NOVOS PROJETOS

EBOOK - Theresa Catharina: Uma Vida Refletida Nas Palavras Escritas

Livro: As Palavras são Para Sempre? - Artigos e outros textos sobre temas diversos

Livro: Cinema: ver... para sentir, pensar e ser - Textos sobre a arte cinematográfica e comentários de filmes

Livro: Atividades Físicas: rotina mental e aprendizado para a vida?

Livro: Crônicas líricas ou poemas em prosa?

Livro: Vamos brincar de ler sons e letras? Prosa e versos para crianças e jovens inteligentes

Livro: Com poesia, Para a Vida Ser Mais que Sobreviver.
Na trajetória poética de "Existe Vida Sem Poesia?", mais uma coletânea de poemas

 
AS PALAVRAS SÃO PARA SEMPRE?
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Livro:
As palavras são para sempre?
Artigos e outros textos sobre temas diversos


Sabedoria é visão e solidariedade
Theresa Catharina de Góes Campos

Considerando-se a criatividade como um recurso humano multiplicador e crítico, compreendemos que, ao comentarmos sobre alguém "de visão", estamos reconhecendo a sua capacidade para agir no presente com perspectivas futuras. Os indivíduos que se destacam, em sua comunidade, por esse conhecimento muito especial, na realidade atuam regularmente com padrões tridimensionais, pois se fundamentam nas lições do passado, próximo e remoto.

Em contato com uma realidade limitada, insistem em examiná-la até descobrirem o seu potencial de transformação e os instrumentos de mudança que deverão ser utilizados, em sua dinâmica e seu contexto específicos. Ao contrário do que pensam os conformistas, eles não vivem loucamente "em outro mundo": pelo contrário, inseridos na sociedade, não se deixam por ela dominar, conservando, portanto, a sua liberdade para enxergar alternativas

que consideram superiores. Assim, ao invés de prisioneiros de estruturas com as quais não concordam, mostram-se capazes de visualizar, às vezes com antecedência de séculos, o mundo que vale a pena ser construído. Felizmente, com esta visão interior que mantêm de forma permanente diante de seus olhos (abertos ou fechados), já começam a construí-lo, sozinhos ou com a ajuda de seus companheiros.

Os artistas das cavernas pré-históricas, por meio de suas pinturas rupestres, transmitiram às gerações futuras um testemunho de sua vida primitiva: máscaras, atividades culturais e de sobrevivência. O fato de que não dispunham de escrita não se constituiu um impedimento a que buscassem, de algum modo, um instrumento de comunicação. O teatro grego da Antiguidade Clássica, com personagens da mitologia, destacou a figura de um cego, Tirésias, porque a sua sabedoria lhe dava uma visão mais profunda: conhecia a tragédia pessoal de Édipo, assim como os desígnios do poder divino; não se deixava intimidar pelo fausto e poder humanos; não hesitava em advertir, revelar, profetizar. Na Idade Média, os monges copistas que trabalharam humilde e exaustivamente, para que a cultura greco-romana fosse preservada para os leitores dos séculos seguintes, demonstraram compreender a importância das obras de artistas, filósofos e estudiosos.

Leonardo Da Vinci, quando morreu, no ano de 1519, legou à humanidade não somente a excelência de suas pinturas, como também, inventos científicos os mais diversos. Na literatura, os romances de Jules Verne deram a seu público o encantamento de viajar em balões, descobrir o espaço, descer ao fundo do mar, lutar contra perigos com recursos tecnológicos e dispor da televisão muito antes dessas técnicas fazerem parte do cotidiano da sociedade.

Felizmente as dificuldades do ensino não desanimaram a poetisa e professora chilena Gabriela Mistral, cujas obras foram homenageadas com o Prêmio Nobel. Ainda bem que os rostos marcados pela fome e a miséria de multidões animaram mulheres de visão, como Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce, a devotarem tempo e esforços ao bem-estar desses marginalizados porque desamparados. Em qualquer comunidade, pessoas com essa força interior para buscar soluções (trabalhando com situações consideradas, no mínimo, dificílimas) deixam um exemplo a ser seguido. Aliás, caso nos falte coragem para tanto amor ao próximo, não sejamos omissos: ofereçamos o auxílio que nos for possível proporcionar.

Em todas as áreas profissionais, a atuação de indivíduos capazes de pensar e forma abrangente, em profundidade, resultará em benefícios superiores aos obtidos por aqueles acostumados a repetir ou reproduzir sem pensamento crítico. O objetivo primordial de todo processo de educação, seja informal ou acadêmica, deve ser, de fato, adquirir esse conhecimento lúcido, inquiridor, criativo, numa atitude de permanente atualização e busca de aperfeiçoamento individual e coletivo.

Esclarecidas e conscientes, as pessoas de visão jamais se acomodam, mesmo quando aceitam e acatam; com tranqüilidade ou numa "santa agitação" justificada pela urgência, estão sempre enfrentando novos desafios, sem esperar que os outros se dêem conta e tomem as suas decisões. Se o grupo se apressa, aquele determinado a refletir sobre as implicações talvez se reserve o direito de ficar na retaguarda, analisando o passado, repensando o presente, preparando-se para o futuro.

Quando muitos se refugiam na inércia, os sábios percebem os absurdos de tal alienação e, decididos, justificados por sua visão tridimensional, não-limitada e não-alienada, gesticulam, falam, escrevem, atuam, como a impulsionar a roda que parece estar presa ao chão. Afinal, suas mãos estão guiadas por olhos permanentemente fitos nas estrelas do amanhã desconhecido, mas libertador. Visão pioneira e desbravadora, capaz de forjar o porvir!


Ética na prática
Theresa Catharina de Góes Campos

Viver e trabalhar com ética significa saber conviver, respeitando a dignidade do próximo, tanto quanto a sua própria dignidade de caráter. Na teoria, fala-se e se escreve bastante sobre o tema, nos dias atuais, sobretudo porque não é difícil constatarmos que está na ausência da prática da ética, no dia-a-dia, apesar de todas as dificuldades e até, muitas vezes, sofrimentos, a origem das injustiças, desigualdades e problemas sócioeconômicos.

O indivíduo que se coloca, na comunidade, como pessoa humana, reconhece a demanda interior de abraçar os hábitos de caráter que determinarão sua coragem em pensar e agir com ética.

Conhecendo a si mesmo e os princípios éticos que se determinou a abraçar, em sua vida privada e pública, também se acostuma a exigir da comunidade em que está inserido a transparência ética das decisões, as atitudes marcadas pela retidão de pensamento, os processos de crescimento orientados eticamente.

Embora os fundamentos da ética nasçam de escolhas individuais, sempre conscientes de que a vida exige de nós a fidelidade diária a esses princípios, devemos entender que a convivência constitui um sistema de interação, tanto mais exigente da ética quanto carente de situações em que os nossos direitos jamais estão isolados das necessidades e dos direitos do próximo. Nosso espaço interior - íntimo, afetivo, intelectual - não deve ser considerado como isolado com relação aos espaços e limites dos outros, próximos ou distantes.

Pensar nos menos poderosos, nos ausentes, nos excluídos, no bem comum... são disposições internas que nascem da prática da ética, e não, das manifestações teóricas alardeadas em seu nome.

Segundo Carmen Barreira, " a identidade individual e social cria-se a partir de uma interação sistêmica, base de toda educação. Sem ética não é possível falar-se em educação, cujo objetivo fundamental é incitar o afloramento das capacidades do indivíduo, criar balizas para que elas se consolidem e,

quando maduras, propiciar o espaço necessário para que enriqueçam e transformem a sociedade na qual esse indivíduo está ou escolheu estar inserido."

Se podemos e devemos exigir, de toda pessoa, atitudes éticas, dos poderosos e das autoridades espera-se a ética como fundamento de sua posição e atuação. Justiça, caridade e generosidade são virtudes éticas, os frutos da ética, a fundamentação filosófica...( e política, no sentido da origem grega da palavra: a arte de promover o bem comum) para aqueles que mandam, decidem, fazem acontecer...e para os que a eles estão subordinados também. A justificativa para tal exigência intrínseca está nos benefícios para a sociedade, formada por seres racionais, iguais em seus direitos fundamentais. A visão utilitarista seria ver, como objetivo da ética, chegar-se ao resultado ideal/idealista de obter " o máximo de felicidade para o maior número de pessoas".

Regras e valores éticos devem estar presentes sem interrupção em nossa vida. Somente assim é possível evitarmos o caos, escondido ou aparente. Em nenhum momento a ética se torna, sob quaisquer pretextos, dispensável, quer seja no lar, na igreja, no trabalho, nas atividades intelectuais, no convívio social, na prática sindicalista.
Matéria editada em 19/07/01 às 00h01


DESRESPEITO AOS CIDADÃOS E PASSAGEIROS
A imagem de sucesso da aviação comercial brasileira agora foi substituída pelas demonstrações de que as companhias aéreas não respeitam os direitos dos cidadãos e clientes.

Se quando ocorre um problema, as empresas aéreas e seus funcionários não sabem se comunicar adequadamente com os seus clientes, isso também é uma falha grave.

Se não prestam as devidas informações a seus passageiros, nem tentam solucionar alguns problemas que estão sob a sua alçada, eis outro erro absurdo.

Se não se preocupam com o bem-estar de seus clientes, pelos quais se tornaram responsáveis, ao lhes vender passagens e prometer lhes prestar, com responsabilidade e competência, o serviço de transporte aéreo, as empresas demonstram ser negligentes, omissas, ineficazes e irresponsáveis.

Não há como se eximirem dessa responsabilidade, todas essas empresas ,
alegando que os problemas são causados por outros e abandonando à própria sorte, desesperados e angustiados, os passageiros que as contrataram diretamente para lhes prestarem o serviço de transporte aéreo.

Não há como desculpar a total omissão das empresas aéreas, que assistiram, insensíveis, sem nada fazer para minorar, ao sofrimento de seus clientes, pessoas humanas a quem deveriam e poderiam ter socorrido, prestando auxílio, assistência e acompanhamento. Não seria um favor, mas o cumprimento de um dever.

Presenciar, sem atitudes de compaixão e gestos solidariedade,o drama de
passageiros atormentados e desinformados, torturados emocionalmente, significou uma prova de desumanidade, além de ferir o princípio da honestidade, por parte de quem se comprometeu a executar, com datas e horários programados, o serviço de transporte aéreo.

Aliás, esses episódios horripilantes do chamado "apagão aéreo" contribuíram para uma situação gravíssima: o passageiro não confia mais!

Essa quebra da confiança que antes existia é um prejuízo econômico e moral. O cidadão e cliente não acredita mais nas informações das empresas aéreas, nem das autoridades que deveriam ser responsáveis pela fiscalização e punição. O desrespeito à pessoa humana, ao cidadão e cliente, passou a ser corriqueiro, rotineiro,embora absolutamente inaceitável.

E como sabemos, em qualquer tipo de relacionamento, quando desaparece o respeito, a relação se deteriora, não tem condições de se manter, quanto mais de crescer.
Torna-se um relacionamento marcado pela indignidade das condições a que se submete uma das partes e atinge a todos os envolvidos.

Com a degradação do serviço que deveria ser prestado aos cidadãos e passageiros, foi-se a qualidade de vida, a modernidade de poder se locomover com rapidez, em tempo hábil, confortavelmente, em clima de confiança.

Viajar se tornou uma "via crucis" ...quando, vítimas de chantagens covardes, não sofrem apenas as crianças, os idosos, as gestantes, os deficientes...mas igualmente os fisicamente mais fortes, também estressados e levados à exaustão.

E não podemos esquecer que tal calamidade pública - a praga desse "apagão aéreo" - começou após o acidente aéreo em que 154 pessoas perderam a sua vida. Depois que foi iniciada uma investigação. Sob suspeita: os pilotos do "Legacy" que colidiu no ar com o avião da Gol. No entanto, uma pergunta fundamental precisa ser respondida com a mais absoluta clareza: o que faziam os controladores de vôo, naquele dia e horário, quando deveriam estar acompanhando as duas aeronaves, e tomando as devidas providências, enfim, trabalhando na sua nobre missão? Aliás, por que atualmente reclamam tanto de que não podem mais usar seus celulares particulares, nem a internet, em seus locais de trabalho? Imagina-se que não seja possível atuar eficientemente como controlador de vôo e, ao mesmo tempo, estar acessando a internet ou falando ao celular...

Em qualquer circunstância, se as empresas aéreas não sabem atender com a devida sensibilidade, cortesia e responsabilidade os seus clientes, nos aeroportos e nas linhas telefônicas disponibilizadas, em situações de exceção; se os seus funcionários não se mostram preparados,treinados com eficiência, para socorrer passageiros estressados e transtornados , nas constantes ocorrências de anormalidade no serviço de transporte aéreo...

Como confiar que, durante o vôo, no ar, em eventuais situações de emergência, as tripulações terão condições técnicas, profissionais e emocionais, para agir com responsabilidade, solucionando problemas urgentes, em tempo útil e real, e atendendo às necessidades primordiais de seus passageiros?!

Desrespeitados e testemunhas de abusos regulares e repetitivos, no caos das relações com o transporte aéreo, os cidadãos, clientes e passageiros,
simplesmente perderam a confiança! O que poderia ser de mais grave que isso?!

Ganhar dinheiro pode ser fácil para empresários e administradores. Entretanto, para recuperar a confiança perdida,tarefa dificílima, sobretudo por causa das lembranças traumáticas de tantas experiências desagradáveis, será preciso uma atitude bem diferente! Além de um tempo e dedicação consideráveis, até que as feridas cicatrizem e as recordações ruins sejam substituídas por lembranças bem distantes, quase perdidas no passado, de momentos agradáveis nas viagens aéreas...

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 16 de abril de 2007


TEXTO VIGOROSO E ATUAL
Theresa Catharina de Góes Campos
(Prefácio do livro A Mulher de Lote, peça teatral de Reynaldo Domingos Ferreira)

A MULHER DE LOTE - Reynaldo Domingos Ferreira

De: "REYNALDO FERREIRA"
Data: Fri, 05 May 2006 10:24:05 -0300
Para: theca@[...].com.br
Assunto: A MULHER DE LOTE


Ei, amigos!...
A GIZ EDITORIAL E LIVRARIA LTDA, uma nova editora paulista, lançada oficialmente durante a realização da última Bienal Internacional do Livro de São Paulo, inicia esta semana o processo de editoração do meu próximo livro, "A MULHER DE LOTE", peça de teatro sobre o episódio bíblico da fuga da família de Lote da cidade de Sodoma a ser destruída, que mereceu magnífico comentário de apresentação - que segue anexo - de THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS, jornalista, escritora, tradutora, poetisa, ex-professora da Faculdade de Artes Cênicas "Dulcina de Moraes", da Fundação Brasileira de Teatro.
Abraços, Reynaldo Domingos Ferreira
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UM TEXTO VIGOROSO E ATUAL

Os personagens bíblicos, protagonistas neste texto dramático de Reynaldo Domingos Ferreira, ainda que vivendo na realidade de seu contexto no Antigo Testamento, têm personalidades que podemos reconhecer como atuais, cujas vozes ecoam, firmes e perenes, registrando características pessoais e reflexos de sua posição no grupo familiar e na comunidade social.
Os diálogos, assim como os pensamentos que disfarçam, no silêncio por trás de palavras e atitudes, demonstram como decidiram agir... nas circunstâncias de exceção. A ambição dos futuros genros ignora o perigo iminente, é surda aos desígnios exigentes da divindade única. As filhas e a mulher de Lote não escondem, sem dissimulação partilham o seu apego ao lar e à cidade onde moram, resistindo à insistência do patriarca temente a Deus, rejeitando todos os argumentos para fugirem do desastre anunciado.
Situações e personagens de ontem que ainda se afirmam como hodiernos. Com ação, suspense e o que para mim se afigura como fundamental, uma bela mensagem moral. Manifesta-se nas palavras, reveladoras de emoções e sentimentos. E nos cenários também. Com a presença de Deus quase audível e visível... porque a Sua vontade é lembrada, com o propósito de ser cumprida, obedecida, numa demonstração de relacionamento com fé indiscutível. A crença no amor e na sabedoria divinos a determinar, ainda que no contexto do livre arbítrio, as melhores decisões para os Seus filhos na terra.
Para Lote, chefe de família, o foco está no mais urgente... mais importante: escapar da morte iminente. A sua generosidade, expressa no processo objetivo de negociação, passo a passo renovado, que manteve com o Senhor disposto, logo de início, em Sua ira divina, a castigar os pecadores não-arrependidos, inconscientes de sua mortalidade, nem dispostos a buscar o perdão redentor e salvífico.
A linguagem de Reynaldo Domingos Ferreira, repito, é muito vigorosa em “A Mulher de Lote”, de novo exercitando seu talento de dramaturgo, já merecedor de críticas elogiosas desde a peça inesquecível de pesquisa histórica – “Dona Bárbara” – sobre as mulheres injustamente esquecidas em muitos relatos sobre o tempo de Inconfidência Mineira.
Aqui, neste episódio bíblico sobre os antecedentes da punição divina aos pecadores de Sodoma e Gomorra, a crueza característica do realismo naturalista explicita-se nas falas, até nos detalhes de cenários, figurinos e na trilha sonora escolhida pelo autor – um caminho pioneiramente aberto no texto oferecido ao público leitor, aos críticos e possíveis diretores, um percurso visualizado sem dificuldades na leitura, quase pronto a ser realizado no palco.
Entretanto, o enredo se destaca, quase dispensa a forma... Homem de fé, Lote não hesita em seguir a palavra salvadora, preservadora da vida. Temente a Deus, respeita e pratica o dever da hospitalidade aos estrangeiros. Determinado a lhes dar abrigo e proteção, Lote enfrenta corajosamente os homens ameaçadores, preconceituosos e sem pejo dos vícios que os mantêm dominados, capazes de gritarem palavras abjetas, intimidações que expressam a mancha de seus pecados.
O virtuoso Lote, por saber que os estrangeiros, seus hóspedes, são Anjos, emissários do Senhor, que vive onipotente, onisciente e onipresente, acima de todos os poderosos, insiste em defendê-los a todo custo. Oferece os recursos de que dispõe em defesa da vida e da dignidade deles, cuja identidade só era por ele conhecida, ao lhes conceder o privilégio da hospitalidade.
Princípios significam deveres, obrigações. Tomar e assumir decisões coerentes. Sem desculpas, nem falsas justificativas para omissão ou negligência. O dever consciente que enfrenta a violência dos que, em sua fraqueza moral, apenas obedecem a seus vícios.
Ressalto que eu li “A Mulher de Lote”, sem conseguir parar, até chegar à última palavra. O texto é, repito, sem hesitação, de conteúdo atual, vigoroso, com autêntica linguagem bíblica, como se estivéssemos nas páginas dos livros proféticos do Antigo Testamento: muitas histórias da Bíblia Sagrada têm o mesmo estilo de narrativa que Reynaldo Domingos Ferreira escolheu para recontar com fidelidade os ensinamentos da cultura judaico-cristã – com força e realismo, a se desnudarem numa crueza naturalista que se impõe.
Maravilhoso é sentir que a leitura desta peça, ao invés de nos deixar petrificados, como a esposa inconseqüente que ignorou a advertência de não olhar para trás, nos envolve com a presença dos Anjos que se hospedaram na casa do patriarca...
Com a fé de Lote na palavra do Senhor Deus, ganhamos coragem para acreditar no futuro para o qual caminhamos, apressados porque o tempo já se esgotou, mas dispostos a recomeçar, fortalecidos na esperança de uma existência fundamentada em Suas promessas.

THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS, jornalista, escritora, tradutora, poetisa, ex-professora da Faculdade de Artes Cênicas “Dulcina de Moraes”, da Fundação Brasileira de Teatro.
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As prisões nossas de cada dia - Theresa Catharina
Quando assistimos aos noticiários, lemos jornais e revistas e vemos documentários cinematográficos (como o filme "Justiça ") sobre as prisões brasileiras , logo nos sentimos horrorizados com a visão de seres humanos amontoados, atrás de barras e com o olhar perdido, desanimado, em meio a sujeira e promiscuidade.
Essas prisões são um problema urgente que a sociedade, como um todo, precisa resolver, em nome da solidariedade e da justiça.
Mas há outras prisões que devem ser examinadas - também sem demora! Estamos nelas encerrados, sem que nos apercebamos disso! O mundo que nos cerca - com o nosso assentimento ou a nossa omissão - ali nos colocou.
Sobrevivemos em meio aos ditames da moda, a determinar o que vestimos, a dizer qual seria nosso peso ideal, como deve ser nossa aparência e até os lugares que iremos freqüentar... Outros escolhem as cores de nossos sapatos, informam os conceitos de beleza.
Passamos a nos preocupar em fazer o impossível: deter o tempo, em busca da juventude perdida, numa volta ao passado que nos rouba o presente e nos torna cegos para a realidade futura.
Perseguindo sem trégua os bens materiais, perdemos o tesouro maior: sensibilidade, amor, amizade, convivência ética, o trabalho realizado com satisfação, a paz interior. A ambição pelo dinheiro nos enfeitiça de tal modo que a ele sacrificamos o que vale muito mais: o tempo para ser, os momentos de amor, o processo de crescimento como pessoas.
Analisamos as instituições bancárias, entretanto, deixamos de refletir sobre a nossa vida e os nossos atos. A superficialidade não nos incomoda. Não sabemos quem somos, não nos conhecemos... Não entendemos nossos relacionamentos familiares - ou será que temos família?
Como bem denunciou o diretor de teatro Elias Andreato:
"Para o homem comum, olhar para dentro de si mesmo às vezes é uma tarefa quase impossível e tão complexa como observar a imensidão do cosmo.
Nem sempre temos disponibilidade, interesse, sensibilidade e, por que não dizer, aprendizado suficiente para exercer este mecanismo que a psicanálise percorre com maestria."
Ficamos presos ao telefone celular, ignorando as regras de cortesia, perturbando os que nos cercam, prejudicando, inclusive, o silêncio das igrejas e dos hospitais. Usamos o aparelhinho como se estivéssemos isolados, num deserto, a necessitar de socorro. O celular nos domina, controla a nossa conversa.
Algemados a nossos preconceitos, asfixiados por sentimentos de raiva, ódio, inveja e orgulho, sufocados por emoções que não ousamos confessar ou partilhar, vamos conduzindo mal a nossa vida. Nossos bens são motivos de exibição - não os adquirimos por necessidade, mas para mostrá-los...
São as prisões nossas de cada dia, das quais nós temos as chaves para que os portões se abram e nos devolvam à vida!
Que Deus nos conceda a força espiritual para iniciarmos o nosso processo de libertação - Ele nos criou para sermos livres. Não nos esqueçamos de que Jesus padeceu e morreu na cruz para nos salvar.
Essas prisões nossas de cada dia, que nos transformam em objetos aprisionados, verdadeiros "sepulcros caiados de branco", precisam ser destruídas por nós.
E cantaremos, no íntimo de nosso coração, com autêntica alegria cristã:Aleluia, aleluia!
Theresa Catharina de Góes Campos
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De: "Sergio Luiz Clemente Ferreira"
Para: "theresa.catharina"
Data: Fri, 22 Feb 2008 14:43:14 -0300

Assunto: Re: artigo de Theresa Catharina
Olá, Theresa Catharina,
Muito obrigado!
Mas que texto maravilhoso! "As prisões nossas de cada dia"
Confortou o meu coração.
Sérgio Clemente.


