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HOMENAGEM
ESPECIAL
A MEUS PAIS (In Memoriam), com amor e gratidão:
Theresa Amélia de Góes Campos
Fernando Salvador Campos
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A VIDA DE MAMÃE
(In memoriam) Theresa Amélia de Góes Campos
15 de outubro de 1925 - 14 de junho de 2008
A vida de Mamãe foi inspirada por Deus e realizada na
família com amor e dedicação, todos os dias de sua
existência.
Por isso, é no amor que Mamãe nos deu, que ela, nossa Mãe,
continua viva em nosso coração.
Deixou o nosso convívio para ser recebida por Deus, faltando
apenas quatro dias para completar um ano da morte de seu
único filho, Fernando José Salvador Campos.
Papai morreu em 02 de fevereiro de 2000, pouco antes de
completar, em 15/3/2000, 56 anos de casamento feliz com
nossa Mãe. Deixou um legado para nós, um tesouro como
herança: o seu exemplo de caráter, de responsabilidade e
honestidade no trabalho e na rotina de vida, assim como na
dedicação à família. Católico praticante, como nossa Mãe,
ambos nos ensinaram, com seu exemplo e na disciplina que de
nós exigiam, a rezar e a freqüentar a igreja.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 15 de junho de 2008
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AMIGA RELEMBRA MAMÃE
From: Dolinha Schmidt
Date: 2008/6/29
Subject: Re: A VIDA DE MAMÃE
Querida amiga
Estava em Braga, Portugal, envolvida na faina de seminários
e pesquisas, quando vi em seu e-mail a noticia da morte de
sua mãe.
Queria confessar-lhe que não tive coragem de dizer-lhe nada
naquele momento. Fui até o santuário do Menino Jesus de
Braga e, no silêncio daquele lugar, bem no alto, um
pouquinho neste mundo - "se Deus nos contasse com
antecedência, o que ele nos reserva, seria muito mais
difícil manter-nos na fé e na esperança. E, até disso Ele
nos poupa, então, temos que agradecer pelos encontros de
esperança que construímos neste mundo".
A minha mãe era uma mulher simples e sempre dedicada ao lar,
ao marido e aos filhos. Assim, querida amiga, agradecemos
pela oportunidade de termos as nossas mães como porto seguro
de nossa vida. Isso vale.
Espero, em breve, poder abraçá-la, carinhosamente. Por hora,
aceite meu coração aberto e minhas orações.
Dolinha |
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MEUS IRMÃOS
VICTÓRIA ELIZABETH e FERNANDO JOSÉ
Deus e meus pais me concederam a bênção de eu ter dois
irmãos mais novos: Victória Elizabeth e Fernando José.
Victória me reafirmou seu amor fraterno, quando voltei ao
Brasil para recuperar e recomeçar a minha vida pessoal e
profissional do ponto "zero", despojada de tudo, inclusive
de todos os bens materiais.
Esperou que eu me reerguesse, e me fortalecesse, física,
emocional e intelectualmente, proporcionando-me, com o seu
esposo William e seus filhos Elizabeth Fernanda e Guilherme
José, a melhor das hospitalidades, recebendo-me em seu lar
abençoado com a felicidade do amor conjugal.
Deu-me abrigo, apoio, ajuda e solidariedade; incentivo,
afeto e carinho, sendo eu sua hóspede durante muito tempo.
Fernando José, num diálogo bem representativo de seu amor de
irmão, ainda que vivenciando o calvário de um câncer
avançado em um dos pulmões, e lutando até para respirar,
respondeu à minha pergunta com palavras expressivas de seu
profundo bem-querer fraterno...
- Diga-me - indaguei - o que posso fazer por você? Como
posso ajudar?
E ele, apesar das dores e dificuldades, pronunciou as
palavras que em si mesmas definem a natureza do amor:
- Quero que você seja feliz! Viva bem a sua vida, seja
feliz!
A meu lado, no hospital, nossa mãe e a sua esposa também
presenciaram a cena.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 16 de junho de 2007
NOTA DA
EDITORA:
Meu irmão Fernando José Salvador Campos (In memoriam),
nascido em 1º/1/1946, na cidade de Santos-SP, faleceu em 18
de junho de 2007, aos 61 anos, na UTI do Hospital Brasília
(Brasília-DF).
