade
MANDELA - LUTA PELA
LIBERDADE
(Goodbye Bafana)
(Mandela: meu prisoneiro, meu amigo)
Biografia/Drama/História – Alemanha/França/Bélgica/África do
Sul/Itália/Reino Unido/Luxemburgo 2007 – 125 min. – versão
original em
inglês/xhosa
realização: Bille August
argumento: Bob Graham e James Gregory
produção: Andro Steinborn, Jean-Luc Van Damme, David Wicht
fotografia: Robert Fraisse
música: Dario Marianelli
actores: Joseph Fiennes (James Gregory), Dennis Haysbert
(Nelson Mandela), Diane Kruger (Gloria Gregory), Shilih
Henderson (Brett Gregory), Patrick Lyster (Mai Pieter
Jordaan)...
Baseado nas memórias do guarda prisional de Nelson Mandela,
o filme acompanha a improvável mas profunda relação de
amizade que se estabeleceu entre Mandela e o seu carcereiro.
África do Sul, 1968. Vinte e cinco milhões de negros vivem
sobre o domínio de uma minoria de quatro milhões de brancos.
Os negros não têm direito de voto, liberdade de movimento,
não podem possuir terras ou habitação e não têm acesso à
educação. James Gregory é um guarda prisional, afrikaaner
típico e racista, que desde muito novo aprendeu a falar
xhosa, tendo crescido numa quinta em Transkei. Isso o torna
o homem perfeito para ser o guarda prisional responsável por
vigiar Nelson Mandela em Robben Island. Mas o convívio
diário com Mandela altera a forma de Gregory pensar, para
quem a luta por uma África do Sul livre começa a deixar de
ser uma idéia absurda, ainda que os colegas e a sua mulher o
tentem convencer do contrário...
www.cineclube-tavira.com
Ver também Um Grito de Liberdade
ORQUESTRA DOS MENINOS
Brasil, 2008, 1h35, Livre. Direção: Paulo Thiago
Com: Murilo Rosa, Priscila Fantim, Othon Bastos, Lais
Corrêa, Gustavo Gasparani.
Janeiro de 1995. Um integrante de 13 anos da Orquestra
Sinfônica do Agreste da pequena cidade de São Caetano em
Pernambuco é seqüestrado.
O principal suspeito é o criador da orquestra, o maestro
Mozart Vieira, o que coloca o trabalho do músico em risco.
www.orquestradosmeninosofilme.com.br
NO PAIS DE SÃO SARUÊ
(poema inspirado no filme "O País de São Saruê" –
Brasil,1971 – de Vladimir Carvalho)
Não faltam terras
nem sementes
no Pais de São Saruê...
Nem braços, nem mentes criativas.
Não há escassez de riquezas,
nem obstáculos intransponíveis.
Aqui, os mil e um recursos
se contrapõem à face gigantesca da miséria
e poderiam torna-la coisa do passado...
mas os mil e um recursos esperam
pela vontade dos líderes no poder,
que ficam a mistificar,
adiar e protelar
o que não têm o direito de adiar.
No Pais de São Saruê,
nada falta... só JUSTIÇA!
Nada falta e, no entanto,
aqui fazem da terra,
madrasta cruel...
e tudo parece faltar
porque não há JUSTIÇA!
Até Deus parece distante,
quando não se faz JUSTIÇA!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 17/07/1987.
OS LÍDERES NÃO MORREM!
(poema inspirado no filme "Cabra Marcado para Morrer" –
Brasil, 1984 – de Eduardo Coutinho)
Tendo expulsado o medo
de sua vida humilde,
ele foi expulso da terra;
fizeram-lhe ainda mais pobre,
forçando-o a se ausentar da família;
ignoraram os seus direitos
e aqueles a quem representava;
fizeram de sua voz, silêncio torturado;
de sua postura, sombra perdida.
Protegidos e bem armados,
os donos das terras conseguiram
torná-lo ainda mais pobre:
porque lhe roubaram a vida.
Mas os assassinos ignoravam
que o corpo torturado
e a voz calada do morto
ressurgiriam, à vista de todos,
nas telas do mundo!
Quem disse que a morte
tem o poder ditatorial
de silenciar OS LÍDERES?
O tempo e a história
há muito sabem, ensinam:
OS LÍDERES NÃO MORREM!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 06/10/1986. |
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Livro:
Atividades Físicas: rotina mental e
aprendizado para a vida?
"O amor é o exercício do coração." ("Cidadela" -
Antoine de Saint-Exupéry).
Reflexões rebeldes sobre a natação
Theresa Catharina de Góes Campos
Nesta crônica de reflexões rebeldes (e líricas) sobre a
natação, dedicada aos meus professores, Juliana Emiko Taroda
Gomes e Emerson Corona, da Health Club Academia - São Paulo,
inicio com um questionamento que se torna fundamental para
mim.
Como eu gosto de nadar?Tranqüilamente...
Lanço-me de peito na água-espelho,com o rosto mergulhado e
os braços como asas impulsionadas, ritmadas.
Como eu gosto de nadar, é bem devagar, lentamente,
tranqüilamente reconquistando o silêncio que chega bem
devagar, harmoniosamente, em sintonia com a água que recebe
meu corpo por inteiro.
Recebe, mas não retém, nem aprisiona. Abraça-me, beija-me...
Sustenta e acolhe e logo me liberta docemente, com
suavidade, tranqüilamente.
Quando eu nado sem parar, tranqüila e calmamente, é como se,
dentro de mim, eu alçasse vôo!
E nadar deixa de ser exercício, porque braços e pernas
magicamente, lentamente, transformam-se em asas, emprestadas
pelos anjos, permitindo a contemplação individual,
escondida, de paisagens íntimas, interiores.
São asas e olhos, impulsos e batidas do coração e da alma
pulsando juntos!
Como eu gosto de nadar? Vou repetir:lentamente, para ver
melhor as paisagens interiores de minha alma e me
reconciliar com o mundo. Para me perdoar e perdoar ao
próximo.
Porque só nadando lentamente, suavemente, harmoniosamente,
com o sorriso que ninguém vê, enxergo a harmonia íntima de
meu corpo, no seu potencial de comunicação.
Porque só então eu me aceito (ainda que temporariamente)
como sou ... nas imperfeições e limitações que devo
corrigir.
Recebendo em troca dessa minha aceitação que é ponto de
partida, poder enxergar na água, que acolhe o meu corpo, sem
me prender, as asas dos anjos e das borboletas que recebi
emprestadas.
Enxergo também o rosto invisível de Deus, na beleza
indescritível da água, fonte e caminho, embarcação e porto,
oásis e viagem, berço e canção de ninar, espelho e reflexo
de luz.
Como eu gosto de nadar? Lentamente, suavemente. Porque a
velocidade confunde a minha mente, desconecta-me do corpo,
arranca de mim as asas que os anjos me emprestaram! Faz-me
cair das mãos de Deus, embora eu saiba: continuo sob o Seu
olhar.
A velocidade me torna ansiosa e sobressaltada, prisioneira
de objetivos que não são meus, de pensamentos que rejeito.
Fico buscando, como louca, sem foco nem rumo, onde está meu
coração!
Como nadar bem, se meu coração saiu pela boca? Como gostar
de nadar, se não encontro minha respiração?
Onde estão as asas a mim emprestadas pelos anjos? Bem, se
não foram os anjos, foram as borboletas...
Onde estão, pergunto, ansiosa, essas asas emprestadas?
Subitamente rebelde, intimamente não aceito essa dicotomia
entre o corpo e minha alma.
Nadar assim, não posso! Nem gosto!
Sim, é verdade que eu devo e posso aprender... exercitando
uma análise mental, até mesmo em contexto de dicotomia...
desde que seja temporária... como se fosse a busca da utopia
a permitir meu crescimento como pessoa, mesmo rebelde,
pesada e limitada.
Envolvida, embalada pela água, posso me acalmar, para
fragmentar e decupar os movimentos da natação.
O melhor pode vir depois, realizando a montagem final dos
movimentos.
Perceber que a água é comunhão e livre arbítrio, e
comunicação do corpo com a água que recebe, acolhe, sem
reter, nem prender.
Ao invés de aprisionar, a água liberta, emprestando as asas
de anjos e borboletas.
Lá vou eu, consciente, singrando, vencendo as águas, sem ser
navio nem barco, praticando silenciosamente a maiêutica das
perguntas fundamentais. Perguntando para aprender, avançar e
crescer, chego ao porto da hermenêutica, ainda que
resmungando íntima e silenciosamente, fotogramas de
rebeldia.
Afinal, para que serve essa velocidade toda nos exercícios
de natação? Eu nem vou competir!
Nem sou atleta...
Porque meu exercício do coração é a leitura, é escrever com
inspiração semelhante aos "travellings" cinematográficos e
às lentes anamórficas da alma.
Mesmo assim, aprisionada em rebeldia pouco inteligente,
procuro raciocinar tranqüilamente, lentamente - devo
reconhecer o indiscutível...
Toda essa velocidade, que eu preciso praticar, é para fugir
do excesso de peso, escapar das doenças, ficar bem distante,
bem longe dos hospitais.
E fugir também, (quem sabe, no futuro, nas possíveis
aventuras), de tubarões velozes, famintos e das baleias
assassinas.
Em paz com a verdade - irrefutável porque racional - volto
ao lirismo da natação.
Inegável ser a água libertadora. Não aprisiona, acolhe,
sustenta e liberta! Empresta-nos os movimentos mais belos
que expressam, na lentidão e na velocidade, as asas
invisíveis de anjos e borboletas.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 15 de março de 2006
ENCONTRAR O PONTO DE EQUILÍBRIO NA PRÁTICA DA NATAÇÃO
Theresa Catharina de Góes Campos
Sabia, desde a primeira aula, que a dedicação e as
instruções do professor Emerson Corona seriam as melhores.
No entanto, também tinha consciência de que, devido à minha
falta de entusiasmo por exercícios físicos, a grande
dificuldade estava na aceitação, com alegria, dessa nova
realidade como aluna de natação , dessa rotina diária a ser
construída, de segunda a sábado. Dependeria de minha mente
dominar o turbilhão das emoções, a responsabilidade dos
compromissos escolhidos. Precisaria esquecer as preferências
tão enraizadas por uma vida sedentária, de modo a me
condicionar a praticar os ensinamentos recebidos , não
apenas uma ou duas vezes, mas repetidamente, e buscando um
aperfeiçoamento contínuo.
O professor não se cansava de orientar: " relaxe! " . Porém
eu continuava a nadar com a respiração desordenada, os
movimentos sem coordenação, muitas vezes tão rápidos que
provocavam uma desorganização total naquela atividade física
com potencial de harmonia e relaxamento. Compreendia tal
desafio, sem que o diagnóstico me fosse revelado, em todos
esses detalhes. Quando acertava o ritmo e as braçadas,
quando conseguia respirar um pouco melhor, as palavras de
incentivo não demoravam, com os elogios do professor se
sucedendo a cada acerto.Os domingos eram diferentes: lá ia
eu nadar sem pausas durante uma hora. Espero que o professor
acredite, porque é verdade! Uma hora inteirinha! Sessenta
minutos de muito esforço! Quanto sacrifício, eu pensava! Por
que não cuidei antes de minha saúde?! Quando aparecia
alguém, nadava de três a cinco minutos e saía da piscina...
Sozinha, esforçava-me para praticar o que tinha aprendido
nas aulas da semana. Ou procurando me lembrar do que eu
supostamente aprendera, preservado na memória como reserva
preciosa à qual recorreria cuidadosamente, para que a teoria
se transformasse em prática de sucesso.
Analisando meu procedimento, com disciplina e determinação (
palavras mais bonitas do que teimosia...), esse processo de
reflexão crítica logo se transformou em resultados bastante
pragmáticos. Decidi que o nado de peito ( meu preferido )
exigia de mim uma atitude diferente: eu passaria a nadar com
o cérebro e o coração em sintonia, valorizando a felicidade
de poder me exercitar, aos sessenta anos de idade, no
ambiente tranqüilo e agradável de uma piscina...num esforço
de alongamento bem relaxado, caprichando na movimentação
ritmada ... braços e pernas funcionando como um todo , e
não, como segmentos, partes soltas à deriva...
Afinal, eu não era uma náufraga em desespero, a buscar,
traumatizada, a borda mais próxima da piscina para conseguir
respirar, aliviada! Não precisava salvar ninguém, nem estava
competindo! Por que tanta ansiedade? Sem a presença de
ondas, nem ameaça de tubarões!
E o ponto de referência foi estabelecido com a decisão de
nadar consciente mas quase brincando, fazendo um balanço com
o corpo " singrando as águas " , não apenas como se fosse um
barco... e sim, um balanço do tronco a unir braços e pernas,
semelhante ao balanço de ninar um bebê ... nos braços ? numa
rede ? numa cadeira de balanço ? Bem, percebi que bastava
sentir aquele " ninar " repetido, sucessivo, contínuo, sem
estresse, nem pressa de chegar... nem mesmo de chegar às
bordas da piscina, sem obrigação de concluir... para obter
os efeitos positivos do alongar e relaxar.