O EDUCADOR E SEU PRÓXIMO

O tempo, a atenção e o espaço que dedicamos aos outros enriquecem a nossa existência.

A experiência humana de olhar,ver e sentir com intensidade amplia-se e se aprofunda quando nos valemos das experiências igualmente ricas de outras pessoas, que expressam a sua vivência de modo particular e nos comunicam o que aprenderam, contribuindo,assim, para a nossa educação como indivíduos inseridos num contexto social.

A arte, além de ser criação por essência, também é, fundamentalmente, CRIADORA... e, sendo criadora, EDUCA: eleva, liberta, faz crescer, sublima.

O educador estabelece a comunicação e conduz à criação. Os olhos do educador vêem muito além das aparências; o educador vê e pressente o que os outros não parecem enxergar, perceber... ou fingem ignorar; o educador apóia antes dos aplausos da multidão: quem exerce a missão de educar não inveja, disciplina, critica de forma generosa e numa perspectiva do crescimento possível; faz sugestões, bate palmas com entusiasmo, admira no íntimo, e ambém, externamente.

O educador é aquele que vê, nos outros, as potencialidades de cada um e, ao invés de ignorá-las ou negligenciá-las por inveja ou comodismo, se empenha para não deixar que morram no silêncio: procura ajudar... para que as qualidades se transformem em realizações.

Para quem educa, todo amanhecer é um caminhar em direção à beleza arrebatadora (e inquietante) do pôr-do-sol.

E o educador repete, sem jamais se fatigar ou desistir: o que temos pertence aos outros – daí o dever de partilharmos... Com exclusividade, só nos pertence o que ainda não conquistamos. Cabe a nós a visão do trabalho associada aos sonhos e ideais.

O esforço é de cada um; a vitória ilumina todos nós, irmãos e parceiros, na caminhada pela vida.

Theresa Catharina de Góes Campos
Programa "Educar é Crescer" - produção e redação de Theresa Catharina -
Rádio Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco.
CECOSNE - Centro de Comunicações Sociais do Nordeste
FAFIRE - Faculdade de Filosofia do Recife - disciplina Os meios de comunicação na Educação, ministrada por Theresa Catharina
Recife- PE, agosto de 1969.

 
CINEMA: VER... PARA SENTIR, PENSAR E SER
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Livro:
Cinema: ver... para sentir, pensar e ser
Textos sobre a arte cinematográfica e comentários de filmes


CINEMA: VER... PARA SENTIR, PENSAR e SER
Theresa Catharina de Góes Campos*
Nem sempre é fácil indicarmos um filme ao público, justificando nossa opinião sobre a sua qualidade técnica, formal e/ou de conteúdo. Precisamos seguir um caminho profissional que reconheça nossas características pessoais e circunstâncias externas, além de exercermos a aptidão necessária da empatia, colocando-nos insistente e sucessivamente no lugar dos leitores e ouvintes. Nessa busca persistente, orientada pela consciência de nossa responsabilidade, iluminada pelo amor que devotamos ao cinema como "síntese de todas as artes", visamos, não à chegada de um porto seguro de "verdades"passivas, mas vislumbramos o empreendimento de uma viagem cultural, humanística e dinâmica, a cada dia reiniciada com maior entusiasmo (mesmo disfarçado,face à preocupação de objetividade).

De nós, jornalistas, formadores de opinião, numa atividade constante de procurar as informações, e num contexto de reflexão crítica, interpretá-las para que sejam encaminhadas aos que muito esperam de nosso trabalho, a sociedade aguarda nossa contribuição. Ao transmitirmos os informes - objetiva e subjetivamente (sim, o público quer a avaliação pessoal do crítico!), estaremos nos colocando em uma situação dinâmica, pois as nossas palavras provocarão efeitos individuais e no mercado. Compreender isso significa entender que somos responsáveis, também, no processo da comunicação cinematográfica.

Escrevo essas observações não somente para os meus colegas; dirijo esses comentários, também, ao público, para que se conscientize igualmente do que precisa exigir de todos os profissionais que assumiram a proposta de freqüentar com assiduidade as salas de exibição. Para confiar nos textos informativos/opinativos, a sociedade supõe a dedicação a uma atividade regular (jamais esporádica, eventual...) de comparecimento, estudo comparativo, pesquisa de bibliografia e filmografia. Assim, os conceitos emitidos (sejam de elogio ou repúdio) estarão fundamentados: na presença às sessões de cinema (em vídeo, dizem os entendidos, "não é o mesmo filme"); observação das platéias; verificação das condições da sala e da projeção; bem como leituras e conversas que representem um autêntico intercâmbio de pensamento.

Afinal, opiniões próprias não devem resultar de isolamento, e sim, de coleta de informações, análise desses dados e convicção no exercício do mister jornalístico. Embora se possa afirmar que a obra de arte vale por si mesma, o contexto em que a vemos influi, sem dúvida alguma, na apreciação que fazemos.
RITUAL DE CULTURA

A sociedade necessita do cinema como ritual de cultura. Uma prática salutar, intelectual, afetiva. Uma forma de lazer, muitas vezes; contudo, não podemos esquecer seu papel documental, sua ação denunciadora, perturbadora,seus convites à reflexão crítica.

Instrumento de educação da sensibilidade a idéias, sons, imagens, diálogos, expressões faciais; oportunidade para crescermos como seres humanos, saindo de nosso espaço individual limitado e penetrando nas mentes e nos corações revelados na tela, unindo as nossas preocupações às de outros povos, outras cidades, regiões, nações. Ouvindo vozes longínquas... Abraçando - sem sairmos da poltrona - companheiros de humanidade. Há ocasiões em que resistimos, porém a nossa comoção mostra-se mais forte, mais avassaladora, nesses momentos especiais, que o constrangimento social: e as lágrimas vêm, poderosas, inevitáveis porque o filme as provocou de imediato, sem nos dar tempo de erguer barreiras ou correr para a nossa solidão.

As nações se transformam em bairros conhecidos; os forasteiros, em vizinhos sobre os quais conversaremos depois da sessão com os amigos ou desconhecidos; familiarizados com o seu comportamento nas cenas a que assistimos, conhecedores de seus sentimentos e suas atitudes...até de seu vocabulário. E como ocorre na vida real, não é todo dia que lhes concedemos a nossa concordância; diretores e personagens ocasionalmente suscitam discussões acaloradas, sobretudo quando procuramos compreender os objetivos de seu trabalho. Estilos e linguagens tão diversificados proporcionam múltiplas escolhas, opções para estados de espírito do freqüentador, necessidades culturais as mais variadas.

Escrever sobre cinema demanda, além do mais, uma postura de incentivo a esse ritual de cultura. Damos o exemplo de comparecermos às salas de cinema, de conversarmos com entusiasmo sobre o assunto, de nos debruçarmos, diligentemente, sobre as leituras referenciais e outros materiais. Da empolgação com os travellings, as panorâmicas e os closes, retiramos o fôlego para vermos os filmes repetidas vezes, memorizando os diálogos preferidos, absorvendo as suas cores, luzes e sombras. A interpretação nos convence e surpreende; a sonoplastia parece ter vida própria, a fotografia de qualidade transforma em quadros originais os lugares mais comuns.

Um bom filme: enriquece a nossa rotina! Faz, do ritual do cinema, em sua repetição convicta, uma festa,uma celebração da vida, mesmo quando se mostrou a morte em traços impressionistas ou na crueza do realismo-naturalismo. E a velocidade da projeção dos fotogramas, criando a ilusão do movimento, vivifica o que parecia fugaz, eterniza o temporário.

A JORNADA DO OLHAR
Numa peregrinação que pode até ser inconsciente, o trio coração- mente-visão (a ordem dos fatores é variável...) segue a jornada de filme a filme, num processo de capacitação emocional e de observações intelectuais aberto a qualquer ser humano que se disponha a conhecer o cinema cada vez mais intimamente. Acredito nos efeitos benéficos dessa jornada que nos aproxima de outros seres humanos, envolvidos na criação, realização e divulgação das obras cinematográficas. A sétima arte - em todos os seus estágios, entre os quais há desdobramentos como produtos comerciais disseminados no mundo inteiro (fotos,livros, camisetas,etc.) - emprega crescentemente um maior número de pessoas.

A necessidade da empatia é fundamental, pois não se trata de uma estrada de mão única...Ninguém realiza um filme para que ninguém o veja. Busca-se um público, limitado ou não. Encontramos, portanto, na peregrinação dos olhos que desejam VER, uma atitude, ao mesmo tempo passiva e dinâmica, de comunicação humana. A visão interior pode - e deve - crescer com o passar do tempo, exigindo um nível de qualidade.

Há numerosos exemplos na literatura e nos textos bíblicos que se referem aos olhos que não vêem, aos ouvidos que não ouvem... Nossa proposta de caminhada com o cinema representa a esperança de que a platéia se aperfeiçoe, concomitantemente, obtendo/alcançando os efeitos de um aprendizado humanístico.

A educação da sensibilidade conduziria a um respeito maior pelo próximo, à valorização da vida, à solidariedade e à criatividade. Isso não se restringe ao campo emocional. Sentir significaria uma abertura para a filosofia aplicada a nós mesmos e aos outros; uma oportunidade contínua e permanente de pensar em termos míticos e místicos; um repúdio a todas as formas de violência.

Pensar com sensibilidade inclui o próximo, em nossas opções. Bem sabemos que há filmes capazes de revolver profundamente nosso íntimo. Ao nos sensibilizar, o cinema nos transforma como pessoas. Comédia, drama, documentário, aventura, suspense...o gênero é uma questão da multiplicidade de escolhas a nosso dispor. O que importa: a qualidade dos filmes. E a nossa disposição de, em busca do lazer e da cultura, nesse ritual encontrarmos mais um caminho para SER.

*Theresa Catharina é Jornalista e professora universitária, fundadora e responsável pelo Cineclube dos Educadores.


BLADE RUNNER - O CAÇADOR DE ANDRÓIDES

BLADE RUNNER é o MELHOR FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA
dizem os melhores cientistas do mundo

Em pesquisa publicada ontem, " The Guardian" divulgou que os 60 (sessenta) dos mais importantes cientistas do mundo, consultados pelo jornal britânico, afirmaram que " Blade Runner - o Caçador de Andróides " (1982) é o melhor filme de ficção científica já realizado, em todos os tempos.

Stephen Minger, biólogo do King´s College, em Londres, especializado em células-tronco, explicou:

" Blade Runner " se adiantou muito a seu tempo; e a premissa toda da história - o que é ser humano, quem somos, de onde viemos - retoma questões eternas. "


(Atenção: meus comentários se referem à primeira versão conhecida pelo público- e preferida por mim-, com a narrativa de Harrison Ford, e o belíssimo travelling final, além de menos pessimista; portanto, não trato, aqui, da versão original do diretor.) Gênero: ficção científica (história policial, com suspense e ação; reflexão sobre engenharia genética; filosofia e romance!).

Filme especialíssimo, sucesso no cinema, nas locadoras de vídeo, entre os críticos, nas pesquisas de opinião e nas lojas de discos (trilha sonora), "Blade Runner - o Caçador de Andróides (Blade Runner - EUA, 1982 - 125'- de Ridley Scott, com música original de Vangelis) é uma obra-prima de imagens, sons e palavras. CINEMA em toda a sua beleza plástica. Uma aula de cinematografia e de reflexão crítica sobre a vida: ontem, hoje e amanhã.

Com ação e suspense característicos de histórias policiais, este filme seminal é, não só uma linda narrativa romântica, mas um debate filosófico íntimo sobre a importância dos sentimentos e das emoções.
Em Los Angeles, em pleno século XXI, um ex-policial (afirmando "não querer mais matar...") vê-se obrigado a perseguir e aniquilar cinco andróides ou replicantes que, de tão perfeitos, são quase impossíveis de se distinguir dos seres humanos. "Surpreendente pelo seu toque trágico e existencial", foi indicado para o OSCAR de 1983, na categoria de efeitos especiais. Trata-se de um filme de alta qualidade, pois exige do público uma atitude positiva de questionamento em nível superior e até de pós-graduação. A magia de suas imagens, o mistério de suas perguntas fundamentais sobre a existência humana e, sobretudo, a excelente combinação forma-conteúdo (cenas criativas, sonoplastia atraente, interpretação comovente, diálogos marcantes, a beleza dos momentos de amor), tudo, enfim, nesta obra, justifica o cinema admirado como arte e instrumento permanente de conscientização.

Apesar das cenas de violência, é um filme pró-VIDA, pró-sentimentos; a favor da solidariedade e do amor. Inspirado no romance de Phillip K. Dick (a quem foi dedicado, in memoriam). "Não sei por que ele me salvou. Talvez porque, nos últimos momentos, ele amasse a vida mais do que nunca. Não somente a sua vida. A de todos. A minha vida."

Do diretor inglês Ridley Scott (o mesmo de "Alien", "A Lenda", "Os Duelistas", "Perigo na Noite", "Chuva Negra" e "Thelma e Louise"), eis uma obra cinematográfica para ser vista e apreciada (partilhada e amada) muitas e muitas vezes. Uma advertência sobre o "progresso" científico. Uma discussão sobre valores morais, sociais e individuais, a ser debatida no íntimo de cada um. Um grito de alerta sobre um "futuro" bem próximo de nós, em que a "ciência", ignorando os sentimentos e a consciência individual, se mostra desumana, desenfreada e lucrativa. Aliás, a mensagem maior está, principalmente, na salvação pelo amor, que vence todos os obstáculos, as dúvidas e a violência. Que filme espetacular! E achamos mais espetacular - e intrigante- a cada vez que o repetimos! Se eu só pudesse escolher um único filme para exibir e debater, eu escolheria "Blade Runner"... apesar de conhecer dezenas de outros filmes mais bonitos, mais interessantes e agradáveis de se assistir. Escolheria o "Caçador de Andróides" porque "mexe" com a nossa cabeça e desencadeia o pensamento filosófico, fazendo-nos refletir sobre temas essenciais e sempre atualíssimos. Na minha opinião, a cada dia que passa, a mensagem de "Blade Runner" será cada vez mais significativa e urgente.

No elenco, estão: Harrison Ford (da trilogia "Guerra nas Estrelas", "Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida", "A Testemunha", "Uma Segunda Chance", "A Costa do Mosquito", "Busca Frenética", "Jogos Patrióticos", "Secretária do Futuro", "O Fugitivo", "Seis Dias, Sete Noites" e outros); Sean Young ("Duna", "Sem Saída", etc.); Ruthger Hauer ("O Feitiço de Áquila", "A Conquista Sangrenta", "A morte pede carona", "Os Falcões da noite", etc.); Daryl Hannah ("Roxanne", "Wall Street", etc. ).

Mas, afinal, o que nos diz este filme perturbador, inquietante e envolvente, a nos sacudir da cabeça aos pés, de dentro para fora e do exterior ao mais profundo de nossa alma?

* Nenhum engenho, por mais aperfeiçoado que seja, pode substituir o ser humano. Se a "substituição" ocorre, o que aconteceu com o ser humano?!

* Os sentimentos, as emoções constituem a característica mais humana, o sinal identificador que nos diferencia das máquinas e de outros seres diversos.

* Vivendo, quotidianamente, com a angústia e o medo, as circunstâncias de nossa mortalidade, descobrimos que a vida se nos apresenta como um recinto sombrio, tenebroso, artificial e violento; e perdemos o entusiasmo pelo cotidiano e até mesmo a vontade de agir profissionalmente; e nos isolamos; e recorremos à bebida, aos diálogos insinceros, desistindo de entabular uma conversação que valha a pena ser começada...

* Nesse contexto tão aterrador, de repente, a amizade e o amor se revelam como eventos absolutamente extraordinários e, sobretudo, redentores, porque a sua força, suave, afetuosa tem o potencial de nos resgatar da inércia e da solidão, transformando a nossa existência, por mais deprimente que a situação nos pareça, libertando-nos das restrições que nos amarguram...

* E a amizade e o amor, assim como a verdade, nos libertam e nos conduzem mais alto, a paisagens onde reina a esperança das árvores.

* Amando e confiando, somos capazes de enfrentar as perguntas que antes não ousávamos formular, mas que devem ser colocadas diante de nós, seres humanos e, portanto, capazes de perguntar, escolher e AMAR.

* Que pode existir de mais precioso e criativo do que a vida?

* No entanto, como viver sem a presença do ser amado? E como é difícil se aceitar a morte! Principalmente, a morte de quem amamos acima de tudo e de todos...

* E a pergunta volta a nos incomodar, a nos inquietar: que existe de mais precioso ou superior à vida?

* A amizade; o amor... pois há momentos decisivos, transfiguradores de nossa existência, em que tais sentimentos se revelam com tal poder e sinceridade que a morte não mais assusta... e a vida, tão preciosa, é oferecida,consciente e voluntariamente, com amor e convicção, em troca da vida de outrem.

* Antes de se iniciar uma "caçada a andróides", é preciso ter coragem de empreendermos uma caçada ao íntimo de nós mesmos e, conhecendo a nós mesmos, em toda a dimensão do ser humano, chegamos, afinal, a compreender, à luz da reflexão, a diferença fundamental entre andróide e pessoa humana: o amor é, antes de tudo, um ato de fé e coragem.

A LIÇÃO DO CAÇADOR DE ANDRÓIDES

Poema de Theresa Catharina, inspirado no filme "Blade Runner" - uma fábula para o século XXI, um filme para pessoas inteligentes e responsáveis.

 

As imagens, os sons e as palavras do cinema-fábula,

 lenda e saga futurista,

 cintilante de beleza plástica e filosófica

 provocaram uma reflexão crítica sobre a vida: ontem, hoje e amanhã.

Com ação e suspense de conto policial,

* este filme especialíssimo narrou uma história de amor

* cintilante de sentimento e emoção.

* No labirinto mágico do coração-mundo,

* nas sombras das luzes diurnas da cidade-universo

* e no mistério de suas perguntas essenciais

* sobre a razão e o destino da existência humana,

* embora reprimido, rejeitado e amedrontado,

* o amor se impôs finalmente...

* derrubando a frieza e a desilusão,

* a desmotivação e o desinteresse,

* o choro escondido, o terror disfarçado,

* o amor se impôs...

* abriu os lábios, os braços, as mãos;

* juntou os olhos, uniu os corpos, humanizou, SALVOU.

* A melodia inebriante do sentimento

* dobrou a força esmagadora

* e sacudiu as ilusões do progresso amoralmente cego.

* O amor destruiu a teia do desencanto,

* enfrentou as dúvidas e o desconhecido.

* Perturbador, inquietante e envolvente,

* o amor se impôs...

* atingindo as camadas mais profundas da alma em coma;

* identificando e diferenciando, movendo, transformando,

* o amor se impôs... e resgatou os sentimentos aprisionados.

* O mundo tenebroso, artificial e violento

* deixou de ser aceitável, pois o amor o rejeitou.

* Num contexto aterrador, o amor contestou...

* e venceu. Ressuscitou. Calou a descrença.

* Como evento extraordinário e redentor,

* o amor resgatou da inércia e da solidão,

* transformando a existência deprimente, restritiva,

* sem horizonte,

* em paisagem libertadora onde reina a esperança das árvores

* e a promessa do espaço azul, infinito,

* acima das montanhas mais inacessíveis.

Amando e confiando,

somos capazes de enfrentar as perguntas

 que antes não ousávamos formular,

mas que devem ser colocadas diante de nós,

seres humanos e, portanto, capazes

de perguntar, escolher e AMAR.

E nos momentos decisivos,

transfiguradores de nossa existência,

os sentimentos se revelam

 com tal poder e sinceridade

 que a coragem nos envolve,

nos fortalece e

nos faz caminhar com decisão.

 Convictos, confiantes no amor,

ILUMINADOS E TRANSFIGURADOS POR SUA CHAMA,

frágeis e fortes, trêmulos e fortalecidos,

 empreendemos uma caçada ao íntimo de nós mesmos

 e, procurando conhecer o nosso espírito,

e buscando compreender o próximo

(ouvindo, também, o seu coração...),

em toda a dimensão sombra-luz do ser humano,

chegamos, afinal, a entender,

à luz da reflexão,

a diferença fundamental

 entre andróide e pessoa humana:

o amor é, antes de tudo, um ato de fé e coragem.

 

Brasília, 13 de junho de 1997

Theresa Catharina de Góes Campos

Departamento de Fundamentos

Faculdade AEUDF

LEITOR APRECIA COMENTÁRIO SOBRE O FILME " BLADE RUNNER"

De: "Yan Jacobina"
Data: Tue, 28 Mar 2006 20:41:16 -0300
Para: theca@[...].com.br
Assunto: BLADE RUNNER

Theresa:

Navegando pela web e pesquisando sobre "Blade Runner", li seu artigo sobre o filme e quero dizer que nunca senti tanta inveja, como senti de você por escrever tão bem e fazer tão belo comentário sobre Blade Runner.

Você foi simplesmente Fantástica, parabéns...
Você escreveu tão bem, que deu vontade de ver de novo esse filme, que para mim é realmente uma obra dos deuses.

Ouvi dizer, não sei se você está sabendo, que se planeja um "Blade Runner" 2, baseado no livro que tem uma continuação na qual o policial Deckard iria a julgamento por ter matado um ser humano que ele julgou ser um replicante... é uma boa premissa para uma continuação, mas o primeiro foi tão perfeito para mim que se pudesse proibiria uma continuação (nem que fosse o Spielberg) do Blade Runner, não acha?
Acho que, em DVD, só existe a versão do diretor, ou já saiu a versão tradicional, cult? Se tiver, compro na mesma hora, até vou pesquisar no site da locadora, pois eu tenho em VHS, quando a Warner lançou seus primeiros filmes em VHS no Brasil.
Para terminar, queria dizer que achei o máximo o trecho em que você diz: " É uma obra-prima de imagens, sons e palavras".
Simplesmente você conseguiu resumir o que é o "Blade Runner"...
Bem, fiquei tão empolgado com seu texto que resolvi lhe escrever, mesmo não tendo o seu talento de traduzir em forma de palavras o sentimento do espetáculo que é este filme "BLADE RUNNER".
Grande abraço e que Deus lhe abençõe, dando cada vez mais inspirações
para outros textos tão lindos como esse...
Yan


Data: Wed, 13 Dec 2006 21:31:36 -0200
De: "Theresa Catharina de Góes Campos"
Para: "Walter Filho"
Assunto: Sinto-me honrada em ser citada, tanto no seu livro como nas palestras


Prezado Dr. Walter Filho:

Sinto-me honrada com os seus elogios, assim como por ser incluída em seu livro, nas suas palestras, enfim, nos seus comentários.
Como esclareci em resposta a seu e-mail anterior, todos os meus textos podem ser reproduzidos e citados, desde que se registre a minha autoria.