Theresa Catharina |
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HAICAIS PARA NOSSOS MORTOS QUERIDOS
Saudade chegou ocupou todo o coração não saiu mais ---
Encontros realizados mais profundamente nas ausências sem fim --- Incompreensões e conflitos solucionados nos silêncios definitivos ---
Dor de saudade lamento dizer é incurável --- A saudade
tornou-se bem permanente ---
Pessoas amadas mesmo ausentes estão presentes ---
Saudade e amor são companhias inesquecíveis ---
Separação só existe no mundo das aparências na memória do amor, não ---
Onde estão nossos mortos queridos? Felizes, com Deus! ---
Já se foram mas estão presentes ---
Theresa Catharina de Góes Campos São Paulo, 14 de junho de 2008
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HAICAIS PARA MAMÃE
Mamãe vive no amor e na fé de nosso coração. ---
Aos 82 anos Mamãe se foi. Nunca mais nos separamos. ---
O olhar de Mamãe continua seguindo nossos passos. --- O amor de Mamãe permanece vivo em nós. ---
Os conselhos de Mamãe seguem ecoando dia e noite. ---
Meu Anjo da Guarda tem alguém a seu lado: Mamãe está feliz. --- Quando eu adormeço, Mamãe sorridente se debruça sobre mim. ---
Mamãe não dorme: vive e me protege noite e dia. ---
As mãos de Mamãe ainda seguram, firmes, as mãos dos filhos. ---
Theresa Catharina de Góes Campos São Paulo, 15 de junho de 2008
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ROSÁCEAS DE ESTRELAS
Ao meu querido Pai, no dia do seu aniversário. Rio, 07 de julho de 1963
Contam. Como foi, não sei. As palavras, as circunstâncias, há muito derraparam no tempo.
Hoje, não consigo nem mesmo a promessa de um retorno àqueles dias
agora relembrados. Retorno ao passado, volta à infância.
A custo, posso apenas concordar com a minha avó materna. Ela me conta que eu, com uns três anos de idade, já opinava sobre eleições presidenciais.
Repetindo conversas de adultos, eu dizia, até com uma certa segurança na voz infantil, mas confundindo a noção de realidade: - Eu votei no "Duta".
Outro fato perdido no recuo dos anos refere-se à ocasião
em que papai beijou minha irmãzinha caçula, Victoria, três anos mais nova que eu, e, depois, encostou seu rosto no dela por alguns minutos.
Ao presenciar tal cena, prontamente pedi: - Papai, me beije como o senhor beijou Victoria. Faça no meu rosto o mesmo que o senhor fez, igualzinho...
Se, um dia, eu beijasse com os olhos o infinito do céu e então sentisse nos lábios o esplendor de mil rosáceas de estrelas, ainda imaginaria minha infância um baú preciosíssimo, repleto de lendas verdadeiras.
(Ah, a meninice que escorregou com o crescimento de nossas mãos!)
As rosáceas de estrelas não poderiam mesmo competir. Existem há séculos, pertencem a todos.
Mas a simplicidade é própria das crianças, crédulas e crentes, para quem tudo existe como possibilidade.
E o valor de um carinho de pai prolonga-se em nossa vida, repetindo-se e se fazendo presente por toda a eternidade.
A filha que muito o ama, Therezita Theresa Catharina de Góes Campos 1º ano de Jornalismo - Faculdade Nacional de Filosofia,
Universidade do Brasil, Rio de Janeiro - 1963
From: artemis coelho
Date: 29/07/2008 20:31
Subject: RE: ROSÁCEAS DE ESTRELAS - Ao meu querido Pai -
Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Que lindo Theresa! Hoje mais do que nunca eu compreendo
quando Jesus diz que precisamos ser como crianças para
entrar no Reino.
(...)
Um abraço no seu coração. Fica com Deus.
Artemis
From: Veronica
Date: 29/07/2008 23:05
Subject: RES: ROSÁCEAS DE ESTRELAS - Ao meu querido Pai -
Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Que coisa linda, minha querida amiga.
De uma sensibilidade e pureza que me comoveram.
Beijo grande e fique com Deus.
Cláudia Verônica
From: Sonia M.Esposito
Date: 2008/7/30
Subject: ROSÁCEAS DE ESTRELAS - Ao meu querido Pai - Theresa
Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Olá, Theresa...
Tudo bem com você?!
Adoooorei...
Muito linda esta homenagem ao seu PAI...
Beijos no coração!!!
Sonia
From: Telma
Sueli Aguilar
Date: 2008/7/31
Subject: RES: ROSÁCEAS DE ESTRELAS - Ao meu querido Pai -
Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Que lindo, Theresa! Essas palavras refletem toda a
delicadeza da sua alma!
Muito obrigada pelo presente.
Um grande abraço da amiga
Telma
Date: 2008/8/1
Subject: Re: ROSÁCEAS DE ESTRELAS - Ao meu querido Pai -
Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Olá, Theresa Catharina! Tudo bem com você?