Aliás, a conseqüência do relaxamento foi o meu maior prêmio
. Ao perceber isso, decidi expressar, numa suposta fórmula,
a minha nova atitude, que eu não queria esquecer. A essa "
mágica mental e física " para buscar meu ponto de equilíbrio
na prática da natação, chamei, desavergonhadamente, de
Atitude para Nadar "Ninar" , ou
AN2R – que eu passei a traduzir como: Alongamento para Ninar
a mim mesma, e alcançar os 2 Rs, Reflexão e Relaxamento.
Na segunda-feira seguinte, sem prevenir o professor, nadei o
" ninar " e, como recebi a sua aprovação, decidi que, nos
próximos domingos, eu tentaria aplicar essa minha " técnica
" pessoal aos outros tipos de nado, sobretudo como ponto de
referência ao " crawl ", para descomplicá-lo na minha cabeça
e vencer a sensação de dificuldade que se instalava todas as
vezes, provocando interjeições espontâneas e até pedidos de
ajuda aos santos!
E a " mágica " funcionou! Ora, ora...não é surpresa para
ninguém! Unindo a mente e o coração, quase tudo se consegue,
graças a Deus! Ainda mais se contarmos com a orientação de
um professor competente.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 13 de junho de 2005
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COMENTÁRIO de CACILDA GONÇALVES VELASCO, autora de vários
livros, sendo o mais recente
"Aprendendo a envelhecer... à luz da psicomotricidade".
Olá!
Parabéns mais uma vez pelo texto.
Querida Theresa,
Sabe? Você me traz sempre a imagem de uma brisa... forte,
mas brisa... firme, mas serena... algo assim que passa e
deixa marcas.
Parabéns pelo "ponto de equilíbrio"... Sim, é exatamente
isso que precisamos para simplesmente nadar (...ninar, na
água).
Sempre comentamos, nas nossas antigas conversas, Emerson e
eu, que para nadar não é necessário só nossa motricidade,
mas fundamentalmente nossa psiquê, pois precisamos pensar e
sentir para nadar.
Desejo-lhe que a água lhe promova o que sempre preconizei...
o prazer do maior brinquedo do Universo... a ÁGUA. (...)
Cacilda Gonçalves Velasco.
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Maravilhoso, o seu artigo " Encontrar o ponto de equilíbrio
na prática da natação".
Brasília, 06 de dezembro de 2005
Áureo César Coelho do Valle
Professor universitário - Doutor em Economia
AULAS DE NATAÇÃO EM SÃO PAULO
Atendendo à minha solicitação, a Professora Juliana E.
Taroda Gomes, proprietária da Academia Health Club, que
funciona no Hotel Blue Tree Towers Paulista, me recomendou,
para um programa intensivo de aulas individuais de natação,
o Professor Emerson Corona ( CREF 1393G-SP ), enfatizando se
tratar de profissional " de extrema competência ".
Professor de Educação Física, é Pós-Graduado em
Condicionamento Físico para Grupos Especiais e Reabilitação
Cardíaca pela UniFMU (Universidade Faculdades Metropolitanas
Unidas-São Paulo), instituição onde cursou a graduação e
pós-graduação.
A missão que lhe cabia não era nada fácil: ensinar a nadar
corretamente uma pessoa como eu, que completei 60 (sessenta)
anos e preciso perder peso.
Isso sem falar nos medicamentos controlados que tomo
diariamente. E sem esquecer do meu histórico de câncer
recidivo e quimioterapia...
Além dos problemas enfrentados, desde o início do ano
passado, no joelho direito (edema e posterior rompimento do
menisco).
Quando completamos mais de 20 (vinte) aulas, com uma hora de
duração, o Professor Emerson decidiu registrar em filme o
meu progresso ( palavras dele), inclusive para me indicar o
que fazer para corrigir alguns erros em movimentos básicos,
fundamentais a uma boa prática da natação.
No relatório que escreveu para os meus médicos, o Professor
explicou:
" as aulas são compostas de aquecimentos das articulações
exigidas para a atividade do dia.
Nas primeiras semanas foi um trabalho de iniciação aos nados
crawl, costa e " peito" ( o nado peito ela só executa o
movimento dos braços, devido à lesão no joelho direito).
Teve uma melhora muito boa na qualidade técnica, e nestas
últimas semanas, começamos um trabalho de condicionamento
físico, respeitando os seus limites; ao término das aulas,
fazemos uma volta à calma, com caminhadas na água e, também,
alongamentos de membros inferiores e superiores.
A aluna teve uma melhora significativa, tanto na qualidade
técnica como na resistência cardio pulmonar, pois, antes de
começar as aulas de natação, não fazia a respiração correta
e, com as aulas, isso lhe foi exigido, passando então a ter
um trabalho de condicionamento físico."
O Professor Emerson Corona realizou o pequeno filme com
objetivos didáticos, registrando como eu estava nadando, num
processo de avaliação dos resultados obtidos com as aulas. E
visando chamar a minha atenção para a necessidade de
corrigir, por exemplo, o movimento de saída para o nado, que
eu ainda não executava corretamente, por não fazer uma ação
inicial simultânea de colocar a cabeça e o braço na água no
momento da largada.
São detalhes que enfatizam a importância de se ter a
supervisão de um profissional especializado, de cuja
eficiência e dedicação dependemos para nosso aprendizado.
De minha parte, espero que o relato dessa minha experiência
de atividade física seja um incentivo para que muitas outras
pessoas procurem colocar, na sua rotina diária, a busca de
uma vida mais saudável.
Aos professores Juliana E. Taroda Gomes e Emerson Corona,
deixo aqui registrados os meus agradecimentos por todo o bem
que fizeram à minha pessoa, num ato de reconhecimento e
gratidão.
Analisando as imagens do filme realizado pelo Professor
Emerson Corona*, percebe-se como a piscina do Hotel Blue
Tree Towers Paulista proporciona um ambiente agradável para
a Academia Health Club e a prática da natação. A visão das
árvores emoldurando o local é um elemento tranqüilizador,
esteja o céu nublado ou ensolarado. Uma verdadeira dádiva de
alegria e paz.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 03 de março de 2005
(*Professor Emerson Corona - tel. (11)9331-5869;
e-mail: health-club1@yahoo.com e ecorona@ig.com.br)
MINHA PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA E
PERSONAL TRAINER JULIANA E. TARODA GOMES escreveu, no verso
desta foto, lembrança da comemoração natalina de professores
e alunos da One Way Academia, em São Paulo, no dia 15 de
dezembro de 2007:
"À Sra. Theresa Catharina:
Sua dedicação às aulas me torna uma professora muito
orgulhosa e certa da profissão que escolhi.
Um abraço com muito carinho,
Juliana"

VÔLEI, MUITO MAIS QUE ESPORTE
Faustino Vicente*
As espetaculares conquistas das seleções brasileiras de
vôlei merecem mais do que aplausos: são dignas de uma
profunda reflexão,pois os brilhantes Bernardinho e José
Roberto Guimarães,as competentes comissões técnicas e seus
atletas de ouro,consolidaram a supremacia brasileira no
cenário internacional. Criado em 1895, nos Estados Unidos,
por William G. Morgan, diretor da ACM – Associação Cristã de
Moços - com o objetivo de incentivar a prática de atividades
físicas em ginásios, o popular "esporte da rede" abriga
conceitos e fundamentos que podem, e devem, ser inseridos na
gestão das organizações de todos os portes e segmentos, a
fim de melhorar a sua performance. Vence quem tem o melhor
desempenho,independentemente do potencial.
O atleta precisa ter uma ampla visão de conjunto para poder
reagir, rapidamente, às mudanças estratégicas traçadas pelo
técnico, com a colaboração de todos os integrantes da
comissão técnica.Se concordarmos que "os movimentos
realizados em conjunto pelos jogadores de uma equipe são
chamados de táticas", concluímos que se trata do esporte que
usa com mais intensidade esse princípio de administração,
área em que Peter F.
As decisões não são apenas baseadas no talento, na
percepção, na experiência ou nos berros, mas num princípio
onde o inesquecível Deming foi imbatível - a estatística. A
comunicação, ponto que ainda deixa muito a desejar em grande
parte das empresas, tem nos sinais do vôlei um valor
agregado que pode definir um ponto, ou uma partida.
Princípio essencial nesse esporte é o espírito de equipe que
deve reinar entre os clientes e fornecedores internos que
tem no saudoso engenheiro Kaoru Ishikawa o seu mais
destacado representante. Pai dos círculos de controle da
qualidade,que muitas empresas abrasileiraram para times da
qualidade, grupos de trabalho e tantas outras denominações,
que se constituem no maior estímulo motivacional aos
funcionários, pois sentem que a gestão solitária deu lugar à
gestão solidária. Isso é inclusão.
O mundialmente consagrado Dr.Juran enfatizava que o CCQ –
Círculos de Controle da Qualidade - foram decisivos para o
desenvolvimento econômico do Japão.A conquista da maioria
dos pontos no vôlei é resultado da logística dos três
toques, onde a solidariedade se faz presente. Uma das mais
fascinantes evidências do vôlei é que cada ponto
constitui-se uma decisão olímpica, uma comemoração, uma
motivação a mais - pura adrenalina. Até o Código de Defesa
do Consumidor é respeitado no vôlei, pois quem paga para
assistir de 3 a 5 sets, vai apreciá-los com toda a
intensidade,porque nessa modalidade não existe a famosa
"cera", a retenção da bola para que o tempo se esgote, nem a
lamentável freada de um piloto para que o outro vença.
A tão propalada empregabilidade é explicitada nesse jogo
através do rodízio, que obriga a todos se aprimorarem em
todos os seus fundamentos. Determinação, disciplina,
flexibilidade, rapidez de reflexos, superação, concentração,
equilíbrio emocional, harmonia, capacidade de reagir às
condições adversas são alguns fatores de aprendizagem
coletiva,inclusive com os adversários. Com o decrescente
número de níveis hierárquicos e a conseqüente
descentralização do processo decisório é de fundamental
importância treinar (exaustivamente) todos os funcionários,
para que saibam tomar decisões certeiras e, em tempo hábil.
Enriquecer a gestão da empresa com a filosofia do vôlei é
agregar um valor muito especial na incessante busca da
satisfação dos quatro protagonistas do mundo dos negócios:
os acionistas, os funcionários, os clientes e os
fornecedores.
* Faustino Vicente - Consultor de Empresas e-mail: faustino.vicente@uol.com.br
- tel.(0xx11) 4586.7426 - Jundiaí (Terra da Uva) - SP
Exemplo 6
Avaliação de academia de ginástica em hotel (questionário) -
Theresa Catharina
1) Qual a sua impressão pessoal sobre o local, as
instalações e os equipamentos da Academia?
□Excelente □Bom
□Regular □Ruim
2) Como foi a recepção e o atendimento da equipe de
professores da Academia?
Cortesia:
□Excelente □Bom
□Regular □Ruim
Eficiência:
□Excelente □Bom
□Regular □Ruim
Boa vontade:
□Excelente □Bom
□Regular □Ruim
3) Como qualificaria os serviços oferecidos pela
Academia?
□Excelente □Bom
□Regular □Ruim
4) Qual a sua avaliação sobre as aulas ministradas na
Academia?
□Excelente □Bom
□Regular □Ruim
5) A Academia contribuiu para elevar o seu nível de
satisfação com a hospedagem no Hotel?
□Sim □Mais ou
menos □Não
6) O que mais lhe agradou na Academia?
□A equipe de professores?
□As instalações?
□Os equipamentos?
□As aulas?
7) Você pretende voltar à Academia?
□Sim □Não
(Por quê?)
8) Qual a sua sugestão, ou o seu comentário, para que
possamos tornar mais agradável ainda a sua próxima visita/
hospedagem?
SISTEMA DE AVALIAÇÃO – ONE WAY
AVALIAÇÃO DE REAÇÃO DOS ALUNOS
PREZADO ALUNO
Por gentileza responda algumas questões a respeito da
qualidade dos nossos serviços.
O objetivo principal é obter informações que subsidiarão o
processo de melhoria contínua das nossas aulas.
Responda às questões individualmente.
Não há necessidade de identificar-se.
Escolha UMA única alternativa que melhor represente a sua
opinião a respeito dos serviços, evitando deixar questões
sem respostas. Use a seguinte escala:
1 2 3 4 5
Participe! Você estará contribuindo para a melhoria das
aulas oferecidas pela Academia One Way.
INSTALAÇÕES
1. Os equipamentos de exercício atendem as minhas
necessidades.
2. A localização dos equipamentos facilita a minha aula.
3. Os serviços da secretaria são eficazes.
4. As dependências estão sempre limpas
5. Academia contribuiu para elevar o meu nível de satisfação
com a hospedagem no Hotel.
DESEMPENHO DOS PROFESSORES
1. Demonstram boa vontade no atendimento.
2. Desenvolvem a seqüência de exercícios de acordo com o
programa.
3. Demonstram conhecimento dos exercícios.
4. Informam sobre os objetivos propostos para cada
exercício.
5. Atendem com cortesia.
DESEMPENHO DO ALUNO
1. Estou satisfeito com os resultados alcançados.
2. Estou satisfeito com o atendimento da secretaria.
3. As minhas dúvidas foram esclarecidas pelos professores.
4. Meu interesse pelas aulas ficou maior a partir dessa
academia.
5. Participo com interesse das aulas.
VOCÊ
Para finalizar, preencha os itens abaixo, que permitirão
identificar as principais características dos participantes
dos nossos eventos.