Muito obrigada! Deus lhe pague!
Cordialmente,
Theresa Catharina
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Wed, 13 Dec 2006 03:43:15 +0000, "Walter Filho" escreveu:

Jornalista e Professora Theresa Catharina:

Não conseguiria dormir sem te enviar este e-mail. Ao  ler seu artigo sobre Blade Runner mergulhei no mundo do filme e viajei na música de Vangelis. Assisti ao filme várias vezes. Vou guardar para sempre sua frase: "Se eu só pudesse escolher um único filme para exibir e debater, eu escolheria "Blade Runner" . Eu digo o mesmo. Apesar de amar outros filmes maravilhosos e este não ser o meu favorito. Peço permissão para colocá-la no meu livro. Se possível,  leia o outro e-mail. De coração! Será citada em todas as minhas palestras sobre cinema. Estou encantado com seu trabalho. Agora dormirei melhor...abraços. Walter Silva Pinto Filho.


EXTREMO SUL

Espero que esse documentário possa vir a ser, no circuito comercial de exibição cinematográfica do Brasil, uma produção que também se destaque, alcançando sucesso comercial, de público, isso dependendo do espaço que lhe for concedido e do aumento do número de cópias ( até o momento insuficiente para o seu inegável merecimento ). Apresso-me a declarar que eu fiquei absolutamente fascinada por este filme!

www.mschmiedt.com.br/extremosul

" Extremo Sul " ( Brasil, 2005), cor, 92 min., dirigido por Sylvestre Campe e Monica Schmiedt , com distribuição Europa Filmes, tem no elenco:

Nelson Baretta, Ronaldo Franzen Jr. e Eduardo Hugo López.

" Em março de 2003, cinco alpinistas montaram um acampamento no extremo sul da Terra do Fogo, um dos locais mais inóspitos do planeta.
Enfrentando o frio, a chuva constante, a neve e os ventos fortes, é realizada uma expedição para escalar o Monte Sarmiento, montanha pouco explorada mas bastante conhecida pela sua beleza, pelo isolamento e perigo. "

É surpreendente, como obra cinematográfica, pelo fato de tudo ter saído diferente ( do roteiro original), " errado ", contrariando o que fora cuidadosamente planejado... e, apesar disso, dessa grande frustração, os cineastas conseguirem fazer um filme perturbador, belo, misterioso em perguntas essenciais sobre a natureza, a vida, o ser humano.

E ganharem, com o filme, um troféu cinematográfico - Gran Premio - Genziana D´Oro, no 53º Trento Film Festival, premiação nunca
antes concedida a uma produção brasileira no gênero aventura/alpinismo!

" Nessa expedição, só a montanha é de gelo. " ( frase da divulgação)

Quando todos os protagonistas desistiram de realizar o seu sonho, o seu projeto, os cineastas superaram a guinada do destino, para concluírem, apesar do que seus esforços e sua dedicação não conseguiram realizar ( ! ), o seu documentário inesperado, e por isso muito especial.

Eu já me preparava para assistir a " Extremo Sul " no dia seguinte, quando encontrei, saindo da sala de exibição do cinema, um amigo paulista, médico psiquiatra, que estava " nas nuvens ", impressionado com o filme.

Mesmo sabendo o desfecho da história, " Extremo Sul " me reservou grandes surpresas com a sua narrativa, enriquecida por imagens e sons de arquivos históricos; as informações sobre os primeiros habitantes da área; com os seus diálogos documentais, suas palavras reveladoras e a natureza como locação externa privilegiada, senhora absoluta, ativa e atuante, hipnotizadora e mágica. Sempre misteriosa e ativa, encantando e atraindo...e atemorizando também.

Theresa Catharina de Góes Campos


CRESCER COM O CINEMA

Cresci ao longo de um século com o cinema, e hoje sei que foi o cinema que me fez crescer. Obrigado a todos, e viva o cinema!

Manoel de Oliveira, cineasta, aos 99 anos, em seu discurso após receber a Palma de Ouro Especial - no 61º Festival de Cannes - 19 de maio de 2008.


MEU TIO DA AMÉRICA

Com "Meu tio da América" (Mon oncle d'Amérique - França, 1980), o diretor Alan Resnais deu a sua contribuição magistral para um mundo melhor.

"A única razão de ser de um ser é ...ser. Conservar a sua estrutura."

Para os que consideram o cinema apenas uma diversão superficial e sem maiores efeitos, as palavras acima pareceriam um texto de obra filosófica. Estariam enganados, porém. Aquele pensamento, expresso em vocábulos aparentemente muito simples, mas de profunda significação, é a citação inicial que se apresenta ao público na introdução do filme "Meu tio da América". Com esse impacto verbal, Alan Resnais revela de imediato a sua intenção, como diretor de uma obra que precisa e merece ser vista muitas e muitas vezes, tais os benefícios que pode trazer para a vida de cada um e da sociedade em geral, sem restrição de tempo ou espaço.

Sendo a originalidade a marca de sua carreira cinematográfica, o cineasta aborda os mecanismos da memória (como fez em "Providence") e o paralelismo de épocas diversas (como em "O ano passado em Marienbad") de maneira bastante especial, criativa na forma e no conteúdo, e transbordante de informação e reflexão crítica.

"O filme surpreende, desafia, aguça a sensibilidade e convida à reflexão, mas tudo isso numa linha bem-humorada, rara num realizador em geral monopolizado pelos mais angustiantes debates em torno da condição humana. Tratando seus personagens como instrumentistas de uma orquestra de câmara, Resnais abre mão do comando que poderia exercer sobre eles - e que exerceu sobre os personagens de seus outros filmes - para observá-los, divertido, complacente, um pouco à maneira de Truffaut.

Essa liberdade de ação se combina à beleza de imagens requintadamente construídas, como é sua marca registrada, tornando o filme leve, fluido, belo em todos os sentidos. As interpretações de Gérard Dépardieu, em seu melhor desempenho até hoje, de Nicole Garcia e Roger Pierre contribuem para que "Meu tio da América" se defina como obra-prima." (transcrição de texto reproduzido pela Fundação Cultural do DF, sem indicação de autoria, e distribuído ao público no Cine Brasília)

"Mon oncle d'Amérique" divulga a teoria científica do biólogo Henri Laborit, exemplificando-a pela ficção - a história de dois homens e uma mulher, de cidades e origens sociais e familiares diversas, da infância à idade adulta. Enfatiza a influência da família, das recordações infantis, dos jogos e das atividades iniciais. Destaca a importância do meio ambiente no desenvolvimento de personalidades e atitudes.

Voltando a citar o prólogo do filme (Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 1980): "As plantas passam a vida toda no mesmo lugar, sem se deslocar, extraindo do solo em que estão tudo de que necessitam para viver."

Com a sua construção visual colorida (na qual também inseriu imagens em preto e branco), Alan Resnais aborda o problema da dificuldade de adaptação às constantes mudanças da vida atual, a relutância na aceitação da nova realidade socioeconômica (exemplificada na figura do administrador de uma pequena empresa, quando esta é absorvida por uma grande companhia, com novas idéias, novos métodos e direção nova).
Isolado da família (que não se mudou com ele para o local da nova função, que lhe foi imposta sem alternativa de recusa ou opção ...), tenso, sentindo-se rejeitado e humilhado, sem saída, o marido e pai gourmet , apesar de aparentar ser fisicamente forte, tenta o suicídio. Ora, logo nos seus primeiros momentos, "Meu tio da América" enuncia uma definição que precisamos apreender para conseguirmos sobreviver com dignidade e em consonância com o nosso potencial:

"Angústia é a impossibilidade de se controlar uma situação."

As idéias, experiências e conclusões do cientista Henri Laborit, divulgadas pelo filme, candidato ao Oscar de 1981 (melhor roteiro), sobre os conflitos sociais, motivam análises mais profundas: trata-se da luta pelo poder, uma luta que não respeita os direitos dos outros e provoca conflitos. Revela-se a guerra, então, como a ambição da propriedade sem restrições e sem limites, por qualquer meio, inclusive o violento, agressivo.

"Meu tio da América" aponta a presença dos outros em nós: nós somos os
outros, que atuam sobre nós, que nos influenciam de um modo ou de outro. Daí ser um filme atual e permanente - universal. Os personagens são hodiernos: a atriz independente e liberada que, depois de conquistar um alto funcionário público (casado e pai de um casal de filhos menores), vê-se cuidando das crises de angústia e úlcera que ele passa a ter; uma atriz que, mais tarde, será enganada pela dramatização e astúcia (o amor?) da esposa traída que a procura para lhe pedir que permita ter de volta o seu marido, pois ela está sofrendo de uma doença fatal e tem pouco tempo de vida...Assim, a amante o abandona e o casal se reconcilia. Na sua solidão, tentando compreender o que ocorrera em sua vida particular, a atriz - transformada por necessidade em desenhista de modas - procura o seu ex-amante e a família dele, descobrindo, finalmente, que fora ludibriada. E a esposa, vitoriosa, ainda lhe diz que, se não fosse a sua ajuda (dela, esposa), o marido não teria escrito o livro sobre o sol que há muito planejava publicar.

Entre as cenas de experiências profundamente humanas, intercalam-se pesquisas laboratoriais com ratinhos, quando Laborit ilustra com muita ênfase os efeitos altamente perigosos da angústia, do stress, enfim, da tensão que nos fere intimamente e provoca úlcera, câncer, e muitos outros males e distúrbios funcionais, a nosso organismo tão sensível e frágil. Como não podemos reagir violentamente contra os outros que nos desagradam, ou ferem, ou irritam ou nos contrariam, escolhemos, erradamente, ser agressivos contra nós mesmos. O suicídio, por conseguinte, é a agressão máxima que se comete.

Material publicitário de "Meu tio da América" apregoa:

"O que os ratos brancos podem nos ensinar sobre a condição humana."

De acordo com as estatísticas mais recentes, o número de suicidas vem aumentando assustadoramente, no mundo inteiro, em todas as faixas etárias (até crianças e adolescentes se angustiam a ponto de perderem a esperança!) e condições, mas a idade dos que se suicidam está baixando!

A solução começa, é claro, na compreensão de que o problema existe e que a angústia precisa ser considerada como um ponto de partida para se encontrar uma saída positiva, humana, ainda que se recorra a uma alternativa, adaptação, ou a um redirecionamento de nossos interesses e objetivos. Daí a importância da criatividade - cuja definição, aliás, é, segundo cientistas da NASA que se pronunciaram a respeito, a capacidade de resolver problemas. Sobreviver é nossa obrigação para com a vida que existe em nós. Precisamos realizar nosso potencial, conservar nossa estrutura, enfrentando e vencendo os obstáculos, sem deixar que a angústia nos domine, asfixie e nos leve à destruição.

Um dos trechos mais importantes de "Meu tio da América" comenta que, na hipótese de uma criança ser criada numa floresta, entre os animais, sem nenhum contato com outro ser humano, ainda que se desenvolvesse fisicamente, jamais seria um homem no sentido exato da palavra, devido à ausência do contato humano, pois é a comunicação com outras pessoas que possibilita a plena realização do ser humano. (Ver o filme "O garoto selvagem", de François Truffaut; ler meu comentário.)

Infelizmente, nem todos sabem apreciar essa obra-prima (a que TODOS DEVERIAM ASSISTIR!, por ser um filme que nos ensina a viver, nos faz refletir sobre nós mesmos, sobre a nossa sobrevivência pessoal, sobre a nossa realização como indivíduos inseridos em um contexto social...) do cinema contemporâneo europeu. Isto porque a comunicação de massa de baixa qualidade e o ritmo atual da vida nas metrópoles contribuem para a uniformização do espectador num estado de embotamento intelectual que se nega a pensar, raciocinar, refletir e, sobretudo, aprender, quando isto exige uma certa dose de concentração e esforço. O hábito de assistir a programas repetitivos e fáceis, no conforto de seu lar, sem nenhum esforço para selecionar outras produções de maior profundidade e de nível mais elevado, realizadas inteligentemente sobre assuntos sérios, filosóficos ou científicos.

Assim, uma janela cultural é fechada previamente pelo espectador que não busca seu aperfeiçoamento intelectual através da diversão caracterizada pela excelência de qualidade. Aos poucos, ele vai perdendo a capacidade de ler com rapidez as legendas e apreender o significado de um roteiro mais complexo, hermético ou simbólico. Conseqüentemente, os que se acostumam à mediocridade talvez durmam ou se retirem da sala de projeção na primeira parte do magistral "Meu tio da América", reclamando:

"- Não sabia que era documentário", ignorando que os gêneros artísticos nem sempre são rígidos ou limitados na sua criatividade, alienados quanto à possibilidade de o cinema divulgar pensamentos, ensaios e relatórios científicos por meio da ficção dramática.

Mesmo entre aqueles que assistem ao filme até o fim, ainda encontramos os que, honestamente, perguntam:

"- Por que o título?! Não tem nada a ver!"

Mas é claro que tem a ver! A mensagem do "tio da América" está explícita, em um determinado momento da película, quando o público fica sabendo que era um parente citado porque decidira se mudar para a América e continuava pobre. A família repetia a história toda vez que alguém pensava em efetuar qualquer mudança em sua vida, em seu empenho para resistir a qualquer interferência na sua rotina tradicional. Todavia, a criança já percebia que era um relato mal contado e que o tio, na certa, enriquecera. O menino acreditava que o "tio da América" possuía realmente um tesouro, escondido em algum lugar... e, como acontece com todo tesouro, merecia ser procurado sem esmorecimento. É bem verdade que, em se tratando de símbolos e mensagens profundas, as leituras dos espectadores podem ser diferentes, pessoais... , o que se constitui, portanto, em mais uma riqueza do filme. Quanta simbologia em um simples título! E como é importante que um título leve à reflexão e se revele aos poucos, devagar, gradualmente, desvendado lentamente, esclarecido pela mente e pela sensibilidade maravilhosa do coração humano!

Durante a projeção e ao término da sessão, percebemos que precisamos rever "Meu tio da América" ... para que possamos nos lembrar e compreender melhor os diálogos, a narração, as imagens. E que mais se poderia exigir de um filme, quando provoca, nos espectadores, a necessidade e o desejo de vê-lo mais vezes?!

Theresa Catharina de Góes Campos
Fundadora e Jornalista Responsável
Cineclube dos Educadores
Brasília, 6 de agosto de 1987
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Prezada Profa. Theresa,

Estou querendo e precisando rever o filme Meu Tio da América de Alan Resnais, tão bem comentado no seu Arte & Cultura News.

Professor Vladimir Amâncio de Abreu
Universidade Anhembi-Morumbi
São Paulo - SP
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From: REYNALDO FERREIRA
Date: 2008/9/24
Subject: RE: Meu tio da América
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Magnífico o seu comentário, prezada Theresa Catharina, sobre o filme de Resnais "Meu Tio da América", que revi recentemente. É realmente um dos meus preferidos de Resnais. Parabéns. Reynaldo
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From: LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/9/24
Subject: RE: Meu tio da América
To: Theresa Catharina de Goes Campos


Theresa Catharina:
Gostei muito dos seus comentários sobre o filme. Será que já tem em DVD? Até, Luci
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From: adfalcao
Date: 2008/9/25
Subject: Re:Meu tio da América
To: "theresa.files"


Theresa, com enorme acuidade, você esmiúça as referências sutis lançadas pelo diretor e as contextualiza em sua análise minuciosa.
Excelente comentário. Ana
 