Parabéns pelas coisas que você escreve. Acho todas bonitas.
(...)
Luci
From: Theresa
Catharina de Goes Campos
Date: 2008/8/3
Subject: Não, eu não guardei este texto: ROSÁCEAS DE
ESTRELAS - Ao meu querido Pai - Theresa Catharina de Góes
Campos
Estimada Ana:
Encontrar o pequeno texto que escrevi para o meu pai, no seu
aniversário, em 07 de julho de 1963, me deixou muitíssimo
comovida.
Quando viajei para o Canadá, em 1971, acompanhando meus
pais, seria apenas por um período de dois anos, exercendo
meu pai a função de Adido Aeronáutico.
Antes da viagem, decidimos que em nosso apartamento no Rio
ficariam até os nossos documentos mais importantes, para nós
levarmos unicamente o que fosse necessário para a temporada
fora do Brasil.
Acontece que, em julho de 1972, eu me casei em Ottawa, só
retornando a meu país nos últimos dias de novembro de 1982,
praticamente com "a roupa do corpo", com as passagens de
meus filhos, os passaportes, mas sem ter conseguido que eles
viessem comigo.
Ao chegar, fiquei sabendo que, tendo meus pais decidido
vender o nosso apartamento na Rua Bulhões de Carvalho, muita
coisa foi jogada fora, inclusive porque ocorreu um problema
de conservação...
Comigo para o Canadá eu levara meus livros mais queridos,
inclusive os presenteados a mim por meus pais.
Fiquei traumatizada com essas e outras perdas, até hoje!
Após a morte de minha mãe, separando alguns objetos que eu
gostaria de conservar, encontrei o texto (manuscrito)
original Rosáceas de estrelas, dentro do envelope também
original, em que eu escrevi Ao meu querido Papai.
Imagine a minha comoção!
Um texto "sobrevivente", em meio a tantos!
Refleti igualmente sobre o fato de que eu mesma não
valorizei minhas palavras, porque, se me recordo bem, não me
preocupei em fazer uma cópia para mim. Achei absurda essa
minha atitude... porque eu sinto verdadeiro desgosto com a
possibilidade de perder o que tanto trabalho me dá!
Tudo de bom para você.
Abraços da amiga
Theresa Catharina
From:
Ana Falcao
Date: 03/07/2008 21:32
Subject: RES: ROSÁCEAS DE ESTRELAS - Ao meu querido Pai -
Theresa Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Boa noite, Theresa, de volta à Brasília, leio seu e-mail em
que você reproduz mensagem simples e comovente que enviou a
seu pai. Admiro-me você ter guardado o texto. As recordações
são muitas, com também as tenho de meu pai.
Abraços Ana |
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HAICAIS PARA MEU IRMÃO
(Fernando José Salvador Campos - Santos, 1/1/1946-
Brasília, 18/6/2007)
Margaridas graciosas,
favoritas de meu irmão,
saudade me trazem dele.
O sorriso indefinido
de meu irmão
hoje vive em mim.
O silêncio vivo
de meu irmão
era só dele.
Onde está ele agora?
Aonde foi permanecer
o meu irmão querido?
O que dizia meu irmão
nada revelava, mas
seu silêncio falava.
Ainda escuto
os bons conselhos
de meu irmão.
Sem disfarces na morte,
nem máscaras de riso,
meu irmão respira, vive.
Que saudade dolorida
esta ausência fraterna
tão inesperada.
Não é sombra,
é presença, esta
ausência de meu irmão.
As mãos de meu irmão,
que tanto fizeram,
imóveis ficaram.
A voz inesquecível
de meu querido irmão
silenciou com dor.
Onde foi ecoar
o riso amado
de meu irmão?
Só posso chorar,
não mais conversar,
com meu irmão.
Morte antecipada,
teve agonia lenta,
a depressão de meu irmão.
Rotina preciosa
em minha memória,
a vida do meu irmão.
Registros diários
na mente, na alma,
a vida de meu irmão.
Como dialogar
com o meu irmão
agora tão ausente?
Saiu, lamento,
de minha vida,
o seu apoio fraterno.
Dolorida permanece
a ausência latejante,
a saudade de meu irmão.
Na fumaça do cigarro
ele se foi bem antes...
com muitas dores.
Ainda me faz chorar,
a memória de sua dor
sem alívio nem cura.
Morreu nosso irmão,
vivo em nosso coração
tão saudoso na recordação.
A fé me diz
que meu irmão
não sofre mais.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 09 de junho de 2008.