Sexo
Escolaridade
Região onde reside
Qual foi o motivo principal que o levou a se matricular na
academia?
Recomendação de amigos
Facilidade de localização
Percepção de que necessitava aprimorar meu condicionamento
físico
Idade
Tempo de matrícula na academia
Tipo de exercício predominante
Você pretende continuar utilizando a academia?
De: liliamh
Enviada: sex 27/7/2007 12:38
Assunto: Cabine de MESTRE BIMBA, seg, 10h30, espaço de
cinema
Riofilme e Lumen Produções convidam para a cabine de
MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA, de Luiz Fernando
Goulart,
Segunda, 30/07, às 10h30, no Espaço de Cinema,
O filme estréia dia 10 de agosto, no Rio, em São Paulo, e
Brasília.
Mais informações: Paulo Henrique Souto. / Tel. 2525 1883
9644 1764
SINOPSE
MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada conta, através de
depoimentos de antigos alunos e imagens inéditas em cinema,
a história de Mestre Bimba, Manuel dos Reis Machado (1899 –
1974), que dedicou a vida a dar dignidade e luz à capoeira.
De origem humilde, grande jogador de capoeira e,
principalmente, um extraordinário educador, seu nome é a
primeira referência do aluno de capoeira, em qualquer país
que esteja. A ele são dedicadas milhares e milhares de
músicas, cantadas em todas as rodas de capoeira, nos cinco
continentes.
MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada, inspirado no livro
MESTRE BIMBA – Corpo de Mandinga, de Muniz Sodré, conta sua
comovente trajetória de vida e mostra a arte e o
encantamento da capoeira que Bimba iluminou, tornando o
Brasil uma referência mundial, conquistando adeptos e
admiração em todo o mundo.
Calcula-se que a capoeira, - esporte, arte luta e/ou jogo -
criada no Brasil por brasileiros afros-descendentes, seja
hoje praticado por cerca de 8 milhões de homens e mulheres
de todas as idades, credos e descendências em mais de 160
países em aulas ministradas por milhares de mestres
brasileiros, a maioria vinda das camadas mais humildes da
nossa sociedade. A capoeira é, ainda, um dos principais
fatores de expansão da língua portuguesa em todo o mundo,
pois suas aulas são ministradas em português, suas músicas
são cantadas em português e a sua história conta fatos
relacionados à vida e aos costumes do povo brasileiro.
Tudo isto é a concretização do sonho de um visionário da
década 30, que se impôs como um dos maiores educadores
populares do Brasil. É dele toda a didática e toda a
metodologia de ensino atualmente adotada pela grande maioria
dos praticantes da capoeira em todo o mundo.
Sinopse curta: MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada,
inspirado no livro MESTRE BIMBA – Corpo de Mandinga, de
Muniz Sodré, conta a comovente história de vida e mostra a
arte e o encantamento da capoeira de Bimba, hoje presente em
mais de 160 países.
FICHA TÉCNICA
DIRETOR: Luiz Fernando Goulart
ROTEIRISTA: Luiz Carlos Maciel
BASEADO NO LIVRO: Mestre Bimba – Corpo de Mandinga de Muniz
Sodré PRODUÇÃO: Lumen Produções Ltda
CO-PRODUÇÃO: Publytape Comunicação Ltda.
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Nina Luz e Claudia Castello
FOTOGRAFIA: Rivaldo Agostinho de Lima Filho (Dody)
CÂMERA: Rivaldo Agostinho de Lima Filho (Dody)
MONTAGEM: Daniel Nobre
SONORIZAÇÃO E MIXAGEM: Fernando Ariani
PÓS PRODUÇÃO: Publitape
ELENCO
Ângelo Augusto Decânio (Decânio), Almir Ferreira da Silva
(Escurinho), Professor Carlos Eugênio Líbero Soares,
Professor Cid Teixeira, Frederico José de Abreu, Muniz
Sodré, Antonio Ribeiro da Conceição (Bule Bule), Raimundo
César (Mestre Itapoan), Hélio José Carneiro de Campos
(Mestre Xaréu), Fernando Vasconcelos (Arara), Sérgio
Fachinetti Dória (Cafuné), Francisco de Assis (Gigante), Boa
Ventura Batista Sampaio (Boinha), Renato Souza da Silva (Sariguê),
Manoel Nascimento Machado (Mestre Nenel), Alice Maria
Machado (Mãe Alice), Anita Valdemira de Santana (Mãe Anita),
Berenice da Conceição Nascimento (Mãe Bena), Marinalva
Nascimento Machado (Nalvinha), José Tadeu Carneiro Cardoso
(Mestre Camisa), Ubirajara Guimarães Almeida (Mestre
Acordeon), Giovani Alexandre da Silva (Mestre Pequeno) e
Raimundo Oton Figueiredo(Piloto).
INFORMAÇOES TÉCNICAS
DURAÇAO: 78 minutos COR
SOM: Stereo
JANELA : 16 X 9
PRODUTO FINAL: HD
EXIBIÇÃO em FORMATO DIGITAL/RAIN
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES, por Luiz Fernando Goulart -
diretor
A CAPOEIRA, juntamente com outros conceitos - Energia -
Juventude - Música - Vida Saudável - Ritmo - Beleza - Paz -
Amizade - Movimento – Bem estar - Esporte - Dança e Cultura
– são associados, por cada vez mais consumidores, nos cinco
continentes, ao Brasil.
Presente em mais de 160 países, seu crescimento tem sido
exponencial e constante. Suas aulas, onde quer que estejam
acontecendo, são ministradas no português que é falado no
Brasil, seguem ritos, metodologia de ensino e regras criadas
em nosso país. Todo aluno, ao ser introduzido, recebe um
"Nome de Capoeirista" em nossa língua. Além disso, seguindo
uma tendência iniciada por Mestre Bimba, dentro das
academias de capoeira de qualquer país procura-se também
incentivar a prática de danças e rituais folclóricos
brasileiros como o Maculelê, o Samba de Roda, Jongo e tantos
outros.
Essa força de comunicação já foi utilizada por instituições
como a BBCTV de Londres, que recentemente, durante todo um
ano abriu e fechou sua programação com um clipe de capoeira
sendo jogada em diversos países do mundo.
"Qualquer que seja a sua idade, onde quer que você viva,
quem quer que você seja, e onde quer que você esteja, ritmo
e movimento são comuns a todo mundo. A BBC 1 terá que ter
esse mesmo apelo universal." (LORRAINE HEGGESSEY, Controller
da BBC 1, Inglaterra, justificando a inclusão de spots
promocionais da CAPOEIRA na programação da importante rede
mundial, sob o título: CAPOEIRA, a arte que muda a vida).
No verão de 2005, uma das mais presentes campanhas nas
diversas mídias francesas comunicava o lançamento de um
desodorante, com características de entrega energética,
produzido a partir de sementes de guaraná. Toda a campanha
foi baseada num jogo de capoeira entre um francês e um
brasileiro. Na Espanha foi recentemente lançado, com muito
sucesso, o DORITOS sabor CAPOEIRA, destinado ao mercado de
jovens adultos e com uma ligeira nota de pimenta.
O cinema americano também vem utilizando, cada vez mais,
como em "A Mulher Gato", elementos acrobáticos da capoeira
como forma de luta, buscando uma forte identificação com o
público jovem, ligado a movimentos que requeiram destreza e
habilidade, na contramão da violência atual.
Reverenciados diariamente, em todo o mundo, através de
músicas e aulas teóricas de capoeira, Mestre Bimba – criador
da capoeira regional - e Mestre Pastinha – responsável pela
capoeira Angola - são os maiores e mais importantes nomes da
capoeira mundial. E foi a Bimba que eu quis homenagear com
MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA.
Bimba e Pastinha foram agraciados, post mortem, no dia 08 de
Novembro de 2005, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a
ORDEM DO MÉRITO CULTURAL BRASILEIRO, a maior comenda
cultural do país, em reconhecimento ao seu imenso trabalho
pela imagem do nosso país.
A Capoeira está hoje em fase de preparação para o seu
Tombamento, pelo IPHAN, como Patrimônio Cultural Imaterial
do Povo Brasileiro, etapa que deverá anteceder ao seu
posterior reconhecimento pela UNESCO como patrimônio da
Humanidade.
O Comitê Olímpico Internacional incentiva atualmente a
organização da Capoeira em nível mundial para que ela possa
já participar, como esporte exibição, dos JOGOS OLÍMPICOS DE
2012.
Ela também está presente em grande parte das Universidades
americanas, através dos mais de 480 grupos oficialmente
registrados, e em todas as Universidades de Israel, país
onde é mais praticada, proporcionalmente à população.
Luiz Fernando Goulart
REALIZAÇÃO
Lumen Produções Ltda.
Praça Floriano, 55 – Sala 603
Centro – Rio de Janeiro – RJ
(21) 2240-7922
DIVULGAÇÃO
RIO DE JANEIRO: Paulo Henrique ph7@terra.com.br
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DISTRIBUIÇÃO
RioFilme SA – (21) 2225 7082
Coordenação de lançamento: Suzana Amado
Assista ao trailer no sitio do filme
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ou no YouTube
www.youtube.com/results?search_query=bimba
Visite também o sitio
www.portalcapoeira.com
BALÉ CHINÊS COM DANÇARINAS SURDAS
El siguiente es un "link" a un video sensacional de un
Ballet Chino, que
vale la pena ver.
El coreógrafo Chino Zhang Jigang formó una coreografía
basada en la
mitología Budista, para contemplar a la "Diosa de la
Misericordia con
sus Mil Brazos" (también llamada "Una Kwanyin de Mil Brazos").
Esta danza está representada por 21 bailarinas que forman
una larga
fila, donde crean para los espectadores una fabulosa ilusión
de la Diosa
con múltiples brazos y piernas.
El espectáculo fue una presentación de gala por parte de la
Compañía de
Representaciones Chinas de Deficientes
Físicos, que fue televisada en vivo en un canal de la China
Central, en
conmemoración de su Año Nuevo. Se estima que la audiencia
llegó al
billón de espectadores (algo sencillo de lograr allá, debido
a la
cantidad tan enorme de habitantes que tiene el país
Asiático).
El aspecto más impresionante de todas las integrantes de
ésta compañía
de danza, es que son deficientes auditivas, es decir, todas
las
bailarinas son sordas!!!!
El resultado, fue un espectáculo digno de admirar y de
colmar de
aplausos.
Con ustedes, La Diosa de la Misericordia con sus Mil Brazos!
www.artedojohrei.com.br/arquivos/noticias/01/bale1.wmv
faustino.vicente@uol.com.br
Date: 30/04/2008 12:07
Subject: FUTEBOL, PAIXÃO OU PROFISSÃO?
To:
theresa.files@gmail.com
FUTEBOL, PAIXÃO OU PROFISSÃO?
Faustino Vicente
No dia 29 de junho/08, o Brasil comemorou o cinqüentenário
da maior façanha da sua história esportiva – a conquista,
pela primeira vez, da Copa do Mundo de Futebol. Essa
competição revelou ao mundo um garoto que, com apenas 17
anos, se consagraria com o nome de Pelé – o melhor craque de
todos os tempos. A seqüência de títulos tornou a seleção
brasileira (única) pentacampeã mundial, do esporte mais
popular do planeta.
Se dentro das quatro linhas do gramado detemos a supremacia
da qualidade técnica, em termos de planejamento estratégico,
organização,gerenciamento e lucratividade levamos de goleada
de vários países, principalmente dos milionários clubes
europeus. Os investidores internacionais vislumbraram o
efeito multiplicador do fabuloso "PIB futebolístico
globalizado" transformando-o num lucrativo negócio.
Do amor ao clube do coração à irresistível sedução dos euros,
o garoto pobre da periferia já se definiu. Entre a honra de
vestir a gloriosa camisa verde-amarela da seleção brasileira
e jogar no exterior ele prefere driblar a miséria e marcar
um golaço no maior adversário da população de baixa renda –
a perversa desigualdade social e econômica. Garotos, que
apesar de não passarem de promessas, afirmam
entusiasticamente em entrevistas que, o grande sonho é
vestir a jaqueta do Real Madrid, Milan, Chelsea, Lyon,
Barcelona, Bayern de Munique,entre outros. O holandês
Clarence Seedorf, do Milan,que já atuou pelo Real Madrid,
Sampdoria e Inter (Milão),disparou recentemente para a
imprensa: "Só o dinheiro manda no futebol."
Apesar da existência de alguns clubes bem estruturados, e de
profissionais brasileiros competentes em gestão esportiva, o
nosso maior desafio reside no baixo desempenho financeiro
dos nossos campeonatos. O avanço da tecnologia, as
fantásticas descobertas científicas e a evolução da medicina
provocaram profundas transformações econômicas,
sociais,religiosas e culturais em todos os segmentos. A
gestão e a prática do futebol não foram poupadas.
Administrações equivocadas, às vezes apaixonadas, outras
vezes mal intencionadas levaram grande parte dos clubes a
elevadíssimos endividamentos.
O êxodo das nossas gratas revelações para o exterior e
estádios sem condições físicas para oferecer conforto e
segurança aos torcedores, são algumas das causas de rendas
menores. O Brasil tem exportado,anualmente, centenas de
jogadores que estão atuando em dezenas de países. A queda de
público e do nível técnico são evidentes em todas as
divisões do nosso futebol.