AMORES PARISIENSES
"Tu és como o vento, que faz cantar o violino e tem o perfume das rosas...(...) Palavras, palavras... (...) As palavras ternas e doces saem da minha boca, mas nunca do meu coração."
"Amores Parisienses", o mais "recente" filme de Alain Resnais, um dos nomes seminais do cinema francês inovador, mostra que o diretor de "Hiroshima Meu Amor" (1959), "O Ano Passado em Marienbad"( 1961), "Meu Tio da América" (1980) e "Smoking/No Smoking" (1993) ainda faz, aos 80 anos, muito sucesso e por isso continua sendo exibido nos cineclubes e no circuito comercial, como atualmente em São Paulo. O êxito foi facilitado porque, desta vez, sua obra não tem estruturas narrativas complexas, nem script enigmático por suas visões psicológicas. Os atores Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri ( os roteiristas de "Smoking/No Smoking") escreveram o roteiro, cuja característica principal é a fluidez, na descrição ágil das situações e reações humanas facilmente reconhecíveis.
" - Você amaria um homem doido? Doido varrido por você? "
Homenageando, em seu contexto, a Cidade-Luz, e também, canções populares contemporâneas (36 composições), o filme nos permite um encontro com os anseios e problemas de pessoas da classe média. Os seres humanos nem sempre dizem a verdade, ou nem sempre as suas palavras refletem o que, na verdade, está acontecendo em seu íntimo ou em sua vida. E, com freqüência, se enganam na interpretação dos próprios sentimentos, deixando-se iludir, igualmente, com as aparências enganadoras do próximo. Carro e hotel caros seriam indícios de sucesso profissional e financeiro...Camille mostra-se encantada ao ver a Guarda Republicana desfilar: "o uniforme valoriza!"
" - Eu não poderia viver sem você...você sabia?
- Não, eu não sabia."
Obra realista, engraçada e romântica. Nela, é possível enxergar as três dimensões da realidade: passado, presente, o futuro dos relacionamentos.
"Mascarar e trapacear para não sofrer muito." (Claude, sem conseguir dialogar com a esposa Odile, interpretada pela graciosa Sabine Azéma, de "Smoking/No Smoking.) Ela reconhece querer se mudar para um apartamento maior, num bairro chique, mesmo que isso signifique uma dívida considerável. A todos, trata com cortesia, exceto o seu marido...embora ele de boa vontade ajude a mulher em algumas tarefas domésticas. Com seus amigos - o esposo observa - mostra-se tão atenciosa que até parece estar flertando com eles!
" - Se não digo nada, eu observo tudo. Eu me reprimo..."
E ocorre, algumas vezes, que Odile nem demonstra prestar atenção às perguntas de Claude: não responde, fala de outro assunto, comporta-se quase com indiferença.
"Você não quer que eu dê minha opinião, Odile! Quer que eu concorde com você. E fique feliz em concordar!" (E tudo o que o marido lhe sugeria era que pensassem um pouco mais antes de investir em um novo imóvel...)
"Amores Parisienses" (On Connaît la Chanson - co-produção: França, Suíça, Inglaterra - 1997 - cor- dolby digital - 120 min.-35mm) é, de fato, o filme mais leve e divertido do octogenário Alain Resnais, um musical diferente porque não tem números de dança, mas reúne uma coletânea de canções francesas que revelam circunstâncias, expressam emoções e pensamentos, substituem diálogos dos personagens, urbanos e bem atuais. Os versos manifestam tanto a fantasia, o sonho, como a realidade de suas vidas, nas relações familiares e sociais, afetivas e profissionais. Diálogos interessantes e canções muito bem escolhidas para as situações e os personagens - tudo se encaixa, tudo se mostra apropriado ao contexto da obra - que eficiência! Quando se é competente, eis o resultado: obra de qualidade!
"Não se pode ser muito sincero. É preciso ser um pouco falso."
 No entanto, o pai de Odile e Camille é todo sinceridade e tranqüilidade, inserindo-se nas circunstâncias como um personagem que afirma sua presença, nos poucos momentos em que aparece. Uma simpatia de pessoa! Com a sua sabedoria pragmática, diz a Odile não entender um preço tão baixo para aquele apartamento enorme... Quando Camille não se sente bem, o pai logo quer saber se ela se alimentou, que tipo de alimento, ou se deixou de comer. Lembra, com toda a sua simplicidade, que os atletas se alimentam de massas e bananas, antes das competições. Viajou seis horas para ouvir a defesa de tese de Camille, entusiasmando-se com as observações elogiosas dos examinadores. Apesar de reconhecer, sem rodeios nem acanhamento, que ele nada entende do assunto, entusiasma-se: "Bravo, minha filha!"
"- Vai começar...não consigo relaxar..."
"(...) Tenho a impressão de que vou cair, morrer aqui mesmo.
(...) Sinto um peso de duas toneladas e meia no peito..."
E seu pai, contemplando-a carinhosamente:
"- Isso não é nada. Com o tempo, vai passar."
Os adultos às vezes se agridem com palavras ou simplesmente agem com descortesia. Quando refletem sobre esses erros, um pedido de desculpas demonstra que chegaram à conclusão de que fizeram mal; esse reconhecimento é bom para a convivência. Como também funciona, ao fazermos uma besteira, reconhecermos que cometemos um erro grave, precisando correr para os braços de quem pode nos oferecer carinho, apoio, até nos defender!
Comédia dramática existencial, com romance e humor refinado, " Amores Parisienses " apresenta-se como se fosse um teatro lírico contemporâneo, uma típica opereta para os dias de hoje. Diálogos comuns alternam-se com as cenas em que o elenco "canta" com as vozes de Maurice Chevalier, Edith Piaf, Dalida e Alain Delon, entre muitos outros. Jane Birkin, porém, dubla a si mesma. O filme partiu de uma idéia do dramaturgo britânico Dennis Potter (1935-1994), a quem "Amores Parisienses" é dedicado; em suas obras, os personagens interpretavam, a todo momento, músicas populares. O acaso e as coincidências têm papel fundamental nos acontecimentos narrados pelo roteiro, como na existência de todos nós, se refletirmos sobre essas surpresas tão comuns... Mais uma obra de Alain Resnais que merece ser vista e apreciada várias vezes! Uma jóia! E inteiramente rodada em Paris.
"Ele te acaricia com os olhos."
Original e criativo, além de agradável (desde a apresentação dos créditos iniciais), reproduz, em suas primeiras cenas, o fato de o oficial nazista Von Choltitz desobedecer, na França ocupada, às ordens explícitas de Hitler para destruir Paris. Explosivos já tinham sido colocados em todas as pontes da cidade, mas o militar tomou decisão corajosa. No filme, a voz de Josephine Baker sai, sincronizada, provocando risos na platéia, dos lábios de Von Choltitz, "cantando" o clássico, na versão francesa, em que declara , como seus dois amores, o seu país e Paris ("Two Loves Have I"): "Esses dois amores encantam o meu coração."
(...) "- Ser ajuizado é qualidade? pergunta Nicolas à sua amiga Odile, que lhe fala sobre o marido.
- Sim, é qualidade."
Vencedor de sete César 98, entre os quais o prêmio de melhor filme, "Amores Parisienses" poderia ser previamente explicado aos espectadores não-avisados como obra realizada na linha de trabalho da comédia musical, dramática e romântica de Woody Allen, "Todos Dizem Eu Te Amo", considerando-se que o público jovem, e mesmo os adultos, levados pelo título em português, reagem de forma negativa, diante da surpresa cinematográfica. Constatamos essa reação da platéia, em diversas sessões. A informação sobre o gênero, mais importante que a sinopse, estabeleceria uma comunicação maior com o público (recomendação: a partir de 14 anos).
"Ter um bom amigo é o que há de melhor no mundo" - reconhecem Nicolas e Simon - este, apaixonado por Camille (a co-roteirista de " Amores Parisienses ", Agnès Jaoui), guia turística e pesquisadora universitária.
"- Passei a ser seu confidente: nada de sexo, só ouvidos."
A possibilidade do riso "nas tristezas. Quando se tem um bom amigo."
Uma foto da família de Nicolas, mostrada a Simon em cena de confidências, já tinha provocado anteriormente, da parte de Odile, a observação de que se assemelharia a uma publicidade de chicória... Simon, mesmo nas horas de trabalho, não tira Camille de seu pensamento, vivenciando uma contínua "vertigem do amor". Na sua presença, desdobra-se em atenções sinceras, na esperança apaixonada de que ela compreenda que têm afinidades de interesses. Camille lhe confessa estar trabalhando como " louca ", preparando-se para a defesa da tese dali a três dias e continuando suas outras atividades.
As contradições da vida universitária são, também, um dos temas de " Amores Parisienses", que expõe os projetos aparentemente sem utilidade próxima, sobre os quais poucos se interessam e, ainda assim, essas teses são publicadas! E quem as estudou e defendeu também parece não saber o que fazer dessas pesquisas no futuro...
"As canções, que funcionam como um coro, surgem para comentar a ação ou sublinhar o estado de espírito dos personagens, envolvidos em relações desajustadas em uma Paris romântica." São situações de amor, intrigas e algumas revelações sobre as pessoas que desfilam na tela, ante nossos olhos conduzidos por diálogos, melodias, imagens e sons a comporem a narrativa. Esta inclui cenas absolutamente corriqueiras nas metrópoles, como grupos de turistas, barulho do trânsito e de construções, atropelamentos sem que o motorista socorra a vítima... E ninguém anotou a placa do carro!
Os personagens em primeiro plano, em cenários interiores, e a visão da rua, através de balcões e varandas, ou janelas, por onde se vê pessoas e veículos se movimentando, nas calçadas e nas ruas, o que imprime uma característica realista, "ao vivo". Ou durante a festa, alguns convidados conversam, desfocados, compondo o cenário de fundo para os protagonistas. Na estação ferroviária, barulhenta e agitada, a esposa de Nicolas tenta dialogar com o marido. Na maternidade, não vemos os bebês, mas ouvimos a sua "canção" exclusiva - o choro quase em coro! - a invadir o corredor. E a bela paisagem contemplada, do apartamento novo de Odile e Claude, nas cenas noturnas da festa: a igreja Sacré-Coeur de Montmartre, a silhueta inconfundível da Torre Eiffel, iluminadas e iluminando quem sabe admirá-las!
"Gostaria que a terra parasse, para eu descer."
"De nosso amor ardente restariam apenas cinzas" - canta (e atua) Jane Birkin, com muita sensibilidade.
Angustiada ao extremo, pede que o marido lhe fale a verdade...
Afirma que prefere a verdade:
- Diga "não consigo", "as coisas não vão bem..."
Ela acredita que esconder a realidade nada resolve, complica, multiplica os problemas, impedindo a sua solução.
"- Por que você chora assim, constantemente?"
Odile, Madame Lalande, é empresária e muito carinhosa com sua irmã Camille, por quem se preocupa sinceramente. Odile, Camille, Claude e Simon não fumam, nem a esposa de Nicolas (Jane Birkin) - os outros, não largam o cigarro, o que chega a incomodar os espectadores não-fumantes, entre os quais eu me incluo. Parece até que sentimos o cheiro desagradável a nos atacar olhos, narinas e garganta! Enquanto a anfitriã arruma as travessas de salgados e doces, na cozinha, Nicolas fuma sem parar, conversando ao lado dela... e o cigarro aceso pairando acima da mesa, como espada de Dâmocles contemporânea, ameaçando os pobres mortais não-fumantes e seus alimentos supostamente limpos e saudáveis.
Lambert Wilson, interpretando o dono da imobiliária que era de seu pai, faz o galã da história: o jovem Marc (será que o ator encontrou a fonte da juventude e dela bebeu ?!), elegantemente vestido, cortês para uns, agressivo e indelicado com o seu empregado mais antigo e culto (Simon). Constantemente trazendo flores para oferecer, Marc encanta as mulheres. Sua capacidade de sedução traz resultados rápidos, nos mínimos detalhes. Seu resfriado é confundido com o que seriam lágrimas de uma suposta decepção amorosa, beneficiando-se, assim, de uma falsa imagem de homem carente de amor...ao ser observado por quem deveria se mostrar mais inteligente! Marc usa e abusa de clichês, em seus diálogos sociais, comerciais e sentimentais. Mas, tão elegantemente vestido, o efeito de conquista é imediato! Uma de "suas" canções bem define seu personagem, que "ama todas as garotas", seja quais forem e onde quer que estejam.
(...) "Quando se perde a cabeça, perde-se muito mais!"
Destaques: produção, direção, interpretação, roteiro; temas, personagens e diálogos; trilha sonora (mixagem, sonoplastia); fotografia, cenografia (cenários interiores e cenas externas) e objetos de cena; penteados e maquiagem; figurinos (Sabine Azéma veste Christian Lacroix; Lambert Wilson usa Christian Dior Monsieur); apresentação dos créditos iniciais e dos créditos finais. Filme sem cenas de violência, baixarias ou qualquer tipo de apelação, nem sensacionalismo. Sem linguagem chula, nem gestos vulgares. Uma preciosidade do cinema!
"- Por que (recomeçar)?
- Porque eu esperei por você muito tempo."
Entre os intérpretes das canções de "Amores Parisienses ", além dos que foram citados, estão: Josephine Baker; Gilbert Bécaud; Charles Aznavour; Jacques Dutronc;Sylvie Vartan; Johnny Halliday; Serge Lama; Claude François; France Gall; Sheila; Albert Préjean; Koval; Michel Sardou; Téléphone; Simone Simon; Dranem; Alain Bashung; Pierre Perret; Henn Garat; e Julien Leclerc...
"Com o tempo, tudo passa. Esquecemos o rosto, esquecemos a voz. Quando o coração bate mais forte, não vale a pena ir mais longe."
E vejamos o que escreveram alguns críticos:
"Uma sinfonia" (Adriano Schwartz); "a vida a cantar" (Amir Labaki); "diversão de mestre" (Christian Petermann); "música no coração" (Inácio Araújo); "o discreto charme da burguesia" (João Leiva Filho); "Resnais bem-humorado" (Suzana Amaral).
Outra temática de " Amores Parisienses ": a questão do profissionalismo entre os corretores imobiliários; as práticas comuns que indicam falta de ética e, portanto, seriam inaceitáveis e condenáveis; as omissões...essas informações caladas que, na verdade, são mentiras a revelarem desonestidades e prejuízos para os clientes.
"- Sim, no trabalho de corretor, diz-se qualquer coisa."
O roteiro apresenta situações em que os casais têm dificuldade na interpretação das atitudes e palavras de seus cônjuges. Ou "vêem" demais ou de menos! Ouvem e lembram o que deveriam esquecer, para seu próprio bem...Ou deixam de se voltar para o outro, de ouvidos atentos, como acontece entre os amigos de verdade! Cena de jantar em restaurante ilustra esse desencontro. No local, ouvimos também o desabafo de jovem separada...Ela chega a confessar à amiga, que até se sente mal, ao contemplar toda aquela "felicidade" de Claude e Odile, em mesa próxima.
O problema do desemprego revela-se em sua face comum - a procura durante anos, ainda que a pessoa tenha um bom currículo. As histórias se parecem...
Para Odile, o que ela descumpriu, como empresária, pode ser desculpado com a frase:
"Nada é certo, enquanto não estiver no papel!"
Otimista, pragmática em alguns assuntos, carinhosa com a irmã Camille, que precisa ser interrompida ou perturbada em seu trabalho de guia turística, para prestar atenção em quem somente tem olhos para ela. Acontece que tanto Camille quanto Nicolas enfrentam um problema de saúde real, embora quem não sofra desse mal tenda a minimizá-lo. Ambos procuram médicos diversos, entretanto, talvez porque não sejam sinceros nas consultas, ouvem diagnósticos diferentes, conselhos contraditórios. Eles mesmos não reconhecem seu estado depressivo, então o tratamento demora a fazer parte de seu cotidiano. Como espectadores, refletimos, mas não deixamos de rir com o roteiro desse filme, no qual a realidade é abordada com um talento especial e, mesmo ao descrever um problema sério como a depressão, o faz de modo divertido, assumindo um tom absurdo e autêntico de tragicomédia cotidiana. Hipoglicemia, espasmofilia tornam-se assuntos corriqueiros nos encontros sociais.
"- E todos os remédios que toma! Para isso e para aquilo... Eu nunca tomo remédios!" (...)
"- O médico disse que ela está bem. Não tem nada de grave...só um problema de nervos. Nada para se preocupar."
O médico jovem e alegre recebe Nicolas em consultório onde há um grande aquário. (Atenção para os versos detalhistas da canção "Je Suis Malade" - Estou Doente.)
Outro médico, de mais idade, com a sua experiência tenta tranqüilizá-lo:
"Seu coração ainda vai durar bastante tempo. (...) Relaxe, ande de bicicleta, não se preocupe tanto com as palpitações... ou vai adquirir uma úlcera. Deixe seu coração palpitar... é natural."
A médica, irritada com a prescrição de um colega que anteriormente tratou de Nicolas, dá consultas em ambiente ruidoso, enervante: através de janela perto da mesa onde trabalha, sons estrondosos de máquinas de construção...
Nicolas prefere ter depressão, a sofrer de câncer ou outras doenças.
"- E quanto tempo dura uma depressão?
- A minha durou quatro anos.
- Quatro anos?"
Esse diálogo termina em cena de ternura e romantismo tranqüilo, próprios das pessoas amadurecidas. Momento em que se aceita por meio da reflexão, assumindo uma sinceridade íntima, o poder do sentimento afetivo, que deve acompanhar o tratamento médico da depressão tão comum entre nós...
Em muitas circunstâncias, a verdade, de fato, incomoda bastante. Aos pacientes, aos cônjuges, aos amigos e parentes, aos colegas de trabalho. Daí a dificuldade que temos em aceitá-la em nosso íntimo, muito menos verbalizá-la.
Assim como participamos da animação de alguns personagens, em seus preparativos para a festa, constatamos que a reunião social também serviu de ocasião para os desagradáveis comentários, as fofocas, intrigas e inverdades. Há pessoas que, sem a menor cerimônia, tiram alimentos dos pratos de outrem! Ou se mostram descorteses, maliciosas.
O silêncio, a bagunça generalizada nos dirão que aquela festa terminou, servindo de cenário para alguém que entrará em cena e olhando diretamente para a lente da câmera, isto é, olhando para nós, espectadores, vai nos fazer uma pergunta perfeita para encerrar a "nossa festa"... esse filme que Alain Resnais fez para nós!

Theresa Catharina de Góes Campos
 São Paulo, 13 de janeiro de 2003
Observações:
a) Ler, também, sobre "Meu tio da América".
b) Lamentavelmente, as legendas em português de "Amores Parisienses" apresentam negligências, como erros de grafia e troca de palavras, que prejudicam a compreensão imediata, como nas referências "àquele apartamento", quando o certo seria "este apartamento". Uma boa revisão teria sido bem-vinda!
Theresa Catharina

Theresa Catharina
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From: adfalcao
Date: 2008/9/26
Subject: Re:Amores Parisienses
To: "theresa.files"


Theresa, como sempre, seus artigos revelam cuidado, sensibilidade, pesquisa, conhecimento, tudo o que de bom você pode nos transmitir. Obrigada. Ana
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From: raquelc
Date: 2008/9/26
Subject: RES: Amores Parisienses


Theresita querida,

Que beleza de texto! Traduz exatamente o teor do filme com muita propriedade e extrema sensibilidade. Beijo e até mais. Raquel.


UM GRITO DE LIBERDADE

Com roteiro, trilha sonora, interpretação e fotografia de primeira qualidade, "Um Grito de Liberdade " (Cry Freedom - Inglaterra, 1987 - 151 min.), foi dirigido por Richard Attenborough ( o mesmo de "Gandhi").
Trata-se de uma excelente produção cinematográfica, atualíssima, emocionante e humana do começo ao fim. Dramatização de fatos, ação e suspense. Reflexão crítica, conscientização; transformação interior.
Cenas de violência, mas sem apelação.

Todos devem assistir a este filme, que denuncia o racismo e traz uma mensagem de solidariedade inesquecível, narrando a história real do líder negro sul-africano, o carismático Biko (interpretado de forma inesquecível por Denzel Washington). Kevin Kline e Penelope Wilton também encabeçam o elenco.

Acompanhamos o drama e a lealdade de um editor de jornal liberal, na África do Sul, e os perigos enfrentados por sua família, quando ele decide contar a verdade sobre o ativista negro Stephen Biko. Admiração e amizade, em contexto de diferenças pessoais - e nas situações as mais difíceis.

História contemporânea, narrada com emoção e idealismo, registrando tragédias indesculpáveis, acreditando em dias melhores para a humanidade. Porque no sacrifício de alguns podemos vislumbrar um futuro sem racismo.

(Assisti ao filme no cinema. Encontrado em vídeo CIC.)
Theresa Catharina de Góes Campos

Ver também: Mandela - Luta pela liberdade


MANDELA - LUTA PELA LIBERDADE

(Goodbye Bafana)
(Mandela: meu prisoneiro, meu amigo)

Biografia/Drama/História – Alemanha/França/Bélgica/África do
Sul/Itália/Reino Unido/Luxemburgo 2007 – 125 min. – versão original em
inglês/xhosa

realização: Bille August
argumento: Bob Graham e James Gregory
produção: Andro Steinborn, Jean-Luc Van Damme, David Wicht
fotografia: Robert Fraisse
música: Dario Marianelli
actores: Joseph Fiennes (James Gregory), Dennis Haysbert (Nelson Mandela), Diane Kruger (Gloria Gregory), Shilih Henderson (Brett Gregory), Patrick Lyster (Mai Pieter Jordaan)...

Baseado nas memórias do guarda prisional de Nelson Mandela, o filme acompanha a improvável mas profunda relação de amizade que se estabeleceu entre Mandela e o seu carcereiro.

África do Sul, 1968. Vinte e cinco milhões de negros vivem sobre o domínio de uma minoria de quatro milhões de brancos. Os negros não têm direito de voto, liberdade de movimento, não podem possuir terras ou habitação e não têm acesso à educação. James Gregory é um guarda prisional, afrikaaner típico e racista, que desde muito novo aprendeu a falar xhosa, tendo crescido numa quinta em Transkei. Isso o torna o homem perfeito para ser o guarda prisional responsável por vigiar Nelson Mandela em Robben Island. Mas o convívio diário com Mandela altera a forma de Gregory pensar, para quem a luta por uma África do Sul livre começa a deixar de ser uma idéia absurda, ainda que os colegas e a sua mulher o tentem convencer do contrário...

www.cineclube-tavira.com
Ver também Um Grito de Liberdade


ORQUESTRA DOS MENINOS

Brasil, 2008, 1h35, Livre. Direção: Paulo Thiago
Com: Murilo Rosa, Priscila Fantim, Othon Bastos, Lais Corrêa, Gustavo Gasparani.
Janeiro de 1995. Um integrante de 13 anos da Orquestra Sinfônica do Agreste da pequena cidade de São Caetano em Pernambuco é seqüestrado.
O principal suspeito é o criador da orquestra, o maestro Mozart Vieira, o que coloca o trabalho do músico em risco.
www.orquestradosmeninosofilme.com.br


NO PAIS DE SÃO SARUÊ

(poema inspirado no filme "O País de São Saruê" – Brasil,1971 – de Vladimir Carvalho)

Não faltam terras
nem sementes
no Pais de São Saruê...
Nem braços, nem mentes criativas.
Não há escassez de riquezas,
nem obstáculos intransponíveis.
Aqui, os mil e um recursos
se contrapõem à face gigantesca da miséria
e poderiam torna-la coisa do passado...
mas os mil e um recursos esperam
pela vontade dos líderes no poder,
que ficam a mistificar,
adiar e protelar
o que não têm o direito de adiar.

No Pais de São Saruê,
nada falta... só JUSTIÇA!
Nada falta e, no entanto,
aqui fazem da terra,
madrasta cruel...
e tudo parece faltar
porque não há JUSTIÇA!

Até Deus parece distante,
quando não se faz JUSTIÇA!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 17/07/1987.


OS LÍDERES NÃO MORREM!
(poema inspirado no filme "Cabra Marcado para Morrer" – Brasil, 1984 – de Eduardo Coutinho)

Tendo expulsado o medo
de sua vida humilde,
ele foi expulso da terra;
fizeram-lhe ainda mais pobre,
forçando-o a se ausentar da família;
ignoraram os seus direitos
e aqueles a quem representava;
fizeram de sua voz, silêncio torturado;
de sua postura, sombra perdida.

Protegidos e bem armados,
os donos das terras conseguiram
torná-lo ainda mais pobre:
porque lhe roubaram a vida.

Mas os assassinos ignoravam
que o corpo torturado
e a voz calada do morto
ressurgiriam, à vista de todos,
nas telas do mundo!

Quem disse que a morte
tem o poder ditatorial
de silenciar OS LÍDERES?
O tempo e a história
há muito sabem, ensinam:
OS LÍDERES NÃO MORREM!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 06/10/1986.

 
ATIVIDADES FÍSICAS
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Livro: Atividades Físicas: rotina mental e aprendizado para a vida?
"O amor é o exercício do coração." ("Cidadela" - Antoine de Saint-Exupéry).


Reflexões rebeldes sobre a natação

Theresa Catharina de Góes Campos

Nesta crônica de reflexões rebeldes (e líricas) sobre a natação, dedicada aos meus professores, Juliana Emiko Taroda Gomes e Emerson Corona, da Health Club Academia - São Paulo, inicio com um questionamento que se torna fundamental para mim.

Como eu gosto de nadar?Tranqüilamente...

Lanço-me de peito na água-espelho,com o rosto mergulhado e os braços como asas impulsionadas, ritmadas.

Como eu gosto de nadar, é bem devagar, lentamente, tranqüilamente reconquistando o silêncio que chega bem devagar, harmoniosamente, em sintonia com a água que recebe meu corpo por inteiro.

Recebe, mas não retém, nem aprisiona. Abraça-me, beija-me... Sustenta e acolhe e logo me liberta docemente, com suavidade, tranqüilamente.

Quando eu nado sem parar, tranqüila e calmamente, é como se, dentro de mim, eu alçasse vôo!

E nadar deixa de ser exercício, porque braços e pernas magicamente, lentamente, transformam-se em asas, emprestadas pelos anjos, permitindo a contemplação individual, escondida, de paisagens íntimas, interiores.

São asas e olhos, impulsos e batidas do coração e da alma pulsando juntos!

Como eu gosto de nadar? Vou repetir:lentamente, para ver melhor as paisagens interiores de minha alma e me reconciliar com o mundo. Para me perdoar e perdoar ao próximo.

Porque só nadando lentamente, suavemente, harmoniosamente, com o sorriso que ninguém vê, enxergo a harmonia íntima de meu corpo, no seu potencial de comunicação.

Porque só então eu me aceito (ainda que temporariamente) como sou ... nas imperfeições e limitações que devo corrigir.

Recebendo em troca dessa minha aceitação que é ponto de partida, poder enxergar na água, que acolhe o meu corpo, sem me prender, as asas dos anjos e das borboletas que recebi emprestadas.
Enxergo também o rosto invisível de Deus, na beleza indescritível da água, fonte e caminho, embarcação e porto, oásis e viagem, berço e canção de ninar, espelho e reflexo de luz.

Como eu gosto de nadar? Lentamente, suavemente. Porque a velocidade confunde a minha mente, desconecta-me do corpo, arranca de mim as asas que os anjos me emprestaram! Faz-me cair das mãos de Deus, embora eu saiba: continuo sob o Seu olhar.

A velocidade me torna ansiosa e sobressaltada, prisioneira de objetivos que não são meus, de pensamentos que rejeito.

Fico buscando, como louca, sem foco nem rumo, onde está meu coração!

Como nadar bem, se meu coração saiu pela boca? Como gostar de nadar, se não encontro minha respiração?

Onde estão as asas a mim emprestadas pelos anjos? Bem, se não foram os anjos, foram as borboletas...

Onde estão, pergunto, ansiosa, essas asas emprestadas?

Subitamente rebelde, intimamente não aceito essa dicotomia entre o corpo e minha alma.

Nadar assim, não posso! Nem gosto!

Sim, é verdade que eu devo e posso aprender... exercitando uma análise mental, até mesmo em contexto de dicotomia... desde que seja temporária... como se fosse a busca da utopia a permitir meu crescimento como pessoa, mesmo rebelde, pesada e limitada.

Envolvida, embalada pela água, posso me acalmar, para fragmentar e decupar os movimentos da natação.

O melhor pode vir depois, realizando a montagem final dos movimentos.

Perceber que a água é comunhão e livre arbítrio, e comunicação do corpo com a água que recebe, acolhe, sem reter, nem prender.

Ao invés de aprisionar, a água liberta, emprestando as asas de anjos e borboletas.

Lá vou eu, consciente, singrando, vencendo as águas, sem ser navio nem barco, praticando silenciosamente a maiêutica das perguntas fundamentais. Perguntando para aprender, avançar e crescer, chego ao porto da hermenêutica, ainda que resmungando íntima e silenciosamente, fotogramas de rebeldia.

Afinal, para que serve essa velocidade toda nos exercícios de natação? Eu nem vou competir!

Nem sou atleta...

Porque meu exercício do coração é a leitura, é escrever com inspiração semelhante aos "travellings" cinematográficos e às lentes anamórficas da alma.

Mesmo assim, aprisionada em rebeldia pouco inteligente, procuro raciocinar tranqüilamente, lentamente - devo reconhecer o indiscutível...

Toda essa velocidade, que eu preciso praticar, é para fugir do excesso de peso, escapar das doenças, ficar bem distante, bem longe dos hospitais.

E fugir também, (quem sabe, no futuro, nas possíveis aventuras), de tubarões velozes, famintos e das baleias assassinas.

Em paz com a verdade - irrefutável porque racional - volto ao lirismo da natação.

Inegável ser a água libertadora. Não aprisiona, acolhe, sustenta e liberta! Empresta-nos os movimentos mais belos que expressam, na lentidão e na velocidade, as asas invisíveis de anjos e borboletas.

Theresa Catharina de Góes Campos

Brasília, 15 de março de 2006


ENCONTRAR O PONTO DE EQUILÍBRIO NA PRÁTICA DA NATAÇÃO
Theresa Catharina de Góes Campos

Sabia, desde a primeira aula, que a dedicação e as instruções do professor Emerson Corona seriam as melhores. No entanto, também tinha consciência de que, devido à minha falta de entusiasmo por exercícios físicos, a grande dificuldade estava na aceitação, com alegria, dessa nova realidade como aluna de natação , dessa rotina diária a ser construída, de segunda a sábado. Dependeria de minha mente dominar o turbilhão das emoções, a responsabilidade dos compromissos escolhidos. Precisaria esquecer as preferências tão enraizadas por uma vida sedentária, de modo a me condicionar a praticar os ensinamentos recebidos , não apenas uma ou duas vezes, mas repetidamente, e buscando um aperfeiçoamento contínuo.