From: LUCI TIHO IKARI
Date: 2008/6/13
Subject: HAICAIS PARA MEU IRMÃO
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresa Catharina:
Sinto pesar nessas poesias, repletas de dor e sentimento
de perda. Em
poucas palavras você consegue retratar tudo isso.
Luci
From: Tereza Lúcia Halliday
date: 15/06/2008 00:34
Subject: HAICAIS PARA MEU IRMÃO
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Theresita:
Que pena você ter tido a oportunidade de escrever esses
haikais!
A saudade deve ser imensa.
E em poesia, a falta do irmão se imortalizou.
Um abraço,
Tereza Lúcia.
COMENTÁRIO DE ELIZABETH FERNANDA
From: eliza barros
Date: 2008/6/15
Subject: HAICAIS PARA MEU IRMÃO
To: "theresa.files"
Tia, muito obrigada por me enviar esses lindos poemas
sobre o Tio Fernando José. São de uma profundidade e
sinceridade enormes. Que a dor que a senhora sente se
transforme nas boas lembranças que a senhora teve ao
lado dele.
Elizabeth
COMENTÁRIO DA PRIMOGÊNITA DE MEU IRMÃO
From: Diana Farias
Campos
Date: 2008/6/16
Subject: Re: HAICAIS PARA MEU IRMÃO - Theresa
Catharina de Góes Campos
To: Theresa Catharina de Goes Campo
Queria Tia,
Ainda que cheias de uma dor imensa, muito lindas as suas
palavras. São de um carinho imenso.
Tenho certeza de que onde ele estiver está ainda mais
orgulhoso da irmã tão querida! Tia, estou muito
preocupada com você... foi muito pouco tempo para perder
duas pessoas tão queridas e importantes, seu irmão e,
menos de um ano depois, a vovó. Posso avaliar a dor que
arde no seu peito agora. Eu queria muito poder fazer
algo para ajudá-la a assimilar duas perdas inestimáveis
em um período tão curto. Mas infelizmente só o tempo tem
esse poder.
Espero que isso não termine abalando sua saúde física,
já que a emocional infelizmente nunca sai 100% impune.
A Betinha me ligou ontem de tarde para me dar a notícia.
Foi de cortar o coração, ela estava muito sentida,
inconformada e chorou bastante também.
Espero que ela consiga logo, com o mínimo de sofrimento
possível, encontrar aceitação e assim acalmar seu
coração.
Enfim, aqui seguimos rezando pela alma da vovó e por
todos que a amavam e que agora sofrem.
Um beijo enorme
Sua sobrinha e sempre amiga,
Diana
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HAICAIS ANTI-TABAGISTAS
A meu irmão Fernando José Salvador Campos (In memoriam)
1)
A névoa do cigarro
só traz morte
e dor sem fim.
2)
A fumaça do cigarro,
cruel e mortal,
apaga muitas vidas.
3)
Por que trocar
pelo fumo assassino
a sua vida preciosa?
4)
Cigarro não faz companhia.
Encomenda a morte
antecipada e dolorosa.
5)
Quem fuma se esvai
caminhando na dor
para o abismo da morte.
6)
O cigarro assassino
apaga sua voz,
destrói seus pulmões.
7)
Quem fuma se esvai,
vai morrendo antes,
à vista de todos.
8)
Cigarro e vida
não combinam:
é duelo mortal!
9)
A fumaça do cigarro
vai corroendo por dentro
como flor envenenada.
10)
Estremeço, horrorizada,
ao ver alguém, qualquer um,
se matando com cigarros.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 12 de junho de 2008.
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SEMANAS DE LUTO E SAUDADE
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 06 de junho de 2009
Querida irmã Victoria:
Nesta semana que hoje o domingo inicia, e na semana próxima,
estarei ainda mais comovida com as nossas lembranças e
saudades de Mamãe (falecida em 14/6/08) e nosso irmão
Fernando José (em 18/6/07), acrescidas também das
recordações de nosso Pai, falecido em 02/02/2000.
Não deixo de recordar esses nossos entes tão queridos,
esteja certa disso. Nem sei o que falar, nem o que dizer. A
gratidão está nas orações e nas Missas em que são
recomendados como tanto merecem, de nossa parte.
Sejamos fortes, corajosos na fé.
Entre as pessoas que falaram sobre o recente acidente com o
vôo 447 da Air France, destaco as palavras maravilhosas de
um Pai...representante da Família Real brasileira, que
perdeu um jovem filho, Pedro Luís de Orleans e Bragança, de
26 anos, também com o título nobre de príncipe (irmão de
duas princesas e um príncipe que, ao lado da mãe,
compareceram às Missas no Rio de Janeiro). Comovido também,
como dezenas de outros parentes ali presentes, afirmou se
expressar como Pai, enfatizando: "não perdi um filho, estou
devolvendo um filho a Deus; não perdemos ninguém, nós os
devolvemos a Deus; por isso não perdi a minha Fé."