Calendário inadequado,que torna alguns clubes inativos por
períodos inaceitáveis, ou que exigem excessos de jogos de
outros,punições leves para faltas graves, erros
inadmissíveis de árbitros,violência entre torcidas,
desemprego masculino e até o excesso de jogos semanais, são
fatores que desmotivam o público.
Entre as iniciativas positivas das últimas décadas,
destacamos a criação das chamadas "Escolinhas de Futebol",
que têm sido incentivadas por prefeituras municipais e pela
iniciativa privada. O lema é o mesmo: "craque na escola,
craque na bola". A alternativa mais esperançosa para tornar,
a médio e longo prazo, o futebol viável aos clubes,
encontra-se na implementação de Centros de Excelência, cuja
missão, visão, valores, e políticas objetivam formar homens,
para revelar craques. Nos esportes de alto nível o emocional
do atleta faz a diferença. Competência técnica, conduta
ética e habilidade eclética devem fazer parte da
qualificação de jovens aspirantes ao estrelato. Se essa
estratégia não for 100% eficaz para vencer a concorrência
com os países ricos, com certeza resultará em lucro pela
descoberta, pelo aprimoramento dos fundamentos do futebol e
pela orientação, sobre como construir (e manter) uma
carreira bem-sucedida.
Concluímos com foco na realidade: o futebol é paixão para
torcedores, profissão para jogadores e gestores e lucro para
os investidores.
* Faustino Vicente - Consultor de Empresas e de Órgãos
Públicos – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – tel.(11)
4586.7426 – Jundiaí (Terra da Uva) - SP
1958 - O ANO EM QUE O MUNDO DESCOBRIU O BRASIL
De: liliam h
Enviada: ter 27/5/2008 16:31
Assunto: cabine de 1958 O ANO EM QUE O MUNDO... quinta,
espaço
Pandora Filmes convida para cabine de 1958, O ano em que o
mundo descobriu o Brasil, de José Carlos Asbeg
quinta, 29 de maio, às 10h30, no Espaço de Cinema
o filme tem estréia prevista para 6 de junho.
1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil:
Em junho, os brasileiros comemoram o cinqüentenário da
conquista do seu primeiro título mundial no futebol. Para
registrar a data, o cineasta José Carlos Asbeg está lançando
o documentário 1958 - O ano em que o mundo descobriu o
Brasil. Repleto de imagens históricas, o filme apresenta
depoimentos de decanos que participaram da final Brasil 5 X
2 Suécia - o jogo que levou a taça Jules Rimet aos braços do
Bellini. Didi, Nilton Santos, Zagalo, Djalma Santos, Zito e
os suecos Borjesson, Parling, Hamrin, Simonsson, Liedholm
relembram os lances da Copa onde Garrincha driblou
graciosamente os maiores craques do mundo.
Entre os 50 entrevistados destacam-se o francês Just
Fontaine, o artilheiro da Copa de 58; os jogadores
brasileiros Dino Sani, Mazzola e Moacir; Paulo Amaral,
preparador físico da seleção de 58, falecido recentemente; o
jogador austríaco Helmut Senekowitsch; Victor Tsarev da
então seleção da URSS que cumpriu a árdua tarefa de "marcar"
o genial futebolista de 17 anos, que fazia sua estréia em
copas do mundo - o Pelé. O filme apresenta, ainda,
depoimentos de jogadores e membros das comissões técnicas da
França, Áustria, Inglaterra, País de Gales e Suécia.
1958 - O ano em que o mundo descobriu o Brasil registra
reflexões de um time de peso de comentaristas esportivos e
jornalistas. Luis Mendes, Orlando Duarte, Villas-Boas
Corrêa, João Máximo, o inglês Brian Glanville, entre outros,
falam sobre o futebol plástico, cavalheiresco, com
improvisos geniais e a construção de um dos aspectos mais
marcantes da nossa identidade nacional - o arrebatamento da
torcida verde amarela. Em meados dos anos 50, o país tinha,
no âmbito cultural, a Bossa Nova e o Cinema Novo. Via o
nascimento de Brasília pelas mãos de Juscelino. Na esfera
dos esportes, Eder Jofre levava a vitória do peso mosca.
Ademar Ferreira da Silva, a do salto triplo. Maria Esther
brilhava em Wimbledon. No futebol, ansiava esquecer a
fatídica final no Maracanã, onde em 50 perdeu o mundial para
o Uruguai. A primeira estrela no escudo da seleção canarinho
nos transformou no país do futebol.
O documentário 1958 tem o patrocínio da Petrobras,
Eletrobrás e BNDES.
Mais informações:
Espalhafato Comunicação e Produção
(21) 22924121 / 22924123
Tania Coelho - (21) 8181 8616
Rodrigo Mariano - (21) 9855 4803
Analéa Rego - (21) 9325 1141 |
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Livro: Crônicas líricas ou
poemas em prosa?
ROSÁCEAS DE ESTRELAS
Ao meu querido Pai, no dia do seu aniversário.
Rio, 07 de julho de 1963
Contam. Como foi, não sei. As palavras, as circunstâncias,
há muito derraparam no tempo. Hoje, não consigo nem mesmo a
promessa de um retorno àqueles dias agora relembrados.
Retorno ao passado, volta à infância. A custo, posso apenas
concordar com a minha avó materna. Ela me conta que eu, com
uns três anos de idade, já opinava sobre as eleições
presidenciais. Repetindo conversas de adultos, eu dizia, até
com uma certa segurança na voz infantil, mas confundindo a
noção de realidade: - Eu votei no "Duta".
Outro fato perdido no recuo dos anos refere-se à ocasião em
que papai beijou minha irmãzinha caçula,Victoria, três anos
mais nova que eu, e, depois, encostou seu rosto no dela por
alguns minutos. Ao presenciar tal cena, prontamente pedi:
- Papai, me beije como o senhor beijou Victoria. Faça no meu
rosto o mesmo que o senhor fez, igualzinho...
Se, um dia, eu beijasse com os olhos o infinito do céu e
então sentisse nos lábios o esplendor de mil rosáceas de
estrelas, ainda imaginaria minha infância um baú
preciosíssimo, repleto de lendas verdadeiras. (Ah, a
meninice que escorregou com o crescimento de nossas mãos!)
As rosáceas de estrelas não poderiam mesmo competir. Existem
há séculos e pertencem a todos.
Mas a simplicidade é própria das crianças , crédulas e
crentes, para quem tudo existe como possibilidade.
E o valor de um carinho de pai prolonga-se em nossa vida,
repetindo-se e se fazendo presente por toda a eternidade.
A filha que muito o ama,
Therezita
lº ano de Jornalismo - 1963 -Faculdade Nacional de
Filosofia, Universidade do Brasil (hoje, Universidade
Federal do Rio de Janeiro).
P.S.
Recentemente, após a morte de minha mãe, em 14/06/08, tendo
meu pai falecido em 02/02/2000, encontrei o envelope
original, com o meu texto manuscrito, entre algumas cartas
que ela guardava. Meus pais me deram, desde a participação
por escrito de meu nascimento, o apelido carinhoso de "Therezita",
depois adotado por familiares e amigos íntimos. Quanto a
mim, gosto mesmo é de usar o meu nome,Theresa Catharina, tão
bem escolhido por meus pais,invocando conscientemente a
proteção de duas Santas e Doutoras da Igreja Católica,
Teresa D'Ávila e Catarina de Sena.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 13 de agosto de 2008. |
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Livro: Vamos brincar de ler
sons e letras?
Prosa e versos para crianças e jovens inteligentes
DEDICATÓRIA
PARA SAMUEL...
as letras e os sons ouvir.
E a música das rimas.
Com a melodia dos versos,
o ritmo da poesia apreciar.
Com as palavras brincar,
fazer jogos divertidos e sorrir.
Talvez até escolha silenciar,
entre os muitos ruídos da vida.
Para Samuel também aprender
com tanta prosa escutando,
a saber logo conversar,
ganhando vocabulário sem fim
e o mágico poder de imaginar.
Para Samuel os livros amar!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de março de 2010
VISITA DO SOL AO QUARTO
DO BEBÊ
Bebê olhou,
viu o sol
tão quentinho!
Chamou o sol
para brincar.
O sol veio,
"atendeu o convite"...
pensou o bebê.
Riu e sorriu, até com os olhos;
deu risadas, balançou os braços:
porque o sol visitou
seu quarto colorido!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 16 de fevereiro de 2009
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From: Luci Tiho
Ikari
Date: 2009/2/27
Subject: Re: VISITA DO SOL AO QUARTO DO BEBÊ
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresa Catharina:
Essa poesia é suave como os primeiros raios matutinos.
Luci
BEBÊ CHOROU PORQUE A
CHUVA...
Quem está batendo
na porta e nas janelas,
sem tocar a campainha?
Deve ser uma visita barulhenta,
trelosa e ruidosa, brincalhona...
Mamãe diz que é a chuva...
sim, está chovendo!
Uma chuva ruidosa e trelosa,
que só faz o que quer...
Bebê vê a chuva nas janelas.
Sente na pele alguns pingos
que conseguiram entrar -
como a chuva é insistente,
trelosa e ruidosa nas suas visitas!
Tão barulhenta em suas brincadeiras!
O bebê também quer entrar
na brincadeira dos pingos,
porque sabe ser treloso,
insistente e barulhento.
O bebê tenta guardar a chuva
nos seus dedos irrequietos,
nas mãos nem sempre limpas.
Chama a chuva pra jogar,
quer os pingos pra brincar.
Bebê não conseguiu convencer
nem se comunicar com a tempestade.
Chorou alto até cansar...
porque a chuva
não aceitou entrar na sua casa,
nem dormir na sua mão.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 13 de fevereiro de 2009.
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From: artemis coelho
Date: 2009/2/26
Subject: RE: BEBÊ CHOROU PORQUE A CHUVA... Theresa
Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Muito fofo! É incrivel como tudo está entrelaçado...mais
uma vez digo, nós é que não percebemos as coisas...
Sons, cores e palavras têm passe livre na imaginação.
Leio esses poemas 'infantis' em tons pastéis, rosa bebê,
azul bebê, amarelo bebê...
Mesmo que estejam escritos em preto e branco. Artemis
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From: Luci Tiho
Ikari
Date: 2009/2/27
Subject: Re: BEBÊ CHOROU PORQUE A CHUVA... Theresa
Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresa Catharina:
Esse poema é doce e delicado. Luci
TODAS AS FLORES NO MEU
JARDIM
No meu jardim vou plantar
todas as flores que há no mundo.
Cravos e açucenas, lírios e rosas,
copos-de-leite, imensas hortênsias .
E as margaridas, as preferidas
de meu tio-avô Fernando José.
Vou mandar sem demora plantar,
em canteiro especialmente protegido,
os miosótis, azuis e pequeninos.
Deles não posso esquecer
porque se chamam também
"não-te-esqueças-de-mim".
Quem passar pelo meu jardim
vai se admirar de encontrar
todas as flores do mundo,
vestidas em suas cores mais belas,
da cabeça aos pés perfumadas,
porque para desfilar estão prontas.
Papai ri...me abraça e me beija,
repetindo em voz baixa:
"bem, todas as flores do mundo,
no jardim de sua casa,
não será possível você ter."
Ele sorri para mim, acha graça,
volta a me beijar e abraçar.
- Mas papai, impossível eu não sei
o que é...O que é? Impossível é alguém
que não gosta de flores?
O que eu sei, papai, vou lhe dizer...
porque é da minha vontade, é meu sonho...
Vou plantar todas as flores do mundo
nos canteiros bem cuidados
de meu jardim de princesa.
Se o tal impossível não tem jardim,
tudo bem...que fique sem flores!
Comigo é muito, muito diferente:
eu amo todas as flores, todas...
no meu jardim de princesa.
Nele, mando eu, somente eu...
Você não diz que eu sou princesa?
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 24 de fevereiro de 2009
(cd-rom/livro Vamos brincar de ler sons e letras?
Contos e versos infantis)
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From: artemis coelho
Date: 2009/2/26
Subject: RE: TODAS AS FLORES NO MEU JARDIM
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Lindo. "Impossivel é alguém que não gosta de flores?"
Amei. Artemis
AH, CHEGOU VISITA!
A novidade de hoje, nesta casa de relógios
e crianças espertas que deles não gostam,
faz a cozinha ainda mais agitada, mais cheirosa
do que costuma ser...é dia de visita!
Tudo pode acontecer...vai ser interessante...
Há uma agitação também nos adultos,
não somente nas crianças,
que esperam, com ansiedade,
o momento da chegada. Imaginam
surpresas e brindes, atenção especial.
Hoje é dia de visita,
não é um dia qualquer.
A rotina vai embora
quando as visitas chegam,
trazendo vozes desconhecidas,
olhares talvez diferentes,
difíceis de interpretar
no mundo dos pequeninos.
Ah, chegou visita!
Quanto alvoroço...
Não é surpresa, mas surpreende.
Não é festa, mas parece!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 17 de fevereiro de 2009
(cd-rom/livro Vamos brincar de ler sons e letras?