O professor não se cansava de orientar: " relaxe! " . Porém eu continuava a nadar com a respiração desordenada, os movimentos sem coordenação, muitas vezes tão rápidos que provocavam uma desorganização total naquela atividade física com potencial de harmonia e relaxamento. Compreendia tal desafio, sem que o diagnóstico me fosse revelado, em todos esses detalhes. Quando acertava o ritmo e as braçadas, quando conseguia respirar um pouco melhor, as palavras de incentivo não demoravam, com os elogios do professor se sucedendo a cada acerto.Os domingos eram diferentes: lá ia eu nadar sem pausas durante uma hora. Espero que o professor acredite, porque é verdade! Uma hora inteirinha! Sessenta minutos de muito esforço! Quanto sacrifício, eu pensava! Por que não cuidei antes de minha saúde?! Quando aparecia alguém, nadava de três a cinco minutos e saía da piscina... Sozinha, esforçava-me para praticar o que tinha aprendido nas aulas da semana. Ou procurando me lembrar do que eu supostamente aprendera, preservado na memória como reserva preciosa à qual recorreria cuidadosamente, para que a teoria se transformasse em prática de sucesso.

Analisando meu procedimento, com disciplina e determinação ( palavras mais bonitas do que teimosia...), esse processo de reflexão crítica logo se transformou em resultados bastante pragmáticos. Decidi que o nado de peito ( meu preferido ) exigia de mim uma atitude diferente: eu passaria a nadar com o cérebro e o coração em sintonia, valorizando a felicidade de poder me exercitar, aos sessenta anos de idade, no ambiente tranqüilo e agradável de uma piscina...num esforço de alongamento bem relaxado, caprichando na movimentação ritmada ... braços e pernas funcionando como um todo , e não, como segmentos, partes soltas à deriva...

Afinal, eu não era uma náufraga em desespero, a buscar, traumatizada, a borda mais próxima da piscina para conseguir respirar, aliviada! Não precisava salvar ninguém, nem estava competindo! Por que tanta ansiedade? Sem a presença de ondas, nem ameaça de tubarões!

E o ponto de referência foi estabelecido com a decisão de nadar consciente mas quase brincando, fazendo um balanço com o corpo " singrando as águas " , não apenas como se fosse um barco... e sim, um balanço do tronco a unir braços e pernas, semelhante ao balanço de ninar um bebê ... nos braços ? numa rede ? numa cadeira de balanço ? Bem, percebi que bastava sentir aquele " ninar " repetido, sucessivo, contínuo, sem estresse, nem pressa de chegar... nem mesmo de chegar às bordas da piscina, sem obrigação de concluir... para obter os efeitos positivos do alongar e relaxar.

Aliás, a conseqüência do relaxamento foi o meu maior prêmio . Ao perceber isso, decidi expressar, numa suposta fórmula, a minha nova atitude, que eu não queria esquecer. A essa " mágica mental e física " para buscar meu ponto de equilíbrio na prática da natação, chamei, desavergonhadamente, de Atitude para Nadar "Ninar" , ou

AN2R – que eu passei a traduzir como: Alongamento para Ninar a mim mesma, e alcançar os 2 Rs, Reflexão e Relaxamento.

Na segunda-feira seguinte, sem prevenir o professor, nadei o " ninar " e, como recebi a sua aprovação, decidi que, nos próximos domingos, eu tentaria aplicar essa minha " técnica " pessoal aos outros tipos de nado, sobretudo como ponto de referência ao " crawl ", para descomplicá-lo na minha cabeça e vencer a sensação de dificuldade que se instalava todas as vezes, provocando interjeições espontâneas e até pedidos de ajuda aos santos!

E a " mágica " funcionou! Ora, ora...não é surpresa para ninguém! Unindo a mente e o coração, quase tudo se consegue, graças a Deus! Ainda mais se contarmos com a orientação de um professor competente.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 13 de junho de 2005
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COMENTÁRIO de CACILDA GONÇALVES VELASCO, autora de vários livros, sendo o mais recente

"Aprendendo a envelhecer... à luz da psicomotricidade".
Olá!
Parabéns mais uma vez pelo texto.
Querida Theresa,
Sabe? Você me traz sempre a imagem de uma brisa... forte, mas brisa... firme, mas serena... algo assim que passa e deixa marcas.
Parabéns pelo "ponto de equilíbrio"... Sim, é exatamente isso que precisamos para simplesmente nadar (...ninar, na água).
Sempre comentamos, nas nossas antigas conversas, Emerson e eu, que para nadar não é necessário só nossa motricidade, mas fundamentalmente nossa psiquê, pois precisamos pensar e sentir para nadar.
Desejo-lhe que a água lhe promova o que sempre preconizei... o prazer do maior brinquedo do Universo... a ÁGUA. (...)
Cacilda Gonçalves Velasco.
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Maravilhoso, o seu artigo " Encontrar o ponto de equilíbrio na prática da natação".
Brasília, 06 de dezembro de 2005
Áureo César Coelho do Valle
Professor universitário - Doutor em Economia


AULAS DE NATAÇÃO EM SÃO PAULO

Atendendo à minha solicitação, a Professora Juliana E. Taroda Gomes, proprietária da Academia Health Club, que funciona no Hotel Blue Tree Towers Paulista, me recomendou, para um programa intensivo de aulas individuais de natação, o Professor Emerson Corona ( CREF 1393G-SP ), enfatizando se tratar de profissional " de extrema competência ".

Professor de Educação Física, é Pós-Graduado em Condicionamento Físico para Grupos Especiais e Reabilitação Cardíaca pela UniFMU (Universidade Faculdades Metropolitanas Unidas-São Paulo), instituição onde cursou a graduação e pós-graduação.

A missão que lhe cabia não era nada fácil: ensinar a nadar corretamente uma pessoa como eu, que completei 60 (sessenta) anos e preciso perder peso.

Isso sem falar nos medicamentos controlados que tomo diariamente. E sem esquecer do meu histórico de câncer recidivo e quimioterapia...
Além dos problemas enfrentados, desde o início do ano passado, no joelho direito (edema e posterior rompimento do menisco).

Quando completamos mais de 20 (vinte) aulas, com uma hora de duração, o Professor Emerson decidiu registrar em filme o meu progresso ( palavras dele), inclusive para me indicar o que fazer para corrigir alguns erros em movimentos básicos, fundamentais a uma boa prática da natação.

No relatório que escreveu para os meus médicos, o Professor explicou:

" as aulas são compostas de aquecimentos das articulações exigidas para a atividade do dia.
Nas primeiras semanas foi um trabalho de iniciação aos nados crawl, costa e " peito" ( o nado peito ela só executa o movimento dos braços, devido à lesão no joelho direito).

Teve uma melhora muito boa na qualidade técnica, e nestas últimas semanas, começamos um trabalho de condicionamento físico, respeitando os seus limites; ao término das aulas, fazemos uma volta à calma, com caminhadas na água e, também, alongamentos de membros inferiores e superiores.

A aluna teve uma melhora significativa, tanto na qualidade técnica como na resistência cardio pulmonar, pois, antes de começar as aulas de natação, não fazia a respiração correta e, com as aulas, isso lhe foi exigido, passando então a ter um trabalho de condicionamento físico."

O Professor Emerson Corona realizou o pequeno filme com objetivos didáticos, registrando como eu estava nadando, num processo de avaliação dos resultados obtidos com as aulas. E visando chamar a minha atenção para a necessidade de corrigir, por exemplo, o movimento de saída para o nado, que eu ainda não executava corretamente, por não fazer uma ação inicial simultânea de colocar a cabeça e o braço na água no momento da largada.

São detalhes que enfatizam a importância de se ter a supervisão de um profissional especializado, de cuja eficiência e dedicação dependemos para nosso aprendizado.

De minha parte, espero que o relato dessa minha experiência de atividade física seja um incentivo para que muitas outras pessoas procurem colocar, na sua rotina diária, a busca de uma vida mais saudável.

Aos professores Juliana E. Taroda Gomes e Emerson Corona, deixo aqui registrados os meus agradecimentos por todo o bem que fizeram à minha pessoa, num ato de reconhecimento e gratidão.

Analisando as imagens do filme realizado pelo Professor Emerson Corona*, percebe-se como a piscina do Hotel Blue Tree Towers Paulista proporciona um ambiente agradável para a Academia Health Club e a prática da natação. A visão das árvores emoldurando o local é um elemento tranqüilizador, esteja o céu nublado ou ensolarado. Uma verdadeira dádiva de alegria e paz.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 03 de março de 2005

(*Professor Emerson Corona - tel. (11)9331-5869;
e-mail: health-club1@yahoo.com e ecorona@ig.com.br)


MINHA PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA E PERSONAL TRAINER JULIANA E. TARODA GOMES escreveu, no verso desta foto, lembrança da comemoração natalina de professores e alunos da One Way Academia, em São Paulo, no dia 15 de dezembro de 2007:

"À Sra. Theresa Catharina:
Sua dedicação às aulas me torna uma professora muito orgulhosa e certa da profissão que escolhi.
Um abraço com muito carinho,
Juliana"


VÔLEI, MUITO MAIS QUE ESPORTE
Faustino Vicente*

As espetaculares conquistas das seleções brasileiras de vôlei merecem mais do que aplausos: são dignas de uma profunda reflexão,pois os brilhantes Bernardinho e José Roberto Guimarães,as competentes comissões técnicas e seus atletas de ouro,consolidaram a supremacia brasileira no cenário internacional. Criado em 1895, nos Estados Unidos, por William G. Morgan, diretor da ACM – Associação Cristã de Moços - com o objetivo de incentivar a prática de atividades físicas em ginásios, o popular "esporte da rede" abriga conceitos e fundamentos que podem, e devem, ser inseridos na gestão das organizações de todos os portes e segmentos, a fim de melhorar a sua performance. Vence quem tem o melhor desempenho,independentemente do potencial.
O atleta precisa ter uma ampla visão de conjunto para poder reagir, rapidamente, às mudanças estratégicas traçadas pelo técnico, com a colaboração de todos os integrantes da comissão técnica.Se concordarmos que "os movimentos realizados em conjunto pelos jogadores de uma equipe são chamados de táticas", concluímos que se trata do esporte que usa com mais intensidade esse princípio de administração, área em que Peter F.
As decisões não são apenas baseadas no talento, na percepção, na experiência ou nos berros, mas num princípio onde o inesquecível Deming foi imbatível - a estatística. A comunicação, ponto que ainda deixa muito a desejar em grande parte das empresas, tem nos sinais do vôlei um valor agregado que pode definir um ponto, ou uma partida. Princípio essencial nesse esporte é o espírito de equipe que deve reinar entre os clientes e fornecedores internos que tem no saudoso engenheiro Kaoru Ishikawa o seu mais destacado representante. Pai dos círculos de controle da qualidade,que muitas empresas abrasileiraram para times da qualidade, grupos de trabalho e tantas outras denominações, que se constituem no maior estímulo motivacional aos funcionários, pois sentem que a gestão solitária deu lugar à gestão solidária. Isso é inclusão.
O mundialmente consagrado Dr.Juran enfatizava que o CCQ – Círculos de Controle da Qualidade - foram decisivos para o desenvolvimento econômico do Japão.A conquista da maioria dos pontos no vôlei é resultado da logística dos três toques, onde a solidariedade se faz presente. Uma das mais fascinantes evidências do vôlei é que cada ponto constitui-se uma decisão olímpica, uma comemoração, uma motivação a mais - pura adrenalina. Até o Código de Defesa do Consumidor é respeitado no vôlei, pois quem paga para assistir de 3 a 5 sets, vai apreciá-los com toda a intensidade,porque nessa modalidade não existe a famosa "cera", a retenção da bola para que o tempo se esgote, nem a lamentável freada de um piloto para que o outro vença.
A tão propalada empregabilidade é explicitada nesse jogo através do rodízio, que obriga a todos se aprimorarem em todos os seus fundamentos. Determinação, disciplina, flexibilidade, rapidez de reflexos, superação, concentração, equilíbrio emocional, harmonia, capacidade de reagir às condições adversas são alguns fatores de aprendizagem coletiva,inclusive com os adversários. Com o decrescente número de níveis hierárquicos e a conseqüente descentralização do processo decisório é de fundamental importância treinar (exaustivamente) todos os funcionários, para que saibam tomar decisões certeiras e, em tempo hábil.
Enriquecer a gestão da empresa com a filosofia do vôlei é agregar um valor muito especial na incessante busca da satisfação dos quatro protagonistas do mundo dos negócios: os acionistas, os funcionários, os clientes e os fornecedores.
* Faustino Vicente - Consultor de Empresas e-mail: faustino.vicente@uol.com.br - tel.(0xx11) 4586.7426 - Jundiaí (Terra da Uva) - SP


Exemplo 6
Avaliação de academia de ginástica em hotel (questionário) - Theresa Catharina

1) Qual a sua impressão pessoal sobre o local, as instalações e os equipamentos da Academia?
Excelente    □Bom    □Regular       Ruim

2) Como foi a recepção e o atendimento da equipe de professores da Academia?
Cortesia:

Excelente    □Bom    □Regular       Ruim

Eficiência:
Excelente    □Bom    □Regular       Ruim

Boa vontade:
Excelente    □Bom    □Regular       Ruim

3) Como qualificaria os serviços oferecidos pela Academia?
Excelente    □Bom    □Regular       Ruim

4) Qual a sua avaliação sobre as aulas ministradas na Academia?
Excelente    □Bom    □Regular       Ruim

5) A Academia contribuiu para elevar o seu nível de satisfação com a hospedagem no Hotel?
Sim    □Mais ou menos    □Não

6) O que mais lhe agradou na Academia?

A equipe de professores?

As instalações?

Os equipamentos?

As aulas?

7) Você pretende voltar à Academia?
Sim      Não (Por quê?)

8) Qual a sua sugestão, ou o seu comentário, para que possamos tornar mais agradável ainda a sua próxima visita/ hospedagem?


SISTEMA DE AVALIAÇÃO – ONE WAY
AVALIAÇÃO DE REAÇÃO DOS ALUNOS

PREZADO ALUNO
Por gentileza responda algumas questões a respeito da qualidade dos nossos serviços.
O objetivo principal é obter informações que subsidiarão o processo de melhoria contínua das nossas aulas.
Responda às questões individualmente.
Não há necessidade de identificar-se.
Escolha UMA única alternativa que melhor represente a sua opinião a respeito dos serviços, evitando deixar questões sem respostas. Use a seguinte escala:
1 2 3 4 5
Participe! Você estará contribuindo para a melhoria das aulas oferecidas pela Academia One Way.
INSTALAÇÕES
1. Os equipamentos de exercício atendem as minhas necessidades.
2. A localização dos equipamentos facilita a minha aula.
3. Os serviços da secretaria são eficazes.
4. As dependências estão sempre limpas
5. Academia contribuiu para elevar o meu nível de satisfação com a hospedagem no Hotel.

DESEMPENHO DOS PROFESSORES
1. Demonstram boa vontade no atendimento.
2. Desenvolvem a seqüência de exercícios de acordo com o programa.
3. Demonstram conhecimento dos exercícios.
4. Informam sobre os objetivos propostos para cada exercício.
5. Atendem com cortesia.

DESEMPENHO DO ALUNO
1. Estou satisfeito com os resultados alcançados.
2. Estou satisfeito com o atendimento da secretaria.
3. As minhas dúvidas foram esclarecidas pelos professores.
4. Meu interesse pelas aulas ficou maior a partir dessa academia.
5. Participo com interesse das aulas.

VOCÊ
Para finalizar, preencha os itens abaixo, que permitirão identificar as principais características dos participantes dos nossos eventos.
Sexo
Escolaridade
Região onde reside

Qual foi o motivo principal que o levou a se matricular na academia?
Recomendação de amigos
Facilidade de localização
Percepção de que necessitava aprimorar meu condicionamento físico

Idade
Tempo de matrícula na academia
Tipo de exercício predominante

Você pretende continuar utilizando a academia?


De: liliamh
Enviada: sex 27/7/2007 12:38

Assunto: Cabine de MESTRE BIMBA, seg, 10h30, espaço de cinema

Riofilme e Lumen Produções convidam para a cabine de
MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA, de Luiz Fernando Goulart,
Segunda, 30/07, às 10h30, no Espaço de Cinema,
O filme estréia dia 10 de agosto, no Rio, em São Paulo, e Brasília.
Mais informações: Paulo Henrique Souto. / Tel. 2525 1883 9644 1764

SINOPSE
MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada conta, através de depoimentos de antigos alunos e imagens inéditas em cinema, a história de Mestre Bimba, Manuel dos Reis Machado (1899 – 1974), que dedicou a vida a dar dignidade e luz à capoeira. De origem humilde, grande jogador de capoeira e, principalmente, um extraordinário educador, seu nome é a primeira referência do aluno de capoeira, em qualquer país que esteja. A ele são dedicadas milhares e milhares de músicas, cantadas em todas as rodas de capoeira, nos cinco continentes.
MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada, inspirado no livro MESTRE BIMBA – Corpo de Mandinga, de Muniz Sodré, conta sua comovente trajetória de vida e mostra a arte e o encantamento da capoeira que Bimba iluminou, tornando o Brasil uma referência mundial, conquistando adeptos e admiração em todo o mundo.
Calcula-se que a capoeira, - esporte, arte luta e/ou jogo - criada no Brasil por brasileiros afros-descendentes, seja hoje praticado por cerca de 8 milhões de homens e mulheres de todas as idades, credos e descendências em mais de 160 países em aulas ministradas por milhares de mestres brasileiros, a maioria vinda das camadas mais humildes da nossa sociedade. A capoeira é, ainda, um dos principais fatores de expansão da língua portuguesa em todo o mundo, pois suas aulas são ministradas em português, suas músicas são cantadas em português e a sua história conta fatos relacionados à vida e aos costumes do povo brasileiro.
Tudo isto é a concretização do sonho de um visionário da década 30, que se impôs como um dos maiores educadores populares do Brasil. É dele toda a didática e toda a metodologia de ensino atualmente adotada pela grande maioria dos praticantes da capoeira em todo o mundo.
Sinopse curta: MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada, inspirado no livro MESTRE BIMBA – Corpo de Mandinga, de Muniz Sodré, conta a comovente história de vida e mostra a arte e o encantamento da capoeira de Bimba, hoje presente em mais de 160 países.

FICHA TÉCNICA
DIRETOR: Luiz Fernando Goulart
ROTEIRISTA: Luiz Carlos Maciel
BASEADO NO LIVRO: Mestre Bimba – Corpo de Mandinga de Muniz Sodré PRODUÇÃO: Lumen Produções Ltda
CO-PRODUÇÃO: Publytape Comunicação Ltda.
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Nina Luz e Claudia Castello
FOTOGRAFIA: Rivaldo Agostinho de Lima Filho (Dody)
CÂMERA: Rivaldo Agostinho de Lima Filho (Dody)
MONTAGEM: Daniel Nobre
SONORIZAÇÃO E MIXAGEM: Fernando Ariani
PÓS PRODUÇÃO: Publitape

ELENCO
Ângelo Augusto Decânio (Decânio), Almir Ferreira da Silva (Escurinho), Professor Carlos Eugênio Líbero Soares, Professor Cid Teixeira, Frederico José de Abreu, Muniz Sodré, Antonio Ribeiro da Conceição (Bule Bule), Raimundo César (Mestre Itapoan), Hélio José Carneiro de Campos (Mestre Xaréu), Fernando Vasconcelos (Arara), Sérgio Fachinetti Dória (Cafuné), Francisco de Assis (Gigante), Boa Ventura Batista Sampaio (Boinha), Renato Souza da Silva (Sariguê), Manoel Nascimento Machado (Mestre Nenel), Alice Maria Machado (Mãe Alice), Anita Valdemira de Santana (Mãe Anita), Berenice da Conceição Nascimento (Mãe Bena), Marinalva Nascimento Machado (Nalvinha), José Tadeu Carneiro Cardoso (Mestre Camisa), Ubirajara Guimarães Almeida (Mestre Acordeon), Giovani Alexandre da Silva (Mestre Pequeno) e Raimundo Oton Figueiredo(Piloto).

INFORMAÇOES TÉCNICAS
DURAÇAO: 78 minutos COR
SOM: Stereo
JANELA : 16 X 9
PRODUTO FINAL: HD
EXIBIÇÃO em FORMATO DIGITAL/RAIN

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES, por Luiz Fernando Goulart - diretor
A CAPOEIRA, juntamente com outros conceitos - Energia - Juventude - Música - Vida Saudável - Ritmo - Beleza - Paz - Amizade - Movimento – Bem estar - Esporte - Dança e Cultura – são associados, por cada vez mais consumidores, nos cinco continentes, ao Brasil.
Presente em mais de 160 países, seu crescimento tem sido exponencial e constante. Suas aulas, onde quer que estejam acontecendo, são ministradas no português que é falado no Brasil, seguem ritos, metodologia de ensino e regras criadas em nosso país. Todo aluno, ao ser introduzido, recebe um "Nome de Capoeirista" em nossa língua. Além disso, seguindo uma tendência iniciada por Mestre Bimba, dentro das academias de capoeira de qualquer país procura-se também incentivar a prática de danças e rituais folclóricos brasileiros como o Maculelê, o Samba de Roda, Jongo e tantos outros.
Essa força de comunicação já foi utilizada por instituições como a BBCTV de Londres, que recentemente, durante todo um ano abriu e fechou sua programação com um clipe de capoeira sendo jogada em diversos países do mundo.
"Qualquer que seja a sua idade, onde quer que você viva, quem quer que você seja, e onde quer que você esteja, ritmo e movimento são comuns a todo mundo. A BBC 1 terá que ter esse mesmo apelo universal." (LORRAINE HEGGESSEY, Controller da BBC 1, Inglaterra, justificando a inclusão de spots promocionais da CAPOEIRA na programação da importante rede mundial, sob o título: CAPOEIRA, a arte que muda a vida).
No verão de 2005, uma das mais presentes campanhas nas diversas mídias francesas comunicava o lançamento de um desodorante, com características de entrega energética, produzido a partir de sementes de guaraná. Toda a campanha foi baseada num jogo de capoeira entre um francês e um brasileiro. Na Espanha foi recentemente lançado, com muito sucesso, o DORITOS sabor CAPOEIRA, destinado ao mercado de jovens adultos e com uma ligeira nota de pimenta.
O cinema americano também vem utilizando, cada vez mais, como em "A Mulher Gato", elementos acrobáticos da capoeira como forma de luta, buscando uma forte identificação com o público jovem, ligado a movimentos que requeiram destreza e habilidade, na contramão da violência atual.
Reverenciados diariamente, em todo o mundo, através de músicas e aulas teóricas de capoeira, Mestre Bimba – criador da capoeira regional - e Mestre Pastinha – responsável pela capoeira Angola - são os maiores e mais importantes nomes da capoeira mundial. E foi a Bimba que eu quis homenagear com MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA.
Bimba e Pastinha foram agraciados, post mortem, no dia 08 de Novembro de 2005, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a ORDEM DO MÉRITO CULTURAL BRASILEIRO, a maior comenda cultural do país, em reconhecimento ao seu imenso trabalho pela imagem do nosso país.
A Capoeira está hoje em fase de preparação para o seu Tombamento, pelo IPHAN, como Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro, etapa que deverá anteceder ao seu posterior reconhecimento pela UNESCO como patrimônio da Humanidade.
O Comitê Olímpico Internacional incentiva atualmente a organização da Capoeira em nível mundial para que ela possa já participar, como esporte exibição, dos JOGOS OLÍMPICOS DE 2012.
Ela também está presente em grande parte das Universidades americanas, através dos mais de 480 grupos oficialmente registrados, e em todas as Universidades de Israel, país onde é mais praticada, proporcionalmente à população.