Realmente, um testemunho exemplar de quem se diz cristão e
católico.
Refletindo agora sobre esses momentos de luto, pelos nossos
familiares próximos em particular, porém, igualmente em
homenagem póstuma a todas as vítimas daquele acidente aéreo,
o sofrimento se faz pungente.
Penso que a emoção me fará guardar em silêncio toda a
saudade destas próximas datas...
Portanto, se eu permanecer silenciosa demais, nestes dias
dolorosos que se avizinham, não se trata de esquecimento,
mas de comoção e dor. E nesses sentimentos profundos,
estaremos todos nós muito unidos, nos apoiando na Fé que
nossos pais nos ensinaram com as suas palavras e o seu
exemplo de cada dia. Na verdade, foi a maior herança, o
tesouro maior que nos transmitiram.
Abraços e beijos muito carinhosos da irmã sempre grata,
Therezita
Salmo 32 (33)
A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.
A palavra do Senhor criou os céus,
o sopro da sua boca os adornou.
Foi Ele quem juntou as águas do mar
e distribuiu pela terra os oceanos.
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
Do céu o Senhor contempla
e observa todos os homens.
A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.
Concluindo:
Sei dar valor ao tempo que Deus nos concede e que Ele
determina para vivermos nesta vida de aprendizado. Todos os
dias eu penso nos meus pais e no meu irmão falecidos, porque
foram muito presentes em minha existência, no meu coração e
na minha mente.
Na verdade, nossos entes queridos estão vivos, mais vivos do
que nós. Nós é que não os vemos, porque nossos olhos são
imperfeitos e, como Saint-Exupéry tão bem escreveu, em "O
Pequeno Príncipe", "Só se vê bem com o coração. O essencial
é invisível para os olhos."
Considerando que somos tão limitados em nosso olhar,
cultivemos a memória sensível do coração.
Theresa Catharina de Góes Campos
São Paulo, 06 de junho de 2000
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From: Theresa Catharina
de Goes Campos
Date: 2009/6/8
Subject: Desculpe-me, amigo! Não soube me expressar bem! Re:
CONCLUINDO)): SEMANAS DE LUTO E SAUDADE
To: REYNALDO FERREIRA
Prezado Reynaldo:
Ainda bem que você deu um retorno à minha mensagem, na qual
eu não devo ter me expressado bem, enfim, com a devida
clareza... Assim, agora eu tenho a oportunidade de me
explicar melhor; espero desfazer, neste e-mail, o "ruído" em
minha comunicação. Na verdade, não quis dizer que me
ausentarei de nada! Nem dos trabalhos, nem dos compromissos
, nem do convívio pessoal ou do convívio virtual.
A mensagem teve dois objetivos: evitar o foco exclusivo na
tristeza e saudade pela morte de mamãe, de papai e de nosso
irmão; e também, a minha recusa a permanecer estes dias
chorando verbalmente essas perdas, naturais da condição
humana, conversando apenas, unicamente sobre esse luto tão
natural em nossa existência comum. Trata-se, portanto, do
fato de eu rejeitar a idéia de que o luto resumiria o todo
de nossa vida,pois considero a morte uma realidade
integrante do que chamamos vida. Principalmente para os que
têm fé e uma visão espiritual para cada segundo que
recebemos do Senhor do Tempo. O maravilhoso é que a minha
falta de jeito, no texto que escrevi, me deu um presente a
mais, próprio de sua amizade: você, apesar de tão ocupado,
logo me escreveu para transmitir palavras de solidariedade e
sabedoria, reafirmando a importância de, recorrendo à nossa
força interior, darmos continuidade à vida, sabendo
enfrentar os momentos difíceis.
Muito obrigada, de coração!
Que Deus o abençoe!
Carinhosamente,a amiga de sempre,
Theresa Catharina
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2009/6/8 REYNALDO
FERREIRA
Prezada Theresa Catharina,
Compreendo a sua decisão de se ausentar desse nosso convívio
virtual. Este mês de junho, para você, é realmente
penoso!...Solidarizo-me com os seus sentimentos, fazendo-a
lembrar, contudo, da necessidade que temos de superar as
perdas para darmos continuidade à vida. Sei perfeitamente
que você é dotada de extraordinária força interior para
enfrentar esses momentos difíceis. Forte abraço. Reynaldo
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