Contos e versos infantis)
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From: Luci Tiho
Ikari
Date: 2009/2/27
Subject: Re: AH, CHEGOU VISITA! - Theresa Catharina de
Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Olá, Theresa Catharina:
Gostei. A gente visualiza a cena, que é um mimo. Luci
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From: Theresa
Catharina de Goes Campos
Date: 2009/2/27
Subject: Mais uma vez, agradeço o seu incentivo. Re: AH,
CHEGOU VISITA!
To: adfalcao
Ana, mais uma vez devo lhe agradecer o incentivo.
Aproveito para lhe dizer por que estou envolvida agora,
também, com esses versos, além de contos infantis.
É que a nossa família espera, com muito entusiasmo, um
bebê - filho de minha sobrinha Elizabeth Fernanda e do
Walter. Hoje, ela me confirmou que o exame anuncia um
menino. Se fosse menina, iria se chamar Isabel Teresa
(que nome lindo!). Para o garoto, Samuel (nome bíblico
que também nos emociona bastante).
Quando a gravidez de minha sobrinha foi anunciada, eu
logo tive a idéia de um novo projeto, a ser dedicado a
essa criança: o cd-rom/livro
Vamos brincar de ler
Sons e Letras?
Contos e Versos infantis
Estou buscando entre alguns de meus escritos antigos,
mas também adaptando e escrevendo com esse objetivo
novos textos (contos e versos
infantis).
Ainda que aceitando correr o risco de você considerar ,
talvez, esses meus escritos como sendo por demais
"infantis", decidi lhe enviar os e-mails. Obrigada por
sua compreensão, assumindo exatamente a perspectiva que
eu tive, como autora.
(...)
Abraços carinhosos da amiga
Theresa Catharina
---------------------------------------
2009/2/27 adfalcao
Theresa, seu poema remete à infância de cada um de seus
leitores. Quem não passou por essa ansiedade???
Não me lembrei apenas de minha infância. A propósito,
meu filho, certa vez, saiu-se com essa pérola dirigida a
seu primo mais velho que nos visitava:
"- Samuel, você precisa aparecer mais seguido..."
Isso porque o cardápio e a sobremesa foram caprichados.
Eu até estava esquecida dessa passagem.... Claro que é
uma gracinha boba, mas o importante foi voltar no tempo.
Penso que esse é apenas um dos valores de seus escritos:
cada um pode encontrar, em suas vidas, situações
semelhantes e transportá-las para outras terras e
lugares.
Obrigada,
Ana
A MINHOCA É PEQUENINA
(HAICAI)
A minhoca é pequenina,
mas de tanta utilidade
para os pescadores!
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 24 de novembro de 2008.
CAJUEIRO NO QUINTAL*
No quintal de sua casa,
subiu nos ramos fortes
(os braços do cajueiro amigo),
para ler e sonhar, sossegada.
Ontem, brincou de amarelinha,
cantigas de roda cantou,
com as amigas solidárias;
pulou corda, jogou dominó
(porque xadrez não sabia),
jogou até paciência,
depois cansou e, fatigada,
foi dormir...
Nos dia seguintes, tudo recomeçou...
Brincou com suas bonecas,
jogou dominó, pulou corda,
cantigas de roda cantou.
No cajueiro, carregadinho de frutos,
subiu para ler e sonhar,
de livro na mão, mil sonhos na cabeça.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de fevereiro de 2009.
*(Adaptação do poema "Subiu no cajueiro para ler e
sonhar" -
Theresa Catharina de Góes Campos
Arcoverde - Pernambuco, outubro de 1962)
POESIA MATUTINA
Aos meus adorados Pais, esta minha "sujeirinha poética",
com um beijo
carinhoso da filha Therezita.
Era manhã...
O raio de sol entrou
E o rostinho do bebê iluminou.
Depois, quando ele
as mãozinhas levantou
e os olhos pequeninos esfregou,
para o rabinho de um gato manhoso
o raio de sol pulou...
Todo o quarto percorreu,
em tudo que viu pousou,
em todo buraco penetrou,
a casa todinha percorreu.
Ágil e brincalhão foi visitar
a sala de estudo
da irmãzinha do bebê.
Os lápis de cor fez brilharem,
dourou os livros e cadernos,
brincou nos seus louros cabelos,
entrou no tinteiro aberto,
os óculos da garota experimentou,
a ouro o patinho de madeira folheou.
Ali estava tão divertido...
se não fosse a curiosidade
que o raio de sol agitava,
eternamente ali queria ficar.
Saiu, porém...
a cozinheira espiou
temperando a carne.
Foi ver se a babá
já se preparava
para cuidar do bebê.
Mas, ao vislumbrar o jardim,
o raio de sol voou
e na corola de uma flor se debruçou...
Com muito esforço,
penetrando nos ramos da árvore,
subiu a um ninho de sabiá
para nele descansar.
Depois, nas águas do lago roçou.
Aos trabalhadores sede levou
e fez a terra ficar queimando,
ao calor do meio-dia.
Será que alguém, todas
essas façanhas contemplou?
Essas aventuras matutinas,
simplesmente luminosas?
Esses caminhos rotineiros,
peregrinações extraordinárias?
Na paz de uma clareira,
o raio de sol adormeceu.
Por instantes deixou de ser travesso,
de ser moleque fatigado,
de ser malandro curioso,
de ser terno também.
E muito, muito depois,
bem acima do cume
das verdes montanhas,
muito além da terra diminuta,
no seio das nuvens,
sem nada falar,
sem nada mais fazer,
sem gritar nem chorar,
o raio de sol morreu...
Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - Pernambuco, 24 de outubro de 1960.
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From: Dora
Date: 2008/10/9
Subject: Re: POESIA MATUTINA
To: "theresa.files"
Querida amiga
Tentei responder-lhe várias vezes e imobilizada fiquei.
Talvez emoção
ou saudades, ou porque nem poeta sou.
Mas as suas palavras têm atravessado esta máquina fria,
enchendo de
calor nossa casa e esta cidade, a Curitiba fria e
gelada, onde a
primavera ainda não deu sinais de vida, a não ser pelo
ninho do sabiá
no jardim de nossa casa, bem no pé do heliotropus. (...)
Com carinho e amizade.
Dora e Walter
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From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/10/9
Subject: Re: POESIA MATUTINA
To: Ana Falcão
Estimada Ana:
Na dúvida, envio algumas poesias para você ler. Já estou
satisfeita
por você ainda não me ter pedido para não enviar mais.
Aliás, saiba
que alguns de meus poemas, devido aos temas e opiniões
que expresso,
eu não enviei mesmo a ninguém, apenas recentemente
incluí na seção
poesias, depois de anos sem decidir se deveria ou não
divulgar.
Sobre os poemas a que você se refere, escritos quando eu
tinha quinze
anos, minha emoção foi tão grande ao encontrá-los, junto
aos pertences
de minha mãe, por mim datilografados e com dedicatória
manuscrita, que
até o momento me sinto bastante comovida com essa
experiência pessoal.
Meus pais se mudaram dez vezes (não estou exagerando,
foi isso
mesmo!), inclusive de cidades, estados e país, guardando
esses meus
escritos com eles, desde 1960! Confesso que a mim me
parecia que eles
não se importavam tanto nem apreciavam assim o que eu
escrevia... Como
iria adivinhar, se não diziam? Mas guardaram consigo,
devem lhes ter
agradado, penso eu agora, fazendo essa reflexão enquanto
choro
bastante.
(...)
Obrigada por suas palavras generosas - incentivo nunca é
demais.
Abraços cordiais da amiga
Theresa Catharina
----------------------------------
2008/10/9 adfalcao
Theresa, na década de 60, uma menina, você já
demonstrava todo o seu
senso de observação, aguçado e amadurecido com o passar
dos anos.
(...)
Abraços, Ana
-------------------------
From: artemis coelho
Date: 2009/2/27
Subject: RE: POESIA MATUTINA
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Lindo... sobretudo pela idade que vc tinha quando
escreveu. Artemis
HAICAIS DO VERÃO
Um verso para o verão
vai competir com o calor,
vai perfumar o suor.
O sol não pára
de beijar a areia da praia
com ardor incomparável.
Traga água de coco
para refrescar o verão
que não cansa de dar sede.
Vou passear de jangada,
vou deixar longe o calor,
trazer peixe ao entardecer.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 2 de outubro de 2008.
PRIMAVERA EM VERSOS*
(haicais)
Primaveras há
invisíveis aos olhos,
florindo no coração.
Esperando a primavera,
esquecemos o inverno,
sonhamos com flores.
Beija-flor viu rosas e lírios...
não demorou a se curvar,
para lhes dizer alô.
Cores perfumadas,
em desenhos originais,
retratam a primavera.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 22 de fevereiro de 2009.
*(Adaptação do poema "Haicais primaveris" -
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 29 de agosto de 2008)
HAICAIS ALADOS
No Dia das Aves
o céu tem festa
de asas arco-íris.
Tico-tico no fubá
é música de sucesso
na festa do céu.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 19 de agosto de 2008.
--------------------------------
From: Jose Araujo
Date: 2008/8/20
Subject: Re: Grata por suas palavras de incentivo e
carinho. Deus lhe
pague! Re: HAICAIS ALADOS - Theresa Catharina de Góes
Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Não precisa agradecer, minha amiga, tudo que eu disse
foi de coração!
Tenha uma boa noite de sono e fique com Deus, sempre!
José Araújo
-----------------------------
From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/20
Subject: Grata por suas palavras de incentivo e carinho.
Deus lhe
pague! ref. HAICAIS ALADOS - Theresa Catharina de Góes
Campos
To: Jose Araujo
Caro José Araújo:
Gratíssima por suas palavras de incentivo e carinho! E
por sua atenção
em me escrever mensagem tão generosa. Deus lhe pague!
Tudo de bom para você!
Theresa Catharina
---------------------------------
2008/8/20 José Araújo
Cara amiga Theresa,
É sempre com grata satisfação que leio seus e-mails ,
sempre cheios de
poesia, sensibilidade e que nos passam a sua essência,
como um ser
humano cheio de luz.
Haicais Alados, curtos em palavras, mas de uma
profundidade imensa,
que tocou meu coração, como tudo que você escreve.
Parabéns pela arte, pela sensibilidade, pelo talento tão
aparentes em
tudo que faz!
Abraços carinhosos de seu amigo e fã,
José Araújo
HAICAIS JUNINOS
Milho e fogueira:
receita caseira
de festa junina.
Quadrilha animada
aquece festejos
de São João.
Lanternas azuis
reacendem os corações
antes desanimados.
Quentão no frio
é convite à dança
junto à fogueira.
São João e São Pedro
homenageados
nas festas juninas
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasilia-DF, 03 de julho de 2008
HAICAIS COM SABOR*
As abelhas chegaram
fazendo ruídos,
tecendo mel.
Em toda semeadura
já se antevê as folhas,
os frutos e grãos.
Chegou a nêspera
para adoçar
minha boca.
Entre os dentes,
a nêspera trouxe gosto
ao meu dia.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 19 de fevereiro de 2009.
*(Adaptação do poema "Haicais" -
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 24 de junho de 2008)
VERSOS FLORIDOS*
(haicais)
Graciosas margaridas,
de meu irmão preferidas,
saudade me trazem dele.
De cachos floridos
vestiu-se a glicínia,
esbanjando perfume.
A flor-de-maio,
como todas do ano,
vestida com bom gosto.
Será a camélia
a flor para ofertar
à mulher "amélia"?
A flor se abriu,
depois dormiu,
estendida na relva.
Ganhou camélias;
esperava rosas,
devolveu lágrimas.
Vou pedir hoje
ao ipê-roxo:
me liberte das dores.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de fevereiro de 2009.
*(Adaptação de "Haicais Floridos" -
Theresa Catharina de Góes Campos)
HAICAIS DE LAMENTO PELA
NATUREZA
Jardim seco
está sonhando
com chuvas.
Asa ferida
da ave diminuta
denuncia o homem.
Na pequenina folha
retirada sem amor
reflete-se o descuido.
A fonte cantora,
de água limpa,
tornou-se lama.
As dunas diáfanas
desapareceram:
vê-se um deserto...
Água e chuva,
os maiores sonhos
do jardim sem vida.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 10 de junho de 2008
CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO...
Um sorriso
não pode ser guardado...
nem mesmo no coração.
Sorriso é para ser dado.
Coração-depósito
seria coração morto.
Sorriso retido
seria lágrima escondida.
Sorriso é para ser ofertado!
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 12/04/1966.
HOMENAGEM AO CINEMA *
A tela do cinema
falou com imagens
ao coração aberto.
Individual e coletivo,
de longe e tão perto...
eis o cinema.
Vestidas de cores,
imagens encontraram
sombras e luzes do cinema.
O projecionista abandonou o filme...
a imagem se perdeu,
o som virou silêncio.
O que eu não vivi
o cinema mostrou
e o mundo viu...
No espelho de tantas cores,
e de muitos sons,
o cinema refletiu a vida.
Terminada a refeição,
foram todos ao cinema
alimentar a inteligência.
Viu no cinema.
Contou lá fora.
Gostou ainda mais.
Sozinho
não se faz cinema
nem se vive a vida.
De meus queridos pais
recebi, com seu exemplo,
o cinema de presente.
Theresa Catharina de Góes Campos
*(Adaptação de: "Haikais de Homenagem ao Cinema" -
Theresa
Catharina de Góes Campos
São Paulo, 29 de maio de 2008.)