Luiz Fernando Goulart
REALIZAÇÃO
Lumen Produções Ltda.
Praça Floriano, 55 – Sala 603
Centro – Rio de Janeiro – RJ
(21) 2240-7922

DIVULGAÇÃO
RIO DE JANEIRO: Paulo Henrique ph7@terra.com.br
Tel: (21) 2535 1883 cel(21) 9644 1764
SÃO PAULO: Margarida Oliveira margom@terra.com.br
Tel: (11) 3263 0197 (F&M Assessoria de Imprensa)
SALVADOR: Camila Oliveira camilalmei@yahoo.com.br
Tels. 71 3261 2179/ 71 8892 1209
RECIFE: Silvana Marpoara marpoara@hotmail.com
Tels : (81) 9206 3429/ 3471 2632

PATROCÍNIO
Petrobras
BNDES

DISTRIBUIÇÃO
RioFilme SA – (21) 2225 7082
Coordenação de lançamento: Suzana Amado

Assista ao trailer no sitio do filme
www.mestrebimbaofilme.com.br
ou no YouTube
www.youtube.com/results?search_query=bimba
Visite também o sitio www.portalcapoeira.com



BALÉ CHINÊS COM DANÇARINAS SURDAS
El siguiente es un "link" a un video sensacional de un Ballet Chino, que vale la pena ver.
El coreógrafo Chino Zhang Jigang formó una coreografía basada en la mitología Budista, para contemplar a la "Diosa de la Misericordia con sus Mil Brazos" (también llamada "Una Kwanyin de Mil Brazos"). Esta danza está representada por 21 bailarinas que forman una larga fila, donde crean para los espectadores una fabulosa ilusión de la Diosa con múltiples brazos y piernas.
El espectáculo fue una presentación de gala por parte de la Compañía de Representaciones Chinas de Deficientes Físicos, que fue televisada en vivo en un canal de la China Central, en conmemoración de su Año Nuevo. Se estima que la audiencia llegó al billón de espectadores (algo sencillo de lograr allá, debido a la cantidad tan enorme de habitantes que tiene el país Asiático).
El aspecto más impresionante de todas las integrantes de ésta compañía de danza, es que son deficientes auditivas, es decir, todas las bailarinas son sordas!!!!
El resultado, fue un espectáculo digno de admirar y de colmar de aplausos.
Con ustedes, La Diosa de la Misericordia con sus Mil Brazos!
www.artedojohrei.com.br/arquivos/noticias/01/bale1.wmv


faustino.vicente@uol.com.br
Date: 30/04/2008 12:07
Subject: FUTEBOL, PAIXÃO OU PROFISSÃO?
To:
theresa.files@gmail.com

FUTEBOL, PAIXÃO OU PROFISSÃO?

Faustino Vicente

No dia 29 de junho/08, o Brasil comemorou o cinqüentenário da maior façanha da sua história esportiva – a conquista, pela primeira vez, da Copa do Mundo de Futebol. Essa competição revelou ao mundo um garoto que, com apenas 17 anos, se consagraria com o nome de Pelé – o melhor craque de todos os tempos. A seqüência de títulos tornou a seleção brasileira (única) pentacampeã mundial, do esporte mais popular do planeta.

Se dentro das quatro linhas do gramado detemos a supremacia da qualidade técnica, em termos de planejamento estratégico, organização,gerenciamento e lucratividade levamos de goleada de vários países, principalmente dos milionários clubes europeus. Os investidores internacionais vislumbraram o efeito multiplicador do fabuloso "PIB futebolístico globalizado" transformando-o num lucrativo negócio.

Do amor ao clube do coração à irresistível sedução dos euros, o garoto pobre da periferia já se definiu. Entre a honra de vestir a gloriosa camisa verde-amarela da seleção brasileira e jogar no exterior ele prefere driblar a miséria e marcar um golaço no maior adversário da população de baixa renda – a perversa desigualdade social e econômica. Garotos, que apesar de não passarem de promessas, afirmam entusiasticamente em entrevistas que, o grande sonho é vestir a jaqueta do Real Madrid, Milan, Chelsea, Lyon, Barcelona, Bayern de Munique,entre outros. O holandês Clarence Seedorf, do Milan,que já atuou pelo Real Madrid, Sampdoria e Inter (Milão),disparou recentemente para a imprensa: "Só o dinheiro manda no futebol."

Apesar da existência de alguns clubes bem estruturados, e de profissionais brasileiros competentes em gestão esportiva, o nosso maior desafio reside no baixo desempenho financeiro dos nossos campeonatos. O avanço da tecnologia, as fantásticas descobertas científicas e a evolução da medicina provocaram profundas transformações econômicas, sociais,religiosas e culturais em todos os segmentos. A gestão e a prática do futebol não foram poupadas. Administrações equivocadas, às vezes apaixonadas, outras vezes mal intencionadas levaram grande parte dos clubes a elevadíssimos endividamentos.

O êxodo das nossas gratas revelações para o exterior e estádios sem condições físicas para oferecer conforto e segurança aos torcedores, são algumas das causas de rendas menores. O Brasil tem exportado,anualmente, centenas de jogadores que estão atuando em dezenas de países. A queda de público e do nível técnico são evidentes em todas as divisões do nosso futebol.

Calendário inadequado,que torna alguns clubes inativos por períodos inaceitáveis, ou que exigem excessos de jogos de outros,punições leves para faltas graves, erros inadmissíveis de árbitros,violência entre torcidas, desemprego masculino e até o excesso de jogos semanais, são fatores que desmotivam o público.

Entre as iniciativas positivas das últimas décadas, destacamos a criação das chamadas "Escolinhas de Futebol", que têm sido incentivadas por prefeituras municipais e pela iniciativa privada. O lema é o mesmo: "craque na escola, craque na bola". A alternativa mais esperançosa para tornar, a médio e longo prazo, o futebol viável aos clubes, encontra-se na implementação de Centros de Excelência, cuja missão, visão, valores, e políticas objetivam formar homens, para revelar craques. Nos esportes de alto nível o emocional do atleta faz a diferença. Competência técnica, conduta ética e habilidade eclética devem fazer parte da qualificação de jovens aspirantes ao estrelato. Se essa estratégia não for 100% eficaz para vencer a concorrência com os países ricos, com certeza resultará em lucro pela descoberta, pelo aprimoramento dos fundamentos do futebol e pela orientação, sobre como construir (e manter) uma carreira bem-sucedida.

Concluímos com foco na realidade: o futebol é paixão para torcedores, profissão para jogadores e gestores e lucro para os investidores.

* Faustino Vicente - Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – tel.(11) 4586.7426 – Jundiaí (Terra da Uva) - SP
 


1958 - O ANO EM QUE O MUNDO DESCOBRIU O BRASIL

De: liliam h
Enviada: ter 27/5/2008 16:31
Assunto: cabine de 1958 O ANO EM QUE O MUNDO... quinta, espaço

Pandora Filmes convida para cabine de 1958, O ano em que o mundo descobriu o Brasil, de José Carlos Asbeg
quinta, 29 de maio, às 10h30, no Espaço de Cinema
o filme tem estréia prevista para 6 de junho.
1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil:

Em junho, os brasileiros comemoram o cinqüentenário da conquista do seu primeiro título mundial no futebol. Para registrar a data, o cineasta José Carlos Asbeg está lançando o documentário 1958 - O ano em que o mundo descobriu o Brasil. Repleto de imagens históricas, o filme apresenta depoimentos de decanos que participaram da final Brasil 5 X 2 Suécia - o jogo que levou a taça Jules Rimet aos braços do Bellini. Didi, Nilton Santos, Zagalo, Djalma Santos, Zito e os suecos Borjesson, Parling, Hamrin, Simonsson, Liedholm relembram os lances da Copa onde Garrincha driblou graciosamente os maiores craques do mundo.

Entre os 50 entrevistados destacam-se o francês Just Fontaine, o artilheiro da Copa de 58; os jogadores brasileiros Dino Sani, Mazzola e Moacir; Paulo Amaral, preparador físico da seleção de 58, falecido recentemente; o jogador austríaco Helmut Senekowitsch; Victor Tsarev da então seleção da URSS que cumpriu a árdua tarefa de "marcar" o genial futebolista de 17 anos, que fazia sua estréia em copas do mundo - o Pelé. O filme apresenta, ainda, depoimentos de jogadores e membros das comissões técnicas da França, Áustria, Inglaterra, País de Gales e Suécia.

1958 - O ano em que o mundo descobriu o Brasil registra reflexões de um time de peso de comentaristas esportivos e jornalistas. Luis Mendes, Orlando Duarte, Villas-Boas Corrêa, João Máximo, o inglês Brian Glanville, entre outros, falam sobre o futebol plástico, cavalheiresco, com improvisos geniais e a construção de um dos aspectos mais marcantes da nossa identidade nacional - o arrebatamento da torcida verde amarela. Em meados dos anos 50, o país tinha, no âmbito cultural, a Bossa Nova e o Cinema Novo. Via o nascimento de Brasília pelas mãos de Juscelino. Na esfera dos esportes, Eder Jofre levava a vitória do peso mosca. Ademar Ferreira da Silva, a do salto triplo. Maria Esther brilhava em Wimbledon. No futebol, ansiava esquecer a fatídica final no Maracanã, onde em 50 perdeu o mundial para o Uruguai. A primeira estrela no escudo da seleção canarinho nos transformou no país do futebol.

O documentário 1958 tem o patrocínio da Petrobras, Eletrobrás e BNDES.

Mais informações:

Espalhafato Comunicação e Produção
(21) 22924121 / 22924123
Tania Coelho - (21) 8181 8616
Rodrigo Mariano - (21) 9855 4803
Analéa Rego - (21) 9325 1141

 

CRÔNICAS LÍRICAS OU POEMAS EM PROSA?
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Livro: Crônicas líricas ou poemas em prosa?


ROSÁCEAS DE ESTRELAS

Ao meu querido Pai, no dia do seu aniversário.
Rio, 07 de julho de 1963

Contam. Como foi, não sei. As palavras, as circunstâncias, há muito derraparam no tempo. Hoje, não consigo nem mesmo a promessa de um retorno àqueles dias agora relembrados. Retorno ao passado, volta à infância. A custo, posso apenas concordar com a minha avó materna. Ela me conta que eu, com uns três anos de idade, já opinava sobre as eleições presidenciais. Repetindo conversas de adultos, eu dizia, até com uma certa segurança na voz infantil, mas confundindo a noção de realidade: - Eu votei no "Duta".

Outro fato perdido no recuo dos anos refere-se à ocasião em que papai beijou minha irmãzinha caçula,Victoria, três anos mais nova que eu, e, depois, encostou seu rosto no dela por alguns minutos. Ao presenciar tal cena, prontamente pedi:

- Papai, me beije como o senhor beijou Victoria. Faça no meu rosto o mesmo que o senhor fez, igualzinho...

Se, um dia, eu beijasse com os olhos o infinito do céu e então sentisse nos lábios o esplendor de mil rosáceas de estrelas, ainda imaginaria minha infância um baú preciosíssimo, repleto de lendas verdadeiras. (Ah, a meninice que escorregou com o crescimento de nossas mãos!)

As rosáceas de estrelas não poderiam mesmo competir. Existem há séculos e pertencem a todos.

Mas a simplicidade é própria das crianças , crédulas e crentes, para quem tudo existe como possibilidade.

E o valor de um carinho de pai prolonga-se em nossa vida, repetindo-se e se fazendo presente por toda a eternidade.

A filha que muito o ama,
Therezita

lº ano de Jornalismo - 1963 -Faculdade Nacional de Filosofia, Universidade do Brasil (hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro).

P.S.
Recentemente, após a morte de minha mãe, em 14/06/08, tendo meu pai falecido em 02/02/2000, encontrei o envelope original, com o meu texto manuscrito, entre algumas cartas que ela guardava. Meus pais me deram, desde a participação por escrito de meu nascimento, o apelido carinhoso de "Therezita", depois adotado por familiares e amigos íntimos. Quanto a mim, gosto mesmo é de usar o meu nome,Theresa Catharina, tão bem escolhido por meus pais,invocando conscientemente a proteção de duas Santas e Doutoras da Igreja Católica, Teresa D'Ávila e Catarina de Sena.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 13 de agosto de 2008.

 
VAMOS BRINCAR DE LER SONS E LETRAS?
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Livro: Vamos brincar de ler sons e letras?
Prosa e versos para crianças e jovens inteligentes


DEDICATÓRIA

PARA SAMUEL...

as letras e os sons ouvir.
E a música das rimas.
Com a melodia dos versos,
o ritmo da poesia apreciar.

Com as palavras brincar,
fazer jogos divertidos e sorrir.
Talvez até escolha silenciar,
entre os muitos ruídos da vida.

Para Samuel também aprender
com tanta prosa escutando,
a saber logo conversar,
ganhando vocabulário sem fim
e o mágico poder de imaginar.
Para Samuel os livros amar!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de março de 2010


VISITA DO SOL AO QUARTO DO BEBÊ


Bebê olhou,
viu o sol
tão quentinho!

Chamou o sol
para brincar.
O sol veio,
"atendeu o convite"...
pensou o bebê.

Riu e sorriu, até com os olhos;
deu risadas, balançou os braços:
porque o sol visitou
seu quarto colorido!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 16 de fevereiro de 2009

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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/27
Subject: Re: VISITA DO SOL AO QUARTO DO BEBÊ
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Essa poesia é suave como os primeiros raios matutinos. Luci


BEBÊ CHOROU PORQUE A CHUVA...


Quem está batendo
na porta e nas janelas,
sem tocar a campainha?

Deve ser uma visita barulhenta,
trelosa e ruidosa, brincalhona...

Mamãe diz que é a chuva...
sim, está chovendo!
Uma chuva ruidosa e trelosa,
que só faz o que quer...

Bebê vê a chuva nas janelas.
Sente na pele alguns pingos
que conseguiram entrar -
como a chuva é insistente,
trelosa e ruidosa nas suas visitas!
Tão barulhenta em suas brincadeiras!

O bebê também quer entrar
na brincadeira dos pingos,
porque sabe ser treloso,
insistente e barulhento.

O bebê tenta guardar a chuva
nos seus dedos irrequietos,
nas mãos nem sempre limpas.
Chama a chuva pra jogar,
quer os pingos pra brincar.

Bebê não conseguiu convencer
nem se comunicar com a tempestade.
Chorou alto até cansar...
porque a chuva
não aceitou entrar na sua casa,
nem dormir na sua mão.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 13 de fevereiro de 2009.

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From: artemis coelho
Date: 2009/2/26
Subject: RE: BEBÊ CHOROU PORQUE A CHUVA... Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Muito fofo! É incrivel como tudo está entrelaçado...mais uma vez digo, nós é que não percebemos as coisas...
Sons, cores e palavras têm passe livre na imaginação.
Leio esses poemas 'infantis' em tons pastéis, rosa bebê, azul bebê, amarelo bebê...
Mesmo que estejam escritos em preto e branco. Artemis

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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/27
Subject: Re: BEBÊ CHOROU PORQUE A CHUVA... Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Esse poema é doce e delicado. Luci


TODAS AS FLORES NO MEU JARDIM


No meu jardim vou plantar
todas as flores que há no mundo.
Cravos e açucenas, lírios e rosas,
copos-de-leite, imensas hortênsias .
E as margaridas, as preferidas
de meu tio-avô Fernando José.

Vou mandar sem demora plantar,
em canteiro especialmente protegido,
os miosótis, azuis e pequeninos.
Deles não posso esquecer
porque se chamam também
"não-te-esqueças-de-mim".

Quem passar pelo meu jardim
vai se admirar de encontrar
todas as flores do mundo,
vestidas em suas cores mais belas,
da cabeça aos pés perfumadas,
porque para desfilar estão prontas.

Papai ri...me abraça e me beija,
repetindo em voz baixa:
"bem, todas as flores do mundo,
no jardim de sua casa,
não será possível você ter."

Ele sorri para mim, acha graça,
volta a me beijar e abraçar.
- Mas papai, impossível eu não sei
o que é...O que é? Impossível é alguém
que não gosta de flores?

O que eu sei, papai, vou lhe dizer...
porque é da minha vontade, é meu sonho...
Vou plantar todas as flores do mundo
nos canteiros bem cuidados
de meu jardim de princesa.

Se o tal impossível não tem jardim,
tudo bem...que fique sem flores!
Comigo é muito, muito diferente:
eu amo todas as flores, todas...
no meu jardim de princesa.
Nele, mando eu, somente eu...
Você não diz que eu sou princesa?

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 24 de fevereiro de 2009
(cd-rom/livro Vamos brincar de ler sons e letras?
Contos e versos infantis)

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From: artemis coelho
Date: 2009/2/26
Subject: RE: TODAS AS FLORES NO MEU JARDIM
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Lindo. "Impossivel é alguém que não gosta de flores?" Amei. Artemis


AH, CHEGOU VISITA!


A novidade de hoje, nesta casa de relógios
e crianças espertas que deles não gostam,
faz a cozinha ainda mais agitada, mais cheirosa
do que costuma ser...é dia de visita!
Tudo pode acontecer...vai ser interessante...
Há uma agitação também nos adultos,
não somente nas crianças,
que esperam, com ansiedade,
o momento da chegada. Imaginam
surpresas e brindes, atenção especial.

Hoje é dia de visita,
não é um dia qualquer.
A rotina vai embora
quando as visitas chegam,
trazendo vozes desconhecidas,
olhares talvez diferentes,
difíceis de interpretar
no mundo dos pequeninos.

Ah, chegou visita!
Quanto alvoroço...
Não é surpresa, mas surpreende.
Não é festa, mas parece!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 17 de fevereiro de 2009
(cd-rom/livro Vamos brincar de ler sons e letras?
Contos e versos infantis)

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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/2/27
Subject: Re: AH, CHEGOU VISITA! - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Theresa Catharina:
Gostei. A gente visualiza a cena, que é um mimo. Luci
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From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2009/2/27
Subject: Mais uma vez, agradeço o seu incentivo. Re: AH, CHEGOU VISITA!
To: adfalcao

Ana, mais uma vez devo lhe agradecer o incentivo. Aproveito para lhe dizer por que estou envolvida agora, também, com esses versos, além de contos infantis.
É que a nossa família espera, com muito entusiasmo, um bebê - filho de minha sobrinha Elizabeth Fernanda e do Walter. Hoje, ela me confirmou que o exame anuncia um menino. Se fosse menina, iria se chamar Isabel Teresa (que nome lindo!). Para o garoto, Samuel (nome bíblico que também nos emociona bastante).
Quando a gravidez de minha sobrinha foi anunciada, eu logo tive a idéia de um novo projeto, a ser dedicado a essa criança: o cd-rom/livro
Vamos brincar de ler
Sons e Letras?
Contos e Versos infantis

Estou buscando entre alguns de meus escritos antigos, mas também adaptando e escrevendo com esse objetivo novos textos (contos e versos
infantis).

Ainda que aceitando correr o risco de você considerar , talvez, esses meus escritos como sendo por demais "infantis", decidi lhe enviar os e-mails. Obrigada por sua compreensão, assumindo exatamente a perspectiva que eu tive, como autora.

(...)

Abraços carinhosos da amiga
Theresa Catharina

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2009/2/27 adfalcao

Theresa, seu poema remete à infância de cada um de seus leitores. Quem não passou por essa ansiedade???
Não me lembrei apenas de minha infância. A propósito, meu filho, certa vez, saiu-se com essa pérola dirigida a seu primo mais velho que nos visitava:
"- Samuel, você precisa aparecer mais seguido..."
Isso porque o cardápio e a sobremesa foram caprichados.
Eu até estava esquecida dessa passagem.... Claro que é uma gracinha boba, mas o importante foi voltar no tempo.
Penso que esse é apenas um dos valores de seus escritos: cada um pode encontrar, em suas vidas, situações semelhantes e transportá-las para outras terras e lugares.
Obrigada,
Ana


A MINHOCA É PEQUENINA
(HAICAI)

A minhoca é pequenina,
mas de tanta utilidade
para os pescadores!

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo-SP, 24 de novembro de 2008.


CAJUEIRO NO QUINTAL*


No quintal de sua casa,
subiu nos ramos fortes
(os braços do cajueiro amigo),
para ler e sonhar, sossegada.

Ontem, brincou de amarelinha,
cantigas de roda cantou,
com as amigas solidárias;
pulou corda, jogou dominó
(porque xadrez não sabia),
jogou até paciência,
depois cansou e, fatigada,
foi dormir...

Nos dia seguintes, tudo recomeçou...
Brincou com suas bonecas,
jogou dominó, pulou corda,
cantigas de roda cantou.
No cajueiro, carregadinho de frutos,
subiu para ler e sonhar,
de livro na mão, mil sonhos na cabeça.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de fevereiro de 2009.

*(Adaptação do poema "Subiu no cajueiro para ler e sonhar" -
Theresa Catharina de Góes Campos
Arcoverde - Pernambuco, outubro de 1962)


POESIA MATUTINA

Aos meus adorados Pais, esta minha "sujeirinha poética", com um beijo
carinhoso da filha Therezita.


Era manhã...
O raio de sol entrou
E o rostinho do bebê iluminou.


Depois, quando ele
as mãozinhas levantou
e os olhos pequeninos esfregou,
para o rabinho de um gato manhoso
o raio de sol pulou...


Todo o quarto percorreu,
em tudo que viu pousou,
em todo buraco penetrou,
a casa todinha percorreu.


Ágil e brincalhão foi visitar
a sala de estudo
da irmãzinha do bebê.
Os lápis de cor fez brilharem,
dourou os livros e cadernos,
brincou nos seus louros cabelos,
entrou no tinteiro aberto,
os óculos da garota experimentou,
a ouro o patinho de madeira folheou.


Ali estava tão divertido...
se não fosse a curiosidade
que o raio de sol agitava,
eternamente ali queria ficar.


Saiu, porém...
a cozinheira espiou
temperando a carne.
Foi ver se a babá
já se preparava
para cuidar do bebê.


Mas, ao vislumbrar o jardim,
o raio de sol voou
e na corola de uma flor se debruçou...


Com muito esforço,
penetrando nos ramos da árvore,
subiu a um ninho de sabiá
para nele descansar.
Depois, nas águas do lago roçou.
Aos trabalhadores sede levou
e fez a terra ficar queimando,
ao calor do meio-dia.


Será que alguém, todas
essas façanhas contemplou?
Essas aventuras matutinas,
simplesmente luminosas?
Esses caminhos rotineiros,
peregrinações extraordinárias?


Na paz de uma clareira,
o raio de sol adormeceu.
Por instantes deixou de ser travesso,
de ser moleque fatigado,
de ser malandro curioso,
de ser terno também.


E muito, muito depois,
bem acima do cume
das verdes montanhas,
muito além da terra diminuta,
no seio das nuvens,
sem nada falar,
sem nada mais fazer,
sem gritar nem chorar,
o raio de sol morreu...