PRESENÇA DA ARTE
Conviver com a arte
de segunda a domingo,
de janeiro a dezembro:
eis um projeto de vida!
Theresa Catharina de Góes Campos
Belém do São Francisco - Pernambuco, abril de 1962.
O EGOÍSTA
O egoísta
é muito previsível...
e péssima companhia...
até para si mesmo.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 24/10/1988
MENINA SOU...
Uso vestido, laço de fita,
flores nos cabelos.
Menina que tem bonecas
para brincar de mãe e filha
em casas de miniatura,
com mobília, fogão, pratos e
tudo mais de que elas precisam.
Vestida pela mamãe,
menina sou, com roupa de boneca.
Já sei cantar com voz doce
para embalar o sono de minhas filhas.
Vou aprender mais canções de ninar.
Pretendo ter muitos, muitos filhos!
Por isso estou treinando,
para saber cuidar bem da família.
Porque depois, não será mais
brincadeira de menina...
vai ser mesmo de verdade!
Theresa Catharina de Góes Campos
João Pessoa - Paraíba, maio de 1961
AS VIAGENS DO VENTO
Vento gosta de viajar sem parar.
Sozinho, seguro de si, vigoroso,
assovia, canta, desperta a lua,
convoca as estrelas, acorda o sol.
Até faz visitas sem avisar...
bate nas portas das casas,
ameaça quebrar as vidraças,
entra nas casas falando alto,
faz voar as flores nos vasos,
arranca do jardim os amores-perfeitos.
Ou vai entrando sem bater,
como se fosse dono de tudo.
Até nas igrejas históricas
o vento entra sem a menor cerimônia.
O Vento veleja, navega,
convoca as ondas, desperta
os peixes, os cavalos-marinhos,
chama as sereis pra cantar com ele.
Faz até coro com os golfinhos,
unindo sua voz às suas melodias
de comunicação, inteligentes,
sensíveis, que acompanham
seus movimentos graciosos.
Vento veleja e navega,
sem ter medo das ondas do mar.
Acho até que ele faz
coleção de búzios e conchas,
para não se esquecer do mar.
Não sei se o Vento viaja
com ajuda de mapas.
O certo é que não pára
de viajar, subir e descer
montanhas, escadarias,
vales e colinas, senhor de si.
Viaja até o Polo Norte,
segue depois até o Polo Sul.
Conhece os iglus, sorri dos
pinguins trajados a rigor.
Chega aos escaldantes desertos,
ao oásis hospitaleiro dos berberes.
O Vento atravessa também os lagos,
cruza os desfiladeiros, sem medo;
faz-se presente nos vales,
quando é de sua vontade.
Sim, porque ele me parece
ser um viajante egoísta e mimado.
Malcriado, insolente e voluntarioso.
Quase um ditador ...se a natureza
deixasse o Vento mandar em tudo.
Nas florestas e matas, o Vento
não se faz de rogado: assovia
e canta com as folhas,
os ramos e as copas
de árvores tão altas
que podem estar a desafiá-lo.
Será que o Vento também conhece
canções de ninar, ou
histórias para contar
às crianças como eu?
Se o Vento não sabe,
é porque não aprendeu...
e não aprendeu porque
ele não pára de viajar.
Que vida boa!
Se parasse um pouco
iria aprender a recitar,
com os garotos de Olinda,
a história das igrejas.
Se ao menos por alguns minutos
o Vento aceitasse parar,
nas lindas paisagens de Olinda,
aprenderia com os pequenos guias,
a repetir a história da cidade
e de seus mosteiros serenos.
Mas Vento não pára nem
para aprender, só faz passear...
Vento viaja, voa, veleja
e navega, afoito, ousado.
Viaja e viaja pra todo lugar.
Até sem bússolas, nem mapas.
Vento nem precisa de avião!
Aliás, gosta muito de empurrar
o vôo desses aviões, acompanhar
suas asas, os seus motores,
porque, penso eu, sem ter muita certeza,
que o Vento os considera seus amigos.
Deve ser também admirador
de seu colega viajante Marco Polo,
de Dom Quixote e do meu herói aviador,
o escritor francês Saint-Exupéry.
Vento só faz viajar.
Viajar e passear...
O Vento não cansa de viajar.
Nem de viajar, nem de velejar,
nem de voar, nem de navegar.
Nem de assoviar e cantar.
Nem de entrar sem cumprimentar
e sair sem dizer até logo ou adeus.
O que Vento gosta mesmo é de viajar.
E brincar de esconde-esconde.
Não aceita ordens nem limites.
É indisciplinado e teimoso.
Decide viajar e pronto! Vai!
Sem combinar com ninguém.
Que aventura, a vida do Vento!
Vento viaja, viaja, até cansar.
Acho, porém, que ele não cansa.
Pois ninguém cansa de coisa boa.
Vento vive a brincar,rodopiar e dançar.
Vento veleja, voa, navega e faz um balé
de nuvens e mais nuvens de poeira.
Sem relógio nem roteiro,
é uma aventura atrás da outra.
Nem sei por que, às vezes,
o vento parece estar zangado,
com raiva das pessoas,
que correm dele, depressa.
tentando escapar de sua fúria.
Vento vive a passear.
Sua vida é brincar, brincar.
Que vida boa o Vento leva!
Vou perguntar se posso, um dia,
quem sabe, acompanhá-lo
em suas muitas viagens.
Nem precisará me dizer
qual o destino: vou com ele,
para onde o Vento me quiser levar.
Theresa Catharina de Góes Campos
Olinda-Pernambuco, junho de 1961.
BOLAS E CARAMBOLAS
Porque o nome da carambola
lá no fim tem bola,
vou comer a carambola.
Depois, vou sair pra brincar,
jogar um tempo com a bola.
Por que eu não posso
chutar também a carambola?
Porque de plástico é a bola,
só posso usar a bola
no futebol? não posso
botar , na boca, a bola?
Por que não posso, suado,
tomar sorvete de graviola?
_ Está bem, está bem,
já entendi...vou jogar
lá fora, brincar com a bola.
Antes, vou comer a carambola!
Vou pedir sorvete de graviola.
Quem sabe, se eu não desisto,
se ficar insistindo, pedindo,
ganho tudo isso, que eu tanto quero?
Não somente a bola,
mas a carambola...
e o sorvete de graviola.
Quando eu acabar
de jogar com a bola,
voltarei para casa. Aí,
não vou querer mais carambola.
Nem carambola, nem bola,
nem o sorvete de graviola.
Isso meus pais me disseram:
que vou chegar com sono
e mais cansado que eles.
Sabem que eu vou largar a bola,
recusar as carambolas,
esquecer o sorvete de graviola.
Logo, logo, fecharei meus olhos.
Talvez, então, nos meus sonhos,
estarei falando sobre jogos e bolas
e muitas, muitas carambolas,
enquanto me delicio
com o sorvete de graviola.
Theresa Catharina de Góes Campos
Caruaru-Pernambuco, janeiro de 1962
MANDEI O SOL BUSCAR A CHUVA
Fazia tanto calor!
O sol brilhava demais...
Mandei que ele fosse
buscar a chuva, rápido,
rapidinho, sem demora.
Como as horas se passavam
e os pingos da chuva não chegavam,
fiquei muito aborrecido...
"Vou conversar é com as sombras
do sol, pois acho que são poderosas."
Não fiquei surpreso quando,
logo, logo, bem depressa,
os pingos da chuva estavam
lavando o meu rosto.
Achei bom demais...porque
mamãe vive a me exigir limpeza.
Que bom, minha mãe não quer
o seu filho de rosto sujo!
Theresa Catharina de Góes Campos
Salgueiro-Pernambuco, julho de 1961
FESTA DE BONECAS
A Tânia Maria Barros, vizinha de infância em Natal-RN, e
nossa amiga até hoje.
Decidimos comemorar
o batizado de nossas bonecas.
Desenhamos os convites,
temos um bolo de verdade,
embora de tamanho pequeno,
sucos de fruta para beber,
até não se querer mais...
porque depois, no fim da festa,
costuma faltar lugar na barriga.
Minha irmã Victoria e eu vamos
ter uma festa de bonecas.
Chamamos Tânia, nossa melhor amiga,
a vizinha da linda, enorme casa,
juntinho à nossa residência,
com jardim de rosas de fazer inveja,
e muitas outras flores,
todas cuidadas pelas mãos de fada
de Dona Inês, mãe de Tânia.
João Eduardo e Carlinhos.
Nossa festa vai começar
no muro alto que separa
apenas as nossas casas.
Para nós, não representa
obstáculo algum.
Porque é ponto de encontro
entre vizinhas amigas,
uma ponte que atravessamos
de um lado a outro,
sem a menor hesitação.
Como se fosse uma porta aberta
habitualmente, para acesso fácil
aos nossos jardins e quintais.
Quase todo dia, conversamos
e brincamos juntas,
na maior animação.
Não precisamos abrir portão.
Subimos cuidadosamente
o muro alto, como de hábito.
É a nossa sala de visitas -
ao ar livre, com vista para a rua
e os jardins de nossas residências.
Entre as duas casas,
entre vizinhas amigas,
festejamos o batizado
de nossas bonecas,
que não deixaríamos pagãs.
Mês que vem, teremos festa de novo!
Vamos preparar mais uma comemoração:
o aniversário de nossas bonecas.
Não vai faltar um bolo de verdade,
enfeitado com sementes de romã,
nem suco,nem roupa nova para elas.
Porque tratamos nossas bonecas
como se fossem nossas filhas.
Theresa Catharina de Góes Campos
Natal - Rio Grande do Norte, junho de 1971.
MIRABOLANTE !
Circo é mirabolante, sensacional!
Como são eletrizantes, mirabolantes,
os voos dos trapezistas, de tirar o fôlego.
Mirabolantes, os números dos malabaristas,
hábeis nos movimentos rápidos dos malabares.
Os artistas do circo, mirabolantes, lançam arcos
para o ar, no seu trabalho mostrando perícia,
acompanhada com a poesia de cores e luzes .
Quantas histórias mirabolantes,
interpretadas pelos animados ,
mirabolantes e mágicos palhaços!
Viajando, passam por muitas cidades,
fazendo, em todas elas, espetáculos
mirabolantes, fantásticos, fantasiosos,
os esfuziantes acrobatas e palhaços.
Com os seus risos, na platéia repetidos,
fazem o público se divertir e sorrir.
Gostaria de ser um artista de circo,
batendo palmas também para os
trapezistas, malabaristas, acrobatas,
fazendo mágica que eu nem explico
nem sei o segredo...ah, se pudesse,
aprenderia a viver e trabalhar no circo,
transformando a minha vida, todo dia,
numa aventura muito mirabolante!
Theresa Catharina de Góes Campos
Pelotas-Rio Grande do Sul, julho de 1962.
PESCARIA NA QUERMESSE
Eu já vi que nem sempre os peixes
vão parar nos anzóis dos pescadores,
ainda quando eles usam, como iscas,
as minhocas de qualidade...
E quando os pescadores voltam
trazendo peixes, não trazem prendas.
Comigo, porém, é muito diferente,
quando faço pescaria de sucesso
nas animadas festas da paróquia.
Sigo os conselhos do meu pai:
um pouquinho de habilidade e
paciência para direcionar bem
a vara de pescar na minha mão.
A cada dia estou mais experiente
nas pescarias de quermesse.
Assim, ganho uma prenda diferente
por todo peixe que retiro da areia fina.
Eu consigo pescar, mas os peixes
vão continuar lá na barraca, voltam
a seu oceano, um mar de brincadeira.
Para mim, é como um jogo do qual
saio vitorioso, exibindo o que eu ganhei,
com pose de pescador habilidoso.
Penso que aprendi como se deve
fazer na vida: vou ser pescador
sem precisar de minhocas,
nem esperar horas,em silêncio,
à beira do rio, a fisgada na isca, ou
que o peixe decida se deixar pegar.
Vou continuar me divertindo
nas quermesses festivas, populares.
Posso crescer, isso posso, espero
que sim. Vai ser legal, ser adulto.
Só não posso esquecer de ir pescar
prendas e mais prendas nas quermesses.
Theresa Catharina de Góes Campos
Porto Alegre- RS, julho de 1962.
SARDINHA
(haicai)
Pequena e deliciosa,
vai afugentar anemia,
sardinha nas refeições.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 18 de março de 2009.
PARA CAMINHAR SEM MEDO
(Haicais)
Seja manhã ou de noite,
meu coração a cantar
segue a gemer e pulsar.
Harpas e bandolins
tocaram as estrelas
como se fossem sinos.
Para o céu ser luz
e música, dos sonhos
eu fiz muitas canções.
Com as lágrimas, escrevi
poemas e partituras...
E caminhei sem medo!
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 31 de janeiro de 2006
(No formato de haicais: São Paulo, 20 de julho de 2007)
SE PAPAI CHEGASSE MAIS CEDO...
Se meu pai chegasse mais cedo,
todos os dias me levaria
a passear e brincar no parque.
Eu queria tanto, tanto mesmo,
que todos os dias fossem
como os domingos ensolarados...
De qualquer modo,
chovendo ou fazendo sol,
com papai sem sair
tão cedo para trabalhar,
qualquer dia sempre seria
um domingo feliz para mim!
Theresa Catharina de Góes Campos
Niterói- RJ, agosto de 1963
ONDE SE ESCONDE A
POESIA SILENCIOSA?
Janela com grade é janela?
Porta fechada continua sendo porta
ainda que não dê acesso?
Vasos com flores na varanda
pequena de apartamento lá no alto
podem vir a ser um jardim?
A poesia nasce com as flores?
Ou nas asas dos pássaros,
nas folhas das árvores?
E onde se esconde a poesia?
Onde vive, quando silenciosa?
Quem colocou o som
dentro dos búzios encontrados
na areia e nos recifes do mar,
atrás das rochas, escondidos?
Por que as ondas do mar
são tão irrequietas na praia?
Nem param na areia, nem
sossegam quando retornam?
Tais perguntas não me incomodam,
apenas se repetem dentro de mim.
São melodias que saem das pautas
avistadas nas paredes invisíveis
de meu coração também irrequieto,
inquiridor, tão desassossegado.
Se não sei as respostas,
não é por isso que vou
parar de me questionar.
Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, maio de 1963.
PASSARINHO SALTITANTE
De galho em galho
pulou o passarinho/
não sei se fugindo
ou ao encontro do sol indo,
apressado, saltitante.
Será que está fazendo
exercícios matinais...
procurando frutas maduras,
caçando larvas para se alimentar
e a seus filhotes famintos levar?
Para onde vai, tão gracioso,
esse passarinho cantando,
saltitante, de árvore em árvore?
O que vai fazer, essa ave sonora
da qual nem sei o nome?
Será que busca outras vozes?
Persegue o calor, as sombras
ou os raios do luminoso sol?
Ou apenas vai levando,
muito cuidadoso e diligente,
os sonhos de minha mãe,
embaixo de suas asas?
Theresa Catharina de Góes Campos
Serra Talhada - Pernambuco, abril de 1962.
HAICAI DO SUCESSO
Chorar não aconselho.
Para tudo conseguir,
bem melhor é sorrir.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 03 de dezembro de 2008
OVO DE PÁSCOA
(haicais)
Colorido ovo de Páscoa,
símbolo da festa cristã,
não pode mesmo faltar.
Comer em demasia
os ovos de Páscoa
é acabar com a festa.
Ser moderado para comer
os deliciosos ovos de Páscoa
evita obesidade e outros males.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 18 de março de 2009.
O JOVEM LEITOR DE
JORNAIS
Vítor está agitado, ansioso. Porque seu pai está lendo
os jornais rapidamente, como faz todos os dias, depois
do almoço, antes de retornar ao trabalho.
O menino de 3 anos fica embevecido quando vê o papai, já
sem rir nem brincar com ele, olhando as letras, as
figuras...dobrando as páginas enormes daquele " livro "
chamado jornal...que chega todas as manhãs, bem cedinho.
Vítor acompanha a saída do pai, nesse momento bem
apressado. A mãe e ele são beijados...o pai segurando a
pasta de trabalho em uma das
mãos.
Alguns minutos mais tarde, o menino está sentado na
poltrona há pouco ocupada por seu pai. Vítor tenta
segurar com firmeza o jornal que seu pai estava lendo. A
babá vem à sala, onde encontra o garoto com os óculos
escuros da mãe, fingindo compreender o que aquelas
páginas imensas e soltas estão contando silenciosamente.
A mãe aparece e, assim como a babá, dá uma boa risada.
Em seguida, ela vai até o filho, lhe faz um
carinho...mas recupera seus óculos. Explica a Vítor que
ele não precisa usar óculos para enxergar. Mostra ,
ainda, que a tinta do jornal sujou as suas mãos. A babá
leva o garoto para lavar as mãos.
Aqueles poucos minutos de "leitura" fizeram Vítor se
sentir importante, um pouquinho igual a seu pai.
Theresa Catharina de Góes Campos
Aljubarrota-Portugal, setembro de 1960
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From:
Faustino Vicente
Date: 2009/3/21
Subject: RES: JOVEM LEITOR DE JORNAIS
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Dra. Theresa Catharina de Góes Campos:
Parabéns, e obrigado, pelas suas (sempre) bem-vindas
mensagens.Um
excelente fim de semana pra senhora e para os seus
familiares.
Fraternalmente em Cristo.
Faustino Vicente
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From:
Luci Tiho Ikari
Date: 2009/3/22
Subject: Re: JOVEM LEITOR DE JORNAIS
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Bom dia, Theresa Catharina:
Achei linda, essa crônica. Aliás, muito bem escrita.
Parece que vejo a cena, que se torna difícil nos tempos
atuais, pois os pais não têm tempo para os filhos, nem
de ler um jornal. As prioridades são outras,
infelizmente. Luci
O BEBÊ SAMUEL NASCEU!
Date: 2009/5/26
Subject: Re: Parabéns a você e Elizabeth, pelo
nascimento tão esperado
de Samuel.Re: Samuel nasceu!
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Querida Thereza,
Participo da sua alegria pela ótima
notícia, a da chegada do bravo Samuel. Deus o proteja e
guarde, neste
início de sua caminhada e ao longo da vida, com muita
saúde e
felicidades, para alegria de toda a família e amigos.
Pais, avós e
tios estão de parabéns. Aleluia!
Com um afetuoso abraço a amiga,
Heloisa Helena
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Em sex, 22/5/09, Theresa Catharina de Goes Campos
escreveu:
De: Theresa Catharina de Goes Campos
Assunto: Parabéns a você e Elizabeth, pelo nascimento
tão esperado de
Samuel.Re: Samuel nasceu!
Para: "walter ferreira"
Cc: "elizabeth barros"
Data: Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 20:51
Estimado Walter:
Que alegria imensa, para nossas famílias e, de modo
especial, para
Elizabeth e você, que não pouparam esforços para o
nascimento de
Samuel.
Minha irmã me telefonou cedo, ontem, para dizer a
maravilhosa notícia,
explicando que Samuel nasceu pela manhã , no dia 20 do
corrente. Como
somente hoje, agora, estou vindo à internet, expresso
neste e-mail
também a minha empolgação pela criança que vocês
trouxeram para seu
núcleo familiar. Soube que Elizabeth, daqui a alguns
dias. sairá do
hospital.
Minha irmã ainda me falou que, como eu já esperava,
somente os pais e
os avós podem visitar Samuel no momento. Disse que
Elizabeth pode ver
o bebê três vezes por dia. Ela precisa descansar
bastante, para
recuperar as energias que lhe serão necessárias.
Acho que o Samuel já demonstrou ter uma característica
da minha
personalidade: faz as coisas com muita antecipação,
adiantado! No meu
entender, é uma ótima atitude de vida! Ele não quis
demorar a
chegar...e veio! Mostrou grande determinação, assim
começando sua
existência "independente".
Parabéns e votos de saúde, amor e paz ! Muitos beijos e
abraços
afetuosos para Elizabeth, você e Samuel.
Carinhosamente, sua amiga e madrinha de casamento
Theresa Catharina
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2009/5/21 walter ferreira:
Estimada Theresa Catharina:
O querido Samuel nasceu, com 32 semanas de gestação,
pesando 1,175 kilos e medindo 39cm.
Estamos bem felizes e Betinha está se recuperando bem.
O Samuel deve ficar mais 1 mês na incubadora da UTI
neonatal.
Um abraço,
Samuel, Walter e Elizabeth
NOS DIAS DE CINEMA
Meus pais me deram um nome comprido. É bem lindo, eu
penso...Quando perguntei o porquê dos meus nomes, mamãe
explicou em detalhes...
-"Princesas e rainhas, reis e príncipes, têm mais de um
nome. Você, para nós, filha querida, é uma princesa,
além de uma rosa ainda em
botão."
Disseram também que eu nem preciso usar perfume...porque
já sou uma flor.
Falaram que os filhos são especiais para todos os pais,
que colocam as crianças sob a proteção de santas e
santos de sua devoção.
Ah, que palavras tão bonitas de ouvir e guardar no
coração!
Hoje, vamos todos ao cinema. Sim, é uma alegria e tanto,
das maiores que conheço!
Tenho só 5 anos. Acho que sou analfabeta. Reconheço as
letras, porém. Aprendi também a conhecer, às vezes,
alguns sons escritos no papel. Mas confesso que não sei
ler.
Costumo fingir que sei ler - pego livros, jornais e
revistas...olho as fotos, os desenhos, chamo as letras
por seu nome, depois me canso de fingir. Queria muito
saber ler de verdade.
Tudo isso contei porque me deu vontade...talvez
porque..não sei bem.
Hoje é sábado e vamos todos ao cinema. Eu, meus pais,
meus irmãos. Uma prima, que sabe ler bem demais, também
vai. Meus irmãos, mais jovens do que eu, também não
sabem ler. Mas eles não se preocupam em fingir que sabem
...
No cinema, não podemos brincar nem fazer barulho. Cinema
tem brincadeira e barulho na tela. Se eu não obedecer as
ordens de meus pais, a babá tem autorização deles para
me levar de volta para casa. Depressa, sem demora.
Na sala do cinema, vou olhar as figuras, pessoas e
coisas que aparecem na tela. Não posso fazer barulho.
Devo ficar sentada, quietinha, silenciosa. Não posso
perguntar nada, "nadinha". As perguntas ficarão para
depois da sessão. Também não podemos comer, nem
beber...só depois do cinema.
=====
Ah, que belo filme! Tão movimentado, com lindas cores e
muita gente.
O tempo vai passando...acontece, então, eu ficar cansada
de ler as letras e os sons que consegui reconhecer.
Estou me deliciando com as imagens bonitas. Outras, são
divertidas. Aliás, já aprendi algo muito importante...o
fim de um filme não é a cena que parece ser o momento
final. Nós saímos da sala somente quando o filme , de
fato, termina: quando não aparece mais na tela nenhuma
letrinha. Aí, deixamos a sala de cinema com vontade de
correr, já pensando na sorveteria...onde vou escolher
sabores de picolé. Lá, poderei conversar, perguntar tudo
que não sei sobre o filme.
Faço tantas perguntas que até me perco!
Ora, se eu vi, mas não sei, tenho que perguntar...até
compreender tudo.
Tudo isso contei porque hoje é sábado e, logo mais,
vamos todos ao cinema e, depois, à sorveteria.
Um dia bem gostoso. Meu dia preferido. Bem animado.
Sempre uma aventura deliciosa.
Theresa Catharina de Góes Campos
Belém de São Francisco - Pernambuco, novembro de 1962.
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From:
Tereza Lúcia Halliday
Date: 2009/6/28
Subject: Re: NOS DIAS DE CINEMA
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Olha aí a semente da futura crítica de cinema!
O fingir que lia, remeteu-me a uma cena de Daniel, meu
filho, com apenas dois anos: imitava os pais abrindo uma
revista e fazendo que lia. Mas a revista estava de
cabeça para baixo....
Ah, sim, sua recordação também me leva à sorveteria,
ponto alto após o cinema, mesmo na jovem idade adulta.
Um beijo, Tereza Lúcia.
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From:
Luci Tiho Ikari
Date: 2009/6/29
Subject: Re: NOS DIAS DE CINEMA - Theresa Catharina de
Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresa Catharina:
Seus escritos fazem muito lembrar a nossa infância
também. Bons tempos. Tudo era novidade e um mundo
repleto para conhecer. Hoje, chegam infinitas coisas
para a criançada de maneira fácil, mas elas não se
interessam. Ficam empolgados, se podem gritar, dançar e
ligar aparelhos eletrônicos. Luci
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Vamos brincar de ler
sons e letras?
DEDICATÓRIA
Um pequeno presente literário para o meu sobrinho-neto
Samuel, esperando que goste de sons e letras...
Theresa Catharina
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BÊNÇÃO PARA SAMUEL E
SEUS PAIS
2009/7/5 artemis coelho
Elizabeth e Walter,
Que o Senhor abençoe o pequeno e valente Samuel;
e que a exemplo do Samuel bíblico,
ele escute sempre em seu coração a voz da justiça e do
amor de nosso Salvador,
guardando-o sempre em temor e amor a Deus.
Parabéns! Abençoado seja o lar de vcs.
Artemis
A FLOR
Há muita coisa bonita
para a vida alegrar.
Se uma flor encanta,
um sorriso vai imitar.
A flor é o sorriso da natureza
que atrai o beija-flor
para lhe dar o seu amor.
Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, 30 de maio de 1955
A PRIMAVERA
Cobrindo os campos de flores,
alegrando corações,
vem chegando a primavera,
a mais bela das estações.
Nas manhãs radiosas,
o canto dos pássaros
é a voz da natureza
saudando a sua chegada.
Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, 10 de junho de 1955
A BORBOLETA
A borboleta é o colorido da natureza
que voando entre as flores
mostra os seus primores.
Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, 24 de junho de 1955
OS CONVIDADOS PARA A FESTA DO SOL
A chuva não veio.
Talvez amanhã...
O sol nos convida para sua festa!
A festa é aberta para todos nós.
Mas a chuva não virá.
Está muito, muito cansada.
Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères, Suíça (1960)
LES INVITÉS POUR LA FÊTE DU SOLEIL
La pluie n'est pas là.
Peut-être demain...
Le soleil nous invite pour sa fête!
La fête est ouverte à nous tous.
Mais la pluie ne viendra pas.
Elle est déjà trop fatiguée.
Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères, Suisse (1960)
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COM POESIA, PARA A VIDA SER MAIS QUE SOBREVIVER.
Theresa Catharina de Góes Campos
Na trajetória poética de "Existe Vida sem Poesia?", mais uma
coletânea de poemas.
GENTILEZA DA
MENSAGEM DE LATIFE
De: Theresa Catharina de Goes Campos
Data: 18 de julho de 2010 19:04
Assunto: Que imensa bondade a sua, querida Latife, mesmo tão
gripada, me escrever mensagem de tanta gentileza! MUITO
OBRIGADA, do fundo de meu coração.Fwd: Por favor, não se
trata de bruxaria, e sim, do poder real e natural que tem a
cebola para absorver as bactérias
Para: Latife Hamu
Querida Latife:
Que imensa bondade a sua, estimada amiga, aliás, uma
confirmação do que há muito se sabe sobre a sua pessoa tão
solidária, porque verdadeira e autenticamente cristã,
vivendo a caridade essencial que salva, o caminho único para
a nossa redenção como seres humanos...
Mesmo gripada, achou tempo e reuniu disposição para me
escrever mensagem plena de gentileza nas palavras que
relatam a comemoração do aniversário natalício de Heloísa,
com o destaque para o acróstico de homenagem à nossa amiga
comum e nos comentários de incentivo sobre o meu sexto livro
(a minha primeira antologia poética publicada). A gratidão é
um dever a ser cumprido. Nos Evangelhos, Jesus pergunta ao
único leproso que veio lhe agradecer a cura milagrosa: -
Onde estão os outros? Dessa passagem - e outras- precisamos
reiterar a nós mesmos que a Ele daremos graças pela cura e
todas as outras bênçãos e graças, inclusive as bondades que
recebemos de nosso próximo.
Por falta de oportunidade, há muito tempo que ando com o seu
exemplar de Pensamentos para Ser, Agir e Viver Melhor.
Agora, também estará reservado para você uma cópia de Existe
Vida sem poesia?, sendo que eu poderia providenciar a
entrega no seu endereço (mandaria deixar na Portaria do
edifício, com o seu nome e número do apt.). Quando lhe for
possível, então, se achar conveniente, bastaria me confirmar
o endereço.
Nunca faço outras pessoas de portadoras, a não ser quem
trabalha para mim, porque nem todos gostam de carregar
objetos pesados em suas bolsas pequenas. Ou costumam se
esquecer de entregar...
Prometendo repetir as orações que agora fiz, pedindo a Deus
por sua pronta e plena recuperação, beijos carinhosos de
quem muito a estima,
Theresa Catharina
De: Latife Hamu
Data: 18 de julho de 2010 14:00
Assunto: Re: Por favor, não se trata de bruxaria, e sim, do
poder real e natural que tem a cebola para absorver as
bactérias e ...Fw: O SEGREDO DA CEBOLA
Para: Theresa Catharina de Goes Campos
ESTIMADA TERESA,
ESTA MENSAGEM CHEGOU EM BOA HORA. ESTOU COM UMA FORTE GRIPE,
PROBLEMAS NA GARGANTA E MUITA TOSSE. ACABO DE CORTAR UMA
CEBOLA E COLOCÁ-LA AO LADO DO COMPUTADOR, TORCENDO PARA QUE
TAMBÉM DÊ CERTO COMIGO.
NO DIA 13 ÚLTIMO, COMEMORANDO O ANIVERSÁRIO DA HELOISA,
LEMBRAMOS MUITO DE VOCÊ. TIVEMOS EM MÃOS O SEU MAGNÍFICO
LIVRO DE POESIAS. NA OCASIÃO, FOI LIDA A HOMENAGEM Á HELOISA
,NELE CONTIDA, DEMONSTRANDO, MAIS UMA VEZ, A SUA NOBREZA DE
SENTIMENTOS.
UMA FELIZ TARDE DE DOMINGO, PARA VOCÊ! LATIFE
EXISTE VIDA sem POESIA?
A jornalista Theresa
Catharina de Góes Campos acaba de reunir
em livro – Existe Vida sem Poesia?
– boa parte de sua extensa produção
poética, até aqui esparsa, constituída
de versos de tom bastante emotivo,
escritos ao longo do tempo em três
idiomas, além do português, os quais
espelham as diversas fases de sua rica,
sofrida e luminosa existência.
Na verdade, o brilho
geral do livro, dedicado aos familiares
da autora, é composto pela oportunidade
que ela dá ao leitor de empreender, em
sua companhia, uma viagem ao recôndito
de seu coração para conhecer não só a
alegria que esbanja de viver, como
também as razões que a levam, por
impulso, a escrever poemas.
Naturalmente, para quem espalhou poesia
em sua vida, como ela confessa, existem
infindáveis sentimentos geradores dessa
nobre atividade.
Todo poema, conforme
admite Theresa Catharina, tem um
passado, uma história a ser contada:
Versos há que chegam / tão de mansinho /
como a luz da madrugada. / Recebem o
orvalho da manhã; / deixam-se seduzir /
pelo encanto do beija-flor. Há
alguns, porém, que, segundo ela,
parecem borboletas! E outros
condenados / ao silêncio, impedidos / de
cantar. / Sinos quebrados. Muitos
reagem, conforme explica. Rebelam-se,
exigindo, com voz firme, o seu lugar no
mundo. Há até os que usam disfarces
(máscaras) e artimanhas para que se lhes
retirem a mordaça.
A poetisa não usa,
contudo, essa busca da história de seus
versos para omitir ou falsear fatos de
sua vida. Pelo contrário. É nessa
ingente tarefa que ela se mostra em
retrato de corpo inteiro. Em um poema,
de muita força dramática, por exemplo,
exalta a coragem de sua mãe, que a
resgatou, em um país estrangeiro, da
violência, a que então se submetia, no
cotidiano de sua vida conjugal:
Dias de medo e de
horror, / de violência diária, /
disfarçada e cruel. / Anos de solidão, /
dias sem sol, / nem luar. / Dias sem
luz, / anos ausentes de proteção. / Anos
sem paz, / sem visão de esperança.
Tudo isso, entretanto, a
autora procurou esquecer. Em outro
poema, ela afirma: Nada foi estéril:
tudo deu bons frutos. E acrescenta:
Nada infértil se mostrou. / Derrotas
e vitórias deram frutos... / ainda que
em meio a lágrimas. / Nada,
absolutamente nada / na minha existência
se perdeu. / O ideal a tudo transfigurou.
Reconquistada a liberdade, de volta ao
âmbito da família, a jornalista procurou
alimentar o espírito por meio
principalmente do cinema, sua paixão
desde os tempos de criança. Por isso, em
homenagem à Sétima Arte, há muitos
haicais em seu livro, além de uma
profusão de poemas inspirados em filmes
famosos, como Blade Runner, O
Jardineiro Espanhol, Imensidão
Azul, O Turista Acidental,
Hiroshima, Meu Amor, e O País de
São Saruê.
Inspirando-se em
Mouchette, obra-prima de Robert
Bresson, Theresa Catharina assim
verseja: Ainda que o corpo se recuse,
/ o coração tem que reagir / e continuar
a crer, a esperar, / mesmo que as
lágrimas / se recusem a parar / de
envolver nosso rosto / empalidecido e
chocado / porque a solidariedade / não
nos resgatou / do desespero. Também
a literatura de Antoine de Saint-Exupéry
(Terra dos Homens) a leva a
escrever, originalmente em francês, em
Paris, estes versos, que aqui vão na
tradução dela para o português:
Tudo se vai dizer / às
estrelas d´Exupéry. / Mas é preciso se
calar / diante dos homens / perdidos no
deserto / do seu orgulho. / Vamos correr
/ diante das flores, / embora não, / se
ouvirmos os ruídos / da guerra. / É
preciso muita coragem, / muito amor, /
para se falar aos homens. / Com as
flores, / podemos falar de amor. / Com
as estrelas / podemos conversar / sobre
a ternura / escondida no coração puro /
do Pequeno Príncipe.
No poema que dá título ao
livro, a poetisa confessa não ter mais
segredos, nem confidências: Meus
versos disseram tudo – ela
complementa. Há, porém, dois traços
característicos da personalidade de
Theresa Catharina que precisam ser aqui
destacados: o primeiro é a sua pertinaz
e corajosa luta contra o câncer, que ela
vem vencendo, há mais de uma década,
graças à perícia de seu médico
certamente e ao seu espírito de
perseverança, de não deixar a peteca
cair, como diz, que ela sintetiza
também em poesia: A vida precisa ser
assim... / Olhe a peteca, não deixe
cair! / Mantenha vivas as cores / e os
perfumes da existência / Mantenha a vida
em movimento, / caminhando até no
silêncio / das meditações escolhidas.
O segundo é a sua extraordinária
confiança no poder da amizade:
Louvado seja Deus, /
pelas bênçãos da amizade / que nos
resgata do egoísmo atrofiante.
A muitos amigos, por
isso, a autora de Existe Vida sem
Poesia? oferece versos como se
fossem presentes ou flores numa maneira,
conforme explica, num poema, intitulado
Assédio Poético, de estabelecer
maior comunicação entre as pessoas
queridas. Mas ela teme também que
essa atitude, própria de poetas que
vivem no mundo da lua, importune a
muitos dos destinatários. Em vista
disso, se escusa: Que nos desculpem
os amigos / por nossa impertinência. /
Que nos perdoem o assédio poético. /
Somos culpados, reconhecemos. / A nosso
favor, digo apenas, que / vivemos com o
coração na mão, / sempre a pulsar,
fazendo poesia. / inclusive para
ofertá-la aos amigos... Que, por
sinal, somos muitos.
REYNALDO DOMINGOS FERREIRA
De: Tereza Lúcia
Halliday
Data: 27 de junho de 2010 18:21
Assunto: Re: EXISTE VIDA SEM POESIA? -
Comentário de Reynaldo Domingos Ferreira
Para: Theresa Catharina de Goes Campos
Que belíssima resenha, Therezita!
Disse tudo, sem contar tudo o que o leitor deve
ir buscar por si próprio na leitura de sua
estrada poética - estrada de vida exemplar.
Um beijo, Tereza Lúcia.
De: bere bahia
Data: 28 de junho de 2010 09:23
Assunto: Re: EXISTE VIDA SEM POESIA? -
Comentário de Reynaldo Domingos Ferreira
Para: Theresa Catharina de Goes Campos
Olá, Amiga,
Gostei de ler estas considerações do Reynaldo
sobre o teu trabalho e exemplo de vida.
Parabéns, Berê Bahia
De: elizabeth
barros
Data: 28 de junho de 2010 19:46
Assunto: Re: Agradecendo as suas palavras de
incentivo...Fwd: Adoramos o novo livro da
senhora, ficou maravilhoso!!!
Para: Theresa Catharina de Goes Campos
(...)
Adorei o texto que Reynaldo fez com tanto
carinho sobre o novo livro da senhora (Existe
Vida sem poesia?).
A senhora deve ter ficado muito emocionada com
as palavras desse amigo tão especial. Parabéns,
a senhora merece.
Um abraço afetuoso de Elizabeth
De: VICTORIA
ELIZABETH BARROS
Data: 28 de junho de 2010 22:30
Assunto: Existe Vida sem Poesia?
Para: theresa.files
Querida irmã Therezita, passamos um final de
semana calmo e feliz sem grandes novidades,
acompanhando os jogos da Copa, torcendo pelo
Brasil em casa e aproveitando para descansar e
ler seu livro, com tão belas poesias e nos
transportando a vários locais , momentos que
marcaram profundamente nossas vidas, relembrando
pessoas e fatos de um passado longe , outros
mais recentes, enfim, uma leitura agradável, mas
também difícil, sobre alguns períodos bem
difíceis de sua vida. Posso até confessar que
estou podendo conhecer mais profundamente sua
alma, seu coração, sua pessoa tão sensível e
sofrida, mas também com muita fé e vontade de
viver e continuar fazendo outras pessoas
felizes, dando seu exemplo de como vencer os
obstáculos e fazendo de um sofrimento uma
vitória, um aprendizado para enriquecer ainda
mais sua experiência de vida. Li com muita
atenção o comentário do seu amigo Reynaldo sobre
seu livro "Existe Vida sem Poesia?" e,
realmente, ele conseguiu traduzir com palavras
muito verdadeiras e belas esta sua obra
literária que revela de forma transparente sua
trajetória por caminhos diversos e a riqueza dos
detalhes que encanta pela forma humana de captar
a beleza do ser humano, do universo e das
palavras, criando uma eterna poesia, seu
verdadeiro e especial mundo, que a torna feliz e
dando um objetivo para continuar vivendo.
Parabéns mais uma vez pelo seu lindo e
encantador livro que tenho certeza vai iluminar
a vida de muitos leitores.
Beijos da irmã Victoria
De: VICTORIA ELIZABETH BARROS
Data: 18 de julho de 2010 11:10
Assunto: Re:Existe Vida sem Poesia?
Para: Theresa Catharina de Goes Campos
Querida irmã Therezita,
(...), pois está se recuperando de uma recente separação
(...). Vou levar seu novo livro para dar de presente, pois
contém muitas lições de vida.
(...)
Beijos carinhosos de todos e saudades da irmã que muito a
ama e admira. Victória |
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