Theresa Catharina de Góes Campos
Recife - Pernambuco, 24 de outubro de 1960.
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From: Dora
Date: 2008/10/9
Subject: Re: POESIA MATUTINA
To: "theresa.files"

Querida amiga

Tentei responder-lhe várias vezes e imobilizada fiquei. Talvez emoção ou saudades, ou porque nem poeta sou. Mas as suas palavras têm atravessado esta máquina fria, enchendo de calor nossa casa e esta cidade, a Curitiba fria e gelada, onde a primavera ainda não deu sinais de vida, a não ser pelo ninho do sabiá no jardim de nossa casa, bem no pé do heliotropus. (...)
Com carinho e amizade.
Dora e Walter

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From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/10/9
Subject: Re: POESIA MATUTINA
To: Ana Falcão

Estimada Ana:
Na dúvida, envio algumas poesias para você ler. Já estou satisfeita por você ainda não me ter pedido para não enviar mais. Aliás, saiba que alguns de meus poemas, devido aos temas e opiniões que expresso, eu não enviei mesmo a ninguém, apenas recentemente incluí na seção poesias, depois de anos sem decidir se deveria ou não divulgar. Sobre os poemas a que você se refere, escritos quando eu tinha quinze anos, minha emoção foi tão grande ao encontrá-los, junto aos pertences de minha mãe, por mim datilografados e com dedicatória manuscrita, que até o momento me sinto bastante comovida com essa experiência pessoal. Meus pais se mudaram dez vezes (não estou exagerando, foi isso mesmo!), inclusive de cidades, estados e país, guardando esses meus escritos com eles, desde 1960! Confesso que a mim me parecia que eles não se importavam tanto nem apreciavam assim o que eu escrevia... Como iria adivinhar, se não diziam? Mas guardaram consigo, devem lhes ter agradado, penso eu agora, fazendo essa reflexão enquanto choro bastante.
(...)
Obrigada por suas palavras generosas - incentivo nunca é demais.
Abraços cordiais da amiga
Theresa Catharina

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2008/10/9 adfalcao

Theresa, na década de 60, uma menina, você já demonstrava todo o seu
senso de observação, aguçado e amadurecido com o passar dos anos.
(...)
Abraços, Ana

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From: artemis coelho
Date: 2009/2/27
Subject: RE: POESIA MATUTINA
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Lindo... sobretudo pela idade que vc tinha quando escreveu. Artemis


 HAICAIS DO VERÃO


Um verso para o verão
vai competir com o calor,
vai perfumar o suor.


O sol não pára
de beijar a areia da praia
com ardor incomparável.


Traga água de coco
para refrescar o verão
que não cansa de dar sede.


Vou passear de jangada,
vou deixar longe o calor,
trazer peixe ao entardecer.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 2 de outubro de 2008.


PRIMAVERA EM VERSOS*
(haicais)


Primaveras há
invisíveis aos olhos,
florindo no coração.

Esperando a primavera,
esquecemos o inverno,
sonhamos com flores.

Beija-flor viu rosas e lírios...
não demorou a se curvar,
para lhes dizer alô.

Cores perfumadas,
em desenhos originais,
retratam a primavera.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 22 de fevereiro de 2009.

*(Adaptação do poema "Haicais primaveris" -
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 29 de agosto de 2008)


HAICAIS ALADOS


No Dia das Aves
o céu tem festa
de asas arco-íris.

Tico-tico no fubá
é música de sucesso
na festa do céu.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 19 de agosto de 2008.
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From: Jose Araujo
Date: 2008/8/20
Subject: Re: Grata por suas palavras de incentivo e carinho. Deus lhe
pague! Re: HAICAIS ALADOS - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Não precisa agradecer, minha amiga, tudo que eu disse foi de coração!
Tenha uma boa noite de sono e fique com Deus, sempre!
José Araújo

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From: Theresa Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/20
Subject: Grata por suas palavras de incentivo e carinho. Deus lhe
pague! ref. HAICAIS ALADOS - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Jose Araujo

Caro José Araújo:

Gratíssima por suas palavras de incentivo e carinho! E por sua atenção
em me escrever mensagem tão generosa. Deus lhe pague!
Tudo de bom para você!
Theresa Catharina

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2008/8/20 José Araújo

Cara amiga Theresa,

É sempre com grata satisfação que leio seus e-mails , sempre cheios de
poesia, sensibilidade e que nos passam a sua essência, como um ser
humano cheio de luz.
Haicais Alados, curtos em palavras, mas de uma profundidade imensa,
que tocou meu coração, como tudo que você escreve.
Parabéns pela arte, pela sensibilidade, pelo talento tão aparentes em
tudo que faz!
Abraços carinhosos de seu amigo e fã,
José Araújo


HAICAIS JUNINOS

Milho e fogueira:
receita caseira
de festa junina.


Quadrilha animada
aquece festejos
de São João.


Lanternas azuis
reacendem os corações
antes desanimados.


Quentão no frio
é convite à dança
junto à fogueira.


São João e São Pedro
homenageados
nas festas juninas


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasilia-DF, 03 de julho de 2008


HAICAIS COM SABOR*


As abelhas chegaram
fazendo ruídos,
tecendo mel.

Em toda semeadura
já se antevê as folhas,
os frutos e grãos.

Chegou a nêspera
para adoçar
minha boca.

Entre os dentes,
a nêspera trouxe gosto
ao meu dia.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília, 19 de fevereiro de 2009.


*(Adaptação do poema "Haicais" -
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 24 de junho de 2008)


VERSOS FLORIDOS*
(haicais)


Graciosas margaridas,
de meu irmão preferidas,
saudade me trazem dele.

De cachos floridos
vestiu-se a glicínia,
esbanjando perfume.

A flor-de-maio,
como todas do ano,
vestida com bom gosto.

Será a camélia
a flor para ofertar
à mulher "amélia"?

A flor se abriu,
depois dormiu,
estendida na relva.

Ganhou camélias;
esperava rosas,
devolveu lágrimas.

Vou pedir hoje
ao ipê-roxo:
me liberte das dores.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 27 de fevereiro de 2009.

*(Adaptação de "Haicais Floridos" -
Theresa Catharina de Góes Campos)


HAICAIS DE LAMENTO PELA NATUREZA

Jardim seco
está sonhando
com chuvas.


Asa ferida
da ave diminuta
denuncia o homem.


Na pequenina folha
retirada sem amor
reflete-se o descuido.


A fonte cantora,
de água limpa,
tornou-se lama.


As dunas diáfanas
desapareceram:
vê-se um deserto...


Água e chuva,
os maiores sonhos
do jardim sem vida.

Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 10 de junho de 2008


CORAÇÃO NÃO É DEPÓSITO...

Um sorriso
não pode ser guardado...
nem mesmo no coração.
Sorriso é para ser dado.

Coração-depósito
seria coração morto.
Sorriso retido
seria lágrima escondida.

Sorriso é para ser ofertado!

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 12/04/1966.


HOMENAGEM AO CINEMA *


A tela do cinema
falou com imagens
ao coração aberto.


Individual e coletivo,
de longe e tão perto...
eis o cinema.


Vestidas de cores,
imagens encontraram
sombras e luzes do cinema.


O projecionista abandonou o filme...
a imagem se perdeu,
o som virou silêncio.


O que eu não vivi
o cinema mostrou
e o mundo viu...


No espelho de tantas cores,
e de muitos sons,
o cinema refletiu a vida.


Terminada a refeição,
foram todos ao cinema
alimentar a inteligência.


Viu no cinema.
Contou lá fora.
Gostou ainda mais.


Sozinho
não se faz cinema
nem se vive a vida.


De meus queridos pais
recebi, com seu exemplo,
o cinema de presente.


Theresa Catharina de Góes Campos
*(Adaptação de: "Haikais de Homenagem ao Cinema" - Theresa
Catharina de Góes Campos

São Paulo, 29 de maio de 2008.)


PRESENÇA DA ARTE

Conviver com a arte

de segunda a domingo,

de janeiro a dezembro:

eis um projeto de vida!


Theresa Catharina de Góes Campos
Belém do São Francisco - Pernambuco, abril de 1962.


O EGOÍSTA


O egoísta

é muito previsível...

e péssima companhia...

até para si mesmo.

Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 24/10/1988


MENINA SOU...

Uso vestido, laço de fita,
flores nos cabelos.
Menina que tem bonecas
para brincar de mãe e filha
em casas de miniatura,
com mobília, fogão, pratos e
tudo mais de que elas precisam.

Vestida pela mamãe,
menina sou, com roupa de boneca.
Já sei cantar com voz doce
para embalar o sono de minhas filhas.
Vou aprender mais canções de ninar.
Pretendo ter muitos, muitos filhos!
Por isso estou treinando,
para saber cuidar bem da família.
Porque depois, não será mais
brincadeira de menina...
vai ser mesmo de verdade!

Theresa Catharina de Góes Campos
João Pessoa - Paraíba, maio de 1961



AS VIAGENS DO VENTO


Vento gosta de viajar sem parar.
Sozinho, seguro de si, vigoroso,
assovia, canta, desperta a lua,
convoca as estrelas, acorda o sol.
Até faz visitas sem avisar...
bate nas portas das casas,
ameaça quebrar as vidraças,
entra nas casas falando alto,
faz voar as flores nos vasos,
arranca do jardim os amores-perfeitos.
Ou vai entrando sem bater,
como se fosse dono de tudo.
Até nas igrejas históricas
o vento entra sem a menor cerimônia.


O Vento veleja, navega,
convoca as ondas, desperta
os peixes, os cavalos-marinhos,
chama as sereis pra cantar com ele.
Faz até coro com os golfinhos,
unindo sua voz às suas melodias
de comunicação, inteligentes,
sensíveis, que acompanham
seus movimentos graciosos.
Vento veleja e navega,
sem ter medo das ondas do mar.
Acho até que ele faz
coleção de búzios e conchas,
para não se esquecer do mar.


Não sei se o Vento viaja
com ajuda de mapas.
O certo é que não pára
de viajar, subir e descer
montanhas, escadarias,
vales e colinas, senhor de si.
Viaja até o Polo Norte,
segue depois até o Polo Sul.
Conhece os iglus, sorri dos
pinguins trajados a rigor.


Chega aos escaldantes desertos,
ao oásis hospitaleiro dos berberes.
O Vento atravessa também os lagos,
cruza os desfiladeiros, sem medo;
faz-se presente nos vales,
quando é de sua vontade.
Sim, porque ele me parece
ser um viajante egoísta e mimado.
Malcriado, insolente e voluntarioso.
Quase um ditador ...se a natureza
deixasse o Vento mandar em tudo.
Nas florestas e matas, o Vento
não se faz de rogado: assovia
e canta com as folhas,
os ramos e as copas
de árvores tão altas
que podem estar a desafiá-lo.


Será que o Vento também conhece
canções de ninar, ou
histórias para contar
às crianças como eu?
Se o Vento não sabe,
é porque não aprendeu...
e não aprendeu porque
ele não pára de viajar.
Que vida boa!
Se parasse um pouco
iria aprender a recitar,
com os garotos de Olinda,
a história das igrejas.
Se ao menos por alguns minutos
o Vento aceitasse parar,
nas lindas paisagens de Olinda,
aprenderia com os pequenos guias,
a repetir a história da cidade
e de seus mosteiros serenos.
Mas Vento não pára nem
para aprender, só faz passear...


Vento viaja, voa, veleja
e navega, afoito, ousado.
Viaja e viaja pra todo lugar.
Até sem bússolas, nem mapas.
Vento nem precisa de avião!
Aliás, gosta muito de empurrar
o vôo desses aviões, acompanhar
suas asas, os seus motores,
porque, penso eu, sem ter muita certeza,
que o Vento os considera seus amigos.
Deve ser também admirador
de seu colega viajante Marco Polo,
de Dom Quixote e do meu herói aviador,
o escritor francês Saint-Exupéry.


Vento só faz viajar.
Viajar e passear...
O Vento não cansa de viajar.
Nem de viajar, nem de velejar,
nem de voar, nem de navegar.
Nem de assoviar e cantar.
Nem de entrar sem cumprimentar
e sair sem dizer até logo ou adeus.
O que Vento gosta mesmo é de viajar.
E brincar de esconde-esconde.
Não aceita ordens nem limites.
É indisciplinado e teimoso.
Decide viajar e pronto! Vai!
Sem combinar com ninguém.
Que aventura, a vida do Vento!
Vento viaja, viaja, até cansar.
Acho, porém, que ele não cansa.
Pois ninguém cansa de coisa boa.
Vento vive a brincar,rodopiar e dançar.
Vento veleja, voa, navega e faz um balé
de nuvens e mais nuvens de poeira.


Sem relógio nem roteiro,
é uma aventura atrás da outra.
Nem sei por que, às vezes,
o vento parece estar zangado,
com raiva das pessoas,
que correm dele, depressa.
tentando escapar de sua fúria.
Vento vive a passear.
Sua vida é brincar, brincar.
Que vida boa o Vento leva!
Vou perguntar se posso, um dia,
quem sabe, acompanhá-lo
em suas muitas viagens.
Nem precisará me dizer
qual o destino: vou com ele,
para onde o Vento me quiser levar.


Theresa Catharina de Góes Campos
Olinda-Pernambuco, junho de 1961.


BOLAS E CARAMBOLAS


Porque o nome da carambola
lá no fim tem bola,
vou comer a carambola.
Depois, vou sair pra brincar,
jogar um tempo com a bola.


Por que eu não posso
chutar também a carambola?
Porque de plástico é a bola,
só posso usar a bola
no futebol? não posso
botar , na boca, a bola?
Por que não posso, suado,
tomar sorvete de graviola?


_ Está bem, está bem,
já entendi...vou jogar
lá fora, brincar com a bola.


Antes, vou comer a carambola!
Vou pedir sorvete de graviola.
Quem sabe, se eu não desisto,
se ficar insistindo, pedindo,
ganho tudo isso, que eu tanto quero?
Não somente a bola,
mas a carambola...
e o sorvete de graviola.


Quando eu acabar
de jogar com a bola,
voltarei para casa. Aí,
não vou querer mais carambola.
Nem carambola, nem bola,
nem o sorvete de graviola.


Isso meus pais me disseram:
que vou chegar com sono
e mais cansado que eles.
Sabem que eu vou largar a bola,
recusar as carambolas,
esquecer o sorvete de graviola.


Logo, logo, fecharei meus olhos.
Talvez, então, nos meus sonhos,
estarei falando sobre jogos e bolas
e muitas, muitas carambolas,
enquanto me delicio
com o sorvete de graviola.


Theresa Catharina de Góes Campos
Caruaru-Pernambuco, janeiro de 1962


MANDEI O SOL BUSCAR A CHUVA


Fazia tanto calor!
O sol brilhava demais...
Mandei que ele fosse
buscar a chuva, rápido,
rapidinho, sem demora.


Como as horas se passavam
e os pingos da chuva não chegavam,
fiquei muito aborrecido...
"Vou conversar é com as sombras
do sol, pois acho que são poderosas."


Não fiquei surpreso quando,
logo, logo, bem depressa,
os pingos da chuva estavam
lavando o meu rosto.
Achei bom demais...porque
mamãe vive a me exigir limpeza.
Que bom, minha mãe não quer
o seu filho de rosto sujo!


Theresa Catharina de Góes Campos
Salgueiro-Pernambuco, julho de 1961


FESTA DE BONECAS

A Tânia Maria Barros, vizinha de infância em Natal-RN, e nossa amiga até hoje.


Decidimos comemorar
o batizado de nossas bonecas.
Desenhamos os convites,
temos um bolo de verdade,
embora de tamanho pequeno,
sucos de fruta para beber,
até não se querer mais...
porque depois, no fim da festa,
costuma faltar lugar na barriga.


Minha irmã Victoria e eu vamos
ter uma festa de bonecas.
Chamamos Tânia, nossa melhor amiga,
a vizinha da linda, enorme casa,
juntinho à nossa residência,
com jardim de rosas de fazer inveja,
e muitas outras flores,
todas cuidadas pelas mãos de fada
de Dona Inês, mãe de Tânia.
João Eduardo e Carlinhos.


Nossa festa vai começar
no muro alto que separa
apenas as nossas casas.
Para nós, não representa
obstáculo algum.
Porque é ponto de encontro
entre vizinhas amigas,
uma ponte que atravessamos
de um lado a outro,
sem a menor hesitação.
Como se fosse uma porta aberta
habitualmente, para acesso fácil
aos nossos jardins e quintais.


Quase todo dia, conversamos
e brincamos juntas,
na maior animação.
Não precisamos abrir portão.
Subimos cuidadosamente
o muro alto, como de hábito.
É a nossa sala de visitas -
ao ar livre, com vista para a rua
e os jardins de nossas residências.


Entre as duas casas,
entre vizinhas amigas,
festejamos o batizado
de nossas bonecas,
que não deixaríamos pagãs.


Mês que vem, teremos festa de novo!
Vamos preparar mais uma comemoração:
o aniversário de nossas bonecas.
Não vai faltar um bolo de verdade,
enfeitado com sementes de romã,
nem suco,nem roupa nova para elas.
Porque tratamos nossas bonecas
como se fossem nossas filhas.


Theresa Catharina de Góes Campos
Natal - Rio Grande do Norte, junho de 1971.


MIRABOLANTE !

Circo é mirabolante, sensacional!
Como são eletrizantes, mirabolantes,
os voos dos trapezistas, de tirar o fôlego.


Mirabolantes, os números dos malabaristas,
hábeis nos movimentos rápidos dos malabares.
Os artistas do circo, mirabolantes, lançam arcos
para o ar, no seu trabalho mostrando perícia,
acompanhada com a poesia de cores e luzes .


Quantas histórias mirabolantes,
interpretadas pelos animados ,
mirabolantes e mágicos palhaços!


Viajando, passam por muitas cidades,
fazendo, em todas elas, espetáculos
mirabolantes, fantásticos, fantasiosos,
os esfuziantes acrobatas e palhaços.
Com os seus risos, na platéia repetidos,
fazem o público se divertir e sorrir.


Gostaria de ser um artista de circo,
batendo palmas também para os
trapezistas, malabaristas, acrobatas,
fazendo mágica que eu nem explico
nem sei o segredo...ah, se pudesse,
aprenderia a viver e trabalhar no circo,
transformando a minha vida, todo dia,
numa aventura muito mirabolante!


Theresa Catharina de Góes Campos
Pelotas-Rio Grande do Sul, julho de 1962.


PESCARIA NA QUERMESSE


Eu já vi que nem sempre os peixes
vão parar nos anzóis dos pescadores,
ainda quando eles usam, como iscas,
as minhocas de qualidade...
E quando os pescadores voltam
trazendo peixes, não trazem prendas.


Comigo, porém, é muito diferente,
quando faço pescaria de sucesso
nas animadas festas da paróquia.


Sigo os conselhos do meu pai:
um pouquinho de habilidade e
paciência para direcionar bem
a vara de pescar na minha mão.


A cada dia estou mais experiente
nas pescarias de quermesse.
Assim, ganho uma prenda diferente
por todo peixe que retiro da areia fina.
Eu consigo pescar, mas os peixes
vão continuar lá na barraca, voltam
a seu oceano, um mar de brincadeira.


Para mim, é como um jogo do qual
saio vitorioso, exibindo o que eu ganhei,
com pose de pescador habilidoso.


Penso que aprendi como se deve
fazer na vida: vou ser pescador
sem precisar de minhocas,
nem esperar horas,em silêncio,
à beira do rio, a fisgada na isca, ou
que o peixe decida se deixar pegar.
Vou continuar me divertindo
nas quermesses festivas, populares.


Posso crescer, isso posso, espero
que sim. Vai ser legal, ser adulto.
Só não posso esquecer de ir pescar
prendas e mais prendas nas quermesses.


Theresa Catharina de Góes Campos
Porto Alegre- RS, julho de 1962.


SARDINHA
(haicai)

Pequena e deliciosa,
vai afugentar anemia,
sardinha nas refeições.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 18 de março de 2009.


PARA CAMINHAR SEM MEDO
(Haicais)


Seja manhã ou de noite,
meu coração a cantar
segue a gemer e pulsar.


Harpas e bandolins
tocaram as estrelas
como se fossem sinos.


Para o céu ser luz
e música, dos sonhos
eu fiz muitas canções.


Com as lágrimas, escrevi
poemas e partituras...
E caminhei sem medo!


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 31 de janeiro de 2006
(No formato de haicais: São Paulo, 20 de julho de 2007)


SE PAPAI CHEGASSE MAIS CEDO...


Se meu pai chegasse mais cedo,
todos os dias me levaria
a passear e brincar no parque.
Eu queria tanto, tanto mesmo,
que todos os dias fossem
como os domingos ensolarados...


De qualquer modo,
chovendo ou fazendo sol,
com papai sem sair
tão cedo para trabalhar,
qualquer dia sempre seria
um domingo feliz para mim!


Theresa Catharina de Góes Campos
Niterói- RJ, agosto de 1963


ONDE SE ESCONDE A POESIA SILENCIOSA?


Janela com grade é janela?
Porta fechada continua sendo porta
ainda que não dê acesso?
Vasos com flores na varanda
pequena de apartamento lá no alto
podem vir a ser um jardim?


A poesia nasce com as flores?
Ou nas asas dos pássaros,
nas folhas das árvores?
E onde se esconde a poesia?
Onde vive, quando silenciosa?


Quem colocou o som
dentro dos búzios encontrados
na areia e nos recifes do mar,
atrás das rochas, escondidos?
Por que as ondas do mar
são tão irrequietas na praia?
Nem param na areia, nem
sossegam quando retornam?


Tais perguntas não me incomodam,
apenas se repetem dentro de mim.
São melodias que saem das pautas
avistadas nas paredes invisíveis
de meu coração também irrequieto,
inquiridor, tão desassossegado.


Se não sei as respostas,
não é por isso que vou
parar de me questionar.


Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, maio de 1963.


PASSARINHO SALTITANTE


De galho em galho
pulou o passarinho/
não sei se fugindo
ou ao encontro do sol indo,
apressado, saltitante.


Será que está fazendo
exercícios matinais...
procurando frutas maduras,
caçando larvas para se alimentar
e a seus filhotes famintos levar?


Para onde vai, tão gracioso,
esse passarinho cantando,
saltitante, de árvore em árvore?
O que vai fazer, essa ave sonora
da qual nem sei o nome?
Será que busca outras vozes?
Persegue o calor, as sombras
ou os raios do luminoso sol?


Ou apenas vai levando,
muito cuidadoso e diligente,
os sonhos de minha mãe,
embaixo de suas asas?


Theresa Catharina de Góes Campos
Serra Talhada - Pernambuco, abril de 1962.


HAICAI DO SUCESSO

Chorar não aconselho.
Para tudo conseguir,
bem melhor é sorrir.


Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 03 de dezembro de 2008


OVO DE PÁSCOA (haicais)


Colorido ovo de Páscoa,
símbolo da festa cristã,
não pode mesmo faltar.


Comer em demasia
os ovos de Páscoa
é acabar com a festa.


Ser moderado para comer
os deliciosos ovos de Páscoa
evita obesidade e outros males.


Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília-DF, 18 de março de 2009.


O JOVEM LEITOR DE JORNAIS

Vítor está agitado, ansioso. Porque seu pai está lendo os jornais rapidamente, como faz todos os dias, depois do almoço, antes de retornar ao trabalho.
O menino de 3 anos fica embevecido quando vê o papai, já sem rir nem brincar com ele, olhando as letras, as figuras...dobrando as páginas enormes daquele " livro " chamado jornal...que chega todas as manhãs, bem cedinho.
Vítor acompanha a saída do pai, nesse momento bem apressado. A mãe e ele são beijados...o pai segurando a pasta de trabalho em uma das
mãos.
Alguns minutos mais tarde, o menino está sentado na poltrona há pouco ocupada por seu pai. Vítor tenta segurar com firmeza o jornal que seu pai estava lendo. A babá vem à sala, onde encontra o garoto com os óculos escuros da mãe, fingindo compreender o que aquelas páginas imensas e soltas estão contando silenciosamente. A mãe aparece e, assim como a babá, dá uma boa risada.
Em seguida, ela vai até o filho, lhe faz um carinho...mas recupera seus óculos. Explica a Vítor que ele não precisa usar óculos para enxergar. Mostra , ainda, que a tinta do jornal sujou as suas mãos. A babá leva o garoto para lavar as mãos.
Aqueles poucos minutos de "leitura" fizeram Vítor se sentir importante, um pouquinho igual a seu pai.

Theresa Catharina de Góes Campos
Aljubarrota-Portugal, setembro de 1960

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From: Faustino Vicente
Date: 2009/3/21
Subject: RES: JOVEM LEITOR DE JORNAIS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Dra. Theresa Catharina de Góes Campos:

Parabéns, e obrigado, pelas suas (sempre) bem-vindas mensagens.Um
excelente fim de semana pra senhora e para os seus familiares.
Fraternalmente em Cristo.

Faustino Vicente

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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/3/22
Subject: Re: JOVEM LEITOR DE JORNAIS
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Bom dia, Theresa Catharina:

Achei linda, essa crônica. Aliás, muito bem escrita. Parece que vejo a cena, que se torna difícil nos tempos atuais, pois os pais não têm tempo para os filhos, nem de ler um jornal. As prioridades são outras, infelizmente. Luci


O BEBÊ SAMUEL NASCEU!

Date: 2009/5/26
Subject: Re: Parabéns a você e Elizabeth, pelo nascimento tão esperado
de Samuel.Re: Samuel nasceu!
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Querida Thereza,
Participo da sua alegria pela ótima
notícia, a da chegada do bravo Samuel. Deus o proteja e guarde, neste
início de sua caminhada e ao longo da vida, com muita saúde e
felicidades, para alegria de toda a família e amigos. Pais, avós e
tios estão de parabéns. Aleluia!
Com um afetuoso abraço a amiga,

Heloisa Helena

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Em sex, 22/5/09, Theresa Catharina de Goes Campos escreveu:
De: Theresa Catharina de Goes Campos
Assunto: Parabéns a você e Elizabeth, pelo nascimento tão esperado de
Samuel.Re: Samuel nasceu!
Para: "walter ferreira"
Cc: "elizabeth barros"
Data: Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 20:51

Estimado Walter:

Que alegria imensa, para nossas famílias e, de modo especial, para
Elizabeth e você, que não pouparam esforços para o nascimento de
Samuel.
Minha irmã me telefonou cedo, ontem, para dizer a maravilhosa notícia,
explicando que Samuel nasceu pela manhã , no dia 20 do corrente. Como
somente hoje, agora, estou vindo à internet, expresso neste e-mail
também a minha empolgação pela criança que vocês trouxeram para seu
núcleo familiar. Soube que Elizabeth, daqui a alguns dias. sairá do
hospital.
Minha irmã ainda me falou que, como eu já esperava, somente os pais e
os avós podem visitar Samuel no momento. Disse que Elizabeth pode ver
o bebê três vezes por dia. Ela precisa descansar bastante, para
recuperar as energias que lhe serão necessárias.
Acho que o Samuel já demonstrou ter uma característica da minha
personalidade: faz as coisas com muita antecipação, adiantado! No meu
entender, é uma ótima atitude de vida! Ele não quis demorar a
chegar...e veio! Mostrou grande determinação, assim começando sua
existência "independente".
Parabéns e votos de saúde, amor e paz ! Muitos beijos e abraços
afetuosos para Elizabeth, você e Samuel.

Carinhosamente, sua amiga e madrinha de casamento
Theresa Catharina

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2009/5/21 walter ferreira:

Estimada Theresa Catharina:

O querido Samuel nasceu, com 32 semanas de gestação, pesando 1,175 kilos e medindo 39cm.
Estamos bem felizes e Betinha está se recuperando bem.
O Samuel deve ficar mais 1 mês na incubadora da UTI neonatal.

Um abraço,
Samuel, Walter e Elizabeth


NOS DIAS DE CINEMA

Meus pais me deram um nome comprido. É bem lindo, eu penso...Quando perguntei o porquê dos meus nomes, mamãe explicou em detalhes...

-"Princesas e rainhas, reis e príncipes, têm mais de um nome. Você, para nós, filha querida, é uma princesa, além de uma rosa ainda em
botão."

Disseram também que eu nem preciso usar perfume...porque já sou uma flor.

Falaram que os filhos são especiais para todos os pais, que colocam as crianças sob a proteção de santas e santos de sua devoção.

Ah, que palavras tão bonitas de ouvir e guardar no coração!

Hoje, vamos todos ao cinema. Sim, é uma alegria e tanto, das maiores que conheço!

Tenho só 5 anos. Acho que sou analfabeta. Reconheço as letras, porém. Aprendi também a conhecer, às vezes, alguns sons escritos no papel. Mas confesso que não sei ler.

Costumo fingir que sei ler - pego livros, jornais e revistas...olho as fotos, os desenhos, chamo as letras por seu nome, depois me canso de fingir. Queria muito saber ler de verdade.

Tudo isso contei porque me deu vontade...talvez porque..não sei bem.

Hoje é sábado e vamos todos ao cinema. Eu, meus pais, meus irmãos. Uma prima, que sabe ler bem demais, também vai. Meus irmãos, mais jovens do que eu, também não sabem ler. Mas eles não se preocupam em fingir que sabem ...

No cinema, não podemos brincar nem fazer barulho. Cinema tem brincadeira e barulho na tela. Se eu não obedecer as ordens de meus pais, a babá tem autorização deles para me levar de volta para casa. Depressa, sem demora.

Na sala do cinema, vou olhar as figuras, pessoas e coisas que aparecem na tela. Não posso fazer barulho. Devo ficar sentada, quietinha, silenciosa. Não posso perguntar nada, "nadinha". As perguntas ficarão para depois da sessão. Também não podemos comer, nem beber...só depois do cinema.

=====
Ah, que belo filme! Tão movimentado, com lindas cores e muita gente.

O tempo vai passando...acontece, então, eu ficar cansada de ler as letras e os sons que consegui reconhecer. Estou me deliciando com as imagens bonitas. Outras, são divertidas. Aliás, já aprendi algo muito importante...o fim de um filme não é a cena que parece ser o momento final. Nós saímos da sala somente quando o filme , de fato, termina: quando não aparece mais na tela nenhuma letrinha. Aí, deixamos a sala de cinema com vontade de correr, já pensando na sorveteria...onde vou escolher sabores de picolé. Lá, poderei conversar, perguntar tudo que não sei sobre o filme.

Faço tantas perguntas que até me perco!
Ora, se eu vi, mas não sei, tenho que perguntar...até compreender tudo.

Tudo isso contei porque hoje é sábado e, logo mais, vamos todos ao cinema e, depois, à sorveteria.

Um dia bem gostoso. Meu dia preferido. Bem animado. Sempre uma aventura deliciosa.

Theresa Catharina de Góes Campos
Belém de São Francisco - Pernambuco, novembro de 1962.

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From: Tereza Lúcia Halliday
Date: 2009/6/28
Subject: Re: NOS DIAS DE CINEMA
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Olha aí a semente da futura crítica de cinema!

O fingir que lia, remeteu-me a uma cena de Daniel, meu filho, com apenas dois anos: imitava os pais abrindo uma revista e fazendo que lia. Mas a revista estava de cabeça para baixo....

Ah, sim, sua recordação também me leva à sorveteria, ponto alto após o cinema, mesmo na jovem idade adulta.

Um beijo, Tereza Lúcia.

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From: Luci Tiho Ikari
Date: 2009/6/29
Subject: Re: NOS DIAS DE CINEMA - Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos

Theresa Catharina:
Seus escritos fazem muito lembrar a nossa infância também. Bons tempos. Tudo era novidade e um mundo repleto para conhecer. Hoje, chegam infinitas coisas para a criançada de maneira fácil, mas elas não se interessam. Ficam empolgados, se podem gritar, dançar e ligar aparelhos eletrônicos. Luci

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Vamos brincar de ler sons e letras?

DEDICATÓRIA
Um pequeno presente literário para o meu sobrinho-neto Samuel, esperando que goste de sons e letras...

Theresa Catharina

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BÊNÇÃO PARA SAMUEL E SEUS PAIS

2009/7/5 artemis coelho

Elizabeth e Walter,
Que o Senhor abençoe o pequeno e valente Samuel;
e que a exemplo do Samuel bíblico,
ele escute sempre em seu coração a voz da justiça e do amor de nosso Salvador,
guardando-o sempre em temor e amor a Deus.

Parabéns! Abençoado seja o lar de vcs.
Artemis


A FLOR

Há muita coisa bonita
para a vida alegrar.
Se uma flor encanta,
um sorriso vai imitar.

A flor é o sorriso da natureza
que atrai o beija-flor
para lhe dar o seu amor.


Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, 30 de maio de 1955


A PRIMAVERA

Cobrindo os campos de flores,
alegrando corações,
vem chegando a primavera,
a mais bela das estações.

Nas manhãs radiosas,
o canto dos pássaros
é a voz da natureza
saudando a sua chegada.

Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, 10 de junho de 1955


A BORBOLETA

A borboleta é o colorido da natureza
que voando entre as flores
mostra os seus primores.

Theresa Catharina de Góes Campos
Rio de Janeiro, 24 de junho de 1955


OS CONVIDADOS PARA A FESTA DO SOL

A chuva não veio.
Talvez amanhã...
O sol nos convida para sua festa!

A festa é aberta para todos nós.
Mas a chuva não virá.
Está muito, muito cansada.

Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères, Suíça (1960)


LES INVITÉS POUR LA FÊTE DU SOLEIL


La pluie n'est pas là.
Peut-être demain...
Le soleil nous invite pour sa fête!


La fête est ouverte à nous tous.
Mais la pluie ne viendra pas.
Elle est déjà trop fatiguée.

Theresa Catharina de Góes Campos
Gruyères, Suisse (1960)

 

COM POESIA, PARA A VIDA SER MAIS QUE SOBREVIVER
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COM POESIA, PARA A VIDA SER MAIS QUE SOBREVIVER.

Theresa Catharina de Góes Campos

Na trajetória poética de "Existe Vida sem Poesia?", mais uma coletânea de poemas.


GENTILEZA DA MENSAGEM DE LATIFE

De: Theresa Catharina de Goes Campos
Data: 18 de julho de 2010 19:04
Assunto: Que imensa bondade a sua, querida Latife, mesmo tão gripada, me escrever mensagem de tanta gentileza! MUITO OBRIGADA, do fundo de meu coração.Fwd: Por favor, não se trata de bruxaria, e sim, do poder real e natural que tem a cebola para absorver as bactérias
Para: Latife Hamu

Querida Latife:

Que imensa bondade a sua, estimada amiga, aliás, uma confirmação do que há muito se sabe sobre a sua pessoa tão solidária, porque verdadeira e autenticamente cristã, vivendo a caridade essencial que salva, o caminho único para a nossa redenção como seres humanos...

Mesmo gripada, achou tempo e reuniu disposição para me escrever mensagem plena de gentileza nas palavras que relatam a comemoração do aniversário natalício de Heloísa, com o destaque para o acróstico de homenagem à nossa amiga comum e nos comentários de incentivo sobre o meu sexto livro (a minha primeira antologia poética publicada). A gratidão é um dever a ser cumprido. Nos Evangelhos, Jesus pergunta ao único leproso que veio lhe agradecer a cura milagrosa: - Onde estão os outros? Dessa passagem - e outras- precisamos reiterar a nós mesmos que a Ele daremos graças pela cura e todas as outras bênçãos e graças, inclusive as bondades que recebemos de nosso próximo.

Por falta de oportunidade, há muito tempo que ando com o seu exemplar de Pensamentos para Ser, Agir e Viver Melhor. Agora, também estará reservado para você uma cópia de Existe Vida sem poesia?, sendo que eu poderia providenciar a entrega no seu endereço (mandaria deixar na Portaria do edifício, com o seu nome e número do apt.). Quando lhe for possível, então, se achar conveniente, bastaria me confirmar o endereço.

Nunca faço outras pessoas de portadoras, a não ser quem trabalha para mim, porque nem todos gostam de carregar objetos pesados em suas bolsas pequenas. Ou costumam se esquecer de entregar...

Prometendo repetir as orações que agora fiz, pedindo a Deus por sua pronta e plena recuperação, beijos carinhosos de quem muito a estima,

Theresa Catharina
De: Latife Hamu
Data: 18 de julho de 2010 14:00
Assunto: Re: Por favor, não se trata de bruxaria, e sim, do poder real e natural que tem a cebola para absorver as bactérias e ...Fw: O SEGREDO DA CEBOLA
Para: Theresa Catharina de Goes Campos


ESTIMADA TERESA,
ESTA MENSAGEM CHEGOU EM BOA HORA. ESTOU COM UMA FORTE GRIPE, PROBLEMAS NA GARGANTA E MUITA TOSSE. ACABO DE CORTAR UMA CEBOLA E COLOCÁ-LA AO LADO DO COMPUTADOR, TORCENDO PARA QUE TAMBÉM DÊ CERTO COMIGO.
NO DIA 13 ÚLTIMO, COMEMORANDO O ANIVERSÁRIO DA HELOISA, LEMBRAMOS MUITO DE VOCÊ. TIVEMOS EM MÃOS O SEU MAGNÍFICO LIVRO DE POESIAS. NA OCASIÃO, FOI LIDA A HOMENAGEM Á HELOISA ,NELE CONTIDA, DEMONSTRANDO, MAIS UMA VEZ, A SUA NOBREZA DE SENTIMENTOS.
UMA FELIZ TARDE DE DOMINGO, PARA VOCÊ! LATIFE
 


EXISTE VIDA sem POESIA?

A jornalista Theresa Catharina de Góes Campos acaba de reunir em livro – Existe Vida sem Poesia? – boa parte de sua extensa produção poética, até aqui esparsa, constituída de versos de tom bastante emotivo, escritos ao longo do tempo em três idiomas, além do português, os quais espelham as diversas fases de sua rica, sofrida e luminosa existência.

Na verdade, o brilho geral do livro, dedicado aos familiares da autora, é composto pela oportunidade que ela dá ao leitor de empreender, em sua companhia, uma viagem ao recôndito de seu coração para conhecer não só a alegria que esbanja de viver, como também as razões que a levam, por impulso, a escrever poemas. Naturalmente, para quem espalhou poesia em sua vida, como ela confessa, existem infindáveis sentimentos geradores dessa nobre atividade.

Todo poema, conforme admite Theresa Catharina, tem um passado, uma história a ser contada: Versos há que chegam / tão de mansinho / como a luz da madrugada. / Recebem o orvalho da manhã; / deixam-se seduzir / pelo encanto do beija-flor. Há alguns, porém, que, segundo ela, parecem borboletas! E outros condenados / ao silêncio, impedidos / de cantar. / Sinos quebrados. Muitos reagem, conforme explica. Rebelam-se, exigindo, com voz firme, o seu lugar no mundo. Há até os que usam disfarces (máscaras) e artimanhas para que se lhes retirem a mordaça.

A poetisa não usa, contudo, essa busca da história de seus versos para omitir ou falsear fatos de sua vida. Pelo contrário. É nessa ingente tarefa que ela se mostra em retrato de corpo inteiro. Em um poema, de muita força dramática, por exemplo, exalta a coragem de sua mãe, que a resgatou, em um país estrangeiro, da violência, a que então se submetia, no cotidiano de sua vida conjugal: Dias de medo e de horror, / de violência diária, / disfarçada e cruel. / Anos de solidão, / dias sem sol, / nem luar. / Dias sem luz, / anos ausentes de proteção. / Anos sem paz, / sem visão de esperança.

Tudo isso, entretanto, a autora procurou esquecer. Em outro poema, ela afirma: Nada foi estéril: tudo deu bons frutos. E acrescenta: Nada infértil se mostrou. / Derrotas e vitórias deram frutos... / ainda que em meio a lágrimas. / Nada, absolutamente nada / na minha existência se perdeu. / O ideal a tudo transfigurou. Reconquistada a liberdade, de volta ao âmbito da família, a jornalista procurou alimentar o espírito por meio principalmente do cinema, sua paixão desde os tempos de criança. Por isso, em homenagem à Sétima Arte, há muitos haicais em seu livro, além de uma profusão de poemas inspirados em filmes famosos, como Blade Runner, O Jardineiro Espanhol, Imensidão Azul, O Turista Acidental, Hiroshima, Meu Amor, e O País de São Saruê.

Inspirando-se em Mouchette, obra-prima de Robert Bresson, Theresa Catharina assim verseja: Ainda que o corpo se recuse, / o coração tem que reagir / e continuar a crer, a esperar, / mesmo que as lágrimas / se recusem a parar / de envolver nosso rosto / empalidecido e chocado / porque a solidariedade / não nos resgatou / do desespero. Também a literatura de Antoine de Saint-Exupéry (Terra dos Homens) a leva a escrever, originalmente em francês, em Paris, estes versos, que aqui vão na tradução dela para o português: Tudo se vai dizer / às estrelas d´Exupéry. / Mas é preciso se calar / diante dos homens / perdidos no deserto / do seu orgulho. / Vamos correr / diante das flores, / embora não, / se ouvirmos os ruídos / da guerra. / É preciso muita coragem, / muito amor, / para se falar aos homens. / Com as flores, / podemos falar de amor. / Com as estrelas / podemos conversar / sobre a ternura / escondida no coração puro / do Pequeno Príncipe.

No poema que dá título ao livro, a poetisa confessa não ter mais segredos, nem confidências: Meus versos disseram tudo – ela complementa. Há, porém, dois traços característicos da personalidade de Theresa Catharina que precisam ser aqui destacados: o primeiro é a sua pertinaz e corajosa luta contra o câncer, que ela vem vencendo, há mais de uma década, graças à perícia de seu médico certamente e ao seu espírito de perseverança, de não deixar a peteca cair, como diz, que ela sintetiza também em poesia: A vida precisa ser assim... / Olhe a peteca, não deixe cair! / Mantenha vivas as cores / e os perfumes da existência / Mantenha a vida em movimento, / caminhando até no silêncio / das meditações escolhidas. O segundo é a sua extraordinária confiança no poder da amizade: Louvado seja Deus, / pelas bênçãos da amizade / que nos resgata do egoísmo atrofiante.

A muitos amigos, por isso, a autora de Existe Vida sem Poesia? oferece versos como se fossem presentes ou flores numa maneira, conforme explica, num poema, intitulado Assédio Poético, de estabelecer maior comunicação entre as pessoas queridas. Mas ela teme também que essa atitude, própria de poetas que vivem no mundo da lua, importune a muitos dos destinatários. Em vista disso, se escusa: Que nos desculpem os amigos / por nossa impertinência. / Que nos perdoem o assédio poético. / Somos culpados, reconhecemos. / A nosso favor, digo apenas, que / vivemos com o coração na mão, / sempre a pulsar, fazendo poesia. / inclusive para ofertá-la aos amigos... Que, por sinal, somos muitos.

REYNALDO DOMINGOS FERREIRA


De: Tereza Lúcia Halliday
Data: 27 de junho de 2010 18:21
Assunto: Re: EXISTE VIDA SEM POESIA? - Comentário de Reynaldo Domingos Ferreira
Para: Theresa Catharina de Goes Campos

Que belíssima resenha, Therezita!
Disse tudo, sem contar tudo o que o leitor deve ir buscar por si próprio na leitura de sua estrada poética - estrada de vida exemplar.

Um beijo, Tereza Lúcia.


De: bere bahia
Data: 28 de junho de 2010 09:23
Assunto: Re: EXISTE VIDA SEM POESIA? - Comentário de Reynaldo Domingos Ferreira
Para: Theresa Catharina de Goes Campos

Olá, Amiga,

Gostei de ler estas considerações do Reynaldo sobre o teu trabalho e exemplo de vida.
Parabéns, Berê Bahia


De: elizabeth barros
Data: 28 de junho de 2010 19:46
Assunto: Re: Agradecendo as suas palavras de incentivo...Fwd: Adoramos o novo livro da senhora, ficou maravilhoso!!!
Para: Theresa Catharina de Goes Campos

(...)

Adorei o texto que Reynaldo fez com tanto carinho sobre o novo livro da senhora (Existe Vida sem poesia?).
A senhora deve ter ficado muito emocionada com as palavras desse amigo tão especial. Parabéns, a senhora merece.
Um abraço afetuoso de Elizabeth


De: VICTORIA ELIZABETH BARROS
Data: 28 de junho de 2010 22:30
Assunto: Existe Vida sem Poesia?
Para: theresa.files

Querida irmã Therezita, passamos um final de semana calmo e feliz sem grandes novidades, acompanhando os jogos da Copa, torcendo pelo Brasil em casa e aproveitando para descansar e ler seu livro, com tão belas poesias e nos transportando a vários locais , momentos que marcaram profundamente nossas vidas, relembrando pessoas e fatos de um passado longe , outros mais recentes, enfim, uma leitura agradável, mas também difícil, sobre alguns períodos bem difíceis de sua vida. Posso até confessar que estou podendo conhecer mais profundamente sua alma, seu coração, sua pessoa tão sensível e sofrida, mas também com muita fé e vontade de viver e continuar fazendo outras pessoas felizes, dando seu exemplo de como vencer os obstáculos e fazendo de um sofrimento uma vitória, um aprendizado para enriquecer ainda mais sua experiência de vida. Li com muita atenção o comentário do seu amigo Reynaldo sobre seu livro "Existe Vida sem Poesia?" e, realmente, ele conseguiu traduzir com palavras muito verdadeiras e belas esta sua obra literária que revela de forma transparente sua trajetória por caminhos diversos e a riqueza dos detalhes que encanta pela forma humana de captar a beleza do ser humano, do universo e das palavras, criando uma eterna poesia, seu verdadeiro e especial mundo, que a torna feliz e dando um objetivo para continuar vivendo. Parabéns mais uma vez pelo seu lindo e encantador livro que tenho certeza vai iluminar a vida de muitos leitores.
Beijos da irmã Victoria


De: VICTORIA ELIZABETH BARROS
Data: 18 de julho de 2010 11:10
Assunto: Re:Existe Vida sem Poesia?
Para: Theresa Catharina de Goes Campos

Querida irmã Therezita,

(...), pois está se recuperando de uma recente separação (...). Vou levar seu novo livro para dar de presente, pois contém muitas lições de vida.
(...)
Beijos carinhosos de todos e saudades da irmã que muito a ama e admira. Victória